Estava sentado na sala de embarque, esperando o horário em que seu voo partiria. Os olhos azuis, muito claros, pareciam vazios de vida. Olhavam para o nada.

Hyoga parecia sentado ali, sem compreender ao certo o que fazia. Sim, era claro que ele estava tomado de dúvidas. Por que estava fazendo isso? Seria esse o melhor caminho?

Deslizou a mão direita pelos cabelos dourados. Suspirou triste; concluiu que era a única coisa a se fazer. Se seria o melhor caminho ou não, essa já não era mais a questão. Precisava partir.

O salão de embarque estava bastante vazio. Melhor assim. Não queria ser incomodado agora.

Poderia muito bem ter escolhido aguardar na sala VIP, onde receberia um tratamento diferenciado. Entretanto, nunca gostou muito dessas regalias oferecidas a artistas renomados como ele. Sempre preferiu estar junto das pessoas, gostava do carinho dos fãs.

No entanto, nesse exato momento, não queria ver ninguém. Não queria falar com qualquer pessoa, não queria ter de sorrir ou fingir que estava bem.

É; talvez devesse ter aceitado a oferta e ido para a sala VIP, mesmo não sendo de seu feitio agir assim. Lá não correria o risco de ser importunado.

Céus, o que estava pensando? Não era assim que costumava agir! Não costumava ser tão amargo, não tinha o hábito de ser tão ranzinza.

Olhou ao redor. Na sala, havia apenas mais um homem, sentado a umas cinco cadeiras de onde se encontrava. Esse homem, sim, parecia o tipo isolado, que não gostava nem ao menos de trocar um sorriso por educação. Inclusive, ao perceber que Hyoga o observava, o homem fez questão de erguer ainda mais o jornal que estava lendo, encobrindo seu rosto por completo, como justificativa para ignorar a presença do loiro inteiramente.

Hyoga não se importou. Não estava realmente atrás de conversa; aliás, naquele momento, sentia-se exatamente como o homem que observava. Por sinal, se pudesse, gostaria de fazer uso de algum objeto para se isolar do mundo que o cercava agora.

Sacudiu a cabeça, renegando tais pensamento. De onde havia tirado isso? Ele não era assim; esse não era ele!

Bufou, zangado. Já estava se cansando disso. Estava se perdendo cada vez mais, afastando-se cada vez mais de quem um dia foi.

Quem era ele hoje?

Quem era Hyoga?

Por que não tinha mais as certezas de antes? Por que tudo era tão confuso agora?

Sempre teve uma enorme facilidade para entrar em contato com o que sentia. Ora, sempre soube reconhecer com tranquilidade o que se passava dentro dele. Por que agora era diferente? Por que se sentia tão perdido; tão perdido de si mesmo?

Era horrível; a sensação era angustiante demais! Não se reconhecia mais, não se compreendia mais. O que sentia não fazia sentido e os sentimentos que fluíam dentro dele eram muitos. Contudo, não havia lógica. Esses sentimentos não pareciam encadeados; vinham soltos, dispersos. Muitos não pareciam ter qualquer tipo de conexão entre si! Era loucura, estava enlouquecendo, era a única explicação.

Hyoga passou a mão pelo rosto, sentindo um leve tremor. Estava realmente tenso. Não estava em condições de prosseguir, não assim.

Precisava partir. Não havia outro jeito.

Olhou mais uma vez para a passagem em suas mãos. Paris era seu destino. Ainda se questionava a respeito dessa decisão. Será que estava preparado para o que viria pela frente?

Deixou que o ar abandonasse seus pulmões lentamente. Não possuía qualquer certeza sobre coisa alguma.

Ou melhor...

Sabia que ainda o amava. Como poderia ser diferente? Amava Ikki, tinha certeza. Jamais poderia duvidar disso.

Possivelmente, esse era o fator principal que o levava a essa busca insana. Precisava se reencontrar. Tinha de entrar em contato consigo mesmo. Somente assim, poderia voltar a sentir-se como antes.

Só assim conseguiria sentir-se apaixonado por Ikki novamente.

Era tão estranho! Hyoga sabia que amava Ikki; nada para ele era mais certo! Mesmo assim, não conseguia encontrar esse sentimento dentro de si! Às vezes, quase era capaz de sentir o amor que sempre queimou tão forte em seu coração, mas o sentimento tornava-se efêmero, passageiro, fugaz. Fugia-lhe; parecia desaparecer, como se fosse enterrado por um turbilhão de novos sentimentos que surgiam sabe-se lá de onde! Era incompreensível e confuso demais.

Não era culpa de Ikki. Partia não por culpa do moreno, mas justamente porque desejava que se entendessem novamente. Sempre houve uma perfeita sintonia entre eles. Sempre souberam compreender um ao outro.

Ikki fez o possível, Hyoga sabia bem. Aliás, o loiro também tentou. Fez o possível para entender o que se passava consigo. Ou melhor, ainda tentava entender. Por isso estava ali agora. Sim, não podia sentir-se derrotado. Não estava tudo perdido.

Na verdade, acreditava que, entre eles dois, o que existia nunca se perderia.

Precisava e queria acreditar nisso.

Não poderiam ter recebido uma chance inteiramente nova, apenas para se perderem um do outro.

Não; isso não seria justo. Recusava-se a ter pensamentos assim.

Era uma nova vida. Não podiam desperdiçar essa oportunidade...

Hyoga suspirou. A quem queria enganar? Não era uma vida realmente nova. O passado ainda se fazia tão presente... Muito mais do que poderiam desejar.

Era certo que nenhum dos dois queria esquecer o passado por completo. Afinal, houve momentos muito felizes que vivenciaram naquela já tão distante existência. Sim; houve momentos de muita felicidade.

Entretanto, viveram também situações terríveis.

O loiro apertou os olhos com força. Nunca gostava de se recordar muito de certas ocasiões desse passado.

Para ele, no entanto, parecia mais fácil escapar desses sombrios sentimentos. Ao menos, para alguma coisa servia essa confusão sentimental em que se encontrava. Havia sempre uma confluência tão grande de sensações a que era acometido, que ficava até mesmo complicado sentir o mesmo desespero que, tantas vezes, tomara conta dele naquele passado.

Contudo, se para Hyoga parecia mais fácil fugir, escapar de um passado sombrio... O mesmo não acontecia com Ikki.

O moreno estava passando por algo muito difícil e Hyoga sabia disso muito bem. Porém, não sabia como ajudá-lo. Ikki se fechava, parecia ter medo de deixar que o loiro visse algo mais a fundo dentro de si.

Em alguns momentos, surpreendeu um olhar cheio de escuridão naqueles olhos tempestuosos de Ikki.

O loiro temia o que se passava com o moreno. Havia tanto no passado um do outro que eles desconheciam... Analisando friamente, estiveram mais tempo separados que unidos nesse longínquo passado.

E Hyoga sabia que, nos anos em que estiveram separados, Ikki se tornara o poderoso feiticeiro da noite. Temido e caçado impiedosamente, Ikki fora uma grande ameaça naqueles tempos.

Tempos que se tornaram difíceis por causa dele. Muita desgraça sobreveio por culpa do Bardo Mágico. Independente de ele ter querido ou não, diversos males assolaram a distante terra de Onel. Hyoga sabia que Ikki estava fora de si naquele período, compreendia que o moreno certamente sofrera demais e que ele jamais quisera causar tanto mal.

Todavia, ele causou. E, se não houve tempo o bastante para ele se martirizar de seus feitos naquele passado que já se foi, agora, Ikki tinha tempo suficiente para isso.

Recordar-se não era nada bom, por esse ponto de vista. São coisas da vida, pelo visto. Quando se reencontraram, relembraram-se de suas vidas. Recordaram-se de quem um dia foram.

Isso havia sido ótimo, porque puderam reviver um amor que não conseguiram vivenciar com a intensidade necessária naquela época.

Por outro lado, o preço a ser pago para que esse amor vivesse novamente não foi pequeno. Com ele, retornou uma história muito dura, misturando presente e passado...

Era impossível desvincular quem eles foram de quem eram agora.

Hyoga sabia que Ikki precisava dele. Sabia o quanto o outro necessitava de sua ajuda e o loiro queria ser capaz de ajudar. Céus, como ele queria poder oferecer tudo de que Ikki precisava agora! Mas ele não podia! Não sabia como. E odiava-se por isso!

O pior é que só conseguia perceber o tamanho de sua frustração diante dessa incapacidade em raros momentos; normalmente quando estava completamente sozinho e, mesmo assim, por pouco tempo, porque logo era uma vez mais tomado por sentimentos estranhos, que pareciam alheios à sua pessoa. Porém, mesmo com esses sentimentos parecendo não pertencer ao loiro, eles o iam consumindo aos poucos, tornando-se parte dele, mesmo contra sua vontade.

Olhou em seu relógio. O tempo demorava para passar; sentia-se agoniado. Queria desaparecer dali.

Mas, como estava se tornando comum, sua angústia não durou muito. Logo, uma nova sensação vinha tomar conta de si.

Uma euforia, um frenesi. Um alegria juvenil de estar viajando.

Olhou para sua passagem. Iria para Paris. Um lugar onde viveu por muito tempo e que não lhe trazia as melhores recordações. Por que se sentia tão animado com essa viagem agora?

Ouviu então os passos ruidosos de três garotas que chegavam, animadas, à sala de embarque.

Ruidosas como todo adolescente, elas vinham cochichando, rindo, dando gritinhos e pulinhos de alegria por conta de algum segredo entre elas.

Hyoga sentiu-se contagiado por aquela cena. Na verdade, mais que isso. Sentiu-se até leve, como se, de repente, todos os problemas do mundo desaparecessem e ele voltasse a ter dezesseis anos, como essas garotas.

O loiro franziu o cenho com esse pensamento. Aos dezesseis, ele não vivia os melhores momentos de sua vida. Não teve uma adolescência tão feliz. Então, por que sentia como se essa idade fosse maravilhosa agora, assim, do nada, de repente?

Súbito, percebeu que as meninas olhavam para ele, espantadas. E, no instante seguinte, mais gritinhos.

As jovens correram até ele, falando todas ao mesmo tempo. Hyoga nem conseguiu entender o que elas diziam, mas compreendeu que eram suas fãs e o fato de estenderem a ele caderninhos e canetas indicava que elas queriam seu autógrafo.

O loiro sorriu de leve, sentia-se bem melhor agora. A angústia que tomava conta de si há poucos minutos quase desaparecia, dando lugar à essa sensação agradabilíssima, de felicidade estonteante, extremada, como é comum na adolescência.

Estranho é que não fora bem assim em sua adolescência, mas enfim... A sensação era gostosa.

As meninas o cercavam enquanto ele assinava os caderninhos, dizendo que adoravam sua música, que acompanhavam sua carreira e muitas outras coisas mais. Hyoga apenas sorria em retorno, tentando mostrar-se agradecido. Contudo, ao olhar para o lado, viu o homem que antes encobria o rosto com um jornal encarando-o. Esse homem, tão recluso, obviamente não devia estar gostando muito dessa bagunça, dessa comoção toda. Com um rabugento olhar, fez uma expressão de quem se sentia incomodado com essa cena toda e logo voltou a enfiar o rosto por trás do jornal. E, nesse instante, Hyoga começou a se sentir mal. Não por achar que importunava alguém; ele se sentiu mal como se essa festa toda que as meninas faziam estivesse mexendo com ele de uma forma inteiramente distinta agora. Hyoga começou a se sentir sufocado, como se as garotas estivessem ocupando demais o seu espaço, como se a presença delas fosse-lhe incrivelmente desagradável.

O rapaz, confuso com tantos sentimentos incompreensíveis, precisou respirar fundo. Estava prestes a agir de modo grosseiro, expulsando as garotas de perto de si. E ele nunca fez isso antes, Hyoga não era esse tipo de artista e sempre se orgulhou disso. Não podia perder o controle, precisava se concentrar e tentar ser quem sempre foi, para não se perder de si mesmo de vez.

Afinal, era isso o que lhe parecia. A cada segundo, sentia que podia perder o controle sobre si mesmo de vez, em definitivo. Se assim fosse, tinha muito medo de não conseguir se reencontrar outra vez e temia muito se tal fato se desse. Especialmente porque, se ele se perdesse, perderia Ikki também.

Entretanto, a sensação de sufoco com as meninas ao seu redor ia crescendo. Era tão difícil ser racional quando essas confusas sensações pareciam se sobrepor dessa maneira. Engoliu em seco, mas sentiu que não conseguiria se segurar. Iria ser rude e dizer coisas estúpidas; iria mandá-las calar a boca ou coisa pior; sentia sem dificuldades que agiria assim e já se detestava de antemão por conta disso. Céus; ele só podia estar enlouquecendo! Como era possível que racionalmente tivesse tanta certeza de que não queria fazer algo, enquanto todo o seu corpo o empurrava para fazê-lo? Malditas sensações que pareciam comandá-lo de um jeito imbatível!

De repente, um alívio repentino. As meninas se afastaram todas de uma só vez, sem que ele precisasse dizer qualquer coisa. Haviam também silenciado momentaneamente, aproximando-se da televisão que estava ligada ali perto. Primeiramente, Hyoga aproveitou para respirar profundamente, como se conseguisse recuperar o ar perdido. Só depois voltou seus olhos claros para a televisão, levemente curioso para ver o que havia atraído a atenção de suas fãs, a ponto de afastá-las de si daquele modo.

A garotas apontavam para a TV e riam umas para as outras, ainda demonstrando a mesma animação, mas de forma mais contida, pois se gritassem ou fizessem muito barulho, não conseguiriam ouvir o que era dito pela repórter.

Hyoga então prestou atenção no que era dito pela jornalista:

– Estamos aqui, no centro da cidade, onde, conforme já foi apresentado há alguns minutos, um palco começou a ser montado. Não há nenhum show agendado, nenhum artista que houvesse dito que se apresentaria hoje por aqui... Portanto, há uma grande expectativa no ar. Sabe-se que um artista tinha o costume de fazer apresentações desse tipo, repentinamente, sem nenhum aviso, gratuitamente, em espaços públicos como este. Acreditava-se que essa era uma forma utilizada para ele se promover; contudo, nos últimos meses, esse artista deixou esse hábito, bastante comum no passado, para trás. Alguns alegaram que a mudança tinha a ver com uma nova fase de sua carreira, mas o fato é que o motivo real nunca foi devidamente explicado. De todo modo, resta-nos a expectativa: Será que ele decidiu voltar com as súbitas apresentações gratuitas, apresentando canções inéditas, como antigamente?

Enquanto a jornalista falava, a câmera filmava o espaço e mostrava uma série de curiosos que iam parando para ver o que acontecia por ali. O palco era pequeno; não construído para um grande show, mas o suficiente para a apresentação de uma canção.

Hyoga sorriu.

Será que era ele? Seria Ikki?

O loiro se recordava bem. O artista de quem a jornalista falava era Ikki. O moreno tinha mesmo esse hábito. Meses atrás, essa era uma forma bastante recorrente de Ikki se apresentar. Não era nada planejado, nem mesmo para ele. O moreno, simplesmente, acordava em um dia qualquer e sentia uma grande vontade de se apresentar ao vivo. E ele sempre tinha canções inéditas, que escritas a esmo e que, talvez, nem entrassem em um novo álbum. Mas ele gostava de apresentá-las. Não era nem uma questão de se promover, como a repórter alegou. Hyoga sabia o real motivo. Ikki sempre teve essa necessidade de cantar, mas não apenas em um estúdio. Ele precisava sentir que suas músicas ganhavam vida, que elas fluíssem e voassem alto. Isso só acontecia quando ele cantava junto ao público. Por isso, ele adorava fazer shows, mas um grande show era sempre uma tremenda superprodução, exigia muita burocracia, tinham que vender ingressos, tinha que haver lucro... Enfim, demorava demais. E, às vezes, Ikki simplesmente queria cantar para as pessoas, sem que tivesse de assinar papéis, conversar com produtores, aceitar imposições... Por isso, ele acabou criando esse hábito. Muitas vezes, do nada, ele decidia fazer uma apresentação assim, aleatoriamente. Ele mesmo bancava tudo - a montagem rápida do palco, os músicos... Aliás, quem trabalhava com Ikki, terminava se acostumando com esse seu hábito - e, até mesmo, criando gosto por essas apresentações-relâmpago, como ficaram conhecidas.

No entanto, isso tinha acabado. Hyoga bufou ao se lembrar. Tudo começou quando aquela garota entrou na vida deles... Por causa dela, essas apresentações deixaram de acontecer...

– Ahhh! É ele mesmo! É ele! - uma das meninas gritou, apontando para a televisão.

Hyoga acordou de seus pensamento e olhou para o aparelho de TV. Um sorriso bonito surgiu prontamente em seu rosto.

Era Ikki.

A repórter alardeava o fato, apontando para as pessoas que já haviam se colocado à frente do pequeno palco, em polvorosa e depois para o homem que subia ao palco, com sua guitarra a tiracolo:

– Pelo visto, Ikki "The Phoenix" está de volta com os show repentinos! Após um bom tempo sem fazer essas apresentações-relâmpago, ele voltou! Será uma música inédita, como costumava acontecer?

Hyoga levantou-se de onde estava sentado para poder ver a imagem de Ikki mais de perto. As meninas estavam animadas, pois visivelmente também eram fãs de Ikki. O loiro sorriu, mas não deu maior atenção às garotas. Seus olhos claros destinavam-se agora apenas ao moreno, que arrumava algo em sua guitarra, enquanto outros membros da banda iam se ajeitando sobre o palco.

Como era de praxe, Ikki se aproximou do microfone e, sem se apresentar nem fazer qualquer tipo de introdução, ele simplesmente começou a tocar sua guitarra, dando voz a uma nova música logo em seguida:

You say you got to go and find yourself
You say that you're becoming someone else
Don't recognize the face in the mirror looking back at you

You say you're leaving as you look away
I know there's really nothing left to say
Just know I'm here whenever you need me, I'll wait for you

So I'll let you go I'll set you free
And when you see what you need to see
When you find you
Come back to me

Take your time I won't go anywhere
Picture you with the wind in your hair
I'll keep your things right where you left them

I'll be here for you

And I'll let you go I'll set you free
And when you see what you need to see
When you find you
Come back to me

And I hope you find everything that you need
I'll be right here waiting to see
You find you
Come back to me

And I can't get close if you're not there
I can't get inside if there's no soul to bare
I can't fix you, I can't save you
It's something you have to do

So I'll let you go I'll set you free
And when you see what you need to see
When you find you
Come back to me

So I'll let you go I'll set you free
And when you see what you need to see
When you find you
Come back to me

And I hope you find everything that you need
I'll be right here waiting to see
You find you
Come back to me

When you find you
Come back to me

Você diz que precisa ir e se encontrar
Você diz que está se tornando outra pessoa
Que não reconhece o rosto no espelho olhando de volta para você

Você diz que está partindo enquanto olha para longe
Eu sei que realmente não há nada mais para dizer
Apenas saiba que estarei aqui quando precisar de mim, eu esperarei por você

Então eu deixarei você ir, eu deixarei você livre
E quando você tiver visto o que você precisa ver
Quando você se encontrar
Volte pra mim

Tome o tempo que precisar, eu não vou a lugar algum
Imagino você com o vento em seu cabelo
Eu manterei suas coisas exatamente onde você as deixou

Estarei aqui por você

E eu deixarei você ir, eu deixarei você livre
E quando você tiver visto o que você precisa ver
Quando você se encontrar
Volte pra mim

E eu espero que você encontre tudo de que precisa
Eu estarei bem aqui esperando para ver
Você se encontrar
Volte pra mim

E eu não posso me aproximar se você não está lá
Eu não posso entrar se não há alma para desnudar
Eu não posso consertar você, eu não posso salvar você
É algo que você precisa fazer

Então eu deixarei você ir, eu deixarei você livre
E quando você tiver visto o que você precisa ver
Quando você se encontrar
Volte pra mim

Então eu deixarei você ir, eu deixarei você livre
E quando você tiver visto o que você precisa ver
Quando você se encontrar
Volte pra mim

E eu espero que encontre tudo de que você precisa
Eu estarei bem aqui esperando para ver
Você se encontrar
Volte pra mim

Quando você se encontrar
Volte pra mim

Os aplausos foram muitos; o público aprovava vigorosamente o retorno de um hábito que sempre foi muito apreciado pelos fãs de Ikki.

Hyoga mantinha o sorriso em seu rosto, mas era agora um sorriso melancólico.

A letra dessa canção era muito significativa. Ikki dizia, por meio dela, o que não fora capaz de colocar em palavras quando se despediram.

Agora, o moreno demonstrava compreender...

O loiro sorriu de leve, enquanto olhava uma vez mais para sua passagem.

Seus olhos claros brilharam. Sim, não havia dúvidas. Ele voltaria para Ikki...

Continua...


N/A: A canção apresentada neste capítulo pertence a David Cook e se chama "Come Back to Me".

Sobre o capítulo, alguns recadinhos:
- Essa introdução pode parecer confusa agora, mas logo tudo se tornará bem mais claro;
- Sim, haverá magia nesta fic, como aconteceu na outra;
- Sim, Muldovar estará de volta a esta fic. E virá acompanhado de uma poderosa aliada;
- Sim, haverá um momento em que os personagens se deslocarão para aquele passado medieval (mas isso é mais na frente);
- Sim, haverá uma retrospectiva de tudo o que ocorreu na vida de Ikki e Hyoga nos últimos meses, até se chegar ao ponto apresentado nesse capítulo - retrospectiva essa que começa no próximo capítulo;
- E... Sim, estou aberta a maiores dúvidas que vocês possam ter!

Beijos a quem estiver acompanhando! Fiquei muito feliz em saber que tem gente que leu "O Bardo e o Pardal" e curtiu a ideia desta continuação! Obrigada pelo carinho!

Lua Prateada.