Capítulo 2 – Explicações.
Estava focada apenas naquele abraço. Não via Dean há tanto tempo que enquanto o abraçada agarrava sua blusa, com medo que ele fugisse de novo, ou simplesmente virasse pó. Suas lágrimas equilibravam-se na linha de sua pálpebra inferior, e ela se segurava para não chorar.
Dean segurava sua nuca e retribuía o aperto com imensa saudade – engolindo o nó em sua traquéia. Mas então Jenny finalmente sentiu a dor voltar e soltou uma lamúria nos ouvidos de Dean. Ele a soltou e com preocupação a examinou.
- Você está ferida. – Dean olhou para a própria camisa suja com o sangue da irmã e depois olhou os ferimentos dela. E apesar de tudo, quando olhou Jenny, ela sorria; Pálida e ainda linda com seus olhos verdes claros e seus cabelos com cachos escuros.
- Um pouco. – ela arfou e foi na direção da mesa para sentar-se na cadeira.
- O que houve?
- Me diga você. – ela suspirou, sorrindo mais, sentindo uma gota de lágrima rolar. – Como você voltou?
- Eu esperava que você pudesse me dizer, ou Sammy. Onde ele está?
- Sam... – ela perdeu o sorriso e em um suspiro pronunciou a voz do irmão mais novo e então lançou um olhar penoso a Dean. - Dean, - ela tossiu e colocou a mão sobre o corte da barriga – Depois que você... – hesitou, sentindo a dor percorrer seus sentidos, mas uma dor emocional, não física. Não queria falar a palavra "morto".
- Você precisa cuidar disso. – ele interrompeu com seriedade, percebendo que seria difícil para ela continuar. – Deixe-me ver.
Dean, que estava sentado na cadeira em frente, aproximou-se da irmã mais nova e com cuidado subiu sua camisa até a região do corte, um pouco abaixo dos peitos. Ela ainda sangrava bastante, por isso a palidez mais que o normal. O corte não era profundo, não chegava aos órgãos, mas devia ter uns bons cinco centímetros de profundidade.
- É, estou enferrujada. – ela riu e mais sangue saiu, seu rosto se contorceu sem esforço.
- Shiu, fique quieta.
- Tudo bem, eu já ia costurar antes de você chegar.
- Você já fez isso antes? – ele a fitou com surpresa.
- Claro. – ela tentou usar um tom de despreocupação – Sabe, depois que Sammy foi embora eu tive que me virar sozinha. As caçadas não são mais como antes. – ela sorriu, sentindo a dor e trincando o abdômen – E tirar balas, suturar e fazer curativos virou uma rotina.
- Por que você continuou caçando sozinha? – levantou da cadeira, completamente irritado e com a expressão que Jenny mais conhecia. – E Sam, como ele pôde te deixar sozinha? Você não pode fazer esse tipo de coisa sozinha!
- Parece que o inferno não te mudou, Dean. – Jenny falou sem pensar, com raiva e franzindo o rosto. Ele a olhou em silêncio. Ela detectou algo como pavor em seus olhos. – Me desculpe. – fez menção de levantar para ir até ele, mas Dean fez um sinal com a mão para que ela sentasse.
- Um tigre não muda suas listras, não?!
- Eu não sou uma criancinha, Dean. Eu sei me cuidar. – ela reclamou – Nosso pai me ensinou muito bem.
- É, eu posso ver. – bufou em ironia.
- Dean , não faz isso comigo de novo – ela levantou, mesmo com os protestos dele, e então se aproximou o bastante para que ambos sentissem a quentura um do bafo do outro. Ela repousou sua cabeça no peito de Dean, tocando o canto do braço direito dele. Dean reclamou com o toque e ela se afastou, fitando o irmão. – O que houve?
- Nada.
