As coisas vinham se encaixando numa rotina durante as últimas semanas. Emma e Henry acordavam todas as manhãs para tomar café e então Henry iria brincar ou talvez assistir a um filme aos pés de Emma enquanto ela se exercitava rapidamente. Depois vinha seu treino de violoncelo; como ela fazia todos os dias por, no mínimo, três horas. Não era como se ela fosse fanática mas se você queria permanecer sendo bom em algo, isso simplesmente tinha de ser feito. Era parte do seu trabalho. Uma vez terminado o treino do dia, os dois iam fazer alguma coisa no apartamento, algo que ainda não tivessem feito antes; decoração. Henry amava.
"Como é que nós podemos fazer isso?" Henry perguntou, colocando estrelas que brilham no escuro no teto em cima da sua cama com um olhar crítico.
"Porque, garoto, esse é o primeiro trabalho em um bocado de tempo em que eu sei onde ficaremos por alguns anos."
"Não vamos mais empacotar caixas?"
Emma riu, feliz por poder dizer, "Pelo menos não por um bom tempo."
Contanto, claro, que eu não seja demitida por insultar a minha chefa.
Ela havia sentido uma tensão preocupante durante os primeiros ensaios após o evento na escola; preocupada em encontrar em a mulher surda – preocupada que a mulher surda fosse pedir a cabeça dela por insubordinação. Ela sabia que tinha se expressado de maneira péssima, ela pensou que a estranha imaginaria que ela não tinha preconceito com pessoas surdas, mas quanto mais ela pensava sobre isso, ela percebia que não tinha jeito das morenas terem entendido isso. Elas não a conheciam. A Srta. Mills provavelmente já se deparou com vários idiotas ao longo dos anos então era normal ela entender dessa maneira. Ela sabia que precisava se desculpar e explicar a situação mas só a lembrança daqueles profundos olhos cor de chocolate paralisando-a, penetrando-a da maneira inabalável como fizeram já era assustadora.
"Você parece estar distraída novamente, Swan," Killian notou naquela noite, "Ainda esperando pelo ataque da crocodilo?"
Ela resmungou um pouco sem querer admitir que ele estava certo, ela sentia-se um pouco como uma presa sendo observada por um predador invisível. "Você disse que ela está aqui o tempo todo."
"Sim, bem, ela é a presidente do conselho, amor; ela entra e sai o tempo todo."
Emma suspirou, apoiando-se sobre seu instrumento, deixando sua cabeça descansar sobre a madeira, "É só que eu me sinto como uma babaca. Eu preciso me desculpar."
Ele deu de ombros, "Você irá vê-la. Além do mais," ele insistiu, "a mulher, na melhor das hipóteses, é desagradável e uma vaca na pior delas. Eu não acho que você precise se desculpar. Ela é uma rainha do gelo. De qualquer forma, ela não gosta de nenhum de nós. Deixa ela ficar lá com raiva e ignora ela."
Emma ignorou ele.
Mas, claro, ele estava certo sobre vê-la. Logo quando eles estavam entrando nos momentos finais da música que eles estavam ensaiando, a porta do palco se abriu voando e Regina Mills entrou como um tsunami de mãos esvoaçantes; Ruby logo atrás dela.
Emma sorriu educadamente para Ruby, que hesitou antes de sorrir de volta de maneira hesitante. Regina percebeu e revirou os olhos, sinalizando com a mão para que Ruby prestasse atenção nela enquanto ela falava rapidamente de maneira sarcástica, "Perdão, estou interrompendo-a, Srta. Swan?"
Os olhos de Emma agigantaram-se com a humilhação enquanto todos os olhos viravam-se para ela. Ela abriu a boca para responder mas apenas fechou-a novamente, balançando a cabeça em sinal negativo, em choque por ter sido chamada atenção daquela maneira.
Killian riu sem se preocupar em abaixar sua voz apesar da mulher surda estar a poucos metros dele, "Eu te disse, Swan. Ela é desagradável."
Emma colocou as mãos no rosto, horrorizada.
"Peço perdão. Eu sei o que você estava tentando dizer. É que a Regina sempre fica meio na defensiva."
Emma levantou o olhar e sorriu em agradecimento, pelo menos a intérprete não achava que ela era um lixo preconceituoso.
"Fala algo bom de mim pra ela?"
Ruby riu, "De jeito nenhum."
Emma observou a mulher enquanto ela falava com algumas pessoas no grupo com olhares mais suaves dos que ela tinha reservado para Emma até então e ela estava odiando isso. Ela precisava se desculpar mas quando ela ficou livre para fazer isso, a mulher a sua acompanhante haviam sumido novamente.
Meu Deus, essa mulher pode aparecer e desaparecer feito o Batman.
"Então, Emma," a atenção dela voltou-se imediatamente para Killian quando ele falou seu nome pela primeira vez, "posso te acompanhar? Qual trem você pega?"
"Uh, a linha vermelha em direção a Wilson."
"Ok, vou andando com você."
Emma o observou com suspeita enquanto ele a colocava embaixo do braço dele. Será que ele iria alertá-la que não estar nas graças de Regina Mills lhe custaria o emprego?" Ou talvez que o jeito dela não estivesse sendo legal? Talvez ele fosse recrutá-la para tocar na apresentação do dia Mommy & Me que ela sabia que estava chegando. Será que ele não sabia que Mary Margaret já tinha feito isso?
"Quando você chegou aqui?" Ele finalmente perguntou, "Quer dizer, na cidade."
"Cerca de um dia e meio antes de nos conhecermos, por que?"
"Então você ainda não teve muito tempo de ver a cidade?"
"Ooooh." A ideia bateu, "e você quer me mostrar. Entendi." Saiu mais como uma afirmação do que como uma pergunta e Killian pareceu um pouco surpreso. "Oh, desculpa. Acabei com seu plano?"
"Um pouco."
Ela riu, pensando. No geral, Emma namorava mais mulheres que homens, simplesmente porque ela achava a experiência mais prazerosa desta forma. Era preciso que fosse um homem muito especial para capturar o interesse dela – no entanto, já fazia muito tempo que ela não namorava ninguém. Henry sempre tornou essa atividade um pouco mais complicada. Ela recusava-se a permitir que seu filho se apegasse a alguém que sairia de suas vidas poucos meses depois de entrar. "Então você está me convidando para sair."
"É o que aparenta."
Eles entraram na plataforma do trem de Emma e esperaram junto com um pequeno grupo de pessoas.
Emma colocou as mãos nos bolsos de trás e balançou nas suas pernas pensando, "Killian, eu já te falei sobre o Henry?"
Ele arqueou uma sobrancelha, "Outro homem na sua vida?"
"Pode-se dizer que sim. Henry é o meu filho." O olhar surpreso no rosto do homem não passou despercebido.
"Pois é."
"Não, Swan, você entendeu errado. Eu amo crianças. Quantos anos ele tem?"
"Ele tem quatro anos."
"Bem, vamos fazer o seguinte, saia comigo e da próxima vez levaremos o garoto a um parque o algo assim."
Emma o estudou. Ele parecia uma boa pessoa, apesar das frequentes demonstrações de excesso de confiança; ainda assim, ela franziu a testa. A intuição dela estava mandando-a dispensá-lo imediatamente, pois ela não sentia que precisava ou até mesmo queria gastar tempo e energia namorando ele. Era como comer porcaria; gostoso no momento, mas ruim para sua saúde.
Ela abriu a boca para dizer-lhe isto, mas a memória da noite mais cedo apareceu na mente dela de maneira desagradável, roubando-lhe as palavras.
Ela estava sentada na sua sala de estar com uma tigela de sorvete de Cookies & Cream assistindo a um filme de comédia romântica na televisão. Normalmente ela não se permitia fazer algo assim sabendo o efeito que isso teria nela mas Eva Longoria era uma das atrizes favoritas dela então ela cedeu.
Claro que lá pela metade do filme, lágrimas desesperançosas estavam caindo por seu rosto e ela estava com raiva de si própria pelo momento de fraqueza. De repente o apartamento não parecia mais um lar confortável e acolhedor mas um grande espaço preenchido por um garoto adormecido, morcegos, teias de aranha e uma brisa gelada que congelava até os ossos.
Ela estava solitária. Ela já estava assim há anos. Se fosse pra ela ser honesta consigo própria, entre crescer sem uma família e se mudar anualmente desde que ela terminou a faculdade, ela tinha estado sozinha durante a maior parte de sua vida.
A expectativa de passar uma noite acompanhada de mais sorvete e mais televisão solitária esta noite forçou a sua inesperada resposta. "Sim, ok. Tudo bem."
Ele sorriu. Claramente ele não esperava um sim, "Ótimo."
"Porém tem de ser depois que Henry for dormir. Eu já não passo muito tempo com ele graças ao nosso trabalho."
"Certo." Ele sorriu novamente.
Alguns dias depois, após Henry já estar dormindo em sua cama e a babá sentada no sofá lendo um livro, Emma encontrava-se dando uma geral no visual em frente ao espelho. Já fazia tanto tempo que ela tinha saído para um encontro em que ela estivesse ansiosa por toda bobagem de primeiros encontros, as borboletas no estômago, o restaurante chique, a caminhada embaraçosa até a porta da frente; tudo parecia como sair de férias do mundo de mãe para o mundo de mulher. Embora estivessem em meados de maio, o ar noturno era frio, então ela tinha vestido um vestido colado de lã com saltos altos pretos.
"Você sabe onde ele vai te levar?" Becca perguntou olhando por cima do seu livro.
"Não. Ele não quis dizer."
Becca suspirou saudosamente, seu coração adolescente repleto de romance não correspondido; "Disseram-me que Chicago é muito romântica à noite."
Emma riu, "Mais do que tudo, eu estou ansiosa para saber como realmente é jantar em um restaurante cinco estrelas."
"Ele vai te levar pra jantar?"
"Não tenho certeza; acho que estou supondo, o que provavelmente eu não deveria estar fazendo. Mas ele me disse para me arrumar, então talvez seja uma suposição válida."
Uma batida leve na porta entregou que ele havia chegado.
"Oi." Ela sorriu, surpresa com a gravata e o colete dele.
Ele sorriu e empurrou-lhe um punhado de flores, "Você está ótima."
"Obrigada." Ela sorriu, segurando as flores longe de si mesma. Ela não teve coragem de lhe dizer que ela era muito alérgica. "Essa é Becca, a babá."
Becca apenas enrubesceu e deu uma risadinha, fazendo Emma e Killian trocarem olhares divertidos e desconfortáveis.
Claramente ele tinha uma fã.
"Então, onde está o homem da casa?" Ele perguntou olhando ao redor.
"Oh, uh, já está na cama." Pessoas no primeiro encontro não chegavam a conhecer Henry.
"Oh," seu semblante passou a imagem de preocupação por um instante, "bem, acho que faz sentido."
"Okay. Está pronto?"
"Sim."
Ela ficou chocada quando ele a levou do El Train para uma pizzaria minúscula e suja do outro lado da cidade.
"Pizza? Eu tive de me arrumar pra vir comer pizza?"
Ele riu, revirando os olhos um pouco, "Você nunca ouviu dizer que às vezes a diversão está mais em se arrumar do que na atividade?"
Ela resmungou, "Sim, quando seu trabalho não te obriga a fazer isso uma vez por semana."
"Ah, vamos lá, Swan. Essa é a melhor pizza do mundo."
"Eu não sei." Emma suspirou, "Eu já estive em várias cidades e já provei várias pizzas que se diziam 'a melhor pizza do mundo'."
"Então acho que vamos ter de ver, não é?"
Embora a pizza fosse boa ela tinha certeza que a pizza de qualquer lugar simplesinho no sul da Califórnia era melhor.
Ambos terminaram duas fatias, o que deixou Emma sentindo-se engordurada e desconfortável no vestido apertado.
Ela sabia que tinha um corpo bonito, ela dava duro para mantê-lo mas isso não impedia que comida gordurosa a fizesse sentir como se tivesse uma barriga em formato de pizza saltando do seu abdômen.
Depois da comida eles foram caminhar próximo ao Rio Chicago, onde Emma tropeçou e se desequilibrou com seus saltos altos prendendo no chão irregular de paralelepípedo.
"Aqui, por que você não senta um pouco, amor?"
Emma sorriu agradecida e sentou-se no banco, observando como os barcos flutuavam pela água e outros casais que caminhavam de braços dados, presos em abraços amorosos contra o frio.
"Bom," ele disse de repente um pouco depois, "nós já falamos sobre as cidades onde você viveu, assim como as que eu vivi. Já falamos do trabalho e da crocodilo." Emma riu levemente e em seguida teve início um silêncio desconfortável. Esse encontro tinha sido mais como uma entrevista de emprego. "Desculpe-me, normalmente eu sou melhor nisso." Ele finalmente confessou, falando sobre o elefante branco que estava entre eles.
Emma sorriu de leve, desejando poder fazê-lo sentir-se melhor ao mesmo tempo em que desejava estar em casa, vestindo seu pijama com sua tigela de sorvete. "Primeiros encontros são esquisitos."
Quando eles chegaram à porta de Emma, quarenta e cinco minutos depois, ela sorriu um pouco e apontou o sapato contra o piso da entrada.
"Bem, eu não exatamente te impressionei nesse, né?"
Emma sorriu, dando um tapinha em seu ombro para acalmá-lo, "Veja, Killian, às vezes apenas é esquisito no começo."
"Não desista de mim ainda, Swan."
"Humm" ela hesitou. Aquele tinha sido um dos primeiros encontros mais chatos que ela já teve. Será que ela queria mesmo passar por isso novamente?
Veja. Namorar é como besteira (comida).
"Você vai ver. Apenas dê-me a oportunidade de um segundo encontro e você verá."
Então Emma aceitou e, era verdade, o segundo encontro foi melhor. Não maravilhoso, mas melhor. Ele levou-a a estreia de uma galeria onde eles beberam taças de um champanhe azedo e resmungaram juntos sobre o trabalho artístico absurdamente indecente.
No terceiro encontro, uma semana depois, eles encontraram o que buscavam. Talvez tenha sido a simplicidade que permeou o encontro; ele levou-a para uma longa caminhada no parque à tarde. Quando ele pegou sua mão enquanto eles cruzavam uma ponte por cima do rio ela sorriu um pouco e quando ele a beijou na entrada de sua casa, ela tinha de admitir que foi bem... bom.
Pelo quinto encontro, o mês já era junho e as coisas estavam transcorrendo suavemente e Emma tinha quase esquecido da situação infeliz com a mulher que Killian chamava de crocodilo.
"Henry, se apresse!" Vamos nos atrasar!"
Henry emergiu de seu quarto animado; suas orelhinhas saindo pelas laterais do seu boné de beisebol.
"Para a música?" Henry perguntou, chocando-se contra suas pernas e quase a derrubando.
"Sim!" Ela exclamou em uma voz estressada, "Vamos!" Ele riu quando ela o beijou entre seu pescoço e seu maxilar. "Vamos!"
Ele ajeitou seu boné em sua cabeça e começou a puxá-la em direção à porta, "Vamos! Vamos!"
Por um instante, Emma estava encantada com a fofura das perninhas de graveto dele saindo de seus shorts mas ele deu seu melhor puxão no braço dela e eles seguiram para o dia Mommy & Me do W.C.C.G.
O prédio cheirava à infância reminiscente quando eles o adentraram, como massinha de modelar, marcas pegajosas de dedos, suco de maçã com bolachas e cartolina. Impressionado com todas as outras crianças ao seu redor Henry puxou o braço de Emma, uma instrução silenciosa, porém firme, de que queria ser pego no braço.
"Ei, garoto. Não precisa ficar com medo," Ela sussurrou enquanto ele enfiava sua cabeça no cabelo dela. "Vamos encontrar a professora? Sim?"
Ele assentiu.
Entrando na grande sala de aula, ela olhou ao redor procurando por algum sinal de quem fosse o responsável, uma prancheta, qualquer coisa.
"Srta. Swan?" Emma virou-se e ficou chocada ao ver Ruby sorrindo-lhe.
"Ruby! Oi!" Ela não sabia o que essa mulher tinha, mas sem sua companheira assustadora, tinha algo de agradável em Ruby. Ela meio que... gostava dela.
"Você está aqui para o evento?"
"Estou," Ela disse, um pouco confusa, "Você está aqui para ele também?"
"Ah, não!" Ruby riu, "Eu não tenho filhos. Eu sou uma das professoras."
"Ah!" Emma estava surpresa. Ela havia pensado que Ruby trabalhava exclusivamente para Regina Mills mas ela deve trabalhar para o W.C.C.G na verdade.
"Eu não sabia que você tinha filhos. Quem é esse?" Ruby perguntou com um sorriso cheio firme em seu rosto.
Henry espiou por fora do cabelo dela, chupando um dedo de maneira nervosa, "Só esse aqui. Esse é meu filho, Henry."
"Oi, Henry! Ah, meu Deus, você é tão fofo!"
Ela sentiu Henry sorrir um pouco em seu ombro. O menino amava ser adorado.
"Então, como eles te puxaram pra trabalhar nisso? Eu ouvi que a maioria das pessoas não quer participar deste evento."
"Na verdade, uh," lentamente, com uma expressão como se estivesse pedindo desculpas, ela levantou as mãos e começou a gesticular enquanto falava, "Isto é algo que fazemos todos os anos."
Os olhos de Emma alargaram-se ao perceber a língua de sinais e, sem pensar, chiou, "Nãããão! Você tá de brincadeira! Merda. Não, não traduza isso." Ela deu um tapa tentando abaixar as mãos da mulher fazendo Ruby rir. Emma aspirou profundamente e virou-se para ficar cara a cara com a crocodilo.
"Srta. Swan."
Emma sentiu-se ruborizar. Regina começou a gesticular rapidamente e Ruby traduziu, "Srta. Swan, você já se inscreveu?"
"Ainda não." Regina entregou-lhe uma prancheta e virou-se para Henry, mudando com facilidade para a sua voz levemente distorcida, "Qual o seu nome?"
Ele havia se enterrado novamente no cabelo de Emma com o surgimento de uma nova pessoa mas agora ele espiou de novo e ficou reto, aparentando estar confuso, "Sua voz é engraçada" ele tocou a garganta dela levemente como se estivesse querendo enfatizar a sua opinião.
Emma sentiu sua pele queimar de vergonha.
Ótimo, agora ela vai achar que tanto eu quanto meu filho somos imbecis.
Mas para a surpresa de Emma, Regina sorriu de maneira acolhedora, ficando no mesmo nível visual que Henry, "Isso e porque eu sou surda. Você sabe o que isso significa?"
Ele balançou a cabeça negativamente, ainda mais fascinado com a voz dela e então lutou para se soltar de sua mãe, ficando talvez um pouco próximo demais de Regina com bastante atenção.
"Bem, significa que não posso ouvir."
"Nada?" Ele perguntou; seus olhos bem arregalados.
"Não. Nada. Meus ouvidos não funcionam como os seus."
Como se quisesse ter certeza, Henry a puxou até ficar ao seu nível e gritou o mais alto que podia no ouvido dela.
"Oh meu Deus, Henry!" Emma embranqueceu. Ela estava ferrada com essa mulher – agora já era – não avia esperanças de se poder se desculpar, ela deveria logo desistir agora e coletar os anúncios de oferta de emprego no caminho pra casa. Talvez se ela tivesse sorte, esse furacão de mulher daria a ela a chance de trabalhar no turno da noite no McDonald`s do Lado Sul.
Ela ficou chocada novamente quando Regina apenas riu.
"Não. Nada."
"Wow! O que você está fazendo com as suas mãos?" Ele segurou uma delas apertado para estudá-la, desejando entender a mágica que elas faziam.
"Isso chama-se Língua de Sinais. E assim que pessoas surdas como eu se comunicam. Entende?"
Voltando ao seu silencio natural, Regina gesticulou rapidamente e Ruby traduziu "Prazer em conhece-lo, Henry. Gostei do seu chapéu."
Henry tinha uma série de perguntas, incluindo muitas para Ruby, antes de se dar por satisfeito e finalmente ficar calado. Emma assistiu toda a interação levemente horrorizada, sem ter certeza do que seria pior, faze-lo parar de falar ou permitir que continuasse.
Regina sorriu uma última vez, suas mãos acompanhando sua voz, "Você já conheceu as outras crianças?"
Ele negou e, para grande surpresa de Emma, quando Regina ofereceu a mão, ele a tomou alegremente.
Regina finalmente olhou para Emma. O carinho transbordando pelos seus olhos e Emma podia sentir que ela tinha desculpa cravado na testa.
"Está tudo bem." Regina disse, sua gesticulação reduzindo para apenas uma mão, "crianças sempre tem perguntas então eu não ligo. Graças a Deus a maioria das crianças não tem os mesmos preconceitos que seus pais têm."
Emma ficou boquiaberta e ela não pode evitar virar-se para Ruby enquanto a crocodilo levava seu filho pela sala.
Ruby apenas riu.
"Eu não quis dizer aquilo!"
Ruby deu de ombros, "Diga isso pra ela."
"O qu- droga!"
Ela queria se divertir enquanto o grupo cantava e tocava ao longo do dia, mas ela não conseguia. Ela estava miserável. Cada vez que ela deixava o cabelo cair enquanto brincava com Henry, Regina olhava para ela, penetrando-a com seu olhar e então a diversão ia embora e virava uma mistura de humilhação irritante. Ela tinha de dizer algo para a danada daquela mulher antes deles rem embora e finalmente enterrar isso!
A medida em que aula ia acabando, Henry era uma explosão de animação, pulando quase que incontrolavelmente. Ele, pelo menos, tinha se divertido.
"Okay, Henry, sente-se aqui por um instante, okay? Fique aqui, estou falando sério." Ela olhou para seu filho sabendo que ele poderia sair dali correndo, "O que você vai fazer?"
Ele suspirou "Não levantar."
"Muito bem."
Com ele acomodado e os últimos pais saindo pelas portas, ela finalmente aproximou-se de Regina, determinada.
A mulher assustou-se um pouco quando ela tocou seu ombro e franziu o rosto quando viu quem era.
"Posso ajudar a limpar?"
Regina olhou-a como se quisesse dar um fora mas, em vez disso, simplesmente apontou para as pilhas de objetos e uma grande lixeira de plástico. "Certo." Emma rapidamente juntou tudo na caixa e empilhou-a no canto com outras caixas idênticas.
"Mais alguma coisa?"
A morena balançou a cabeça negativamente e começou a virar-se mas Emma segurou seu braço impedindo-a.
"Olha, eu queria me desculpar."
Por um instante, Regina olhou para a mão de Emma em seu braço como se fosse decepar aquela mão do braço que a pertencia, mas em vez disso, levantou uma mão para faze-la parar de falar, revirou os olhos dramaticamente e virou-se indo embora rapidamente.
"Bata os pés no chão!"
"O que?"
"Bata os pés algumas vezes no chão! E assim que você chama uma pessoa surda." Ruby falou de onde estava, perto de Henry.
Emma bateu os pés no chão com forca duas vezes e Regina virou-se por forca do habito como se seu nome tivesse sido chamado, "Perdoe-me!" Emma gritou, "Dê-me dois minutos. Por favor!"
Regina apertou os olhos mas seus braços cruzaram-se sobre seu peito, apenas uma sobrancelha desafiadora arqueando-se lentamente.
Aliviada, Emma não deu-lhe uma chance de escapar, "Perdoe-me. Eu não quis que o que eu disse no evento da escola tivesse soado da maneira como foi. Eu te insultei, mas juro que não quis."
"O que você quis dizer?" Regina perguntou com sua própria voz.
"Tudo o que quis dizer foi que, eu pensei que estávamos tentando ensinar as crianças que qualquer conversa, fossem com nossas bocas ou nossas mãos, estariam distraindo os músicos e isso não deveria ocorrer. Eu não quis relacionar isso ao fato de você ser surda. EU não me importo que você e surda! Eu não sou uma agente maligna que e contra todas as pessoas surdas!"
Regina apertou novamente os olhos e as mãos nervosas de Emma entraram em seus bolsos novamente.
"Olha, Regina, deixe-me leva-la para jantar ou algo do tipo. Deixe-me fazer algo para me desculpar, eu me senti horrível que você achou que você, por ser surda, tinha que lutar contra mim."
Os olhos de Regina pareciam encher-se de graça apenas por um momento antes daquele olhar desaparecer novamente. "Por que você não disse nada antes?"
"Porque eu não tive a chance!" Todas as vezes que eu te vi eu estava ensaiando e não era como se eu pudesse te chamar para me desculpar. E além do mais, você é meio assustadora."
Dessa vez, o humor se instalou de vez em seu olhar a medida que Regina ponderava a proposta por um instante antes de aceitar, "Próxima sexta."
"Está marcado o encontro."
Regina levantou uma sobrancelha novamente e Emma ruboresceu. Ela não tinha certeza se estava feliz ou aterrorizada.
Com uma batida do cabelo Regina virou-se e foi em direção a Henry novamente, trocando de lugar com Ruby que apareceu ao seu lado.
"Isso e uma coisa boa, né?" ela perguntou em um tom de voz baixo.
Ruby riu e a empurrou de leve, Claro que e. Regina parece durona quando você não a conhece mas na verdade ela e bem legal.
Com o apoio de Ruby em mente, ela foi para casa para planejar o seu `encontro`.
