A Lenda da Lua
Paola B. B.
Capítulo I. Anjo Caído
PDV Carlisle
- Você está pronta, querida?
Esme sorriu com doçura antes de entrelaçar nossos dedos. Estávamos em frente ao hospital de Forks no qual eu trabalharia pelos próximos quatro anos. Meu primeiro dia de trabalho aconteceria apenas amanhã, mas achei que seria de bom tom conhecer meus colegas e chefe em um dia em que eu não estivesse preocupado com pacientes.
Seria bom ter Esme ao meu lado, além da maravilhosa companhia ela ainda deixaria claro para minhas colegas que eu era um homem muito bem comprometido. Eu poderia contar com metade dos problemas envolvendo a atração humana ao meu gene vampiresco resolvidos.
- Eu gosto tanto desta cidade. – comentei. – Ela me trás boas lembranças.
- Também gosto da ideia de estar de volta. Mas me preocupo um pouco sobre como os descendentes dos lobos irão nos tratar. Ainda acho que deveríamos estar todos juntos para falar com eles, como uma verdadeira família.
- Já conversamos sobre isso querida, sete vampiros podem causar um alarde maior do que pretendemos. Não sabemos quantos são os lobos neste século...
- E isso me apavora! E se eles não permitirem qualquer explicação de Edward? E se eles simplesmente atacarem quando avistarem vampiros? E se Emmett fizer uma piada errada na hora errada? E se Rosálie não conseguir controlar sua... Personalidade?
Sorri e ergui nossas mãos até minha boca para depositar um beijo na dela.
- Se continuarmos respeitando o tratado, mesmo que existam 10 ou não exista nenhum lobo para monitorar nossas ações, tudo dará certo. Confie em Edward, ele saberá lidar com esta situação com sensatez. Emmett e Rose seguirão a liderança de nosso filho mais velho.
- Eu confio. Mas você e as crianças são importantes demais para que eu não me preocupe.
Não pude evitar a risada.
- Crianças?
Minha esposa bateu seu ombro com o meu soltando um grunhido adorável enquanto caminhávamos até a recepção.
- Com licença. – chamei a atenção da recepcionista que parecia paralisada olhando para Esme. Bem, pelo menos com ela eu não teria problemas.
Esperei com paciência até que Megan, segundo o crachá em seu uniforme, se recomposse e nos desse a devida atenção.
- Sim, como posso ajudar?
- Eu sou Carlisle Cullen, o novo médico.
- Oh! É um prazer conhecê-lo doutor. Eu sou Megan Johns. Só o esperávamos amanhã.
- Isso foi minha culpa, estávamos conhecendo a cidade e pedi a Carl para passarmos em seu novo trabalho. – disse Esme com um sorriso contido.
- É um prazer conhecê-la senhorita Johns. Esta é minha esposa Esme. – segurei a diversão com o desapontamento da garota.
- Bem, o dia está bem tranquilo hoje. Acho que posso dar um tour para vocês.
Passamos os próximos minutos seguindo Megan para todos os lados do hospital. Ela nos levou ao refeitório, a ala pediátrica, ao pronto socorro... Conheci vários dos meus colegas, médicos, enfermeiros e alguns funcionários da limpeza. Conheci rapidamente o diretor do hospital, meu chefe.
Tudo seguia normalmente até que ao adentrarmos um novo corredor para retornarmos a recepção um cheiro familiar nos paralisou. Olhei rapidamente para Esme que tinha seus lindos olhos arregalados para mim. Ela apertou forte minha mão e eu voltei meu olhar para frente. A fragrância doce de nossa espécie se intensificou até que finalmente o vimos.
O vampiro parecia ser um pouco mais alto do que eu. Tinha cabelos castanhos escuros e caminhava de maneira dura como se fosse um soldado. Vestia um jaleco branco, no bolso um bordado elegante indicava Dr. Swan. Seu rosto tinha uma estrutura um pouco diferente da que eu estava acostumado em ver nas pessoas e até mesmo em vampiros. As características pareciam pertencer a um tempo muito antigo, mais antigo que até mesmo eu com os meus mais de 350 anos. Parecia primitivo, um tanto indígena, mas não como os nativos americanos, acho que um pouco mais europeu. Ele olhava para um prontuário de modo que só consegui avistar a cor de seus olhos quando ele, provavelmente, sentiu o nosso cheiro e ergueu a cabeça.
Senti Esme relaxar ao meu lado. Olhos dourados como os nossos. Permiti-me relaxar um pouco também.
- Dr. Swan! – exclamou Megan com animação. – Esse é o Dr. Cullen e sua esposa, ele será nosso colega a partir de amanhã.
- É um prazer Dr. Cullen. – ele deu um sorriso animado enquanto sacudia minha mão. – Senhora Cullen. – cumprimentou minha esposa ainda com o mesmo sorriso, mas alguma coisa em seus olhos parecia querer esconder algo. Pensei em uma piada interna entre vampiros perto de humanos, mas não havia diversão e sim nostalgia. – Sou Charlie Swan.
Antes que pudéssemos responder ele virou-se para a recepcionista.
- Eu estava te procurando Megan. Você pode levar esse prontuário para o Dr. Stewart? Diga-lhe que passo na sala dele mais tarde.
- É claro, doutor.
- Obrigado Megan. – agradeceu antes que ela caminhasse apressada para longe de nós.
Quando ele retornou sua atenção para nós ele tinha uma expressão entusiasmada.
- Confesso que estou surpreso por ver outro vampiro como meu colega de profissão. Geralmente sou tratado como louco. – disse-lhe de maneira amigável.
- Bem, não posso dizer o mesmo já que sua família é famosa em nosso meio. Se eu estiver certo você é Carlisle Cullen. – voltou-se para Esme com uma familiaridade que no meu íntimo trouxe incomodo. – E sua adorável esposa Esme. – minha amada sorriu envergonhada, mas eu podia ver em sua expressão que ela estava animada por encontrar mais um vampiro vegetariano e já o tinha como família. – Antes que eu esqueça devo agradecê-los pelo acordo com os Quileutes. Se não fosse pelo conhecimento sobre olhos amarelos eu provavelmente teria sido lanche de lobo assim que cheguei à cidade.
Charlie Swan tinha um jeito engraçado de falar. Ele demonstrava uma camaradagem como se me conhecesse o suficiente para ter confiança, mas ao mesmo tempo seus olhos pareciam querer dizer outra coisa.
- Éramos maioria quando moramos na cidade, os lobos não tiveram muita escolha.
- Então vocês pretendem se instalar na cidade mais uma vez?
- Esse é o plano. – respondeu Esme. – Se não houver problemas para você. Nós respeitamos territórios.
- Oh! De maneira nenhuma, se alguém tivesse que sair esse alguém seria eu. Vocês moraram aqui bem antes de eu sequer pensar em vir para a América do Norte.
- Acho que somos mais civilizados do que isso. Creio que todos nós poderemos viver em harmonia. – intervi sorrindo. – Então, você vive sozinho aqui?
Começamos a caminhar em direção a recepção do hospital enquanto conversávamos em tom baixo.
- Atualmente vivo apenas com minha filha, bem, ela não é exatamente minha filha. Mas ela é filha de grandes amigos meus que me pediram para cuidar dela. É uma garota muito doce, mas adolescentes tendem a nos enlouquecer. – respondeu com diversão.
- Oh! Ela é humana? – perguntou Esme, suas sobrancelhas se elevaram com espanto.
Charlie hesitou por um secundo. Mil pensamentos me passaram pela cabeça e nenhum deles era bom. Uma humana vivendo com um vampiro! Isso era perigoso em tantos aspectos. Mesmo que ele fosse controlado o suficiente para não ter problemas em viver ao redor dela, ela com toda a certeza sabia sobre a natureza de seu "pai". A lei havia sido quebrada.
- Não exatamente. – ele finalmente respondeu. – Bella é...
Antes que ele pudesse completar sua frase seu telefone tocou de maneira estridente.
- Falando nela... – murmurou Charlie antes de levar o telefone à orelha, neste mesmo momento o meu telefone vibrou com uma mensagem vinda de minha filha Alice.
"Ele precisará de ajuda. Siga-o. Será sangrento."
Mostrei a mensagem para Esme que me fitou temerosa. As visões de Alice sobre o futuro dificilmente estavam erradas e tudo se confirmou quando ouvimos o tom alarmado de Charlie.
- Bella?! Eu não estou entendo o que você está dizendo! Desacelere!
- Pai! Por favor! Eu não quero perder minhas asas! – a voz feminina estava desesperada e chorosa.
- Bella, se acalme, o que está acontecendo? – Charlie estava visivelmente perturbado e amedrontado.
- Eu caí. – chorou. – Caí do telhado. Está doendo Charlie. Minhas asas...
- Fique calma, eu estou a caminho. – disse já caminhando para a porta, olhou para mim. – Eu preciso ir, desculpe a pressa.
Não tive tempo de responder. Então apenas segui o conselho de minha filha. Puxei Esme pela mão até o carro. Acelerei seguindo o automóvel do vampiro. Não sei se ele nos viu na retaguarda ou se estava preocupado demais para notar.
- Ela disse asas? – perguntou minha esposa com suavidade.
- Eu acho que sim.
- Isso não faz nenhum...
- Eu sei. Mas se Alice teve uma visão com ela, acho que devemos seguir. Você prefere ficar no carro?
- Se o cheiro for demais eu ficarei.
PDV Alice
Eu sentia as mãos acalentadoras de meu amado esposo nas minhas, mas minha visão estava em outro lugar.
- O que está vendo Alice? – perguntou-me Jasper, mas eu não conseguia formar palavra alguma.
Tentei me acalmar conforme seguia o desespero em minha visão. Lá estava ela. Era uma mulher de pele clara, quase tão clara quanto à de nós vampiros. Estava de bruços no chão, seus cabelos cor de mogno cobriam boa parte de seu rosto, a parte que não se escondia pelo castanho era tomada pelo sangue escorrendo. A visão não atiçou meus instintos, não tive fome ao ver todo aquele vermelho, tudo o que eu sentia era choque, pois a mulher não estava apenas em uma situação muito grave, ela tinha asas saindo de suas costas!
Ela usava roupas de uma humana normal, calça Jeans e um Cardigan branco. O casaquinho estava rasgado em suas costas no local de onde suas asas saiam. Senti meus olhos crescerem, pois não havia duvidas de que aquilo era real. Eu podia ver claramente seus músculos trabalhando conforme ela tentava se mexer. Uma das asas estava dobrada em um ângulo estranho, pois o corpo dela estava sobre as penas. A outra ia para cima e para baixo num movimento agonizante e a cada deslocamento a mulher chorava de dor.
Quando eu mesma estava prestes a levantar e correr até onde ela estava para, de alguma forma, ajudar minha visão mudou e eu observei o vampiro colega de Carlisle, o qual eu havia tido uma visão mais cedo, correr até ela.
- Bella?!
- Está doendo Charlie! Minhas asas! – chorou desesperada.
- Eu sei querida, fique calma. – pediu de maneira carinhosa tirando os cabelos do rosto da garota, sim ela é uma garota. É fácil ver a juventude por trás dos belíssimos e molhados olhos azuis.
O nervosismo em Charlie era concreto e suas mãos tremiam conforme ele tentava examiná-la.
Pisquei meus olhos voltando à realidade.
- Meu celular Jasper. – exigi esticando minha mão esquerda.
Ele prontamente me entregou e eu imediatamente mandei uma mensagem para Carlisle. Voltei para a minha visão e agora eu observava Carlisle e Esme se aproximando com cautela da garota.
- No que posso ajudar? – perguntou papai.
Charlie ergueu a cabeça e por um segundo pareceu surpreso, então sua expressão mudou para alívio.
- Avalie como se ela fosse humana. – explicou enquanto apalpava as asas e as costas de Bella. – O esqueleto e musculatura são praticamente iguais, com exceção das... – sorriu um pouco encabulado pela obviedade.
Carlisle ajoelhou-se ao lado da ferida enquanto Esme fez o mesmo, porém em frente a ela. Com carinho mamãe começou a limpar o rosto da garota com um lenço.
- O braço direito parece quebrado. – murmurou papai.
Neste momento Charlie tocou em um ponto das costas da menina que não conseguiu segurar um rugido. Esme espantou-se com as presas proeminentes, mas não se afastou.
- Bem, a boa notícia é que suas asas estão em perfeitas condições, a má é que você tem algumas costelas quebradas. – disse o vampiro. – Bells, preciso que você as recolha.
Mamãe acariciou o rosto da garota. A menina parecia tão assustada.
- Você consegue. – encorajou-lhe com doçura.
Bella abriu sua boca como se quisesse gritar, mas nenhum som saiu dela. Seus olhos estavam arregalados, mas então ficaram aliviados e para meu espanto tornaram-se castanhos. Suas presas recolheram-se até ficarem do tamanho normal de dentes humanos. Em suas costas suas asas tornaram-se luz e então desapareceram, restando apenas os buracos em seu Cardigan.
Carlisle movimentou-se para examinar a cabeça sangrenta, mas quando se aproximou o suficiente Bella o olhou cansada.
- Eu conheço você. – murmurou antes de desmaiar.
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Próxima postagem: 01/01/2017
