Grissom chegou ao campus alguns dias antes das aulas começarem para discutir o seu programa da disciplina com o corpo docente da universidade, e se necessário (o que não foi) fazer as devidas mudanças. Dada a insistência do diretor em oferecer um quarto, na própria universidade, na ala dos professores, Grissom não viu outra saída a não ser aceitar.

Depois de devidamente instalado, o diretor mostrou onde ficava a sala em que iria lecionar. Era um auditório grande, com capacidade para 510 pessoas e com uma louça que ia de ponta a ponta da parede. "não acho que terá tanta gente assim no meu curso" pensou ele.

"Estudantes de quais áreas assistirão as minhas apresentações?" perguntou grissom, no caminho de volta ao prédio principal da universidade.

"Não saberia te dizer, Sr. Grissom. Abrimos esse tipo de curso a todos os estudantes da universidade. Você provavelmente vai se surpreender com o número de alunos que ficam na universidade durante as férias de verão, em vez de passar com suas famílias."

"Acho que a experiência na universidade é bastante significativa".

"Com certeza é. Agora, vou mostrar onde fazemos nossas refeições"

No primeiro dia de aula, o céu estava lindo. O sol estava no brilhando, os pássaros cantando e as pessoas conversando sem parar nos jardins da universidade. Grissom não sabia que naquele dia, uma coisa iria deixa-lo abalado. No bom sentido.

Chegou na sala antes do horário. Além de organizar as coisas poderia observar os alunos entrando. Eles foram chegando em grupos. Todos conversando sobre o que ele chamou de "conversa fiada". Quando percebeu que tinha um número razoável de pessoas, ele pegou o microfone e se apresentou.

"Muito bom dia senhoras e senhores. Meu nome é...".

Antes que pudesse continuar, a porta do auditório se abriu novamente. Todos olharam para a porta, incluindo ele. Uma jovem alta, morena, de cabelos cacheados entrou e se dirigiu a uma das cadeiras vagas próximas à porta. Quando percebeu que o palestrante havia parado de falar, ela olhou para ele e sorriu timidamente. Grissom não conseguiu falar, ou se mexer. Ela tirou um caderno e uma caneta, se ajeitou na cadeira, cruzando as pernas e sorriu para ele.

"Bom, como eu dizia... Meu nome é Gil Grissom e vou dar este curso sobre entomologia forense ao longo dos próximos meses. Sei que muitos de vocês não tem idéia do que se trata, mas espero esclarecer isso hoje e quem sabe fazer com que alguns apreciem esta ciência bastante fascinante"

"fascinante?!" exclamou um dos alunos, literalmente debochando.

"Desculpe, como você chama?" perguntou Grissom, indo à frente do palco.O menino estava sentado no canto do auditório na décima fileira, e vestia camiseta vermelha. Ficou bastante surpreso quando percebeu que fora notado.

"Meu nome é George. George Fins".

"Eu acho fascinante senhor Fins, e mesmo que o senhor não ache, deve ter o mínino de curiosidade sobre o assunto para estar aqui, agora".

A sala inteira riu e Grissom pode notar o sorriso no rosto da jovem. Ele piscou e voltou para o microfone. Porque eu fiz isso?!

"A palavra entomologia provem da união de dois radicais gregos: entomon inseto e logos estudo. É, portanto, o estudo da vida dos insetos em sua relação com o homem, as plantas e os animais" falou Grissom. "As vezes ao nos deparamos com um corpo, podemos identificar a hora da sua morte e o exato local, porque determinado tipo de inseto estava presente. Alguém tem alguma idéia da quantas espécies de insetos existem? (ele olhou para a sala toda) ninguém? Bom, não estou..."

Ele ia continuar, quando a mesma jovem que chegou atrasada levantou a mão. "Ok. pode falar"

"Segundo um site sobre entomologia, há mais ou menos 700 mil espécies já conhecidas, mas os cientistas acreditam que haja muitas mais desconhecidas"

Grissom levantou a sobrancelha, fazendo a jovem ficar vermelha.

"Os principais insetos que nós entomólogos estudamos são as baratas, as abelhas e às vezes as borboletas. Até mesmo o ovo destes animais podem ser úteis para determinar a hora e o local original da morte".

"Mas não são todos os tribunais americanos que aceitam esse tipo de prova, não é?". perguntou um rapaz.

"Não. Alguns ainda acham que essa ciência não é tão exata como as outras" respondeu ele. "Mas se você apresentar outras evidências, junto com essa, aí eles não te como descarta-la"

De tempos em tempo, durante a exposição Grissom se pegava olhando para a moça. Podia ver quando estava falando coisas muitos difíceis, pois ela mordia os lábios e levantava uma sobrancelha. Ou quando estava se fazendo claro, pois ela balançava a cabeça e sorria. Durante as quatro horas, a moça escreveu sem parar. Era incrível ver o quanto ela estava atenta a tudo o que ele dizia.

"Se algum de vocês tiverem duvidas, podem vir até aqui. Para aqueles que não tiverem, vejo vocês na próxima aula"

Ele esperava que a moça fosse ser a primeira a se levantar, mas não. Ela continuou fazendo anotações. Um pequeno grupo que se formara em volta dele. Alguns fazendo perguntas e outros só para fazer uma media com o novo professor.

Depois que eles foram embora, Grissom começou a juntou suas coisas.

"Desculpe, o senhor tem um minuto?" falou uma voz feminina.

"sim, senhorita...?"

"Sara. Sara Sidle" disse dando a mão para ele.

Uma corrente elétrica passou pelo corpo dele no momento em que suas mãos se encontraram. Aquilo era estranho e... bom. Eles continuaram se olhando, até que Grissom viu o corar do rosto dela e soltou sua mão.

"me pergunto se ela sentiu também?".

"Muito prazer" falou grissom finalmente

"Sei como é chato ficar esperando a sua vez quando uma pessoa tem várias perguntas, então... O senhor tem mais alguns minutos?"

"Sim, mas a senhorita se importaria se conversássemos durante um café? Eu realmente gostaria de tomar um".

"Claro. Como o senhor quiser"

"Por favor, pode me chamar de Grissom"

"Ok. Se você me chamar de Sara"

No caminho até a lanchonete nenhum deles disse algo. Ao chegarem na lanchonete, grissom pediu um café e Sara uma água. Ela ia pagar, mas ele não deixou. Sentaram numa das mesas e Sara começou a fazer suas perguntas.

Perguntas que o fizeram pensar muitas vezes antes de responder. Eram bastante inteligentes e com uma gama de detalhes que o deixou impressionado. Ela realmente prestou atenção.

Foi difícil não ficar fascinada pela mente dela, assim como pela sua voz. Teriam ficado a noite toda conversando, se Grissom não tivesse mostrado sinais de cansaço com alguns bocejos.

"Desculpe" disse ele, embaraçado.

"Tudo bem" disse com um sorriso "Acho que eu tomei muito do seu tempo... (ela colocou o caderno e o estojo dentro da bolsa) Obrigada por esclarecer minhas dúvidas e me desculpe por te prender"

"Não se preocupe. Se a conversa não estivesse agradável, ela teria acabado muito antes" Sara deu uma risada tímida "Tem certeza que não quer perguntar mais nada? Posso esperar um pouco mais..."

"Não. Acho que não tenho mais nenhuma. Mas obrigada."

"Ok. Então"

"Boa noite Grissom"

"Até mais, Sara"

Voltando para o meu dormitório, que ficava atrás do campus, Grissom tomou um banho e depois deitou na cama. Olhando pela janela não conseguiu parar de pensar em Sara. Ela o desafiara com aquelas perguntas e dificilmente isso acontecia.

"Fazia muito tempo que não me divertia desse jeito: conversando sem preocupações e com uma moça tão linda e inteligente" pensou grissom "Me pergunto qual seria o gosto dos lábios dela, finos e vermelhos? Jeez, de onde veio isso?".

TBC