Capítulo 2
- Boa noite Isabella – a voz do deus na minha frente me desperta – você demorou – a arrogância ainda estava lá, me fazendo esquecer de toda a beleza exterior da pessoa.
- Boa noite Sr. Cullen, perdoe-me a demora, o dia está sendo ruim para mim – digo – então, qual é a papelada que preciso arrumar?
- Estou sabendo do seu dia. Minha irmã me pediu para te avisar que amanhã sua caminhonete vai estar perfeita e te esperando na Cullen Foundation. Enquanto isso eu posso te dar uma carona – ele apresentou um sorriso cínico.
Edward Cullen queria me fazer rir. Gozar da minha cara enquanto eu ainda estava tendo outros desejos vendo com aquele roupão. Eu não iria deixar barato.
- Estarei satisfeita em pegar um táxi, obrigada. Eu vim mesmo para receber a papelada e voltar para minha casa, se me permite – tento soar fria.
- Acredite, não será um incômodo para mim te dar uma carona – o lado frio não funciona – vamos, entre.
Se a parte exterior do prédio e a pequena sala em que eu esperava era magnificas, o interior do apartamento do Cullen era mil vezes mais bonito. Atravessamos duas salas até chegar ao seu escritório, onde ele fez questão de mostrar o quão grande era. Encosto na batente da porta enorme enquanto ele pega os papéis.
Depois de já ter em mãos as papeladas necessárias, voltar para a minha casa era o que eu mais queria. Organizar tudo que tinha que organizar e me entregar ao luxo de um bom banho de banheira e a minha cama de casal.
- Eu realmente preciso ir agora, Sr. Cullen. Tenha um boa noite.
- Aposto que terei Isabella. – ele dá um sorriso torto – Espero que você tenha também, afinal, amanhã o trabalho te aguarda.
Minha vontade de socar aquela cara bonita me domina e minha mão queima de vontade para ter esse encontro. Evito olhar novamente para ele e pego o elevador logo. Trinta minutos depois e eu já estava girando a chave através da fechadura da minha casa. Tomo um banho quente na minha banheira e fico lá por mais de 30 minutos me degustando de um delicioso vinho, presente da minha mãe no Natal passado.
O frio começa a tomar conta de mim, então corro para colocar meus pijamas de moletom e me enfio na coberta, deixando o álcool e o cansaço tomar conta de mim.
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Abro meus olhos lentamente, ainda foscos com o sol na minha cara. Cinco minutos depois e meu despertador liga com um bom dia do locutor da rádio de Nova York. Consigo ver do meio da minha cama, de onde estou deitada, que as nuvens de chuva já foram embora e o sol já está escondido pela poluição visual da cidade. E é aí que eu percebo que não analisei a porra nenhuma de relatório. Visualizo-os mentalmente na minha pequena mesa da sala do mesmo jeito que eu deixei ao voltar da casa do Cullen ontem a noite.
Sinto desespero atravessando as minhas veias, e o meu coração batendo até a pele do meu peito. Verifico o relógio e ainda falta uma hora e meia para estar na hora de pegar o metrô. Então eu começo a correr. Sento em minha mesa, ligo o notebook e finalmente, meia hora depois, menos que o esperado, tudo que eu tinha que fazer já está salvo.
Surpreendentemente, eu ainda consigo tempo para tomar um bom banho e até passar uma maquiagem, mas quando vou para a cozinha pegar uma xícara rápida de café, meu interfone toca. Quem poderia me infernizar a essa hora? Ouço a voz do Sr. José, o porteiro simpático, soando através dos buracos do telefone:
- Bom dia Bella, eu realmente espero não estar te incomodando, mas seu chefe está te esperando.
- O QUÊ? – eu grito torcendo que José não esteja com o fone grudado ao ouvido – me desculpe seu José, desculpa. Fala para ele me aguardar que eu já estou descendo.
Realmente ele veio para me infernizar. Ou estava bancando o surdo ontem a noite, ouvindo só o que queria e se esquecendo da parte oculta "não quero sua carona" usada. Jogo minha xícara cheia de café na pia, pego minha bolsa e saio correndo pelas escadas mesmo. Quando chego na entrada do prédio, lá está ele. Em um terno Gucci, com óculos Ray Ban, ignorando a ausência do sol, e seus cabelos tentando ficar no lugar com um gel os segurando alinhadamente. Ele dá um sorriso torto com uma cara maliciosa, e quando vai falar um "bom dia Isabella", eu o interrompo:
- Espero que o seu motorista corra. Quanto menos tempo levar para chegar ao prédio, menos tempo vou ter com você.
Propositalmente, acredito, ele está me irritando de propósito. Esperando uma razão para me demitir. Mas nessas horas, estou pouco me fodendo. Ele apenas ri de volta quando eu atravesso a sua frente e entro no carro de luxo, sem imaginar que modelo aquele seria. Fico olhando para a janela, evitando de encontrar seu rosto, sabendo que ele estaria com um sorriso como se estivesse zombando da minha cara. Fico assim até chegarmos ao prédio da Cullen Foundation, enquanto por uma hora ele se cansa e começa a mexer em seu celular.
Ele faz questão de abrir a porta para mim, e continuo o ignorando. A sua arrogância, seu jeito esnobe me enojam. E o pior de tudo, é que no mesmo tempo que eu tenho vontade de brigar com ele até minha voz falhar, ele também pode me deixar com as pernas bambas. Então o melhor jeito é continuar ignorando. Dou bom dia a todos, vou até a minha minúscula sala e Edward continua me seguindo. Impaciente, pergunto:
- O que espera chefe? – falo ironicamente.
Ele dá uma boa gargalhada e diz:
- O que deu agora para me chamar de chefe? Por favor, deixe me apresentar Edward Cullen – ele aponta para si mesmo - mas o que eu estou esperando mesmo são os relatórios que você ficou de analisar.
Eu murmuro um "desculpe", realmente incomodada comigo mesma por não ter me lembrado disso. Entrego os papéis a ele e ele dá meia volta para sua sala com um sorriso torto, provavelmente rindo de mim.
Até a hora do almoço, eu continuo com a minha cabeça enterrada em papeladas da empresa, e conto as horas para dar meio dia e meia. Eu tenho apenas meia hora de almoço, então decido ir até a pequena lanchonete no térreo da empresa, mas quando estou levantando da cadeira de minha sala, Edward está parado na porta.
- Vamos Bella, espero que esteja com fome, porque vou te levar para almoçar – ele ajusta a gravata casualmente.
- Obrigada Edward, mas eu vou comer algo na lanchonete mesmo, não há necessidade de sair, afinal eu tenho pouco tempo.
Eu realmente espero que ele perceba o modo em que enfatizo o pouco tempo com a mandíbula presa, propositalmente. Ele deve saber que eu odeio minhas limitações, como ter que comer correndo para voltar ao trabalho. Foco meus olhos no computador, enquanto percebo com o canto dos olhos ele se abaixando para sussurrar próximo do meu ouvido:
- Oh, para mim eu te dou todo o tempo do mundo – sinto seu hálito quente de menta me deixando arrepiada – vamos, almoce comigo.
- Não Edward, não. – qual é, eu preciso de alternativas, mas elas já estavam se esgotando – vou encontrar minha amiga nesses 15 minutos – invento uma desculpa.
- Não ache que eu vou esquecer Swan – ele suspira – eu ainda vou te cobrar.
Em seguida, ele sai do cubículo e segue para a sua sala, bufando. Dou de ombros, realmente não me importando. Saio do prédio, indo em direção ao Starbucks da esquina, para tomar um chocolate quente e ignorar o frio, mas assim que entro no lugar, reconheço as costas sexys do meu chefe. Eu realmente preciso parar de pensar em todo seu corpo sexy. Antes que ele me veja, dou meia volta e quando estou passando pelas portas da cafeteria, ele encosta uma mão em meu ombro.
- Olha o que a coincidência trouxe a mim... Você vai encontrar sua amiga aqui Isabella?
Oh, qual é, ele me deixou presa! O que eu devo falar?
- Ela acabou de cancelar.
Hum, estou ficando boa em desculpas, penso comigo mesma. É assim que preciso ser quando se trabalha com homens chatos que querer arranjar um pouco de tempo com você.
- Bem, então acredito que agora você possa almoçar comigo – ele sorri ironicamente – vou te pagar o que quiser. Café? Restaurante italiano? Você escolhe.
- Já que você insiste, um chocolate quente, por favor.
"Eu não posso resistir aos encantos de Edward Cullen", meu lado racional trabalha. "Mas ele é tão adorável...", meu lado insano murmura. Okay, estou com problemas.
