Capítulo 1

Londres, 1821.

"A desgraça de um é a alegria de outro, com toda a certeza eu sou motivo de muita diversão para meu senhor."

"A menininha ainda chorava; gritava pela mãe que nunca mais voltaria. Ela gritava que eu era a culpada, olhava-me com um ódio, que não era certo para estar no rosto de uma criança tão pequena. A rua escura que marcou minha imortalidade estava lá mais uma vez, então...".

Eu acordei.

— Teve o sonho novamente? — Dimitri perguntou da poltrona em que estava sentado com um copo de sangue na mão.

A poltrona assim como as roupas dele combinava com a decoração sombria e gótica do quarto. Os móveis pretos e as paredes vinho escuro eram minha companhia constante durante as horas do dia.

— Sim. — levantei nua sob o seu olhar e peguei a garrafa em cima da cômoda, despejando o líquido em um copo. — Sempre os tenho. — dei de ombros e bebi o conteúdo do copo, não me importando com minha nudez, não havia nada que ele já não tivesse visto infelizmente.

— Eu disse a você desde o começo, que escrúpulos não são para os de nossa raça. — ele suspirou, levantando e vindo calmamente em minha direção. — Eles são apenas alimentos para nós, são seres insignificantes nada evoluídos.

— Como pode dizer isso? Nós já fomos humanos.

— Essa é uma fase que eu prefiro não lembrar, se você não se importa. — ele enroscou seus braços em minha cintura. — Vamos voltar para a cama? Eu ainda não acabei com você.

— Eu não estou com vontade. — tentei me afastar dele, mas ele não me liberou de seu aperto.

— Não brinque comigo, Isabella. Eu não gosto, quando não tenho o que quero. — ele lambeu meu pescoço dando várias mordidas em seguida. — E no momento é você o que eu quero.

— Sim, mestre. — eu afastei meu olhar e deixei-o fazer o quisesse comigo, afinal eu não tinha muita escolha foi ele quem me transformou; ele é mais poderoso que eu de inúmeras formas e eu devia obediência a ele.

— Você é uma vadia, Isabella. — ele se afastou de mim. — Sabe que eu não gosto que você faça assim. Era para ser divertido, não um corpo frio debaixo do meu.

— Eu disse que não estava com vontade. Você não se importou. — trouxe meu olhar para o dele novamente e suspirei. — Sinto muito, mas você sabe que eu não gosto que você mate os humanos, não custa nada tomar um pouco de sangue e deixá-los vivos. — eu tinha que falar mansamente com ele.

— Tudo bem, princesa. Eu sempre faço o que você quer, não é? — ele beijou meus lábios com doçura, o que era estranho da parte dele. E não, ele nunca fazia o que eu queria. Tudo gira no pequeno mundinho dele, o qual ele é Deus e nós (os outros vampiros inferiores) seus servos.

— O que foi? — perguntei quando seus lábios se afastaram.

— Nada. — ele se afastou, sentou-se novamente na poltrona, deixando-me atordoada. — Volte a dormir, ainda são quatro da tarde, quero você linda para o baile de hoje à noite.

- Dançar?

— Sim, daquela mulher insuportável da Street Hall... Qual o nome dela mesmo?

— Amélia Deveraux? — ele assentiu e eu bufei. — Por que temos que ir a essas festas tediosas? — deitei na cama pondo meu braço em cima de meus olhos. — Odeio essas festas, aquelas mulheres...

— Por que temos que manter as aparências. Já basta o fato de você não poder andar na luz do sol, as pessoas desconfiam; Londres está repleta de caçadores.

— Eu nunca vi um sequer. — odiava o modo como ele me prendia.

— Isso é por que eu não a deixo solta, para ser pega. — ele deu uma batidinha nas pernas dele. — Venha aqui gostosa!

Revirei meus olhos, usei a velocidade incrível que ganhei quando fui transformada e pulei em seu colo. Ele circulou minha cintura e ficou acariciando um de meus seios. Tive que fazer o possível para fingir que não sentia asco por seu toque.

— Sim, Dimitri.

— Eu amo você. — ele suspirou e olhou em meus olhos. — Foi por isso que a transformei, quando a vi, sentada ao lado da Rainha, como uma simples dama de companhia; soube que você poderia ser muito mais do que isso.

— Você sempre conta essa mesma história, como se eu não estivesse lá. Eu me lembro de você tentando me seduzir, eu fugia de você, mas você não desistia. Até meus pais estavam em seu favor, eles diziam: "Ele é o guerreiro mais poderoso do Rei Edward III e está interessado em você. Seduza-o, faça com que se apaixone por você".

— E você fez, eu fiquei louco por você.

— Não sei do que você está falando; eu não movi uma palha; era você que não sabia receber um "não", como resposta. Você me agarrou em público e eu fui obrigada a me casar com você. Fez com que meu pai lhe entregasse minha mão a você em casamento.

— Pelo que me lembro você gostou muito de ser agarrada, não parava de gemer. — ele passou a mão em minha coxa. Ledo engano o dele se achou que em algum momento eu senti algum prazer com ele. — O que mudou entre a gente? Por que você ficou tão fria comigo?

— Você me estuprou como você gostaria que amasse você. Eu não agüento mais essa matança, você quando me transformou disse que iríamos viver para sempre, mas não disse a que preço. Transformou-me em um monstro como você.

— Eu vou tentar não matar, eu prometo, mas não é tão simples. — a mentira em seus olhos era visível. — Eu sou milhares de anos mais velho que você, meu sangue é velho preciso me alimentar mais, muito mais.

— Nós poderíamos tomar sangue de animais. — eu disse acariciando seu maxilar. — Viveríamos em paz.

— Eu já disse que não. Sangue humano é essencial para nós. Agora vá dormir e esteja pronta para o baile quando eu voltar. — sua voz voltou a ser grosseira; e então ele se levantou comigo ainda no colo, não caí graças aos meus reflexos.

— Aonde você vai? — perguntei quando ele avançou para porta.

— Não é da sua conta. — então ele saiu porta a fora, para luz, onde eu não tinha idade o suficiente para andar.

— Maldito bipolar. — eu peguei o copo dele de cima da mesa e o joguei contra a parede.

Deitei na cama novamente, mas não voltei a dormir. Ele era louco, isso era obvio; eu soube disso desde a primeira vez em que o vi. Como poderia amá-lo? Não, eu não o amo e nunca amei; acredito que ele não me ama também, ele me deseja, é muito obsessivo em relação a mim, mas não é amor; ele era doente e cada dia mais ele piorava.

— Senhora? Está acordada? — minha dama de companhia bateu na porta me tirando dos meus pensamentos; sempre que eu entrava em meus devaneios eu poderia ficar muitas horas na mesma posição, que nem notaria. Isso é o que a imortalidade faz com você, lhe deixa distraída e sem vida.

— Sim. Acabei de acordar. — ela entrou no quarto com mais dois criados que carregavam bacias de água quente.

— Vossa Excelência pediu que lhe ajudasse a se arrumar para o baile.

— Que gentil da parte dele. — disse com a voz mais sarcástica que tinha. — Eu posso me banhar sozinha. Bote tudo aí e saia.

— Mas Milady... — ela tentou argumentar, mas eu não dei espaço para discussão.

— Eu prometo que lhe chamo para me ajudar com as roupas e os cabelos, mas eu gosto de me banhar sozinha. Você sempre quer fazer isso e eu me nego; já deveria estar acostumada.

— Sim Milady. Chame se precisar de mim. — ela saiu do quarto, levando os dois criados com ela uma pontada de irritação transparecendo dela. Ela queria agradar Dimitri, para cair em suas graças.

Todos eles eram vampiros de baixo escalão, todos recentemente transformados fracos o suficiente para serem mantidos sobre controle. Dimitri não contratava mais funcionários humanos para trabalhar dentro da casa, onde o sol não precisava iluminar, as velas eram mais do que suficientes, até por que graças a nossa visão melhorada, eu podia enxergar tudo como se estivesse em um dia de sol.

Entrei na bacia e deixei que a água quente aquecesse meu corpo, relaxasse meus músculos e acalmasse toda a irritação que ameaçava tomar conta de mim. "Eu tenho que me livrar dele!" era tudo o que eu conseguia pensar desde que o conheci.

Notas finais do capítulo
deixem reviews e recomendações
bjs