As mascaras que colocamos.
Era uma
tarde de Setembro quando nos conhecemos. Era outono, e as folhas
estavam amarelas e caindo.
Conheci ele por causa de Quatre, era
um pequeno piquenique.
Quatre falou que chamaria o namorado e mais dois amigos.
Foi um dia especialmente divertido. No começo, eu e ele não trocamos uma palavra em nenhum momento, mas no final, quando estava ficando frio, e todos estavam indo embora, ficamos sozinhos recolhendo o resto das coisas. E foi ai que ele virou para mim e me comprimento.
"Me chamo Heero Yuy. Você é o Duo não é? É um prazer conhece-lo".
Eu nunca tinha ouvido palavras ditas daquele jeito em toda minha vida, meu coração bateu rápido. Aquele garoto que havia ficado calado o tempo inteiro, e que mal havia me olhado, havia estendido a mão para mim, e sorrido gentilmente. Eu me lembro que hesitei no momento, mas meio incerto, apertei sua mão e lhe respondi sorrindo timidamente: "Prazer em conhece-lo! Você é amigo de Quatre não é? Então é meu amigo agora!".
O tempo foi se passando, e cada vez esses laços foram ficando mais fortes, Heero começou a se abrir pra mim, e eu, inevitavelmente comecei a me abrir pra ele.
Era a primeira vez que me sentia tão confiante para confiar o meu eu verdadeiro para alguém, era como se um peso enorme houvesse sido tirado das minhas costas. Nem Quatre que era meu melhor amigo, eu havia contado, nem ele, que eu conhecia desde que me conhecia por gente.
Com Heero, eu me sentia livre, com ele, eu me sentia seguro para contar qualquer coisa que me atormentava. Eu não sabia porque disso, não, não sabia, meu coração se apertava toda vez que pensava no assunto. Então um dia, enquanto estávamos nós cinco(wufei, eu, Quatre, Heero e Trowa), todos conversavam animadamente, mas apenas nós dois estávamos num canto, aproveitando o silêncio. Minhas pernas estavam encostadas no meu corpo, e minha cabeça estava deitada em meus joelhos. Ele me chamou a atenção primeiro, e eu ergui meu olhar para ele. Heero sorria levemente e me encarava pensativo, então ele disse, algo que nunca esqueci até hoje.
"Eu entendo agora..." – Ele disse de forma baixa, calma, enquanto me encarava nos olhos. Naquele dia, pensei que os olhos azuis cobalto de Heero nunca mais poderiam brilhar tanto. "Você esconde o seu eu verdadeiro dentro dessa mascara de alegria, não é, Duo?".
Ele havia falado com sinceridade, e mesmo quando me disse aquilo, o sorriso calmo não saiu de seu rosto. Eu entrei em choque, jamais ninguém havia falado aquilo para mim.
Antes, eu sorria, e as pessoas sorriam comigo, e eu as fazia alegre, eu escutava seus problemas. E estava feliz assim, mas Heero, chegou de fininho, eu o conhecia há pouco tempo, mas já me sentia tão bem, a ponto de contar todas as minhas duvidas, todos os meus anseios, meus medos, minhas tristezas.
E então, ele enxergou bem fundo dentro de mim, e me disse isso.
Eu estava por demais chocado para negar ou afirmar alguma coisa, e me custou bons minutos para descobrir, que de fato, ele estava certo, e que todo aquele tempo, eu apenas estava me enganando, dizendo o contrario.
Aquele dia eu sorri pra ele e disse: "Talvez você tenha razão, talvez eu me esconda por debaixo de uma mascara, mas só você notou".
Escutei ao longe Quatre reclamando que estava com sono, Wufei queria ir pra casa porque já estava tarde, e Trowa, sempre silencioso, apenas concordou que deviam ir embora.
Fomos todos embora, e quando cheguei em casa, mesmo morando com meu pai, e meu irmão solo, eu me senti sozinho. Nenhum deles jamais havia me entendido, nenhum deles jamais havia descoberto essa mascara que eu tinha grudado em mim, e eu finalmente entendi porque eu me sentia tão seguro perto de Heero. Ele me conhecia! Ele sabia exatamente como eu era!
Eu me senti tão bem, tão aliviado, meu coração saltou de felicidade, mas por um lado, doía angustiado, e eu não sabia por que. Algo dentro de mim estava rasgando, então eu chorei, chorei sozinho, chorei como jamais havia chorado e como jamais imaginei que iria chorar. Chorei por essa mascara que visto há tantos anos que nem lembro como começou, chorei por mim mesmo, por não querer mais ela, e não conseguir fazer ela ir embora, chorei por sentimentos confusos, pois nem eu sabia mais o que sentia.
Capitulo 1 – Ele gosta dela.
Dezembro, Inverno
"Duo! Heero ta aqui embaixo!" – Solo gritou do andar debaixo da casa, esperando que Duo ouvisse, mas tinha quase certeza que o irmão devia estar dormindo, ainda eram por volta das uma hora da tarde, e como estavam de férias Duo dormia até tarde, conseguindo a proeza de acordar quase no fim da tarde.
"To indo!To indo!" – Veio uma voz sonolenta lá de cima. "Pede pra ele esperar que eu to descendo!" – Duo suspirou, foi tomar um banho, e acabou que demorou bastante, lavar aqueles cabelos longos não era mole não, se não fosse uma promessa do pai, iria corta-los.Sempre pensava isso, mas nunca tinha coragem de faze-lo é claro.
Desceu as escadas em pulos, pulando dois degraus de cada vez, e finalmente atingindo o primeiro andar da casa, procurou onde estaria Heero, e o achou na sala, conversando com Solo.
"Mas como você demorou!" – Exclamou Solo irritado. "Heero já está aqui há um tempão esperando por você! Francamente, você parece uma princezinha quando ta no banho!!".
"É o que?! Retira o que disse agora!" – Duo apontou para Solo com uma cara de poucos amigos e veias saltando na testa.
"Eu? Retirar?! Vai sonhando!"
A briga começou a li mesmo, o senhor Maxwell entrou, separando os dois.
"Parem com isso vocês dois! O que Heero vai pensar da gente? No mínimo que somos uma família de ocidentais barulhentos e irritantes!"
"Mas foi ele quem começou!!!" – Protestou Solo.
"Foi você com essa história de princezinha!" – Duo berrou irritado, apontando para o irmão mais novo.
"Já chega! Já chega! Duo... Você não ia na casa do Quatre com o Heero hoje? Então... Vá logo... E você, Solo! Vamos ter uma conversinha sobre você irritar o seu irmão!"
"Mas paiiiiiiiiiiii!"
"Mas nada..."
Duo e Heero saíram da casa dos Maxwell. Duo resmungava enquanto fazia a trança no caminho e amarrava a ponta.
"Você ta vendo, não é, Heero? É sempre assim! Aquele idiota do Solo torrando minha paciência! Minha santa paciência!"
"Ele só
te irrita, por que quer sua atenção... Isso é
normal quando se gosta de alguém..."
"Falando assim até
parece que você ta insinuando que ele ta apaixonado por mim!"
"Eu não sei..."
Duo ficou branco, e ai apontou para Heero com uma cara de poucos amigos. "Fala sério, Heero! Nem a pau que o meu irmão gosta assim de mim!".
"Eu tava brincando, baka..." – Heero riu de Duo, e logo seu riso cessou, tornando um sorriso suave. "Mas é verdade que quando a gente gosta, a gente chama atenção da pessoa...".
"Até parece que você sabe do que ta falando... Dizendo assim, eu diria que você ta apaixonado!"
"Talvez
você esteja certo..."
"Quer dizer que você
realmente sabe do que ta falando?! Não acredito! O senhor Yuy
expert em assuntos assim...Eu hein...Quem te viu, quem te vê!"
"Quer dizer que eu estou apaixonado!"
"Apaixonado?! Por quem?!"
"Pela Relena...Se lembra? Quando a gente se conheceu, ela não tinha ido no piquenique, por que estava doente... O irmão dela disse que ela pegou uma pneumonia muito forte, parece que ela é frágil com essas coisas... Sabe? O vento frio... Sabe Duo, ela também vive tentando me chamar a atenção, ela deve gostar de mim também! Eu fico feliz com isso.. é a primeira vez desde que eu cheguei nesse país que eu me sinto tão feliz..." – Heero falou com um sorriso enorme passando pelos lábios, mas percebeu que Duo estava calado o tempo inteiro ao seu lado. "Duo? O que foi? Algum problema?"
Continua...
