Segundo capítulo! Nem acredito que consegui escrever isso.

Errata: no capítulo anterior, além da falta de pontuação e outros erros que só fui notar depois de publicar, Minelli diz que foram 3 assassinatos, e em seguida é dito que foram 4. Na verdade são 4 mesmo, sorry, erro de digitação.

Cap. II – Lar é onde o coração está

Já faria cerca de cinco minutos que Jane estava parado na portaria da agencia, em seu carro azul. Normalmente isso estressaria uma pessoa normal. Mas Jane mantinha aquele constante sorriso, com a mão no volante, aguardando. O guarda devia estar ligando para o terceiro ou o quarto número, não sabia bem. Mas a cancela se recusava a abrir e deixá-lo passar.

- Já disse. Esqueci o crachá no apartamento. – ele explicou, pela quinta vez, calmamente. – Me mudei há uma semana apenas, meu apartamento ainda está uma confusão, deve ter ficado no meio das tralhas. E não estou acostumado a usar um crachá.

- Então volte pra casa e arrume um crachá. – o guarda retorquiu.

Jane então desistiu e engatou a ré. Foi quando essa mulher, de longos cabelos castanhos apareceu. Ela usava um terninho azul claro e sapatos da mesma cor. Jane viu em seus olhos uma mulher bem decidida, feliz consigo mesma, provavelmente querendo consertar os erros dos pais. Acima de tudo, gentil. Parecia se importar com as pessoas à sua volta. Uma marca de aliança no dedo o levou a crer que o último namorado era um idiota.

Ela se aproximou do guarda e perguntou o que estava acontecendo. O homem apontou para Jane, explicando que tentava entrar sem um crachá.

A mulher se curvou para olhar quem estava dentro do carro e sorriu.

- O senhor deve ser Patrick Jane.

Ele fez que sim com a cabeça, num leve sorriso de satisfação por conversar com ela.

- Meu nome é Amanda Muller. – e esticou a mão para cumprimentá-lo. Em seguida se virou para o guarda – Deixe-o passar. É meu consultor.

Jane estacionou, e ela o aguardou sair do carro.

- É um prazer conhecê-lo, senhor Jane. Ouvimos muito ao seu respeito.

- Espero que não tenha sido o Minelli quem disse. Mas a julgar pela gentileza, duvido muito.

Ela riu enquanto caminhava ao lado dele pelo estacionamento até o prédio.

- Está impressionado por ter uma chefe mulher?

- Na verdade não. Também era assim na Califórnia.

- Bem, isso deveria surpreendê-lo ainda mais. Não temos muitas mulheres nesse posto no país. – ela mostrou o crachá ao guarda na entrada para que ambos passassem – Qual o nome dela?

- Lisbon. Teresa Lisbon.

- Nossa, que honra! – ela sorriu abertamente.

- Conhece?

- E quem não conhece? Lidera a unidade número um em casos fechados com sucesso em todo o país.

Jane sorriu interiormente, orgulhoso.

- Não sabia que ela era tão conhecida assim.

- Mas me pergunto se você não teria algo a ver com esse sucesso todo. – ela o olhou, como se perguntasse por uma fofoca proibida.

- Isso é você quem diz. – ele se fez de desentendido – Eu tento ajudar, só isso.

- Desculpe, foi só um pensamento que me ocorreu. – ela apertou o botão do elevador e voltou-se para ele, sem tirar o sorriso da face. – É verdade o que dizem sobre você?

- Depende. O que dizem sobre mim?

- Que é vidente. Porque, pessoalmente, não acredito nisso.

- Não, não sou vidente. – ele negou, alegremente – Apenas presto atenção. Os gestos, o modo de falar, de caminhar, e objetos pessoais me ajudam a descobrir mais sobre as pessoas.

- E o que descobriria sobre mim? – um sorriso provocador.

- A parte que você mais gosta em você mesma, é a cintura. Odeia usar esse terninho e provavelmente foi traída pelo último namorado, porém superou rápido. Sabe levar a vida conciliando com o trabalho, mas às vezes gostaria de sair mais. Tem medo que percebam que seu cabelo não é naturalmente liso, o que não é problema nenhum, pois você ficaria muito bem com eles cacheados, como realmente são.

Ela ficou vermelha na ultima parte. Amanda ficava mais notavelmente corada do que Lisbon quando envergonhada, ele percebera. Mas sorriu, e fez que sim com a cabeça.

- Impressionante. Mesmo eu, que não acredito em videntes, teria acreditado se não tivesse dito que não o é.

Eles entraram no elevador. Jane parecia satisfeito com sua chegada.

- Não há tais coisas como videntes. – ele afirmou – Não se deixe enganar.

- Se você diz… - ela deu de ombros, como se o assunto na verdade não lhe fosse muito pertinente.

Ao chegarem no terceiro andar, Amanda logo o encaminhou até o escritório da nova equipe. Esta era constituída por três homens.

- Pessoal, esse é Patrick Jane. – ela o apresentou, ao entrarem. – Patrick, este são Sam, Josh e Pierre.

Um deles, muito novo (não devia ter mais que vinte e dois anos) levantou-se apressado, e apertou-lhe a mão com cautela, parecendo nervoso. Era magro e esguio, com cabelos lambidos para a esquerda. Quase um rato de laboratório.

- Pierre. – ele disse. – Prazer conhecê-lo, senhor Jane.

O segundo, com um crachá escrito "Samuel", mais calmamente também se levantou, parecendo não se importar muito, e lhe apertou a mão. Tinha cabelo castanho, um tanto quanto desarrumado.

- Sam. – ele disse, simplesmente.

O terceiro já estava atrás do segundo, aguardando por sua vez. Fez o mesmo, dizendo "Josh". Era enorme e não parecia lá muito inteligente. Ficou parado, com as mãos na cintura, após cumprimentá-lo.

- Rege um time só de homens. – Jane observou. – Meus parabéns.

- É, acho que mereço. – ela concordou.

- Bem, será que eu posso dar uma olhada nas últimas pistas do Red John?

- Mal chegou e já quer trabalhar, senhor Jane? Gosto disso.

- Tenho um interesse especial no caso de Red John.

- Eu sei. Li sua ficha. Sinto muito pelo que aconteceu. A pasta com a investigação estão na terceira gaveta. – ela informou, apontando uma mesa.

Jane se apressou em consegui-la e se sentar no sofá mais próximo. Notou que não era tão confortável quanto o que costumava ocupar no CBI, mas serviria. Deitou-se e começou a folhear os relatórios. Enfurnou-se em sua caçada pessoal a Red John e sequer ouviu o que Amanda disse em seguida aos seus membros de equipe.

As fotografias eram muito claras. Não tinha como não ser Red John. Só o que lhe intrigava era o curto período entre uma morte e outra. Normalmente ficavam até anos sem notícias, e quatro assassinatos em oito meses simplesmente não era plausível.

Não foram encontradas muitas pistas, como comprovou. Ficou até decepcionado, como alguém que agarra seu livro favorito esperando uma grande surpresa e se decepciona com um clichê.

Então ele se levantou e começou a guardar todos os relatórios. Foi quando uma folha caiu do meio deles.

Era uma carta, uma mensagem. Na parte de baixo, o sorriso clássico escrito em sangue, sua assinatura. O desenho que fazia o coração de Jane saltar.

"Então, você veio. Uma pena que seja tarde demais. Espero que não se importe, contudo, se brincarmos um pouco, já que veio atrás de mim. Vou invadir seus pesadelos mais uma vez. E então você vai ver quem é o rato nessa brincadeira de gato e rato. Quem é que está atrás de quem. Quem sabe entenda por que não consegue me pegar. Eu não vou permitir que corrija seus erros. Não vou permitir que siga em frente. Você se importa comigo mais do que com as pessoas que se importam com você"

Jane releu duas vezes. Seria aquilo uma ameaça pessoal a ele?

- Senhorita Muller? – ele se levantou, confuso – Quando acharam essa carta?

Ela se aproximou para ver do que ele falava.

- No último assassinato. Estava na mão da mulher morta. Teve alguma idéia?

Se Jane disser que pensava na hipótese de Red John ter deixado aquela carta justamente pra que ele lesse, soaria loucura demais?

- Red John começou a matar com maior freqüência aqui em Nevada, pra chamar atenção.

Muller ainda não entendera.

- Como assim?

- Ele queria chamar atenção pra que o caso fosse passado pra cá oficialmente. Pra que eu viesse.

- Senhor Jane, eu não acredito que Red John se daria a esse trabalho…

- Acha que essa carta é pra mulher que morreu? Não, essa carta… essa carta é porque ele sabia que eu viria atrás dele. Ele sabe que eu não seria capaz de deixar de persegui-lo, eu não seria capaz de simplesmente ignorá-lo. – Jane suspirou, enraivecido – Ele planejou isso. – murmurou, mais pra ele mesmo – Mas pra quê? Por que me tirar da Califórnia, o que ele… - então ele congelou, suas palavras já não saíam.

Red John queria afastá-lo. Tirá-lo da Califórnia pra que pudesse agir lá.

Levantou-se num impulso e correu ao telefone. O nervosismo o fez discar o número duas vezes errado até que finalmente acertou.

- Vamos, atenda. Atenda, Lisbon, por favor. Atenda. – ele repetia, nervosamente.

Os demais o encaravam, pensando no quão maluco o cara novo era. Muller estava ao seu lado, receosa.

- Não se preocupe, Jane, se tivesse acontecido algo, já teriam ligado…

- Alô! Van Pelt? Van Pelt, é o Jane, onde está a Lisbon?

Ela pareceu confusa do outro lado da linha e demorou um pouco pra responder.

- Ela ainda não chegou. – ela respondeu. – Aconteceu alguma coisa?

- Vão pra casa dela! Vão agora!

- Mas Jane…

- VÃO!

Então ele desligou o telefone e começou a discar na casa de Lisbon. Tocou cinco vezes antes que atendessem.

- Lisbon?

- Teresa não está. – era uma voz arfante, pesada, provavelmente modificada pra não ser reconhecida. – Quer deixar uma mensagem?

- Quem está falando?

Uma risada do outro lado.

- Você não precisa ser um vidente para saber.

O coração de Jane saltava.

- Onde está Lisbon?

- Está na casa dela.

- Você está na casa dela, seu bastardo! – ele berrou, perdendo completamente o controle.

Outra risada.

- Lar é onde o coração está. E o seu, Patrick Jane? Onde está seu coração agora?

O coração de Patrick Jane estava ameaçando sair pela boca. Mas ele precisava se manter no telefone pra que Rigsby e os outros chegassem até lá.

- Onde Lisbon está!? – ele repetiu.

- Ela está viva, e qualquer outra informação tiraria toda graça da brincadeira. Você não é bom em achar coisas?

- Eu vou te matar. Eu vou te cortar em pedaços e vou te assistir morrer lentamente. Eu vou…

- Por que não se preocupa em evitar que eu não faça isso à Teresa? – outra risada – Ou você realmente se importa mais comigo do que com ela?

O telefone foi desligado. Jane ainda o ficou segurando por alguns segundos, completamente paralisado.

De repente, sentiu que lhe tiraram o chão.


Digamos que Red John ainda vai se divertir muito mais do que agora.