Eles não morreram e isso era mais que motivo para comemorar. Até porque mesmo com muitas baixas o Rei na Noite havia sido derrotado. Agora havia King's landing para pensar, mas isso não seria assunto para o momento. Sendo assim beberam muito vinho, o suficiente para Jamie tropeçar nos próprios pés, mas Brienne como de costume se retirou sem beber e dirigiu-se aos seus aposentos. Pouco depois, Jamie a seguiu, reclamando assim que entrou no quarto:

- Mas que calor aqui dentro – Brienne ficou surpresa com a presença dele ali pois jurava que eles iam morrer em batalha e aquela noite que tiveram havia sido uma despedida, porém claramente Jamie não parecia disposto a terminar por ali. Da maneira mais atrapalhada possível ele tentava desamarrar a camisa sem sucesso, fazendo com que Brienne o puxasse para si, ajudando-o.

Sem cerimônias ele começou a abrir os botões da camisa dela, e ela de maneira séria e cautelosa perguntou:

- O que você está fazendo?

- O que parece? Estou tirando sua blusa. – Brienne calou-se e tirou a camisa dele, tirando a dela logo em seguida, facilitando o trabalho dos dois. Então era real, aquilo não só havia acontecido uma vez, como aconteceria novamente agora.

- Ainda acho que você deveria beber – brincou ele.

- Eu já disse que eu não... – Antes que ela terminasse ele possuiu seus lábios com fúria beijando-a com paixão novamente, apertando seu corpo contra si. Brienne levou a mão para as calças dele, empurrando-as para baixo e ele deixou que elas caíssem por suas pernas enquanto se dirigiam para a cama aos beijos. Brienne deitou-se e antes de cair sobre ela, ele retirou as calças dela e apreciou a vista à sua frente deixando-a desconfortável com o momento apreciativo, então o puxou pelos cabelos, beijando-o mais uma vez. Nunca pensou que por trás da séria cavaleira houvesse uma mulher tão cheia de desejo. Ele beijou sua face vagarosamente, sobre os hematomas da guerra, e acariciou seus cabelos curtos enquanto ela deslizava a mão por suas costas. Seu corpo era quente como o fogo dos dragões de Daenerys o que o deixava ainda mais excitado. Dessa vez Brienne girou-se na cama ficando sobre ele e disse em seu ouvido:

- Dessa vez eu quero olhar para você – sorriu de leve explorando o corpo dele com os lábios, passando a língua pela curvatura de sua cintura e continuou descendo o caminho até o umbigo. Jamie fechou os olhos deixando-se levar pelas sensações e soltou um gemido prazeroso quando a língua dela alcançou sua virilha. Dessa vez ela estava menos tímida o que o surpreendeu, fazendo com que abrisse os olhos de forma rápida e surpresa quando sentiu lábios quentes sobre seu pênis já completamente duro e pronto para recebe-la. Ele sabia que ela não tinha nenhuma experiência antes da noite anterior mas aquilo não a impedia de saber exatamente o que estava fazendo.

- Por favor não pare – ele implorou o corpo trêmulo e satisfeita ao sentir o sangue correndo pelas veias dele, ela obedeceu até que Jamie com medo de finalizar logo aquilo, a puxou pelo cabelo, levando o rosto dela, até seus lábios e beijando-a vigorosamente outra vez. Com a mão boa acariciou-a entre as coxas observando satisfeito que ela estava completamente úmida então sem demora a penetrou. Não houveram palavras, apenas sons incompreensíveis de prazer até que terminassem exaustos nos braços um do outro.

Como era bom o contato com ela, a forma como o corpo dela se encaixava ao seu e por isso mesmo chegou a pensar que ele merecia aquilo. Porém ao ver o semblante pacifico dela dormindo, se deu conta que ele jamais conseguiria sentir aquela paz que via refletida em seu semblante. O efeito do álcool e a euforia por vencer a guerra estavam passando e agora ele parava para pensar e ver com clareza o que havia feito.

Como poderia sentir aquela paz? Algumas poucas boas ações agora não o tornavam um homem bom, por mais que quisesse acreditar nisso com todas suas forças. Deveria mesmo limitar uma mulher incrível como aquela a viver com um Regicida com a cabeça a prêmio? A realidade finalmente caiu sobre si enquanto tentava dormir. Nem mesmo o som da respiração dela o acalmava então sentou-se na cama e observou-a por mais um tempo lembrando que todas as coisas boas que fez foi pensando nela e por causa dela. Brienne por alguma razão despertava nele um lado que nem ele mesmo sabia que existia e isso o assustava.

Seria capaz de ser o homem que ela merecia? Caso eles sobrevivessem a King's Landing que vida teriam? Cersei era egoísta e desprezível e ele sempre soube disso, como Tyrion o lembrou e ele a amou mesmo sabendo disso. Então como isso poderia torna-lo um homem bom? Será que realmente merecia o amor puro e a confiança daquela mulher incrível deitada ao seu lado? Seria justo condena-la a uma vida com um homem como ele? Ele precisava declarar seus sentimentos pois pensou que não haveria dia seguinte como Bran erroneamente havia alertado, mas agora que haviam sobrevivido ele tentava pensar claramente sobre seu próximo passo. Cersei jamais o deixaria viver em paz, se ele não fosse a King's Landing ela continuaria colocando sua cabeça a prêmio e ele não podia colocar Brienne em risco por causa de seus problemas familiares.

Com dor ele finalmente se deu conta de que precisava deixa-la. Devia abandona-la para salva-la. Devia magoar seu coração para protege-la. Sentia-se ainda pior pela ideia de abandona-la no meio da noite sem nem sequer uma carta de adeus, mas o que diria? "Se eu ficar aqui, vou morrer e se eu for vou morrer. Você não precisa morrer comigo, então vamos terminar isso por aqui. "

Ela já havia lutado o suficiente e aquela batalha não era dela. Ela precisava ficar no Norte, onde estava segura. E ele precisava enfrentar sua irmã pelo menos uma última vez. Se ele simplesmente se escondesse sentiria sempre que Cersei estava ali na cama com eles. Ele precisava quebrar aquele ciclo vicioso de uma vez, independente das consequências. Ele não temia morrer, porém não queria a morte injusta de Brienne para carregar então dando um beijo suave em sua testa, ele se levantou.

Brienne acordou só e buscou por Jamie. Vestiu rapidamente seu robe e saiu em busca dele às pressas. Temia que ele tinha tido a péssima ideia de ir ao encontro de Cersei. Encontrou-o selando o cavalo provando que sua teoria estava certa.

- Não vá. Fique aqui comigo – insistiu ela. Mas o que ela queria dizer é: "Você vai morrer, fique aqui onde estamos seguros."

Ele estava irredutível e lembrou-a de todos seus erros, provando que ele não era melhor que Cersei e, portanto, deveria ir. E ela não segurou o pranto enquanto ele ia embora sem olhar para trás. Não pensou que era assim que as coisas terminariam depois de ela ter se entregue tão completamente a ele. Não sabia o que pensar ou como se sentir. Só sabia que pela primeira vez ela se sentia como qualquer outra mulher que tinha acabado de ter sua primeira e única desilusão amorosa. Jamie a levou ao paraíso e ao inferno em questão de horas e aquilo não era algo que ela superaria facilmente.

O que ela não sabia é que ele não olhou para trás porque se olhasse e visse seus olhos marejados de lágrimas mais uma vez ele mudaria de ideia. Ele iria abraça-la leva-la para dentro e tentar acreditar em tudo que havia dito antes sobre ficarem juntos e terem muitos filhos. Mas ele estava no mundo real agora e no mundo real sua irmã jamais permitiria que ele fosse feliz com qualquer pessoa e sua consciência não permitiria que ele pensasse merecer algo melhor.

Ele nunca seria um homem completo e feliz enquanto ele e Cersei continuassem no mesmo mundo, portanto só lhe restava enfrenta-la. Porém não podia deixar suas intenções claras para Brienne. Ele a conhecia bem o bastante para saber que ela não fugiria de uma boa luta e ele não tinha porque coloca-la em risco. Seu encontro com Cersei não resultaria em nada diferente da morte. Talvez dele. Talvez dela. Talvez dos dois. Não havia mais espaço para meio-termo. Brienne talvez o odiaria para sempre agora, e mais uma vez ele seria o vilão da história fazendo o que acreditava ser o certo em prol do amor. Do amor que sentia por ela. Porque a amava o suficiente para saber que ela merecia mais do que ele tinha a oferecer.