Ao chegar à base, o Major Nelson foi diretamente para sua sala.

— Boa tarde, Dolores. Algum recado para mim?

— Boa tarde, Major Nelson. Sim, o Dr. Bellows pediu que fosse a sala dele assim que chegasse.

— Está bem, obrigado.

Ele colocou a maleta na mesa e afrouxou a gravata, que parecia estar apertando ainda mais a sua garganta. Mais do que o nervosismo que vinha sentindo nas últimas semanas. Estava tenso e nunca havia se sentido dessa forma antes, nem mesmo por causa de algum projeto ou ao atravessar a atmosfera, ir ao espaço. Ser pai causava uma ansiedade ainda maior, mais do que todas essas outras coisas. Era também a sensação mais ambígua que já havia experimentado desde então; pois além de proporcionar uma enorme felicidade, também lhe dava medo. Daqui a alguns dias ele seria responsável por uma vida: teria que lhe ensinar a distinguir o que era bom e ruim, o certo e o errado, não poderia deixar que nada faltasse a ele. E não deixaria. Além disso, havia ainda a possibilidade de seu bebê ser um gênio e acima de todas as demais, essa era a que mais lhe assustava.

Recordava-se da semana em que havia ajudado Jeannie a cuidar de Abdullah, seu sobrinho-gênio e também do momento em que Hajji fizera ela lhe contar a verdade sobre seus filhos virem a ter poderes mágicos. Na época, se casar com ela lhe parecia uma ideia extremamente remota e distante possível, porém a amava e enfrentaria com ela os desafios que a vida a dois lhes proporcionaria. O de ter um filho (sendo gênio ou não) era talvez o maior deles e estava preparado.

— Major Nelson? — a voz da bela secretária interrompeu seus devaneios.

— Ah... Sim?

— Como a senhora Nelson está?

— Ansiosa. Foi o quinto alarme falso.

— Tenho certeza de que tudo ficará bem e o bebê nascerá logo.

— Eu também espero. Se o Dr. Bellows ligar, diga que já estou a caminho.

— Sim, senhor.

Em pouco tempo chegou a sala do psiquiatra e bateu na porta. Logo ouviu a voz abafada dele dizer 'entre', girou a maçaneta e entrou.

Lá estavam o General Schaeffer, o Dr. Bellows, Roger e Jonathan Erickson, que recentemente havia sido promovido a Capitão.

Roger carregava uma expressão tensa e isso deixou o Major Nelson apreensivo. O que teria acontecido?

— Boa tarde, senhores.

— Boa tarde, Major Nelson – respondeu o Gal. Schaeffer em um tom desanimado — Você já conhece o Capitão Erickson?

— Sim. Soube da sua promoção Jonathan, meus parabéns.

— Obrigado, Major.

— Major Nelson... — começou o Dr. Bellows — Certamente se lembra do projeto Fênix.

— Sim, senhor. O projeto de resgate de algumas plantas de foguetes que foram descartados.

— Exatamente. Major Nelson... Eu, como seu superior, não sei como lhe dizer isso, mas... — General Schaeffer parou de falar, como se buscasse as palavras certas — Você foi designado para este projeto, juntamente com o Capitão Erickson, pelas próximas três semanas.

A expressão tranquila e serena que o Major Nelson levava desapareceu por completo, o que não passou despercebido pelos oficiais presentes, que se entreolharam, cabisbaixos.

— Mas... Mas senhor, eu não posso ir! Jeannie vai dar à luz a qualquer momento, ela precisa de mim! — a voz dele continha uma leve nota de desespero. Se aproximando do melhor amigo, ele tocou seus ombros e continuou com a tentativa de persuasão que no fundo, sabia que não daria certo — Escolham o Roger! Ele trabalhou ao meu lado em diversos desses foguetes!

— Sinto muito Major Nelson, mas o Major Healey ficou encarregado do projeto Andrômeda, que também possui alta prioridade para a NASA neste momento. Está fora da minha alçada.

— Você conhece os cálculos e fundamentos desses projetos melhor do que ninguém, por isso precisamos de você. As plantas e protótipos dos foguetes estão em Dallas, por isso vocês devem partir imediatamente. — e, afim de acalmá-lo como amigo e não seu superior, o Dr. Bellows se aproximou — Fique tranquilo, eu já expliquei a situação para a Amanda e ela cuidará muito bem de Jeannie. Eu também estarei por perto.

— Vocês... Vocês não têm ideia de como a Jeannie ficará chateada. — ele estava inconformado com aquela situação. Por que iriam separá-lo de sua esposa logo em um momento como aquele? Porém era seu trabalho, operações repentinas eram comuns e amava ser astronauta. Mas também amava Jeannie, refletiu, enquanto acompanhava o Capitão Erickson até o veículo que os aguardava no estacionamento.

Continua...