Eu não aguento mais estudar. Pronto. O que todos sempre quiseram ouvir da irritante Sabe-Tudo, que sempre amou estudar e achou que nunca se cansaria. Se soubesse, teria passado mais um ano na barraca procurando pela oitava horcrux de Voldemort.
Penso mais uma vez sobre isso e me prometo nunca mais dizer algo assim. Passamos por tantas situações ruins no último ano que querer tudo aquilo de novo é desumano. Tantas vezes que achei que perderia Harry, Ron, até a minha própria vida. Minha eterna preocupação com meus pais, com a família Weasley, com todos os outros que ficavam ao lado de Harry contra Voldemort. Paro mais uma vez para agradecer aos céus por estar aqui.
Meus pensamentos voltam para os estudos e termino a última parte do questionário de Poções para amanhã. Mas então, me lembro de outra situação que tira meu sono mais do que a guerra mortífera que já passou. A frequência com que tenho visto cabelos loiro-platinados pelos corredores sempre próximos ao meu. No começo, isso me assustava demais; mas o tempo passava, eu continuava encontrando os olhos cinzas sobre mim durante o dia e começava a olhar para aquelas orbes de outra maneira. E por mais que na minha mente eu dissesse que não, que não queria, que não poderia, meu coração já tinha aceitado o fato de não ligar que olhasse para mim. Aliás, gostava quando reparava que estava por perto. Onde será que ele está? Estará pensando em mim?
O que aconteceu? Eu não faço ideia. Ele se fazendo presente, mesmo distante, e eu prestando cada vez mais atenção quando seus passos se aproximavam da minha rotina. O ódio desmoronava cada dia mais, já que os motivos para ele existir se extinguiram.
Então Madame Pince me tirou de meus devaneios sobre alguém que sempre teve meus mais sinceros desejos de morte dizendo que era hora de dormir e que ela fecharia a biblioteca. Meu cérebro festejou porque ele ansiava o momento em que meus olhos se fechariam, então simplesmente dei boa noite a ela e segui em direção ao dormitório da Grifinória. Cruzei os dedos quando passei pela porta, desejando que ele estivesse em algum canto. E funcionou, porque o vi absorto em pensamentos, tal qual eu estava minutos atrás, porém ele estava tremendo de frio. Fiquei observando-o até que ele levantou o olhar e então disfarcei e segui andando.
Ao chegar no meu quarto, coloquei a roupa mais confortável que achei e me joguei na cama. Peguei no sono e sonhei, com ele, com a biblioteca, com o trabalho, com problemas causados por ele... E então acordei, poucas horas depois. O trabalho! Para o dia seguinte! Na biblioteca!
Calcei os sapatos e corri para lá, tomando o máximo de cuidado para não ser pega. A porta não estava trancada e entrei com facilidade, porém quando olhei pelo vidro da porta, vi Draco Malfoy vindo na minha direção.