Visita amiga.

Narrada por Gina.

Havia uma semana que eu enviara uma carta a Harry. Resposta? Até agora não. A aflição invadia meu corpo de forma rápida e preocupante. Em minha cabeça mais de mil desculpas de formavam para tentar arranjar um motivo pela falta de resposta dele. Interceptada pelo Ministério da Magia? Harry esquecera de que um dia nós namoramos? Ele não me amava mais, e tinha medo de me magoar em me dizer à verdade e ao mesmo tempo em que não queria mentir para mim? Tantas perguntas, nenhuma resposta.

Eu estava em meu quarto, deitada em minha cama. Meus olhos estavam fechados, eu sempre gostei de pensar com os olhos fechados. Com olhos abertos você se torna vulnerável a se distrair, a esquecer o que você estava pensando. Naquele momento, todos os meus pensamentos se voltavam a ele, como todos os segundos desde o momento em que ele partira. A dor latejava em meu peito, a aflição dominava minha mente e as lágrimas de nervosismo inundavam meus olhos. Todos em minha família se preocupavam comigo, eu havia me isolado e ficava o dia todo em meu quarto, chorando, saindo apenas para fazer necessidades básicas. Eu comia apenas com o imploro de minha pobre mãe, que sofria a me ver neste estado. Mas eu já desistira, eu era fraca, eu desisti de lutar contra a dor, apenas deixei ela me invadir vagarosamente, tornando o andar mais pesado, a respiração mais difícil, o viver mais triste.

- Hey! Tem alguém ai? – surpreendeu-me uma voz, que falava por trás da porta. Eu conhecia aquela voz, mas não assimilei-a a alguém, eu não pensara em mais ninguém além dele nos últimos tempos.

- Entre – disse rouca de tanto ter chorado. Então no quarto entra uma garota de minha idade, seus cabelos eram louros e compridos, seus olhos eram arregalados e azuis. Luna Lovegood. Ela vestia uma calça jeans clara que estava imunda, haviam marcas pretas em partes da calça e ela estava rasgada em algumas partes. Sua blusa era púrpura e tinha o contorno de uma lua minguante em prata e por cima ela vestia um casaco de moletom preto.

Embora a calça dela estivesse horrível, eu estava pior. Nunca mais liguei para minha aparência, eu não via motivos para estar bonita. Meus cabelos estavam bagunçados, cheios de nós e mal cuidados. Eu estava com olheiras e nunca mais exibira um sorriso e eu apenas vestia roupas velhas de moletom.

Luna quando entrou no quarto exibia um sorriso, porém assim que me viu seus olhos demonstraram terror e sua boca se abriu, espantada.

- Você ta um horror! – exclamou ela. O bom de Luna é que ela sempre fora muito sincera, o que é uma coisa boa, acho. Baixei os olhos para o chão, envergonhada. Luna era uma boa amiga, eu a adorava, porém eu não queria que ninguém além de minha mãe me visse naquele estado.

- Eu sei – sussurrei. A loira tirou sua expressão de espanto e me deu um leve sorriso, sentando-se aos pés de minha cama. Cautelosamente, como se eu pudesse fazer algum mal, ela se aproximou e retirou sua varinha do bolso. Acenando-a, senti meus cabelos serem limpos e escovados. Com dificuldade, dei um breve sorriso – Obrigada.

- Gina – começou ela – o que há contigo?

Suspirei, baixando os olhos para o chão novamente.

- Eu só estou – pensei por um breve momento no que dizer. Eu não queria admitir que fora Harry o motivo de minha perda de cuidado comigo mesma – Triste pela morte de Dumbledore. Ele era um grande bruxo.

Dizer que era este o motivo de minha tristeza não era completamente mentira. A morte dele de fato me comovera, mas eu e ele nunca fomos muito ligados.

- De fato, acho que todos nos comovemos com sua morte – dizia ela, soltando um breve suspiro – Mas não é isto que lhe incomoda. É ele. Harry.

- Não há como esconder as coisas de você, não é? Sim, é ele – admiti.

- Gina! Porque faz isso consigo mesma? Ele não está morto, ele está desaparecido apenas. E ele tem de estar, ou acha que ele deveria ficar andando livremente pela rua com todos estes comensais por ai? Harry não é burro, ele sabe se cuidar.

Luna havia dito isto com tanta força que eu acreditei em suas palavras. Ela estava certa, ele não era burro. E ele tinha de salvar o nosso mundo, não tinha porque ele responder a uma carta amorosa enviada pela irmã de seu melhor amigo. Era ridículo, como eu pude ser tão estúpida?

- Você esta certa, Luna. Eu não podia ter deixado as coisas irem a este ponto. Sinto vergonha de mim mesma, eu vou me cuidar.

Luna sorriu e afagou minha mão, confortando-me.

Ficamos conversando durante a tarde toda até que ao crepúsculo ela teve de ir. Quando ela se foi, tomei um bom banho e dei um jeito nas olheiras com minha varinha. Vesti-me um pouco melhor, mesmo sabendo que eu ficaria em casa, colocando um vestido de alça vermelho, realçando meus cabelos.

Durante o jantar, consegui até rir das piadas de Fred e Jorge, que estavam conosco. No fim na noite, sentei-me na grama gelada do jardim, observando as estrelas. O céu estava de fato bonito e estrelado. Porém, meu coração partido não me deixava ter um momento feliz. Sempre me lembrava de que Harry não estava ali comigo. Eu olhava para o céu e não via um motivo para ele estar bonito, afinal, a vida não é bela como dizem. Ela é injusta, ela te faz sofrer.

Ah, Harry, onde está você agora? Eu pensava, olhando para o céu.

N/A: Oiiie gente. Espero que vocês tenham gostado do segundo capítulo. Eu não ia fazer, mas a minha amiga Lys me deu a ideia. Bem, ela deu a ideia de vir uma resposta do Harry, mas daí me venho isto ai na cabeça. Mas nunca se sabe não é? Hehe. Beijinhos, Sunny. Não se esqueçam de dar review!