Disclaimer: Naruto não é meu.
Aviso: Os personagens podem ficar meio OOC principalmente o Sasuke.
Boa leitura!
O1 – Sasuke
Eu nem sempre fui assim, isolado. Não tanto como sou agora.
Sabe, eu era uma daquelas crianças sorridentes, que amavam suas famílias. Claro, claro, eu era feliz. Muito feliz, por sinal.
Todos os dias, quando mamãe me acordava, eu pulava da cama e dava um abraço de urso envolvendo minhas perninhas em sua cintura e meus braçinhos eu seu pescoço. Ela às vezes até me carregava sem me segurar, de tão forte que eu me agarrava.
E às vezes, ela tinha que me empurrar para eu desagarrar.
Era a mesma coisa com meu irmão.
Quando eu era muito pequeno e ainda não estudava, ficava de plantão esperando ele chegar da escola.
Quando ele chegava era uma festa. Eu o enchia de interrogatório: "Como foi a aula? Fez amigo novo? Entrou alguém novo? Foi legal?"
Era sempre assim, amável, adorável com todos, menos com meu pai.
Quer dizer, mais ou menos.
Ele era um homem sério, não brincava nem nada. Só às vezes, quando eu ficava meio triste porque achava que ele não gostava de mim.
Aí ele chegava, e perguntava oque eu tinha. Aí eu falava que achava que ele não gostava de mim. E ele não comentava nada, somente me perguntava "E aí, filhão? Vamos pescar com o seu irmão?" E íamos pescar.
Era tudo tão bom...
Minha mãe era a pessoa por quem eu era apaixonado. Ela sempre me cativou com aqueles enormes orbes negros e carinhosos. Quando eu ia escondido na cozinha catar as rosquinhas de chocolate que ela fazia, sempre junto com as rosquinhas vinha um sermão. " Essas rosquinhas não eram pra só você comer! Eram para os seus tios!" Ah claro, devo lembrar que ela somente fazia as deliciosas rosquinhas quando meus tios vinham da Austrália para nos visitar.
E quando vinham, não traziam nada para mim. A desculpa deles era sempre a mesma "Não achamos nada para você." Mas para o Itachi eles achavam. Incrível, não? Somente hoje, já adulto, que compreendo que eles nunca gostaram de mim. Mas isso não importava, tinha a minha mãe para me reconfortar. Sempre ela estava lá, de braços abertos para me reconfortar.
Itachi também. Mas ele era mais distante do que ela, ela fazia o papel de mãe, ele fazia o de irmão. Me levava para passear quando não tinha nada para fazer, me ajudava no dever de casa, me levava para o curso de inglês...
Itachi era mais que um irmão, era um amigo. Meu grande amigo. Nunca me abandonou, muito menos brigou comigo. Claro, o tempo que eu tive com ele foi muito pouco, e a idade que eu tinha naquela época não era o suficiente para gerar uma discursão. Eu sempre conversei com ele, contei tudo oque sentia... E ele me apoiava, me consolava quando preciso, e me repreendia quando eu estava errado.
Ele fazia parte da minha vida junto com mamãe, e talvez, papai.
Papai sem foi mais sério, tinha medo de ficar muito tempo com ele, talvez ele me desse uma bronca... Mas grande parte das vezes eu estava errado. Eu só fui ouvir da boca dele que me amava nos últimos momentos... Nos últimos suspiro de vida, que ele viu quanto foi pouco o tempo que ele passou comigo.
Parecia que ele preferia o trabalho do que a família, mas aposto que ele mudou de opinião aquele dia.
No dia que eu deixei de ser o garotinho feliz para me tornar o homem que sou hoje.
Eu perdi todos eles, todos eles, por causa de uma dividida estúpida. Uma dívida que o papai esqueceu de pagar, e para se vingar, o homem foi lá em casa e matou todos, deixando somente a mim vivo porque eu estava na escola. Eu escapei por pouco, mas preferi que ele tivesse me matado também.
Mas não o fez.
Me deixou vivo para todas as noites me lembrar daquele dia. Para as lembranças me torturarem até eu sentir minha garganta inflar e o nó aumentar ainda mais, me fazendo ter pesadelos e me tornar cada vez mais distante.
Somente para me lembrar de tempos, que antes me sentia feliz, depois, me sentia morto.
Eu me senti completamente sozinho até conhecê-la.
Ela, até oque me parece, foi a coisa mais importante da minha vida depois dos meus pais.
Eu a conheci no último ano do colegial, quando não restava mais ninguém. Eu estava num poço de escuridão, e já havia desistido da faculdade, não tinha mais animo para estudar.
Mas aqueles lindos orbes verdes me incentivaram a ir até o fim.
Ela foi a única a falar comigo durante tanto tempo, e a única a querer ser minha amiga. A única que se preocupou comigo em tanto tempo.
E nós viramos amigos, embora eu fosse um pouco distante.
Eu não tinha culpa de a vida tinha me moldado à força.
Ela foi a única com quem eu desabafei, a única que eu tive coragem de mostrar quem realmente eu era.
No final, me vi realmente apaixonado por ela.
Depois de dois anos, eu me declarei, e nós namoramos.
Cada dia que passava, eu me sentia mais e mais apaixonado. Ela funcionava como uma droga: me aliviava e me dava prazer, me fazendo ficar cada vez mais viciado. Ela era a droga mais bela que eu podia ter, a mais saudável, a mais amável, eu poderia ter a droga perfeita para mim pelo resto dos meus dias.
Haruno Sakura, a droga perfeita.
Eu poderia ter-la.
Eu poderia ser feliz.
Nós iríamos ser casados.
Mas tudo acabou.
Meu mundo foi ao chão de novo.
Eu perdi tudo de novo.
Lembro-me do dia em que eu morri pela segunda vez. Eu iria pedi-la em casamento. Eu estava radiante. Me sentia... Completo... Sem aquele vazio tão incomodo e doloroso que eu sentia a toda hora. Já havia ensaiado tudo: eu chegaria, daria o buquê de flores, e dentro do cartão estaria escrito "casa comigo?" com um anel pendurado.
Tudo seria tão perfeito, tão feliz...
Mas eu a encontrei próxima de um cara.
Muito próxima.
Eles estavam se beijando, e ela me traindo.
Então, tudo morreu.
Minha esperança de ser feliz, minha esperança de ter uma família, de ter um lar... Tudo se foi junto com a minha vontade de viver. Tudo vazio, tudo cinza, tudo embaçado. Era assim que eu vi naquele momento. Fiquei ali, estático, esperando que ela me olhasse e pedisse perdão... Mas não, ela continuou com o homem, dando sorrisinhos felizes que ela só dava para mim.
Deixei o buquê ir ao chão junto com o anel e minha felicidade. Senti algo quente rolar por minha bochecha, senti um buraco enorme no peito, um buraco que eu conhecia, um buraco que latejava. Um buraco, que me atormentava dia após dia antes de conhecê-la. Saí daquele parque às pressas... A partir daquele dia, tudo que fazia sorrir, virou motivo de pesadelo. Todas as vezes que eu passava em frente a aquela arvore, sentia meu buraco latejar. Saia dali às pressas.
Após o grande desespero daquele dia, me vi completamente perdido, completamente só. Vi-me novamente naquele poço de escuridão em que eu passei tanto tempo trancado... Parecia que minha vida estava destinada a ficar ali.
Me isolei do mundo, me isolei dela sem dar explicações. Ela não merecia explicações. Ela me traiu! Ela traiu a minha confiança! Ela... Me matou...
Passei a freqüentar bares, baladas, cassinos... Procurando novas coisas que me fizessem esquecê-la, me fizessem esquecer de minha vida, esquecer de tudo.
Quando eu já não tinha para onde recorrer, eu me tranquei no apartamento. Não lembro com precisão por quanto tempo fiquei trancado, eu sei, que eu quase morri de verdade ali dentro.
Eu me consomia por lembranças dolorosas, que fazia menção de me recordar. Eu era masoquista. Eu berrava para espantar toda a minha dor, todo aquele aperto no peito, eu queria me matar.
Mas eu tinha um amigo, eu no final não me lembrava dele. Naruto. Ela havia me mostrado luz de novo. Não, eu não virei gay, eu só ansiava por companhia.
Mas que não consegui me recuperar totalmente. Ele teve que se mudar, e eu voltei para o apartamento. Eu não tinha coragem de encarar o mundo lá fora...
Após tanto tempo trancado naquele breu sem fim, eu os vi.
Eu os vi novamente.
Todos ali na minha frente.
Papai, mamãe, Itachi...
Eles não morreram, estavam ali, me vendo. Eles não morreram, eles não morreram... Eu os tinha de novo. Não estava sozinho. Me senti aliviado. Nunca esteve sozinho. Então, se eles não haviam morrido, eu tinha minha família, certo? Eu reconstruiria todo tempo perdido. Eles estavam ali, e eles me apoiariam.
Então, eu fui para a luz novamente.
Eu passei a estudar de tarde, Itachi me acompanhava o tempo todo. Eu só não entendia, e não entendo até hoje por que todos me olham estranho enquanto eu converso com eles.
Eles não estavam mortos, pelo menos eu achava, só se estivesse vendo espíritos.
Isso.
Eu tinha esse poder, eu via espíritos! Só que ninguém parecia acreditar em mim. Todos diziam que eu estava louco.
Mas eu respondia que não, eles estavam ali! Como eu poderia estar vendo alucinações?
Eles me apoiaram, depois de três anos sem ninguém, eles voltaram.
Mas minha vida de paz e harmonia que havia conseguido depois de tanto tempo terminou quando eu pensava que quem era meu amigo voltou.
Naruto.
Ele... Ele me chamou de louco, e falou que me internaria.
Eu não acreditei.
Então, meu verdadeiro inferno começou.
X
Hmm... Eis aqui o 1° capítulo :D
Espero que vocês gostem ^^/
Reviews please? T.T
Kissus :*
