Notinha inicial: Finalmente estou de volta! Uhuuhuu! Mas a demora valeu à pena, o segundo capítulo está enolme! hehe

Espero que gostem!

Conselho: Sugiro que quando lerem este capítulo, vocês ouçam a música-tema desta FIC (Fixação - versão remix!), principalmente nas cenas da Sakura-chan. Caso não a encontrem, mandem um recadinho pedindo, de preferência no meu e-mail, o deixei à disposição de todos! Certo?

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Disclaimer: Card Captor Sakura não me pertence e sim ao famoso grupo Clamp. u . ú Porque, caso contrário não estaria aqui, muito menos escrevendo essa história! Com certeza seria milionária, estaria nas Ilhas Caymam, com um gato saradão daqueles!! Uhuhuu!

Voz sedutora: Por um acaso, serve eu?

ò.Ò (Sy-yao-oran Li! Aqui!!)

Autora subitamente desmaia no estúdio.

Syaoran (sorrindo de lado): Realmente sou demais!

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Lembrem-se:

/Texto/

Itálico: palavras com pronunciamento e um sentido mais forte ou duplo.

"Itálico e aspas": pensamento dos personagens.

Revisão de: Miss of Darkness

Boa leitura!


"De que adianta encontrar o homem dos meus sonhos, se não posso tê-lo, sequer tocá-lo? Ele é famoso, milionário, lindo, inteligente: perfeito, mas inalcançável. Porém na minha imaginação super fértil, ele é só meu!"

FIXAÇÃO!

(Seus olhos no retrato! la la la la... hehe não resisti)

Capítulo 2


Tomoyo, apesar de ser a dona da agência de modelos, fazia de tudo um pouco, não porque tinha funcionários incompetentes, longe disso, apenas gostava muito de sua profissão. Formou-se em Publicidade, depois de dois anos resolveu fazer Moda, mas não chegou a concluir o curso, e foi nessa época que conheceu Sakura. Bendita sorte! Apesar de ter relacionamentos diversos, não se havia se fixado em nenhum em especial, mas com Sakura foi algo imediato, solícito. E não podia deixar de ressaltar o quanto a amiga tinha uma beleza que chamava atenção, exótica e bela; seria uma modelo de sucesso, porém ela negava qualquer proposta ou insinuação, e perdera a conta de quantas vezes implorara isso, mas era muito compreensivo o fato dela amar sua profissão de professora, se orgulhava muito dela. Sorriu. Lembrou-se da primeira vez que se encontrou com ela, estavam em um dos festivais da faculdade:

S&S/ Flashback /S&S

Estava tendo uma amostra de roupas customizadas, produzidas pelas alunas do curso de Moda na Faculdade Federal de Tókio. Todas estavam alegres e era fácil ver no rosto de cada uma delas o orgulho de mostrar seus trabalhos feitos com capricho, algumas com um designer moderno jovial, outras com sofisticação e glamour. Mas uma aluna em especial destacava-se dentre de tantas pela suas idéias inovadoras, era Tomoyo Daidouji.

Daidouji minha querida, está divino, divino! Estou sem palavras para descrever! – falou uma das professoras de moda. Estava emocionada, orgulhosa pela sua aluna.

Oh senhora Houjo, muito obrigada! – falou pegando as mãos da mulher. – Devo isso à senhora! – disse em tom emocionado.

Imagina! Você que é talentosa. Parabéns! – sorriu.

Obrigada! – agradeceu com grande alegria.

Olhava as pessoas comentarem sobre seu trabalho, emocionada. Era muito gratificante isso. Foi quando uma das garotas que estava visitando o salão de amostra chamou totalmente sua atenção. Foi até ela. Cutucou-a. Ela virou-se atendendo seu chamado.

Com licença, você é uma modelo? – disse com um semblante admirado.

A garota olhou pra ela com um misto de 'o que ela está falando?' com 'quem é essa maluca?'.

Bem...

Nossa! Você é muito linda, deve ser fazer muito sucesso... Ahh...!!

Mas não... – foi interrompida novamente.

Qual é a sua agência? Como se chama? Mora aqui em Tókio? – bombardeou a coitada com perguntas ainda maravilhada com a beleza da moça a sua frente.

A garota estava sem saber o que falar. Estava ficando com medo com o jeito que a maluca desconhecida a olhava. Vendo-a calada, resolveu se apresentar:

Bom, sinto dizer que não sou uma modelo, na verdade estou longe disso! – falou sorrindo. Percebeu que o sorriso bobo da garota maluca havia sumido completamente do seu rosto dando lugar à decepção. – E agradeço pelo elogio, embora ache que esteja exagerando. Eu me chamo Kinomoto Sakura e moro em Tókio sim. - falou num fôlego só. Suspirou.

Err... – estava com um semblante decepcionado. – Nossa, me desculpe! – abaixou o rosto, envergonhada, mas em seguida levantou-o com um sorriso – Bem, acho que agora devo me apresentar, nee? Sou Daidouji Tomoyo! – esticou os braços cumprimentando-a.

Prazer! – sorriu – Uhnn... Então você é a famosa filha da dona das renomadas empresas Daidouji, que honra conhecê-la. - sorriu em admiração. – Você é realmente muito bonita como muitos falam. – disse com um sincero tom admirado.

Que isso. As pessoas falam demais. – sentiu seu rosto queimar – Sou apenas uma pessoa qualquer. Só não gosto que as pessoas me conheçam apenas por ser a tal filha da dona das famosas empresas Daidouji – falou com certo tom de ironia. Era um saco essa imprensa!

Entendo. – sorriu. Resolveu mudar de assunto – Estava andando pelo campus e soube que estava tendo uma amostra muito interessante de roupas customizadas, embora não me interesse muito por moda e também não entendo muito desse universo. – comentou envergonhada.

Pois deveria ser interessar! Este mundo é muito fascinante! – pegou as mãos dela. - Venha comigo Sakura, te mostro as roupas. – falou puxando a moça.

Sakura apenas sorriu e se deixou levar.

S&S/ Fim do Flashback /S&S

Sorriu relembrando esta cena. Já fazia quatro anos. Nossa! Como esses quatro anos voaram! Muita correria e você simplesmente não vê o tempo passar. Fechou os olhos. Dois meses depois deste acontecimento tinha trancando a matrícula para dedicar-se exclusivamente à sua agência; sua mãe implorou para que ela terminasse o curso de Moda, mas decidiu se dedicar inteiramente ao trabalho. Enfrentou uma barra pesada na agência por causa dos altos custos com salários, como esse tipo de profissional exigia. Suspirou. Mas sabia que tinha garra, força, coragem e uma dose imensa de amizade, confiança e apoio. Isso tudo podia se resumir com apenas uma única palavra, ou melhor, com um nome: Sakura! Abriu os olhos e sorriu. Sakura ajudou a convencer a sua mãe para que deixasse que sua filha única, 'sozinha', resolvesse seus problemas do modo dela, que acreditava nela e teria fé que tudo daria certo. Grande ajuda!

– E não é que tudo realmente no final deu certo! – disse distraída.

A amiga é simplesmente seu porto seguro e sua companhia favorita. Lógico que tinha a mãe, mas ela era ocupada demais, muito sobrecarregada (aliás, ela queria que a filha seguisse seu mundo empresarial). Riu. Fracasso total! Sua mãe no fundo a compreendeu. Seu mundo era outro, apesar de ser publicitária, este dever tinha um âmbito empresarial envolvido, mas era uma coisa dela! Sua escolha particular. Este é o destino que queria seguir e o mais o importante de tudo – queria ser feliz! Sorriu tristemente. E ainda tinha um amor-proibido que só uma única pessoa sabia, se bem que achava que outra pessoa desconfiava, mas tinha que ser bem o...

– Senhorita Tomoyooooo, senhoritaaaa! – insistiu uma voz nervosa.

– Ahn...? – acordou. Estava entorpecida. – O que é? – olhou a moça.

– Senhorita Tomoyo, estou te chamando há horas! – exagerou a moça. Estava estranhamente nervosa e ansiosa.

– Sempre exagerada Hikaru! – balançou a cabeça – E já pedi pra me chamar somente de Tomoyo, quantas vezes vou ter que te pedir isso? Conhecemo-nos há anos. – falou inconformada. – E não é porque trabalhamos juntas que deixaremos de ser amigas. – sorriu. Adorava seu braço-direito.

– Desculpe-me, Tomoyo! – sorriu desconcertada. – É desculpa entrar assim, mas é que bati na porta várias vezes e como não ouvi resposta, resolvi entrar e... – parou de falar ao ver o prato praticamente intocado em cima da mesa.

– Tudo bem! – sorriu. Olhou na direção que a sua funcionária observava com interesse. Fechou o sorriso. De repente se lembrou de algo. – Que droga! – gritou, a moça se assustou. Levantou-se. – Perdi a hora com os fotógrafos! Devem estar me esperando há vinte minutos! – olhou o relógio no pulso.

– Era isso que queria te lembrar! - sorriu sem graça.

– Vamos Hikaru! – correu para a porta. Voltou-se. – Ah, antes peça para retirar este prato, por favor.

– Sim...

– E cadê as fichas com os nomes dos fotógrafos? – perguntou ansiosa.

– Está tudo aqui! – estendeu uma prancheta com orgulho.

– Oh, obrigada! – sorriu agradecendo. Respirou. Leu a folha atentamente. – Vamos!


Uma mulher corria feito uma louca em seu apartamento. Estava enrolada numa toalha e com os cabelos espumados, corria com uma expressão irritada. Um som estridente se fazia prevalecer no ambiente.

– ALÔ! – gritou. Não ouvia resposta nenhuma, de repente ouvia um som de deboche. Um riso! - Ah há! Touya! Pare de rir, seu baka!

Ora, monstrenga. Respeite-me! – soltou outra risada. Não agüentou. – Desculpe, mas aposto que você estava no banho, está com o cabelo todo espumado, irritada e correndo feita uma monstrenga que é! – riu outra vez.

– Cala a boca! Não sou uma monstrenga! – praguejou. Como ele consegue adivinhar essas coisas?

Okay! Okay! Não precisa grunhir.

– FALA! – gritou. Soltou o ar – O que você quer? Aposto que me ligou apenas para debochar da minha agradável situação. – abriu os braços se olhando.

Não era minha intenção, mas já que isso aconteceu tenho que aproveitar. – falou com um tom brincalhão. – Sério.

Sakura tinha certeza que ele se segurou para não rir. Revirou os olhos.

– Ligue-me daqui a meia hora!

Cer- – desligou o telefone. Olhou para o aparelho.

– É uma baka sem causa mesmo! – resmungou.

Respirou profundamente. Olhou para baixo de si. O Carpete! Todo molhado!

– Arrg! – se pôs a correr de volta para o banheiro. – Ele me paaaagaa!...

F!

– O papai ainda não chegou da expedição? - indagou Sakura já refeita do banho desastroso. Estava em seu quarto já vestida e secando os cabelos compridos com uma toalha.

Não. Ele resolveu ficar mais um pouco por lá, parece que descobriram mais umas antiguidades raras. E precisam averiguar a sua importância história, esses lances!

– Sei. E você quer sair de casa, por um tempo?

S-sim!

– Touya!- balançou a cabeça não se conformando - Pelo amor de Buda, se separa dela de vez! Já está insuportável esta situação, e não é pouco tempo, faz um ano já. Não sei como agüenta. – falou sentando-se em sua cama.

Não penso só em mim, penso nela também. Ela gosta muito de mim...

– Mas você não corresponde ela por igual, quer continuar se enganando e magoando-a?

Não. Quando papai chegar, converso com ele.

– Okay! Acho melhor. Papai é um homem muito sábio. – disse com orgulho.

Sim. – fez um longo silencio.

– Touya!

– O quê?

– Diga logo! – revirou os olhos.

Dizer o quê?

Sakura sorriu.

– Tudo bem. Você pode passar um tempo aqui. – afirmou antes que ele a interrompesse. – Mas só por pouco tempo! Até que esfrie essa cabeça. Você é muito nervosinho. – comentou com um semblante distraído.

Mana, eu te amo! Sabia, você é minha irmã favorita!

– Ora. Sou sua única irmã!

Mas mesmo assim. Ah, e pode ligar pra Rumiko também? É...

– Pode deixar! Eu ligo pra ela! – falou rodando os olhos.

Essa é minha monstrenga predileta! Espera-me! Até!

– Não... – ouviu a linha do telefone. Suspirou. Desligou-o.

– Isso sim é um autêntico baka! – balançou a cabeça sorrindo.

Se seu irmão não pusesse um fim logo neste casamento, o caso ia se complicar mais do que já estava complicado. Já fazia um ano que seu irmão havia descoberto que o que tinha feito foi por pura besteira. Paixão! A paixão vem e vai. Passa. Diferente do amor, que é verdadeiro, puro e eterno, a alma nunca morre. Bem, nunca sentiu isso, mas tinha um exemplo muito perto de si. Seu pai nunca deixou de amar sua mãe, mesmo depois de sua precoce morte. Emocionou-se.

– Uia! – suspirou – Falta bancar a irmã perfeita e a cunhada querida. – disse levantando-se e discando o número do telefone.


Outro som insistente estava deixando Sakura louca!

– Hoje é dia! Tô indo! – gritou correndo. – Se for o Tomoyuki-chiclete... – observou no olho mágico. Fez uma cara de surpresa. Abriu a porta.

– Sakura-chan, finalmente. Achei que tinha saído. Foi lá hoje, não é? – sorriu maroto. Sakura riu.

– Entre logo sua espertinha! – deu passagem para a amiga.

– Com licença! – entrou. – Tome! – entregou duas sacolas cheias.

– O que significa isto? – indagou pegando as sacolas e fechando a porta.

Tomoyo sorriu. – Resolvi comprar dois jantares para nós. – viu Sakura se dirigir para cozinha. Seguiu-a. – E como certamente eu te conheço, tem novidades pra me contar.

– Mas tínhamos combinado de almoçar amanhã. Lembra-se? – questionou ainda confusa. Sorriu vendo Tomoyo lhe dirigir um olhar travesso. Esboçou um sorriso balançando a cabeça.

– Certo! Conto-lhe tudo com o maior prazer! Mas antes vamos comer, nee!

– Oba! – a morena exclamou batendo palmas e pulando, supercontente.


Em algum outro lugar... Em outro país... Em outra ocasião...

Uma certa pessoa, com um estilo bem diferente do normal estava tentando se manter firme e forte na figura que misteriosamente precisava se passar.

Respirou profundamente, fez o mesmo inspirando.

Uma. Mais uma, outra, mais outra, mais outra vez!

– Que droga! – exclamou desistindo de se acalmar. Fechou os olhos, frustrado para variar. Frustração já havia virado rotina

Isto já estava sendo um verdadeiro martírio, algo penoso demais! Não precisava passar por isso, mas o que sua vida estava sendo nesses últimos anos, literalmente o obrigava, necessitava disso! Anos! Por Buda! Isso mesmo, naquela época nem passava pela sua mente ingênua que a vida que queria para seu futuro, passado, e presente agora, nem era um quinto do que ele queria! Suspirou pesadamente.

– Nunca vou conseguir. – sussurrou tristemente. Abaixou a cabeça com um semblante tristonho. O pessimismo estava começando a aflorar dentro de seu âmago novamente. Mas a realidade mostrava-se cada vez mais o que seu destino cruel e previsível preparava.

A cada dia que passava, já sabia o que ia acontecer. Sempre os mesmos cuidados, caminhos, preocupações, deveres... Isso virou uma espécie de um indecoroso aviso, prenúncio da sua vidinha regrada, cheia de compromissos, deveres que diziam respeito sempre a todos, mas nunca a ele próprio. Nunca fez nada somente para ele. Parece que o gerara somente para servir em prol dos interesses egoístas deles, da maldita herança que seu falecido pai o deixou. Se pudesse doava boa parte para os pobres, os que necessitavam de verdade! E não para bancar velhos, homens hipócritas, egocêntricos e mulheres rendidas ao luxo material; a riqueza que os quais não cansavam demasiadas vezes de proferir, mereciam ter! Total mau-senso.

"Mas que demora! Cadê ele?" – pensou irritado. Odiava esperar, não era de o seu feitio ficar parado aguardando a pessoa chegar na hora que queria. Apertou os dentes e fechou as mãos frias suadas de nervoso. Estava com um mau pressentimento. "Deve ser aquela maldita Lei de Murphy!" – pensou dramaticamente. Como que era aquela frase da lei mesmo? – Ah sim: 'Se houver possibilidade de uma coisa dar errado, dará'. – sussurrou. Não só uma coisa, mas várias coisas estavam fora do seu eixo. Olhou para um lugar vazio. Finalmente poderia se sentar, suas pernas e seus pés estavam pedindo uma trégua.

Sentou-se. Respirou aliviado.

– Aí! Esses sapatos são do século retrasado! Puxa, onde Zhang encontrou isso? – falou com tom de aflição massageando as canelas doloridas. Tirou o sapato de um dos pés, estava inchado! Coloco-o de volta. Que dor! Desviou os olhos para um senhor – ele estava com um jornal, mas parecia não se interessar. O senhor idoso o olhava de esguelha, como que desconfiado. Esticou as pernas em sinal de nervosismo. O seu disfarce estava perfeito! Não tinha como descobri-lo, ainda mais ali!

– Filha, calma! – pediu uma mãe, sendo puxada. A mulher tentava controlar a filha que a estava puxando e pulando sem parar. – Pronto! Aqui está ótimo! – a menininha finalmente sossegou.

– Mamãe! Mamãe! Vamos andar naquela coisa enolme e cumplidaaaaa? Assim, oh! – esticou os bracinhos ao máximo, tentando imitar o tamanho do objeto.

A mulher soltou uma risadinha, achando graça da brincadeira da filha. Abaixou-se até a altura da menina.

– Sim. Mas isso se chama trem. Aqui é uma estação de metrô. – explicou. – A mamãe não falou na semana passada que o papai sempre anda de trem? Ele vai todo dia para o trabalho com ele. – levantou-se. Sorriu, vendo o rosto da filha se formar um semblante pensativo.

– Uhnn... Eu sei! – soltou uma risada gostosa. – Que legal! Legal, legal, legal! – a garotinha novamente voltou a pular. – Eu vou andar de tlem, de tlem, de tlem!...

O misterioso homem ficou observando a menina elétrica voltar a pular, a mãe dava risada observando o contentamento espontâneo da filha. Sorriu nostálgico. Lembrou-se da sua infância. Apesar de ser um homem formado, estava longe de ser um adulto, e embora todos achem isso, na realidade queria que fosse assim. Um adulto responsável não era submetido a incontáveis ordens, mandos e desmandos dos quais julgavam ser o alicerce da tradição da família. Bah! Ouviu tanto isso, que virou uma espécie de mantra a ser seguido minuciosamente. Apesar de tudo, tinha que carregar isso nas costas. Fazia apenas pela sua mãe e suas queridas irmãs.

Esfregou os olhos cansados; seu pai o deixou, condenava-o. Quem ele pensava que era para fazer isso, largá-los à sorte? Deixar sua família à mercê da ambição do clã, desses velhos arrogantes idiotas!

Respirou profundamente, senão ia enlouquecer de vez.

Virou o pescoço tentando ler o jornal do senhor desconfiado. Precisa se distrair esperando seu 'aliado' chegar. De repente uma nota do papel chamou sua atenção, inclinou ainda mais o pescoço. Arregalou seus grandes olhos âmbares. Essa não! Aqueles desgraçados só podiam estar de brincadeira! Estava estupefato desses vermes! Em uma atitude impulsiva, totalmente impensada, arrancou rudemente o jornal do pobre idoso que se assustou com o estranho doidão.

Estava tremendo tanto que o jornal estava prestes a ser rasgado em pedaços. Os dentes estavam cerrados, a expressão que tinha era de plena raiva misturada com pânico. A garotinha, a mãe e o senhor desconfiado olhavam-no descrentes, pareciam que os olhos do estranho doidão soltavam raios em direção ao papel.

Absurdo! Absurdo! Absurdo! Como podiam ter o disparate de... A indecência de...

Nota do Jornal: HERDEIRO MAIS COBIÇADO PROCURA!


– Não acredito! Não acredito! Simplesmente hilário! – o som de risadas eram ouvidas.

– Pois é Tomoyo, quando li isso também não agüentei, achei que fosse tipo... Sabe, aquelas notas instantâneas de humor! – falou com um semblante admirado.

As duas amigas inseparáveis estavam no quarto, deitadas confortavelmente, Sakura estava de bruços folheando as tais revistas e Tomoyo deitada com um dos braços na nuca, o outro braço segurando o tão polêmico jornal. Estava sendo uma noite de sábado muito proveitosa no quesito 'fofocas'!

– Só uma coisa!

– Fale, Tomoyo!

– Queria saber como você consegue estes jornais! – falou curiosa – Pelo que eu estou vendo é difícil encontrar esse tipo de notícia por aí!

– Ué! Tenho meus informantes, e não vou te desvendar isso! – seu semblante era de puro mistério – Aliás, assim que puder irei assiná-lo! – falou balançando suas pernas que estavam pro ar.

– Nossa! Que poderosa! – seu semblante era risonho. Fechou seu sorriso. Aquilo estava ficando sério demais, preocupante! No começo pensou que era normal qualquer pessoa se interessar por famosos, até ela tinha seus ídolos, mas aquilo tinha um bom tempo e Sakura sempre vinha com notícias, boatos, fotos! Dias atrás teve que assinar um canal, no qual ela dizia ser indispensável para ampla cultura do oriente e blá blá blá... E por pura insistência da moça ela acabou cedendo. O canal mostrava a cultura geral dos chineses e do país em si, e era até interessante, mas um tanto monótono. Porém a amiga mostrava-se interessadíssima, os olhinhos verdes até brilhavam em contentamento. Suspirou. Estava cansada!

– Tomoyooooo, olá! Terra para Tomoyo! – disse passando a mão em frente ao rosto distraído da mulher.

– Que foi Sakura? – disse levantando-se bruscamente.

– Eu é que pergunto! – riu divertindo-se. – Olha isto aqui! Que lin – do! – enfiou sem cerimônias a revista na cara dela.

Olhou atentamente para a imagem à sua frente, analisou detalhadamente o rosto do famoso chinês. Era sim muito bonito... A palavra correta era: exótico. Os traços masculinos fortes, sérios; o nariz pontiagudo, as bocas meio carnudas, linhas consideravelmente marcantes, difíceis de esquecer; cabelos revoltos, castanhos-chocolates, despenteados, que para qualquer um iria ficar grosso, até feio, mas que para ele, exclusivamente dava um certo charme natural. Combinava perfeitamente com os olhos da mesma cor. Com certeza, o que chamava mais atenção eram exatamente os olhos, grandes esferas âmbares. Na foto não dava para ver, mas ao vivo daria para perceber que aquilo com certeza destacava a alma do homem de personalidade forte, que o qual deveria ter.

– Com certeza, Sakurinha! Lindo de morrer! – o tom de sua voz passou certa ironia. Observou se formar no rosto da amiga um semblante magoado. – Que foi?

– Nada! – suspirou – E que acho às vezes que você não me leva tão a sério. – emburrou fazendo beicinho.

– Imagina. Me dá essa revista! – arrancou a revista e a pegou da mão da amiga. – Olha, até a colunista destaca a beleza desse tal chinês...

– Syaoran! – interrompeu rudemente a mulher. – Ele tem nome! Chama-se Syaoran Li, Tomoyo! – falou na defensiva.

- Desculpe-me! – largou a revista mexendo as mãos. – okay! Esse Li é lindo e tudo mais, mas não vejo nada mais do que isso! Sakura! – falou chamando a atenção da querida amiga. – Você está colocando este homem, que diz conhecer como a palma da sua mão, além de todos. Um desconhecido. Pense nisso! - insistiu

– Desconhecido? Eu o conheço! – disse indignada pegando a revista de volta pra si. Viu Tomoyo estreitar o olhar. – Bem, pelo menos bom o bastante! E Syaoran não é simplesmente um simples homem, por Buda! Ele é incrível, e não só lindo, é diferente! - disse beijando a foto do homem "diferente".

– Diferente? – levantou uma das sobrancelhas – Como assim, "diferente"? – falou colocando a última palavra entre aspas.

– Sim. É uma pessoa especial! – pegou uma das tantas imagens do homem especial. Sorriu docemente. – Especial! Único! – olhou nos olhos da amiga. – E você está totalmente equivocada ao insinuar que estou o colocando acima de todos. Não! Só o admiro, e pelo que eu saiba, admiração é um sentimento completamente normal, pelo menos até hoje! – riu sarcástica.

– Uhunn... certo, senhorita Sakura! – viu a mesma sorrir vitoriosa – Mas pense melhor: se for só admiração, está meio que exagerando! – sentiu uma almofadada na cabeça. – Hei! Essa doeu!

– Te peguei! – gargalhou abertamente. Observou a amiga pegar seu travesseiro. – Não Tomoyo! Fiz escova hoje! – levantou-se correndo com as mãos no cabelo o protegendo.

– Não me venha com escapatórias, Sakura Kinomoto! – se pôs a correr atrás da fujona. – Guerra é guerra! – jogou-o na direção da amiga que corria. Acertou em cheio! – Na mosca! – riu divertida. Viu ela se levantar do chão com o penteado por água abaixo. – Oops!

– Ah há! Agora é a minha vez! – pegou a almofada maior. – Venha aqui! – colocou-se a correr atrás da amiga.

Ficaram uns cinco minutos assim.

– Ufa! – suspirou tentando recuperar o ar, a pele branquinha de Tomoyo destacava o tom vermelho-fogo!

– Cansei também! – desabou na cama. – Eu particularmente agüento mais meia hora só disso. Você que está fora de forma. Precisa malhar!

– Não exagere Sakura-chan! E não tenho tempo, ora essa! – falou com a pose de 'A ofendida'.

– Mas é a verdade. – levantou-se. – Aliás, está meio gordinha! – começou a atacar a mulher com cócegas incessantes na barriga.

– Pára! Pára! Socorroooo! – começou a rir sem escapatória.

– Está certo! Já parei! – começou a pegar os vários papéis espalhados na cama. – Levanta, vou arrumar esta bagunça, antes que amasse minhas preciosas revistas.

– Aiaiai... – respirou profundamente tentando recuperar o fôlego. – Acho que tem até certa razão. – levantou-se e se colocou na frente do espelho, levantando a blusa de malha. – Mas estou satisfeita. – colocou a mão na barriga reta.

– Pense assim que nunca irá conseguir um namorado! – falou abafando um riso.

– Se você quer saber, tenho várias propostas de namoro! – soltou uma voz pretensiosa. – Estou solteira por opção! Uma fase. Logo vai passar. - falou mais para si mesma do que para a amiga.

– Okay! Não vou discutir. – sua voz estava abafada dentro do guarda-roupa.

– Acho bom! – permitiu-se olhar seu reflexo no espelho novamente, ficou contente com o que viu.

Sua mãe sempre lhe dizia que parecia uma princesa: o jeito meigo, os olhos violeta raros que contrastavam perfeitamente com sua pele branca quase cor de neve, o rosto oval, os cabelos longos e escuros. – Uhnn... Acho que irei cortá-los um pouco. – pegou as pontas medindo com os dedos finos e delicados.

– Sakura! – chamou à amiga. – Você acha que devo cortar um pouco meus cabelos? Repicá-los, hein? Ficaria mais jovial? "Será que chamaria a atenção de alguém querido?" – riu imaginando.

– O quê? – gritou com sua voz ainda abafada.

– Deixa pra lá, depois te falo! – gritou. Ajoelhou-se para procurar seu sapato esquecido há muito tempo embaixo da cama. – Aqui está o senhor! – alcançou-os e se sentou para calçá-los.


Um ambiente afastado.

Inóspito!

O lugar estava totalmente sombrio, escuro, igual àqueles filmes de terror barato. Mas o que predominava no ambiente era seu ar enigmático. Vozes sussurradas podiam ser ouvidas.

– Conseguiu? – perguntou com um tom de ansiedade carregado. A voz grave anunciava que era de um homem.

– Claro que sim. O senhor acha que não seria capaz de tal ato? – outra voz. Precisamente de outro homem.

– Certamente que não! – pelo tom, parecia que o homem sorria. – Só queria ter a certeza disso. Cadê? – o semblante de mistério apareceu na face do mesmo. – Antes que alguém veja! Anda! – exigiu, impaciente (N/A: Ninguém adivinha quem é? hehe).

– Calma senhor. – o homem colocou a mão no paletó no qual vestia, mas antes de tirar a mão, olhou cuidadosamente para os lados. Ninguém a vista. – Aqui está! – entregou tipo de um papel dobrado.

O homem abriu o papel e conferiu. Tudo anotado perfeitamente. – Hora, com quem saiu... – leu com um semblante malvado. – Ótimo! – sorriu satisfeito. Tratou de guardar imediatamente o papel confidencial.

O homem, que parecia um senhor já de meia idade, tirou um lenço de seu bolso para limpar o suor frio que transpirava em seu rosto. Soltou o ar que nem imaginou que tinha prendido.

– Um dia o senhor me mata! – falou limpando a testa molhada. Estavam caminhando agora para um lugar iluminado.

– Não seja dramático, Senhor Morikawa! – sorriu de lado – Bom serviço, depois eu leio com mais atenção. E obrigado!

– Não tem de quê, senhor Kinomoto. – suspirou – Mas, se um dia a senhorita Kinomoto souber, sequer desconfiar, estou frito. Ela anda meio temperamental desde que terminou com o namorado. Sugiro que tome cuidado!

– Não se preocupe! Sei perfeitamente como lidar com a monstrenga. – riu. O senhor balançou a cabeça. Tinham chegado à recepção do apê.

O porteiro finalmente estava no seu posto de trabalho.

– Irá permanecer por quanto tempo morando com sua irmã? – perguntou casualmente.

– Não sei, estou morrendo de saudades da minha monstrenga predileta, um bom tempo, acho! – falou com um tom divertido – Bom, senhor Morikawa, vou subir. – pegou duas malas dirigindo-se para o elevador.

– Quer ajuda? – o porteiro se prontificou de imediato.

– Não, não! Obrigado! Não precisarei mais de seus serviços por hoje. Quando precisar, mando chamá-lo. – falou com semblante superior. Soltou uma gargalhada. O porteiro deu uma risada descrente. – Sempre quis dizer isso! – o elevador tinha chegado. Entrou no elevador, mas antes da porta se fechar: – Senhor Morikawa, atenção, atenção na monstrenga! – segurou a porta e disse: – Agora estou de olho, mas nunca se sabe! – piscou e acenou antes de soltar a porta para finalmente ela se fechar.

"Esses irmãos um dia vão me deixar pirado! Logo, logo!" – balançou a cabeça tentando dissipar os pensamentos. Precisava trabalhar!...

– Ih, esqueci de avisá-lo que a senhorita Daidouji esta lá em cima! – bateu a mão na própria testa. – Agora tenho que avisar a senhorita Kinomoto. – ia pegar o interfone.

– Deu pra falar sozinho agora, senhor Morikawa? – perguntou uma senhora. O homem pulou de susto.

– Senhora Miko! – sorriu sem graça. Era a velha mexeriqueira do prédio. – Precisa de ajuda para alguma coisa?

– Não... Oh sim! Já que perguntou. – sorriu mostrando sua dentadura.


Enquanto isso, num certo nono andar...

– Pronto! Guardei tudo? – perguntou a mulher que andava apressadamente em seu quarto. Olhou atentamente para a cama, os móveis, para poltrona. – Certo, certo, tudo organizado, nenhum vestígio! – soltou o ar, aliviada. Deu meia volta...

– Sakuraa! O que foi? – nesse momento Tomoyo entrou no quarto. "O que Sakura está aprontando?" – imaginou, divertindo-se.

– Nada! – sorriu amarelo. – É que... Quando você estava na sala, não viu nenhuma revista, jornal, foto, nada,... nee?

Tomoyo mostrou uma expressão curiosa. Não estava entendendo. Mas o seu rosto logo mostrou um semblante pensativo.

– Pelo que eu me lembro, não vi nada não! – respondeu calmamente, observou que a amiga estava nervosa. – O que aconteceu?

– Que bom, melhor assim. "Tudo está em ordem." – Ah, Tomoyo, esqueci de comentar com você! Estou à espera de alguém, que pelo meu pressentimento já deve estar chegando! – falou se dirigindo para sala, observou-a com cuidado.

– Oh, quem é? - riu maliciosamente, seguindo-a. – Está esperando alguém? Uhnnn... Confessa: de caso novo? E não me contou! Coisa feia, Sakura! – ralhou docemente.

Sakura estava com um semblante distraído.

– Não, Tomoyo, de onde tirou isso? – fez cara feia. – A última coisa que quero na vida agora, é ter um caso! – falou a última palavra fazendo cara de nojo. Olhou a mulher lhe dar aqueles sorrisos. Aí! Ela odiava esses sorrisinhos, por detrás deles havia muita coisa indevida. – E pode tirar esse sorriso maldito da cara, sua mente e suas conclusões são sujas demais!

– Ora, ora, eu não disse nada! – falou se defendendo. – E até porque não precisa se justificar. – riu quando viu Sakura cruzar os braços e fazer bico. – Parece uma criança emburrada... Te olhando agora, fica igualzinha! – fez um bico tentando imitar a amiga.

– Pare! Parece o Touya implicando comigo, droga! Já basta, ele vale por mil! – ralhou – Aliás, ele que chegará! Vai passar uns tempos aqui! – olhou com atenção o rosto da publicitária. Han! Han! Estava corada!

– O-o Touya! "Que droga, ela percebeu!" – pensou fervorosamente.

– Que foi Tomoyo, engasgada! – a amiga agia estranhamente depois que pronunciou que seu irmão chegaria. – Você está bem? - perguntou se aproximando.

– Não é nada! – deu um sorriso desconcertado. – É que lembrei que tenho que ir! – resolveu procurar sua bolsa. Onde estava? – Amanhã é domingo, mas acordarei cedo. Tenho que ir lá na agência, eles não sobrevivem sem mim. – riu sem graça – Cadê minha bolsa?

– Aqui está ela. – falou calmamente com a bendita bolsa na mão. Entregou à mulher que parecia estranhamente impaciente, logo Tomoyo, que era o cúmulo da paciência.

– Obrigada! – suspirou. Abraçou rapidamente a amiga. – Adorei tudo! – sorriu com sinceridade.

– Imagina! – apertou o abraço. – Eu que agradeço. – desfez o gesto. – E lhe agradeço por também ter me livrado das suas incessantes câmeras por hoje. – suspirou aliviada.

– Ah Sakurinha-chan! Mas só foi por hoje, hein! – sorriu travessa – Você que me aguarde!

As duas riram. Sakura balançou a cabeça.

– Tchau - tchau! Até mais!

– Te levo até a porta. – a anfitriã disse seguindo-a.

No mesmo momento em que Tomoyo abria a porta e saía para finalmente se livrar do encontro com o implicante irmão da melhor amiga, esbarrou fortemente em algo macio que milagrosamente a livrou de ir ao encontro ao chão. Passou a mão no nariz dolorido com o encontrão e sentiu sua cintura presa por uma forte mão. Ouviu a amiga exclamar algo.

– Touya!! – gargalhou contente.


Em Hong Kong – China.

"Qual seria a chance de você, mulher solteira, desiludida, sonhando em encontrar um homem que preenchesse o vazio de sua alma e de sua vida, casar com o solteiro mais cobiçado do oriente?

Mínimas? Poucas? Quase nada? Zero chance?

Respostas erradas!

Os Li é uma das famílias mais antigas, influentes e ricas (se não a mais) da China, isso por culpa de seu herdeiro ter triplicado o império de seu clã e ser o solteiro mais desejado entre as jovens mulheres. Até as mais velhas o classificam como um "Deus Grego" disfarçado de chinês! Como considerar também o fato de ele agora querer se casar para assegurar o seu futuro glorioso (como é nesse exato momento)? O jovem empresário de sucesso, Xiaolang Li, prestigiado em várias manchetes e capas de famosas revistas, já passou da idade de se casar, como é mandado na tradição do clã, mas se mostrou um pouco rebelde quanto a isso, como já era de se esperar.

Entrevistamos um membro expulso de sua família, a rebelde Meilyn Li (chamada assim desde que largou tudo em prol de sua liberdade), que foi a única que teve a sensibilidade de nos atender. Assegura que o primo herdeiro está muito solitário, a procura de um grande amor e que deseja uma mulher que honre o cargo de Matriarca da família e não em jovens interessadas somente na enorme fortuna que vão herdar.

Então o que vocês mulheres desimpedidas estão esperando? Vão logo, a concorrência é enorme!

Eu por exemplo, já estou indo!"

Os olhos do homem estranho quase pularam para fora. As veias da testa estavam saltadas e seu rosto tinha uma coloração vermelho-sangue, certo que estava a ponto de explodir literalmente a qualquer momento, mas o momento chegou e a reação foi imediata!

Rasgou em mil pedaços o maldito papel que estava em sua mão. O senhor desconfiado, a mãe e a garotinha gritaram de susto quando o doidão exclamou berrando:

– EU MATO ESSA MULHER! MATO! ESGANO! MEILYN TAMBÉM ME PAGAA!

O semblante irritado passou a ser de maldade pura! Mas de repente começou a rir loucamente.

O pânico foi se generalizando em todo metrô. O homem começou a pisar em cima dos milhares de papéis que tinha triturado há poucos segundos. Parecia em transe, no entanto acordou e percebeu o que estava fazendo quando sentiu algo sólido bater em sua cabeça repetidamente. Várias pessoas começaram a falar ao mesmo tempo e a confusão foi armada.

– Seu maluco! Doidão! Eu que vou te matar! – o idoso batia sua bengala na cabeça do estranho tentando realmente fazer o que dizia.

A mãe teve a incumbência de impedir a ameaça do revoltado idoso já que o doidão estava muito surpreso para impedi-lo. A garotinha começou a rir compulsivamente enquanto a mãe se dirigiu ao socorro do coitado.

– Senhor, senhor! Calma! – a mulher tirou delicadamente a bengala na mão do velho valente. – Calma, respira fundo! – vendo que o idoso fazia o que a jovem mãe pedia, foi ver como estava o homem espancado. – O senhor está bem? – olhou-o nos olhos, teve a impressão de conhecê-los de algum lugar. O homem passava a mão na cabeça fortemente bagunçando ainda mais os fios rebeldes que possuía.

O estranho que até então olhava para o chão totalmente confuso, com a cabeça estourando tanto por dentro quanto por fora, levantou o rosto para a jovem senhora que o dirigiu a palavra. Não sabia o que responder, aquela situação era por demais bizarra; não sabia o que sentia – aliás, sentia uma imensa dor aguda na cabeça, não estranharia se nascessem galos daqui a alguns dias; e ao menos sabia o que pensar! Ao contrário, estava irracional! Fez um gesto afirmativo, porém não muito convincente para a jovem mãe.

– Tem certeza? – a mãe falou abafando um riso. – Hei! Não precisa fingir para mim, e nem para essas pessoas em nossa volta! – gargalhou sem poder evitar, a risada da filha era contagiante.

O seu raciocínio em transe finalmente percebeu dezenas de pessoas em sua volta! Uma multidão! Arregalou os olhos. Putz! Estava ferrado! Dando barraco em pleno lugar público. Passou a mão nervosamente nos cabelos bagunçando-os mais se fosse possível. Infelizmente ele mesmo não ficaria vivo para matar a maldita mulher que teve o desplante de escrever aquele maldito artigo acabando com sua vida, definitivamente transformando-a num inferno. Arrumou sua gola, sentindo uma estranha falta de ar.

– E-eu e-estou um pouco tonto, mas estou bem. – sorriu de lado se mantendo firme – Não é bengala de um senhor idoso que irá me matar, não é? – riu de lado. Precisava manter seu autocontrole agora, treinou por anos artes-marciais e não foi à toa!

– Que ousadia! – o velho gritou revoltado – Sou velho, mas ainda sou forte! Quer ver? – em milésimos de segundo, em um gesto habilidoso que surpreendeu até a mãe e os expectadores que acompanhavam o barraco, o senhor tomou sua bengala de volta das mãos da jovem. – Tome isso, seu estranho doidão!

Com o seu treinado reflexo, o homem evitou com a mão o objeto que ia a direção da sua cabeça. No entanto, o seu erro foi não medir sua força antes de segurá-lo e também levar em consideração que o idoso era realmente velho! Ouviu um "Ohhh" se espalhar em todo ambiente.

A comoção foi enorme! As pessoas olhavam em pânico para a cena que estava se seguindo. O senhor estava caído no chão. O estranho homem olhou sem saber como agir. Olhou lentamente para a mãe boquiaberta, a garotinha estava prestes a chorar com medo e em seguida para as muitas pessoas que assistia a cena com os semblantes assustados. Era o seu fim! O lugar estava num silêncio pesado, mas acabou com este que exclamou:

– Prenda já este louco! – um homem gritou com a multidão. – Espancou um idoso! Prende-o! Prende! Prende! – a ordem foi se aglomerando e um coral podia ser ouvido em toda extensão do metrô.

– Coitado desse pobre senhor, acudam ele! – uma voz carregada de revolta se fez ouvir no coro.

O estranho, que agora se passava por espancador, viu a cena se extinguir, o senhor já acudido e sentado reclamava com dor nas costas, a garotinha que há poucos minutos ria, agora chorava desesperadamente, a mãe pedindo calma... Sentiu seu rosto queimar, em sua direção vários olhares de desaprovação, ódio e descrédito.

Respirou com dificuldade, foi andando de costas até encostar-se a uma parede, estava zonzo! Apertou os olhos; foi quando ouviu alguém chegar gritando.

– Que bagunça é essa aqui? – o intitulado quase-assassino viu que pela roupa era uma autoridade, policial ou delegado. Não sabia definir, só tinha certeza que estava frito! Fechou os olhos novamente encostando pesadamente a cabeça na parede.

Várias vozes falaram ao mesmo tempo. O policial não entendia nada!

– SILÊNCIO! ORDEM! – berrou, e sendo atendido, respirou fundo. – Uma pessoa somente pode me explicar o que está havendo aqui, por gentileza? – falou em alto e bom tom. Olhou uma mulher lhe dirigir a explicação.

– É que este senhor foi derrubado no chão! – a autoridade passou a olhar o velho.

– Sei. – voltou a olhar a mulher. – E posso saber quem o derrubou? Foi propositalmente ou sem querer?

– Já não sei bem... e-er...

– Foi por querer, delegado! Eu vi! Quase matou o pobre velho! Eu testemunhei! – gritou um rapaz querendo aparecer.

– Espera aí, não foi bem assim não! Deixe-me explicar!

Pronto! A confusão se generalizou outra vez, o delegado revirou os olhos, era sempre assim! Já estava acostumado. A autoridade resolveu ignorar a multidão confusa e olhou para uma mãe que tentava acalentar a filhinha que chorava.

– Com licença senhora. Quem foi o sujeito que armou esta imensa comoção aqui? Por favor, só quero saber isso! – falou sorrindo, aparentemente calmo.

– Aquele ali vestido estranhamente! – apontou em direção ao homem encostado com os olhos fechados.

O delegado levantou umas das sobrancelhas. Realmente ele parecia fantasiado de século retrasado!

– Obrigado! - andou na direção da indicação da mãe.

– Olá senhor! Por obséquio! – falou com um tom agudo. O homem pulou de susto com a intromissão.

O jovem homem abaixou sua cabeça. Respirou fundo, mas a voz forte do delegado voltou a entrar em sua cabeça, fazendo-a doer cruelmente.

– Queira, por favor, me acompanhar à delegacia! Preciso de uma interrogação sua!

Depois que escutou aquilo, começou a suar frio. Estava decretado por ele mesmo: morto!

– O...o que disse? – sorriu inconformado.

– O que exatamente o senhor escutou! – sorriu de lado – Vamos, não tenho tempo a perder com um maluco, assassino e fantasiado que nem você! Fugiu de um manicômio por acaso? – falou debochadamente, medindo-o de cima a baixo.

Ah! Sentiu seu sangue ferver... Não precisava escutar aquilo! Passar por isso! O seu ego era enorme o bastante para mandá-lo diretamente para o inferno! Quem aquele delegadozinho de meia pataca pensava quem era? Coitado, nem sabia o quão ferrado estava por ter lhe dirigido daquela maneira estúpida. Pelo jeito seu disfarce estava bem verdadeiro. O delegado viu se formar no semblante do chinês um sorriso bastante irônico.

– O senhor nem sabe! Não! – apontou o dedo para o homem. – Não tem a mínima idéia com quem está falando! – riu debochado – Tenho pena de senhor... tcs, tcs, tcs! Tão novo e desempregado! – balançou a cabeça com um ar de superioridade.

– O quê? – o homem arregalou os olhos, surpreso. – O SENHOR ESTÁ PRESO POR DESACATO À UMA AUTORIDADE! – berrou na cara do chinês. – Agora EU tenho pena do senhor! – devolveu o dedo na cara dele – Homens! – gritou para um bando de policiais que estava colocando ordem na estação, os quais imediatamente correram ao chamado do patrão.

– Sim, senhor delegado?

– Prendam este homem! Agora! - gritou vendo a ordem imediata sendo atendida por seus homens. O chinês arregalou seus grandes olhos furiosos e cerrou os dentes.

– Saiam de perto de mim, bando de inúteis! – gritou superior os afastando. O homenzinho que estava com a algema se assustou e parou, olhou imóvel para o delegado. A multidão que já estava se espalhando também parou, assistindo a curiosa cena. Viu o próprio delegado pegar as algemas da mão de seu subordinado, furiosamente, pegar seus braços os levando para trás fortemente, dizendo:

– Pronto! Está preso! – lacrou as algemas no chinês. O homem tentou tirá-las sem sucesso.

– Você acaba de decretar sua ida ao inferno, seu delegado de meia tigela! – sorriu superior – Sou Xiaolang Li! Minha família vai acabar com você, sabia? – falou com ar de superior.

– Cale a boca, seu babaca! – gritou e puxou os braços do estranho que exclamou dor. Abaixou a cabeça e falou no ouvido do chinês – Não sou burro, muito menos idiota! E ameaça comigo não tem vez, imbecil! – sussurrou ameaçadoramente. – E a família Li vai adorar escutar isso da sua própria boca suja! – falou firmemente.

Okay! – riu se entregando. – Mas depois de esclarecimentos a mesma família Li, em um estalar de dedos, vai fazer o senhor perder sua maldita jurisdição e mandá-lo diretamente para o inferno! – sorriu ironicamente. Ouviu outro "Ohhhh", dessa vez mais forte.

– Homens! – viu os mesmos olharem-no. – Tirem essa porcaria de sujeito daqui agora! Joguem-no no camburão! – falou furioso.

– Sim senhor! – falou todos em uníssono. Quatro homens o pegaram e o levaram gritando:

– Sou Xiaolang Li! E vocês pagaram caro por isso! Muito caro! Vocês irão se arrepender amargamente!... Que droga! – praguejou sussurrando.

O suposto senhor Li se deixou levar. Imaginou que já estava vivendo num inferno, mas viu que estava completamente enganado. Só estava começando. Viu em câmera lenta as pessoas o olhando com nojo. Abaixou a cabeça, derrotado. Sua dor de cabeça tinha dobrado, depois sentiu o próprio corpo ser jogado e bater fortemente as costas, e depois um escuro predominou diante de seus olhos. Apertou os olhos cansados, seu pesadelo estava longe de um fim. Sua consciência o estava deixando, dando lugar ao seu subconsciente que viu estampado na primeira página do jornal, escrito:

JOVEM HERDEIRO LI NO XADREZ?

Continua...


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N/A: Olááááá, queridos leitores! Como vão depois desse (de novo!) imenso capítulo? Amaram, gostaram odiaram, detestaram? Querem me matar? Quero opiniões e sugestões das mais diversas, sejam sinceros!

Quem sentiu falta do Syao-Syao no primeiro capítulo... Esbaldou-se nesse né? Uhnnn...Daqui pra frente serão assim, ficam sossegadas! E espero que tenham gostado das descrições dos personagens, acho que consegui superar as expectativas de vocês, principalmente das meninas! hihihi É isso aí, agora a respostas dos reviews:

Mai Amekan: Oh! Adorou! Unhm... sei! A música é realmente fantástica, desde quando garotinha amava quando a escutava! Ela mexia comigo também... ah então a senhorita se identifica com a história... ótimo saber isso! Pódexá! Sou ótima em guardar segredos hihihihi Parabéns!! Só quero depois ser convidada pra festa do casório hein!! Espero que continue acompanhando "Fixação!", beijocas e mil abraços, querida!

Lelê: Sério que deu pulinhos? hahahaha Que bom por te proporcionado essa contagiante alegria! E eu que agradeço, por ter me apoiado e me incentivado a postar essa fic! Foi um desafio pra mim, você não tem idéia... até tinha desistido de continuá-la,... mas com o seu apoio incondicional foi fundamental para encarar este difícil desafio de frente! Então graças à senhorita estou aqui! Brigadona, miguxa!! E por isso que dediquei a você esse especial e complicado primeiro capítulo... Grande escritora, que além disso é uma excelente editora, não é pra qualquer uma! Valeu por tá comigo nessa! :D Mil abraços apertados!

Melzinha: Ahh! Você Mel! Que honra... deu pra rir bastante!? hehe Que bom que gostou do meu estilo, gosto de escrever romance, mas se não tiver humor... ihhh, não gosto! Acho que isso é um ingrediente indispensável para qualquer escritora,... mas aventura também faz o meu gênero! Tem um porém: combinar humor e romance requer um certo jogo de cintura... é difícil mantê-los em harmonia. Espero conseguir isto! Espero que continue lendo e conseqüentemente lhe agradando! Beijocas!

Polly: ADOROU! Beleza! A Sakura é uma personagem variada sabe, você pode tanto fazê-la ter uma personalidade bondosa, sonhadora e ingênua, mas também fazer ela ter um conjunto disso tudo com uma boa dose de maldade e malícia... Ninguém é um anjo hihhihi E também conta as experiências que ela passou sem magia! Certinho? E obrigada pelos elogios fofa! Syaoran e Sakura vão se encontrar... não agora... mas no desenrolar na história sim! Aguarde as surpresas que virão! Abração!

Angel Kinomoto: Valeu Angel pelo lindo review! É... a "nova" Sakurinha está realmente chamando a atenção hein! É ela apesar de aparentar ser uma mulher forte, por dentro tem uma frágil menininha sonhadora,... mas irá aprender muitas lições de vida valiosas! Gostou do meu Suzuki, a Lê amou ele...aguarde que o baka traidor irá aparecer durante a história... vai render boas cenas! hehe O vizinho chiclete também vai dar o ar de sua graça em breve, aguarde! (rindo loucamente! O.o) Pois é, também queria que o Li existisse... que o encontrasse nas bancas, imagina, vê-lo nas capas de revistas, todo lindo e gostoso?! huhuhu Sakurinha tem sorte pacas mesmo... aiaiai! Continue lendo "Fixação!" pelo menos sonhar com isso não custa nada né? Muitos abraços, querida!

Etecetera: Escrevi seu nick certo? Poxa! Espero ter escrito! hahahaha Ahh, ficou sem ar com apenas menções do Li... espero ter te agradado nesse capítulo! Se ainda estiver viva me conte, viu? Obrigado pelos os elogios mil, e quanto a demora para atualizar, será meio complicado... mas vou fazer o impossível pra ser rápida! Ok?! Beijão!

MeRRy: Espero que tenha lido! Quê? Aí, to confusa agora! Pelo que eu saiba os compositores dessa música são: a própria Paula Toller, a vocalista do Kid, o Leoni e o Beni! Mas não sei, não me espantaria se o eterno mestre Cazuza escrevesse esta música... Mas enfim, é tudo que eu sei! Espero que leia a história... beijinhus!

b3a-Li: Ohayo! (tomara que seja na hora que estiver lendo isso hahaha) Tudo bem? Amou mesmo...eu que agradeço sua gentileza fofa! Putz essa é a intenção, que espertinha! Descobriu! Mas no começo foi mais pela música mesmo,... depois que eu vi que a história não tão fora da realidade assim! Em homenagem a "nós" fãs incondicionais desse personagem que queríamos tanto que fosse verdadeiro... mas estou fazendo tudo pra pelo menos chegar perto de nosso ardente desejo! O elemento Lítio hahahahaha é mesmo, lembra o LI! Opa pode ficar a vontade, a empolgação faz parte, né? O gostosão do Syaoran agradece! xD Oh! Ele apareceu, gostou? Pode deixar, inspiração com esses personagens maravilhosos é fácil! Tô me cuidando! Continue lendo. Beijocas, linda!

REVIEWS!!REVIEWS!! Se não, demoro UM ano pra postar o terceiro! û.ú

Abração e beijocas à todos!! Até outra oportunidade!

E vamos ao espaço da editora! Agora a batata quente é com vc, Lê! (respirando aliviada)

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Espaço da Editora:

E olha eu aqui de novo!! Confesso que estou muito feliz de comentar esse capítulo, estava morrendo de saudades de "Fixação". É, vocês não foram os únicos a ficarem ansiosos pra ver quais loucuras a Sakurinha ia aprontar... eu também fiquei me remoendo aqui, no meu cantinho. Mas valeu a pena demais, porque esse capítulo ficou MUITO BOM! E eu não falo isso só porque sou a editora... posso provar por a + b que esse capítulo está show. Querem ver?

1°: descrição da Tomoyo sobre o Syaoran: Deus, tem homem mais perfeito do que esse? Acho que eu que estou começando a ficar fixada por ele!

2°: Conversa entre a Sakura e o Touya: muito kawaii! Está certo de que eu sou meio suspeita pra falar sobre isso, mas esses dois estão demais juntos. Estou sentindo cheiro de pequenas confusões por aí... o que esse Touya irá aprontar, hein?

3°: Touya e senhor Morikawa conversando... cara, que complô! Não sei quanto a vocês, mas eu ri demais! Adorei o senhor Morikawa.

4°: esbarrão do Touya na Tomoyo: outra cena muito kawaii! Confesso que fiquei pensando quem seria o grande amor de Tomoyo... mas acho que errei minhas suposições. Bom, de qualquer jeito, o casal que eu acho que vai se formar também é muito fofo. Mas vou guardar o que estou pensando... vamos ver o que a Tammy vai aprontar.

5° (e mais importante): SYAORAN!! Está certo que ela só falou quem ele era no final, mas eu sabia que era o meu lindinho! E ele também está tão fofo!! (Tirando aquela hora em que ele desacatou o policial, mas isso acontece quando alguém vai preso, acho eu). Acho melhor a Tammy tomar cuidado comigo... estou ficando mais louca que a personagem. Hahaha!

Há muitas outras razões, mas por hoje acho que vou falar somente essas. Mesmo porque o comentário já está longo (de novo... incrível como eu não me controlo), e eu ainda quero falar mais algumas coisinhas. A primeira é que essa fic está saindo muito melhor do que eu esperava (e eu esperava muito!), e a segunda é que o capítulo está extremamente emocionante. Um certo ar de mistério pairou durante vários momentos... e isso ficou muito legal. Eu acho que ela devia repetir a dose.

Bom, falei demais por hoje. De novo! Mas da próxima falo menos, prometo!

Beijos pra todos. E Tammy... parabéns, de novo! Você é ótima!!

Miss of Darkness


(24/07/08 - Um agradecimento especial à Rosana! Valeu!)

Tammy.