Disclaimer: Inuyasha não me pertence! Todos os créditos são de Takahashi Rumiko. A personagem original é minha, e não autorizo reproduções.
A Vida Como Ela É
Capítulo 2: A vida do irmão do meio
Daiyoukai Inuyasha tinha uma vida fácil, como muitos poderiam classificar. Não precisava preocupar-se com problemas financeiros, já que seu irmão mais velho tratava de tudo, com a ajuda de Bokuseno. A família Daiyoukai era importante e influente no mundo dos negócios e da medicina. Seu pai, Inutaishou, era dono de um dos maiores hospitais do Japão. Após a morte dele e de Izayoi, o controle do hospital era dividido entre seu irmão e o vice-presidente, ainda que ele e Hayego tivessem, cada um, 25% das ações.
Justamente por isso, ele não tinha nada com o que se preocupar, exceto sua faculdade de História, sua exultante vida social e seu treino diário de kendo.
Naquela manhã, como em todas as manhãs de sábado – e apenas de sábado –, Inuyasha acordou cedo, às 8 horas da manhã. O quarto dele ficava no andar de cima, no final do corredor, de frente para o enorme jardim da casa. O sol da manhã entrava suavemente pelas janelas sem incomodar o sono do rapaz.
Sentado na cama, pegou o celular da mesa-de-cabeceira e suspirou ao ver centenas de mensagens de Kikyou. A última delas foi às 5 horas da manhã, fazendo Inuyasha arregalar os olhos. A namorada devia ter chegado aquele horário em casa, havia comentado alguns dias antes que haveria uma festa na sexta-feira. Largou o aparelho na cama sem responder às mensagens e foi para o banheiro anexo ao quarto.
Sesshoumaru muito provavelmente não estava mais em casa. O mais velho tinha o estranho costume de ir à faculdade aos sábados. Hayego com certeza ainda estava dormindo. Quinze minutos num banho quente foi o suficiente para despertar o preguiçoso – que não era tão preguiçoso assim – e em meia hora, já havia descido para tomar seu desjejum preparado por Kaede-obaa-san:
- Comendo como um morto de fome – comentou a velha governanta -, como sempre, Inuyasha-sama.
Servia há anos a família Daiyoukai, e, por isso, tinha o privilégio de manter uma estreita relação com seus senhores mais novos, ainda que mantendo algum respeito. Inuyasha resmungou:
- Dá pra parar de me encher o saco, velha chata?
O que não era tão recíproco. Kaede suspirou e manteve-se quieta, ainda que negasse com a cabeça. Mudou de assunto:
- Kikyou-sama ligou.
O rapaz parou de comer e a encarou:
- E o que você respondeu?
- Que estava dormindo.
Não gostou muito da resposta que a governanta deu, mas não disse nada e terminou seu café em silêncio. Kaede percebeu que o relacionamento do garoto não ia muito bem. Na verdade, sua opinião era que Kikyou não era lá uma boa pessoa. Ao menos não para ter um relacionamento amoroso.
Para ser sincero, Inuyasha também partilhava desse ponto de vista. Ele sentia mesmo era uma atração física pela mulher. As artes que Higurashi Kikyou dominava eram, no mínimo, interessantes. Perdido em pensamentos, fora desperto pela voz repreensiva de Kaede:
- Vai se atrasar, Inuyasha-sama.
- Eu sei, velha, eu sei. – levantou-se e pegou as chaves de sua moto, junto com o casaco e saiu sem se despedir.
O dojo que frequentava era o da renomada e tradicional Universidade de Tóquio – onde também estudava –. Seu pai estudou lá, bem como seu irmão, seus pais e futuramente sua irmã. Sem mencionar as outras famílias de renome no país, como os Ookami – a frente de uma das maiores redes de hotelaria – e os Kawashima – soberanos quando se fala em tecnologia –. Ainda que o trânsito estivesse confuso, ignorou quase todas as leis de trânsito e conseguiu chegar no horário ao dojo.
Estacionou a moto e quase imediatamente esbarrou em Kouga. O moreno de olhos azuis o fitou com desdém:
- Não olha por onde anda, cachorrinho?
Inuyasha manteve a pose, ainda que uma veia latejasse em sua cabeça:
- Não costumo reparar em lixo, lobo fedido.
Foi Kouga quem perdeu a linha:
- O que foi que disse, pulguento?!
- Ah é, apanhou tanto do Hakudoushi que ficou surdo – concluiu o Daiyoukai. Oikawa Hakudoushi era o atual sensei do dojo. O rapaz de cabelos brancos e olhos lilases tinha 26 anos e estudava medicina, sendo colega de Sesshoumaru. Os dois eram conhecidos por terem empatado num dos mais intensos duelos que a Universidade presenciara em anos.
Kouga, com seu enorme ego, o havia desafiado e perdido feio há algumas semanas. Tendo a derrota mencionada, Ookami estreitou os olhos perigosamente:
- Você é muito bom pra falar, Daiyoukai, mas vamos ver se luta tão bem quanto.
Antes que os dois pudessem se atracar, a chegada de um terceiro "amigo" os interrompeu:
- Olá! – saudou um sorridente Houjo.
- Cai fora, Akitoki, não tá vendo que estamos ocupados? – disseram os dois em uníssono.
O rapaz se assustou com a reação dos amigos e disse:
- Não vi nada não. Aliás, Hakudoushi-senpai está chamando. – ele deu de ombros e seguiu para a entrada do dojo.
Depois de trocarem um olhar de desprezo infinito, Inuyasha e Kouga entraram. A maioria dos alunos já estava devidamente vestida para o treino, ainda que faltassem alguns minutos para a aula iniciar deveras.
Às 9 horas em ponto, Hakudoushi deu início a aula de uma forma diferente. Em pé diante de seus alunos da turma avançada, Oikawa começou:
- Vocês já sabem que o Torneio Nacional de Kendo, este ano, será sediado em Hiroshima no final do ano. Mas, desde já, quero que os interessados assinem aquela lista – ele indicou com um movimento de cabeça a parede atrás de si – hoje. Não é obrigatório, a faculdade não exige nada, mas quem não for participar ainda terá que participar dos treinos extras.
Ele percebeu que, ainda que respeitosos, alguns alunos não pareceram felizes com aquela informação. Haku, como seus amigos costumavam chama-lo, prosseguiu num tom mais sério:
- Todos, sem exceção, vão treinar mais. Ao menos deem apoio aos seus nakamas.
Inuyasha viu Kouga comentar alguma besteira com seus dois amigos patetas, e prontamente levar uma pancada de Hakudoushi com a espada de madeira. O treino transcorreu normalmente até o meio-dia, e todos os alunos começaram a se trocar.
Houjo, que estava perto de Inuyasha, comentou:
- Tá ouvindo as risadinhas?
- São as meninas que vieram nos ver trocar de roupa, Houjo – respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e que tivesse que explicar à uma criança.
- Eu sei! Mas parece a voz da Kagome-san...
Foi como dizer que havia uma lanchonete gratuita para um morto de fome. Inuyasha olhou de uma vez para a porta, tendo tempo de ver Kagome, Kawashima Sango e Oikawa Rin se afastarem da porta, pegas no flagra. Houjo parecia em outro mundo:
- Ah, Kagome-san...
Inuyasha ficou quieto, olhando fixamente para a porta. Sabia muito bem que Akitoki não era, nem de longe, um rapaz por quem Kagome se interessaria. A irmã gêmea de Kikyou deixou claro, muitas vezes, que via o rapaz como um irmão.
Não que ele estivesse interessado na irmã de sua namorada. Não mesmo. Só não gostaria de imaginar a garota com alguém como Kouga, por exemplo, que não valia um tostão furado. Se bem que não imaginava que a Higurashi, assim como a irmã de Hakudoushi, Rin, fossem esse tipo de garotas. Sango ele tinha certeza que era.
Depois de vestido e ter se despedido dos colegas, Inuyasha saiu para o estacionamento. Aliás, local muito apropriado para encontrar pessoas, ao que parece. Ao longe, perto do ponto de ônibus, ele pode ver a silhueta de Kagome. Ela parecia um pouco ansiosa, pois não parava de balançar os pés e olhar o relógio de pulso.
Depois de pensar um pouco, Inuyasha se aproximou e disse:
- Oi, Kagome.
Ela deu um pulo de susto, mas depois se recompôs e deu um sorriso sem-graça para o cunhado.
- Olá, Inu-kun! – ele não gostava do apelido, mas ela insistia.
- Precisa de uma carona?
- Bem... – ela mordeu o lábio, gesto que Inuyasha julgou bastante fofo.
- Ora, vamos, eu preciso mesmo falar com a Kikyou e acho que o próximo ônibus vai demorar.
- Hm... okay! – a gêmea mais jovem deu um sorriso cálido e seguiu-o para junto de sua moto.
Ela tentou esconder o pequeno desconforto, mas o amigo reparou e sorriu:
- Tem medo de motos?
- Não! – ela apressou em dizer. – É que eu... ah, eu vim de saia... etto...
Inuyasha riu baixinho:
- Não seja por isso – ele prontamente tirou o casaco e entregou para que ela amarrasse na cintura, ao contrário, afim de esconder as pernas.
Kagome ficou extremamente corada, mas Inuyasha fingiu que não notou afim de não constrangê-la mais. Entregou um segundo capacete à cunhada e ambos subiram na moto.
Deu graças a Deus ao capacete, pois com ele, podia rir do desconcerto de Kagome em não saber onde colocar as mãos; na garupa ou no tronco forte de Inuyasha, sem que ela reparasse.
O caminho para a casa dos Higurashi era sabido de cor pelo Daiyoukai. As duas moravam com a mãe, o avô e o irmão mais novo em um templo xintoísta, um pouco afastado da cidade. Kikyou claramente não gostava, mas Kagome parecia amar. Depois de parar a moto para a jovem descer, Inuyasha estacionou e travou-a, descendo logo em seguida.
Subiam junto as enormes escadas que levava ao Templo enquanto conversavam:
- Você parece ter faro pra sobá, Inu-kun! – riu Kagome – Mamãe está fazendo, hoje.
- Feh! – ele rolou os olhos. – Parece até que eu vim comer na sua casa e não te dar uma carona!
- Aah! Não foi isso que eu quis dizer! – Kagome estufou as bochechas e virou a cara.
Segundos depois, Kikyou apareceu com as mãos na cintura e um sorriso nos lábios:
- Ah, aí estão vocês. – ela abraçou a irmã delicadamente e depois se voltou para Inuyasha, seu sorriso mudando para algo mais malicioso – Eu liguei pra você e mandei mensagens. Por que não respondeu?
- Eu estava dormindo às 5 da matina, Kikyou – Inuyasha a abraçou. – E quando vi já estava atrasado pro kendo. Aliás, falando nisso, o quê você e a Rin-chan estavam fazendo no dojo?
A pergunta deixou Kagome quase violeta. Kikyou riu e puxou a irmã pelos ombros:
- Quem sai aos seus não degenera, nee-chan.
- N-não é isso! A Rin-chan queria falar com o irmão dela, só isso! – ela se apressou a dizer, mas assim que viu que nenhum dos dois pareceu dar crédito, bufou e entrou em casa.
Assim que ficaram a sós, Kikyou não fez cerimônias para beijar o namorado de forma picante. E nem Inuyasha fez algum esforço para amenizar as coisas, por possivelmente Souta aparecer. Depois de alguns minutos de beijo, Kikyou disse:
- Fica para o almoço, certo?
- E perder o sobá da sua mãe?
Sorrindo, os dois caminharam juntos para a casa.
Então...! Desculpem pela demora, okay? Tá, eu sei que uma demora de anos não é lá muito desculpável, mas eu juro que não irei abandonar esta fanfic, tampouco as outras, e também não demorarei tanto mais!
Espero ainda ser digna de algum review...
Beijos,
Bella-Tayoukai
