Capítulo 002 – Stephen

Logo que Lupin deitou Florence numa das camas ele saiu.

- Preciso descer e me reunir com todos. Tenho que deixar claro que ninguém vai tocar num fio de cabelo delas. Você pode ficar aqui, Dora?

- Claro.

E Lupin saiu.

Ísis sentou ao lado da mãe na cama, chorando.

- Por que ela não acorda?

- Ela já vai acordar. Acho que seu pai pode ter dado algo pra ela dormir...

- É, ele deve ter feito isso. Mamãe não queria que ele fosse lutar, ela... tava nervosa e, do nada ela dormiu. Papai deve ter dado alguma poção pra ela se acalmar.

Em alguns minutos, Florence se mexeu na cama, acordando.

- Onde eu estou? - ela abriu os olhos e viu a filha, envolveu-a nos braços.

- Olá... - disse Tonks. - Vocês estão na Sede da Ordem da Fênix. Acredito que já tenha ouvido falar de nós.

- Onde está Remus? E quem é você?

- Ele já vai voltar aqui. E eu sou Tonks.

- Você é a namorada dele, certo? - Florence sentou na cama, a filha entre suas pernas.

Tonks balançou a cabeça em afirmativa.

- Foi ele quem nos achou?

- Sim. Você estava desacordada, mas não ferida. Você foi atacada? - perguntou Tonks.

- Não. Severus colocou uma poção para dormir na minha taça de chá e... a última coisa que me lembro foi ele dizendo que tudo daria certo e que nós seríamos encontradas pela Ordem e estaríamos seguras.

Lupin entrou no quarto com uma bandeja nas mãos.

- Você acordou! - exclamou ele, largando a bandeja aos pés da cama e abraçando a irmã. - Você está bem?

- Sim, eu estou bem, só um pouco tonta. Foi apenas uma poção que me fez dormir.

- E você sabe o que aconteceu? - ele passou a bandeja com chá e sanduíches para o colo da irmã. Ísis sentando ao lado da mãe, começando a comer.

- Sim. Eu sei o que Severus ia fazer essa noite. - murmurou Florence.

- Como você pode sumir para casar com ele, Flor? Ele é um traidor!

Ísis olhou para Lupin com raiva.

- Meu papai não é nenhum...

- Não, Ís. - cortou Florence. A menina se calou, mascando o sanduíche e olhando com cara feia para o tio. - Eu não vou discutir minha vida com você Remus. Apenas saiba que eu sou muito feliz com meu marido. - Florence serviu-se de uma xícara de chá. - Mas, qual é a nossa situação aqui? Prisioneiras? Moedas de troca?

- Nenhuma dessas coisas. Eu não permitiria isso. Casada com Snape ou não, antes de tudo você é minha irmã e Ísis minha sobrinha. Vocês são parte da minha família, ninguém vai atacar ou usar vocês da forma que for.


Na manhã seguinte, Florence e Ísis foram apresentadas aos membros da Ordem que estavam por ali. Molly se afeiçoou às duas e ambas passaram o dia na cozinha, ajudando-a.


Era de noite, um pouco antes do jantar.

Florence tomava um chá na varanda dos fundos que dava para o pequeno pátio da Mansão Black. Ísis estava adormecida numa rede que a mãe conjurara para a pequena.

- Você não me parece bem, Flor? Está preocupada com algo?

- Obviamente, sim. Mas... não é só com meu marido que me preocupo. - ela olhou para a filha adormecida, verificando se ela realmente dormia. Ísis era tão inteligente e rápida quanto o pai. Florence baixou o tom de voz. - Eu não sabia dos planos de Severus de nos manter seguras dentro da Ordem. E eu não sei como, nem onde, Stephen está. - ela começou a chorar. - Eu sei que Sev jamais permitiria que Steph corresse perigo mas... me enlouquece não saber onde meu filho está.

- Vocês tem dois filhos?

- Sim. Stephen está com oito anos, Ísis aqui tem três.

- Onde ele estava? Eu posso mandar alguém da Ordem buscar ele.

- Não precisa. Eu sei que ele não está em perigo. Sev não permitiria isso.

- Você confia tanto assim nele?

- Confio no meu marido com a minha vida, Remus.

E eles ficaram em silêncio.


O jantar teve um clima estranho.

Kingsley e Olho-Tonto não concordavam com o status de hóspede que Florence e a filha tinham. Para eles, elas eram, sim, moedas de troca e armas a serem usadas contra Snape.

Moody olhava para as duas com cara de nojo.

Ísis retribuía o olhar dele com raiva.

- Pirralha corajosa essa sua. - rosnou Moody para Florence.

- Ísis, às vezes, esquece os bons costumes e retribui as ofensas feitas à nossa família.

- Não devem ser poucas as ofensas. - riu o auror, bebendo de sua taça de vinho. - Você sabe, pirralha, que seu pai é um Comensal, um traidor, matador de trouxas e sangues ruins?

Ísis encarou Moody e houve um momento de silêncio, interrompido quando todas as taças sobre a mesa explodiram, espalhando cacos de vidro por todos presentes.

Florence pegou a pequena no colo e, pedindo licença e desculpas, subiu as escadas.

Entrou no quarto e fechou a porta, colocando a filha sentada sobre a cama, vendo que ela se machucara na bochecha. Flor pegou uma gaze e uma pasta cicatrizante feita por Snape e passou no rosto da filha.

- Está machucada em outro lugar?

- Não. - a menina tinha lágrimas nos olhos. - Você está brava comigo, mamãe?

Florence observou a filha.

- Você sabe que não pode deixar sua magia fugir do controle, Ís. Mas, não, eu não estou brava com você. Eles mereceram o que aconteceu, especialmente Moody. - ela abraçou a filha, acariciando os cabelos negros dela. - Você ainda é muito nova para que consigamos ensiná-la a controlar seus poderes. Por isso você não pode usá-los.

- Eu sei, mamãe.

- Steph começou a ser treinado com seis anos, que foi quando a energia dele iniciou um crescimento de forma uniforme. A sua ainda está muito fora de controle, Ís, não podemos tentar controlá-la agora pois ela pode não se desenvolver completamente. E você será tão poderosa quanto seu pai... e isso se torna muito perigoso se você se deixa levar por emoções como as de hoje.

- Mas eu não quero ver eles falando mal do papai!

- Eu também não gosto disso, amor... mas estamos sendo protegidas por eles e devemos evitar problemas.

A menina assentiu e deitou a cabeça no peito da mãe, adormecendo.


Quando a manhã surgiu, uma coruja marrom escura com uma única mancha branca sobre o olho direito estava sentada no parapeito da janela de Florence.

- Hades? - reconheceu Florence, indo abrir a janela.

Ísis acordou quando a mãe levantou da cama.

A coruja da família entrou no quarto e fez festa ao vê-las bem, especialmente à Ísis, quem ele adorava mais do que ao dono.

Florence retirou a carta da perna da ave e leu a caligrafia pequena e bonita do marido:

"Eu já soube que estão na Ordem. Me desculpe por não ter contado meu plano a você, sei que não concordaria e eu precisava mantê-las seguras. Stephen está bem, está com minha mãe numa casa segura, mas quero enviá-lo para a Sede da Ordem o mais breve possível. Esteja hoje em frente ao Gringottes, às seis em ponto. É hora de grande movimento no Beco e será mais fácil nos encontrarmos.

De seu servo mais fiel e apaixonado."

- Papai está bem? - perguntou Ísis.

- Sim. E Stephen também. Ele e sua avó estarão vindo para cá ainda hoje. Eu irei buscá-los no Beco Diagonal.

Florence pegou um pedaço de pergaminho e foi responder à carta do marido quando Hades retirou a caneta de sua mão.

- O que foi? Não é para que eu responda à carta? - a ave fez que não com a cabeça. - Está bem, então... - Florence apontou a varinha para a janela: - Expecto patronum. - e uma loba irrompeu da ponta de sua varinha, levando uma mensagem para Snape.

Hades bateu o bico em revolta. Odiava quando ele não podia ser útil à família, mas eram ordens de seu mestre: não permitir que Florence respondesse à carta. A ave ganhou os céus em alguns segundos.

- Acho que ele ficou bravo, mamãe. - disse Ísis.

- Hades não gosta que nos comuniquemos por Patronos, ele se sente inútil, Ís.

- Bobo ele. Eu nunca trocaria ele por um bicho brilhante que não dá pra fazer carinho.

Florence sorriu perante a sinceridade inocente da filha.

- O que importa é que Steph está bem. E nós veremos ele ainda hoje! - exclamou a criança, feliz.

- E a vovó também! - disse Florence, deitando na cama com a filha novamente.

- É!

E as duas ficaram no quarto até quase meio-dia. Florence leu um livro de contos de fadas trouxas para a filha e ambas caíram no sono.


Eram seis horas da tarde.

Florence já estava em frente ao Banco dos Bruxos. Esperava pelo marido, mas sabia que ele viria disfarçado. Um homem estranho esbarrou nela e a puxou pelo braço em meio à multidão de pessoas que passavam pelo Beco naquele horário.

- Sou eu. - ela ouviu o homem falar na voz que ela tanto amava.

E eles aparataram.


Mansão Snape

Florence se viu no meio da sala de sua própria casa. Uma enorme propriedade adjacente aos terrenos de Hogwarts. Snape havia estendido as proteções do castelo até ali e adicionado alguns feitiços de criação própria, tornando o local seguro, pelo menos por enquanto.

O efeito da Poção Polissuco que ele tomara ia passando e logo Florence se viu de frente com o marido. Ela pulou sobre ele, socando-o no peito, em seguida.

- Como você pode me drogar? Me deixar preocupada com você! Sem saber como estava Steph!

- Eu já havia cuidado dele, ele já estava aqui com minha mãe. Eu apenas precisava saber que você e Ísis estariam bem.

- Mas por que me mandar para a Ordem?

- Por que eu não posso protegê-los por enquanto, Flor, mas Lupin pode. Seu irmão vai proteger vocês. Ele me enviou um Patrono ontem, confirmando que fará isso.

- Mamãe! - ouviram um grito no topo das escadas e Stephen correu em direção à mãe, abraçando-a pela cintura, a cabeça do menino já na altura dos seios dela.

- Por Circe, Steph, você não para de crescer! - ela olhou no rosto do filho. - Eu fiquei três dias sem ver você e parece que cresceu dez centímetros!

- Onde está Ísis? - perguntou Stephen.

- Já vamos nos encontrar com ela. Molly ficou cuidando dela pra mim, junto com Tonks.

- Podemos ir? - pediu o menino.

Florence olhou para o marido. Queria um tempo com ele, saber como ele estava, como seriam as coisas daqui pra frente.

- Eu queria poder te dizer algo reconfortante, Flor. - disse Snape, percebendo os pensamentos da esposa. - Mas eu não sei ao certo como serão as coisas... dependemos dos passos de Harry e... bem, é a mesma coisa que dizer que estamos cegos e ferrados. - ele abraçou Florence, respirando em seus cabelos, com saudade. - Eu passarei pra você toda informação que eu puder passar. Se eu ficar mais de uma semana sem entrar em contato com você, não se desespere! - ele a olhou fixamente. - Eu sei como você é! Eu não quero que você venha atrás de mim por nenhum motivo. Pense nas crianças.

Florence sentiu as lágrimas transbordarem.

Snape beijou a esposa varias vezes, nos lábios e no rosto.

Eileen desceu as escadas e Florence aparatou com a sogra e o filho para a frente da Mansão Black.

Assim que eles entraram foram recepcionados por Lupin e Ísis, que pulou sobre o irmão, feliz demais por vê-lo, indo depois para o colo da avó.

- Mas você é a cara do seu pai. - disse Lupin ao conhecer o sobrinho.

- Eu sou mais bonito. - brincou o menino.


Nota da autora: capítulo leve e amado.

Beijos para:

Lari SL, Yasmin Potter, Hatake KaguraLari (não faço ideia o tamanho que terá essa fic... acho que terá em torno de uns 15 caps), Coraline D. Snape (Flor e Sev tem dois filhos Stephen e Ísis), Milena Guevara (que bom te ver por aqui também!) e Tiffany (Leitora nova! Hey, como você me diz que adora fics com o Sev e eu não me lembro de já ter recebido uma review sua?)

++REVIEWS!