-Você é a Suze-chan não é? – Perguntou uma das garotas da sala. Ela tinha o cabelo curto ruivo e uma expressão serena. Lá no Japão as pessoas costumam botar sufixos de tratamento depois do nome, daí o tal do 'chan' depois do meu nome que seria como tratavam as garotas e animaizinhos, bem pelo menos a maioria. Eu respondi que sim e logo apareceu mais uma garota, mas essa tinha uma expressão mais séria, cabelos compridos e pretos, um pouco cacheados nas pontas.

-Deve ter sido difícil a mudança de um país para o outro... - Comentou a garota com um ar de curiosidade, e bem que ela estava certa. Mudar de cidade até que não foi tão ruim, pensando por um lado os costumes não eram tão diferentes, - eu fiz novos amigos, ganhei popularidade mais rápido do que imaginava, consegui arranjar um namorado e ainda encontrei outro mediador além de mim que pudesse me ajudar quando necessário – já mudar de país e ainda por cima um do oriente, aí sim tem uma drástica diferença começando pelos costumes.

-É, não sei se vou conseguir me acostumar tão rápido com o Japão.- Respondi tirando os materiais da bolsa e colocando em cima da carteira. Na Namimori High School eram os professores quem mudavam de classe não os alunos, e por isso não existiam armários a onde pudesse guardar os materiais.

Logo que terminei de arrumá-los percebi que já havia um aglomerado de gente a minha volta como se eu fosse uma celebridade sendo interrogada por muitos repórteres, realmente nunca tinha imaginado que uma pessoa vinda da Califórnia ia fazer tanto sucesso fora de seu país, e logo no meu primeiro dia ganhei popularidade de uma forma que nunca ia esperar, pois vieram muitas pessoas me perguntarem como era a vida lá nos Estados Unidos. Nossa será que os meus meio-irmãos também tiveram a mesma experiência?

Mas de certa forma aquilo era um tanto sufocante, nem sabia como fazer para que todas aquelas pessoas parassem de fazer tantas perguntas e ao mesmo tempo, e para minha sorte o professor entrou na sala acabando com toda aquela confusão com a sua simples presença. Por um momento fiquei aliviada, mas depois percebi o motivo para todos terem voltado a seus lugares quase que instantaneamente, diferente do professor anterior este era muito severo, ele dava aula de matemática e fazia com que a classe inteira se comportasse com um simples olhar, assustador, nunca tinha conhecido um professor como aquele.

-Muito bem, quem pode resolver esta? – Perguntou o professor. Ninguém tinha se oferecido para resolver a questão, foi então que ele resolveu escolher alguém e foi justo para o Tsuna que seu olhar amedrontador dirigiu-se. – Sawada Tsunayoshi, poderia resolver esta questão? – Disse o professor com uma entonação quase que o forçando ao que ele queria. Tsuna parecia bem nervoso estava até suando frio, uma pessoa atrás de mim começou a sussurrar algo como 'É o Dame Tsuna mesmo... ' e dava para escutar algumas pessoas falando coisas parecidas, provavelmente aquele devia ser um apelido que botaram nele, Tsuna Bom em Nada. Coitado do garoto devia ser provocado por muitos valentões na escola, aqueles do tipo que bateriam nele e o forçariam a entregar o dinheiro do lanche, mas o garoto não parecia mesmo ser má pessoa e ainda andava com gente popular – o tal do Takeshi Yamamoto era muito popular entre as garotas e deu para perceber isso muito bem pelo modo que era recebido na sala de aula, além de ser jogador de beisebol – acho que esse fato, pelo menos o de andar com alguém popular, deveria afastar os valentões, mesmo assim ele devia ser motivo de chacota e de piada para a classe inteira.

O Tsuna um pouco receoso deu uma resposta totalmente errada e ainda tinha chutado longe, um grupo no canto da sala começou a dar risos abafados. O professor, senhor Kamiya, logo pediu silencio a todos e então voltou sua atenção apenas para o aluno Tsunayoshi com uma cara séria.

- Sawada Tsunayoshi-san, seu desempenho em sala está apenas decaindo, suas notas continuam as mesmas de sempre e não vejo nenhum esforço da sua parte para reverter isso. Tomando como base o que acabou de acontecer gostaria que viesse a minha sala após a aula, no intervalo.

Disse Kamiya-san - aliás 'san' é outro sufixo de tratamento, poderia ser comparado ao nosso 'Senhor'- com bastante firmeza, dava até a impressão de que o Tsuna ia ganhar uma bela bronca, e após o discurso do professor, ele se abaixou um pouco, escondendo-se, muito constrangido com o que acabara de acontecer.

O sinal tocou, todos saíram para o recreio, à maioria olhava para Tsuna com uma cara que parecia dizer algo como "Se ferrou, ta encrencado..." e coisas do gênero. Eu pensei em me aproximar do Tsuna, sabe tipo consolá-lo afinal, ele foi um dos primeiros a me receber no Japão. Porém quando ia me aproximar logo chegaram perto dele o Takeshi e as duas garotas que vieram falar comigo primeiro, aliás, o nome delas era Kyouko e Kurokawa respectivamente a ruiva e a de cabelos compridos e negros. Eles pareciam muito amigos e acabaram levantando a estima do garoto, mesmo assim eu resolvi me aproximar.

-Ei, Tsuna né?- Os outros logo se viraram para mim inclusive o Tsuna.

-Sim, o que foi?- Respondeu. –Eu queria ver se está tudo bem, sabe sobre o discurso que o Kamiya-sensei acabou de dar... – Respondi. Talvez aquele fosse um meio para fazer amigos logo nos primeiros dias, quem sabe eu conseguiria ser aceita mesmo sendo uma estrangeira num país completamente diferente? Nessas horas eu até que sentia falta dos meus antigos amigos, lá da Califórnia e a Gina.

-Ah, sobre aquilo... Já está tudo bem, mas obrigado por se preocupar. – Respondeu educadamente e meio sem-jeito. Foi então que resolvi acrescentar se poderia almoçar com eles, se não teria problema, o cara do beisebol, o Takeshi, começou a rir e disse que não teria problema. Mas o Tsuna fez uma cara como se aquilo não fosse uma boa idéia mesmo concordando com Takeshi, o que eu realmente não consegui entender.

-Muito bem Tsuna, é melhor então você ir até a sala do professor, não deve ser nada demais, não se preocupe. – Encorajou Takeshi. –É, Tsuna-kun, vai dar tudo certo. – Disse Kyouko com um sorriso. Eu logo percebi que Tsuna acabou ficando mais sem-jeito ainda perto da Kyouko, será que ele gostava dela? E só eu percebi isso? Bem, acho que não.

O pátio da escola a onde almoçamos ficava na cobertura do prédio, era um lugar enorme com grades que voltavam toda a área de uns três metros de altura. Nós nos sentamos no chão do pátio mais ao canto, eu tinha levado comigo o meu bentou por que nessa escola não havia cantina e tínhamos que trazer o almoço de casa. Dessa vez quem preparou a comida foi o Andy, já que ele era especialista em cozinha e o cozinheiro da casa, ele fez para cada um uma comida bem japonesa. A conversa então surgiu do fato da minha mudança de país, perguntaram bastante coisas, como por exemplo, como era a Califórnia, como aprendi o japonês. Eu respondi tudo com grande simplicidade, é claro que eu filtrei todos os fatos relacionados ao que o Padre Dominic chamava de dom, o negocio de mediação. Logo após eu ter descrito as praias da Califórnia, que por sinal eu sentia muita falta, Tsuna apareceu, não parecia ter levado uma bronca, mas estava com uma feição um tanto peculiar, como quando acontece algo que você não esperava que fosse acontecer.


Sobre o Jesse eu não pude colocar ele na história por que não tinha como traze-lo ao Japão sendo que ele é preso ao quarto da Suzannah na Califórnia, apesar de que seria bem legal coloca-lo também, eu adoro Suzannah x Jesse. Acho que nos próximos capitulos eu vou exagerar um pouco na aparição de personagens de KHR, não faço idéia de como a Suzannah reagiria ao encontra-los.