Disclaimer: J.K. tudo é seu, mas eu estou aceitando Malfoy pai e filho + Teddy Lupin de muito bom grado.


QUATRO ANOS DEPOIS...

Rose estava posando para mim. Ou talvez não, já que para ter um livro nas mãos, ela não precisava fingir lê-lo. Idêntica à mãe, diziam meus pais. Continuei desenhando-a, em um tamanho grande, um desafio para mim que fazia apenas uns anos comecei a me dedicar aos pinceis e tintas. Não que houvesse largado os lápis e pasteis, ao contrário, apenas decidi me aprofundar nas artes.

Os cabelos dela eram diferentes dos meus. Uma tonalidade mais clara, um ruivo menos chamativo, mais lustroso, e bem cuidado. Eu tinha inveja, por que ela não cuidava deles, eis a questão, Rose não se importava com a aparência e era linda. A altura certa, o corpo pequeno e frágil que de acordo com meus colegas de sala, dava vontade de abraçar, e os olhos de um azul expressivo e inteligente. Eu gostava de usá-la como modelo, tanto para minhas obras quanto para a vida em geral.

- Lily, Albus chegou com os amigos deles. Por que vocês não vão lá recepcioná-los? – Mamãe batera à porta do meu ateliê. Tirando minha concentração e a dela também.

Imediatamente, Rose largara o livro e ajeitara o vestido florido que eu escolhera para pintar, abrindo um sorriso, afinal eram amigos dela também. Mas eu não podia reclamar, por que nas férias anteriores os meus amigos haviam ido para casa. Nós revezávamos cada ano um filho. Ela abriu a porta e ficou esperando enquanto eu deixava tudo em ordem para mais tarde, quando voltássemos.

- Estou bem, Lily? – Ela me perguntou nervosamente, e eu franzi o cenho, estranhando aquele comportamento.

- Sim. Por quê?

- Hum, nada não. – Ela sorrira, gesticulando com as mãos enquanto atravessávamos os corredores em direção à sala de estar, as vozes já podiam ser escutadas. – Quer dizer, okay, eu vou dizer, mas você jura não contar para ninguém?

- Claro. – Respondi de imediato, começando a me roer de curiosidade pela atitude estranha de Rose. Ela era sempre tão reservada.

- Eu... Estou gostando de Scorpius. – Murmurara assim que estávamos escondidas por uma das plantas dispostas ali.

Arregalei os olhos, visivelmente surpresa. Scorpius nada mais era do que meu vizinho da casa número 58, que mesmo depois de anos, continuava sendo fonte de adoração. Ele era orgulhoso e de humor irascível uma boa parte do tempo, mas com os anos, sendo obrigada a conviver com ele, já que era o melhor amigo do meu irmão Albus, eu percebi que era um garoto legal, e que podíamos conviver bastante bem. E acredito que ele também, em relação a mim. Ao menos espero que sim.

- Prometa que não vai contar isso a ninguém! – Rose exclamou, me puxando de volta em direção à porta que dava para a sala.

- Ahn, tudo bem. – Declarei chocada demais para pensar direito.

Entramos na sala no meio de alguma piada engraçada de Albus, já que todos estavam rindo. Em sua maioria eram os garotos, mas havia duas meninas com eles, apenas uma eu me dava bem, Jane Vicent. Ela era leviana e danada, e também gostava de desenhar, por isso nos dávamos bem.

- Rose! Lily! – O coro formou-se enquanto eles levantavam-se para nos cumprimentar, imediatamente eu me postara ao lado de James, que se sentia tão deslocado como eu, pensava acreditar, antes de notar os olhares furtivos trocados entre Jane e ele. Deus, o que estava acontecendo com meus parentes?

- Então... Onde vocês estavam? E que vestido é esse Rose? – Henry Jones perguntara. Ele era aquele que sempre se safava das coisas e que parecia não ter nascido com o abençoado senso de ridículo.

- Ah... – Rose corara, brincando com a barra do próprio vestido, e eu notei, sentadinha ao lado de Scorpius. – Lily estava me pintando.

Eu dei de ombros, não tinha por que me envergonhar, todos eles sabiam da minha obsessão pela arte, por querer pintar e desenhar a tudo e todos.

- Depois eu quero ver. – Jane exclamara e eu assenti. O assunto voltando a girar em torno de trivialidades que apenas o grupinho de meu irmão e Rose sabiam. Fiquei ali o tempo suficiente que a etiqueta mandara, e então discretamente acenei, saindo do local com uma desculpa de deveres de férias. A pesar de que eu realmente tinha montes desses pra fazer.

Segui para meu ateliê, pegando um novo quadro, e minha aquarela, decidida a gastar minha energia artística em outra coisa enquanto minha modelo estava ocupada com os amigos. Quando dei por mim, havia escalado o telhado de casa, e começara a esboçar um desenho da casa de Scorpius, de um ângulo totalmente diferente, onde apenas o muro e algumas partes do piso superior e da velha cerejeira podiam ser vistos.

Perdi horas ali, parando apenas quando a iluminação ficou precária. Meneei a cabeça, tirando um fio de cabelo que me atrapalhava a visão, e contrastei minha pintura nova com a original. Claro que nunca ficaria parecido, mas eu até que havia gostado; principalmente do crepúsculo ao fundo, desenhado inteiramente da minha imaginação.

- Você tem talento para subir nas coisas. – A voz de Scorpius soara detrás. E eu me virei, fitando-o ali, metade do corpo ainda para dentro da janela do sótão. Sorri involuntariamente, me roendo por não poder esconder a pintura já que ainda estava secando. – Estavam te procurando.

- Eu me distraí. – Dei ombros, começando a arrumar minhas coisas.

Ele apareceu ao meu lado, se equilibrando para não escorregar. Observei quando seus olhos fixaram-se no quadro, e em seguida na casa ao longe. Um sorriso esboçou os lábios dele, e ele me fitou divertido.

- Você continua com a sua obsessão pela minha casa, não é?

- Não é obsessão. E, além disso, é de muito antes de você morar lá. – Declarei na defensiva, fingindo que não dava à mínima. – Acredite, eu só deixo você morar ali por que seus pais cuidam bem dela.

- Não duvido. – Ele enfiou as mãos nos bolsos. – Ficou bem legal, sua pintura. Talvez você devesse vendê-la, meus pais iriam gostar de por na sala.

Olhei-o chocada.

- Não vendo minhas obras.

- Mas deveria. – Ele observou desviando o olhar até mim. E eu não soube explicar a sensação que me apoderou em ter aquelas orbes cinzas me fitando. Era estranho, por que eu estava acostumada a elas, ao menos deveria estar. – Sério, meus pais gostariam dela. E das muitas outras que você guarda.

Olhei para a pintura, estava quase seca.

- Se você quiser, pode levá-la. – Disse dando ombros. – Como um presente aos seus pais por me deixarem cuidar da cerejeira e entrar na sua casa.

- Não é preciso um preciso um presente para isso. – Ele sorriu. – Mas eu levo sim, já é tempo de ter uma pintura sua lá.

- Por quê? – Perguntei com o cenho franzido.

Ele olhou por além da minha cabeça, mudo.

- Você fez treze anos, não foi? – A pergunta súbita me deixara confusa, e eu meneei a cabeça positivamente. Finalmente me perguntando que raios Scorpius estava fazendo ali em cima do telhado comigo e não com os amigos dele, não com Rose. – Interessante. Eu não te dei um presente, e nem pude vir, estávamos viajando.

- Ah, eu sei. Não se preocupe com isso. Vocês me dão presentes todos os anos. – Declarei embaraçada, realmente não gostava de ganhar presentes dos outros, parecia que estava devendo algo a eles por isso. – Além disso, eu recebi o cartão postal.

- Mas eu tenho um presente. – Ele sorrira, tirando as mãos dos bolsos, e eu achei que tivesse algo lá, mas elas estavam vazias. – Que eu guardei faz quatro anos pra quando você fizesse treze.

- Quatro anos? – Perguntei surpresa.

- Sim. Mais ou menos desde a segunda vez que te peguei pendurada no muro da minha casa. – Ele falara com divertimento ante ao meu embaraço. – Você ficou bem ultrajada por eu ter te derrubado no chão.

- Ora, e quem não ficaria? – Perguntei revirando os olhos, começando a ficar curiosa pelo suposto presente. – Mas então... Mostre logo o seu presente, afinal, já que está aqui mesmo.

O sorriso dele ampliou-se mais ainda, ele era ciente da minha fraqueza em saber das coisas.

- Feche os olhos.

Suspirei, porém não tardei a fechá-los. Ele sempre fazia assim quando ia me dar algum presente. E sempre eram coisas que eu gostava, ou queria ter. Impressionante. Estendi as mãos, como esperando ele me dar algum pacote, porém este nunca viera. Os minutos passaram, e eu me mexi, inquieta.

- Scorpius...?

Estremeci quando meus pulsos foram envoltos pelas mãos quentes dele, e cambaleei um passo para frente, chocando-me contra ele, e não de forma delicada com o rosto no peito e tudo o mais, por que eu era alta o suficiente para intimidar os amigos dos meus irmãos, quase da altura dele mais especificamente. Meu queixo bateu contra o ombro dele.

- Ouch. Vou abrir os olhos.

- Ainda não. Espere mais um instante. – O hálito mentalizado soprara contra minha bochecha, enquanto a respiração arrepiava minha franja. Me concentrei para não abrir os olhos, e forcei-me para trás, porém ele não me soltara. Comecei a ficar confusa.

- Scor...

Fui impedida de completar a frase.

Algo macio e quente pressionara meus lábios e eu emudeci, paralisada. Minha língua arriscou a cutucar tal coisa estranha pra sentir algum sabor, e para meu horror ela fora capturada por algo que me parecia dentes. Um som abafado emergiu da minha garganta, quando aquela coisa, que eu só podia identificar como lábios moveram-se contra os meus, massageando-os ao tempo em que algo quente e molhado cutucara de volta minha língua. Abri os olhos, e outro susto maior se sucedeu ao me deparar com aqueles olhos cinza me fitando tão intenso, a cor que sempre era clara, agora era de um cinza-chumbo que nunca tinha reparado existir. Girei o pulso, de forma que minhas mãos fincaram-se nos braços de Scorpius, eu estava aterrorizada, mas minha mente havia se liquefeito e eu não sabia bem o que pensar; só que os lábios dele estavam contra os meus.

- Feliz aniversário atrasado Lily. – Ele me soltou o suficiente para me abraçar e sussurrar contra meus cabelos, de forma que os pelos de minha nuca eriçaram-se. Mais um beijo, dessa vez no canto dos meus lábios, foi depositado até que ele se afastou de vez. – Espere até os 15 agora.

Eu ainda estava sem reação, engolindo em seco, uma das mãos suspensas, tocando os lábios ainda molhados, enquanto o fitava começar a descer pela janela.

- O que tem aos 15? – Consegui perguntar.

Ele me lançou um sorriso que apenas alguns anos depois consegui decifrar o que transmitia, e piscou, desaparecendo.

Honestamente, naquele momento, quando o sentimento de culpa por Rose ainda não havia aflorado, tudo o que eu conseguia pensar era que os dois anos restantes não demorassem a vir.

Merlin.


N/A: Então é isso, o segundo capítulo finalmente aí depois de sei lá quanto tempo. Sou realmente horrível com prazos, galera. Mas mesmo assim agradeço de coração as reviews que recebi. Um beijo especial para Thaay Lovegood, Mii Yamauti e Bia.