Título: Redenção e um Sorriso

Summary original: Quem sabe o sorriso de Byakuya seja muito mais marcante do que seu perfume adocicado. Renji só poderá saber, entretanto, quando conseguir arrancar de seu capitão um sincero sorriso. E com ele, o sentimento que o Kuchiki deixa guardado no peito há tantos anos.

Rating e avisos: M; Lemon, YAOI, álcool, e o que há por vir, é uma incógnita.

Disclaimer: Bleach is © Tite Kubo

Comentários: WEE, segundo cap aqui tava na hora já. G_G embora seja meio frustrante que ninguém no mande reviews... enfim ;P


OS MEIOS

Depois de terminar todo o seu trabalho e ficar matando um tanto de tempo na sala de reuniões do Esquadrão (o Seireitei estava bem calmo), Renji voltou para casa para dormir e voltar somente no dia seguinte.

Durante essa noite que passou em casa, Renji se perguntou diversas vezes se havia sido muito duro com Byakuya. Ele não achava que suas palavras fossem mentirosas, na verdade, ele tinha certeza que não eram, mas era difícil simplesmente falar esse tipo de coisa na cara das pessoas. Certamente seu capitão estava fechado numa bolha de vidro, evitando qualquer tipo de afeição por quem quer que seja; é, talvez Renji tenha sido um pouco duro com ele.

Mas ele tinha que falar, não tinha outro jeito. Por mais que gostasse de Byakuya, ele também sentia a necessidade de afeto. Renji sempre foi muito atencioso com seu capitão e não era somente por ser seu subordinado. Sempre houve algo além disso. E o menor, em troca, não fazia muita coisa por ele. Arrancava seus suspiros e eventualmente, Renji sorria com os tapas de luva que Byakuya era capaz de dar, mas... Não era lá tããoo engraçado quando esse tapa vinha na sua cara.

No dia seguinte, Renji tomou um banho antes de sair de casa e foi caminhando pelo Seireitei; cumprimentou algumas pessoas pelo caminho e, num dos corredores, encontrou Shuuhei, com quem caminhou uma parte do trajeto.

– O que houve com o Kuchiki-taichou, Renji?

– Hum? – Renji virou o rosto e olhou Shuuhei com uma expressão de dúvida. Como assim, o que houve? Ele sabia? O ruivo sentiu o rosto esquentar e virou-o novamente, dando os ombros. – Do que você tá falando?

– É, eu soube que ele não compareceu à reunião dos capitães ontem, no final da tarde.

O tenente arregalou os olhos de leve com a notícia; não compareceu? Byakuya sempre era extremamente atento às regras, pontual e disciplinado, não havia qualquer explicação razoável para que ele tivesse faltado à reunião. E ele com certeza não havia esquecido.

– Er, eu... – Renji mordeu o lábio, à procura de uma resposta convincente, mas não havia o que dizer. Por sorte, ele havia chegado às instalações do 6º esquadrão e, portanto, pôde desviar o assunto. – Ah, eu te digo mais tarde, Shuuhei. Vou conversar com ele agora mesmo.

Shuuhei acenou com um sorriso para Renji, e o ruivo passou pelo portão. Rikichi estava acompanhado de alguns outros Shinigamis do Esquadrão e veio na direção de Renji, parando rapidamente diante dele e se curvando em cumprimento. – Bom dia, Abarai-fukutaichou.

– Bom dia, Rikichi. – Renji saudou o garoto com a mão e ia continuar seu caminho, mas Rikichi o seguiu, fazendo com que o tenente parasse no meio do caminho. – O que houve?

– O Kuchiki-taichou, ele...

– O quê? – Renji virou o corpo todo para ele, olhando o garoto seriamente e esperando uma continuação.

– Bom, ele não foi à reunião dos capit—

– Já sei disso.

– Mas fukutaichou – Rikichi insistiu quando o tenente começou a se afastar. – Ninguém viu ele saindo do escritório, também.

– Como assim?

– É, parece que ele ficou o tempo todo lá.

– E por que nenhum de vocês entrou pra verificar?

– Bom, se alguém batia na porta, ele não atendia, e sabe como é, a gente não vai entrar se ele não—

– Certo, obrigado, Rikichi. – Renji afagou os cabelos do garoto como se ele tivesse feito um bom trabalho e seguiu seu caminho, até entrar no prédio do Esquadrão e dar largas passadas pelos corredores.

Quando chegou na porta do escritório de Byakuya (que eles dividiam, na verdade), Renji respirou um pouco nervoso. Estava curioso, mas também, estava pensativo sobre o que havia feito no dia anterior e se seu capitão iria mesmo querer olhar na sua cara. De uma forma ou de outra, Renji tinha que fazer seu trabalho como tenente e portanto, abriu a sala e entrou com a cabeça baixa, e só ergueu o rosto para procurar por Byakuya após encostar a porta.

– Tai... Taichou?! – Renji arregalou os olhos porque...

Byakuya estava debruçado sobre a mesa e dormia, aparentemente, de forma pacífica e desconfortável (tal como dormimos em nossas salas de aula). Havia uma garrafa de saquê de alta qualidade que se esparramava pelos papéis que preenchiam o espaço do móvel e o capitão respirou fundo, ajeitando-se nos braços, que ele usava como travesseiros.

Renji ficou abismado e foi abrir uma das janelas – estava tudo bem escuro ali – e quando o sol invadiu a sala, Byakuya resmungou amargamente, tapando o rosto com os braços.

Deus, ele havia bebido mais da metade daquela garrafa de bebida e estava claramente de ressaca. Ali estava uma cena que Renji jamais imaginou que iria presenciar em toda sua vida, não importava o quanto ela durasse. – Renji? – A voz de Byakuya saiu falha e cansada, ao passo que ele ergueu a cabeça lentamente, os olhos apertados por causa da luz. – Dá pra fechar essa janela?!

Renji obedeceu imediatamente e adiantou-se até a mesa de Byakuya, tocando as costas do menor e colocou a garrafa de saquê em pé. – Taichou, o que houve?

– Urgh, agora eu lembrei porque eu não tenho o costume de beber... – O capitão pôs-se sentado em sua cadeira e esfregou os olhos; não era difícil vê-lo, uma vez que havia a luz que entrava pelas frestas da janela, mas não era uma visão muito nítida. Byakuya massageou as têmporas, parecendo estar com dor de cabeça e Renji remexeu nos papéis ensopados.

A sala estava com um cheiro forte de álcool, que havia facilmente encoberto o perfume adocicado de Byakuya; esse geralmente era o aroma mais intenso por ali. Renji jogou os papéis no lixo e quando o capitão levantou-se de sua cadeira, o ruivo o amparou com os braços e o ajudou a ir até o sofá, onde Byakuya sentou-se e logo, escorregou para o lado e deitou-se de lado.

Renji agachou-se diante do sofá e observou os olhos cerrados do menor, que parecia extremamente cansado e dolorido. – Er... Por que...?

– Não sei, Renji, não sei – Byakuya virou no sofá e deu as costas a Renji, mas mesmo que parecesse estar querendo dormir, ele abriu os olhos e encarou o estofado do móvel. Renji, logo ali, podia sentir também o cheiro que vinha de Byakuya e nossa, o tenente estava realmente arrependido de ter dito aquelas palavras a ele.

Renji ficou de joelhos e, num impulso, abraçou seu capitão pelos ombros e tocou os lábios no pescoço dele, aconchegando o menor em seus braços. Byakuya ficou estático por alguns instantes, enquanto o ruivo respirava calmo atrás de si. – Desculpe, taichou, eu não quis dizer tudo o que eu disse e—

– Renji – Byakuya silenciou seu tenente; sua voz naturalmente se sobressaía pelo timbre grave e sério que tinha. Byakuya era rancoroso e sabia disso (era o motivo para Renji estar idiotamente pedindo perdão a ele), mas na situação onde se encontrava – com dor de cabeça e nas costas –, o moreno não via motivos para ficar se martirizando. Tinha que voltar à racionalidade. Deus, ele havia perdido a reunião dos capitães. O que estava pensando?

– Tudo bem, Renji, você tinha razão. – Byakuya virou no sofá e Renji afastou-se, dando espaço ao menor. Assim que o Kuchiki se ajeitou, ele pôs-se sentado e em seguida, ficou de pé. Renji pareceu um pouco descrente das palavras de seu capitão, mas não insistiu, porque não achava que era o momento adequado. – Agora... Vá dar uma volta para eu me recompor. E pegue roupas para eu trocar.

– Sim, senhor.

– Ah, e acalme o esquadrão. Diga que eu fiquei enfiado aqui terminando a burocracia... – Byakuya suspirou incomodado e fez um sinal com a mão para que Renji se retirasse.

– Certo. – Renji passou pelo seu capitão e quando estava prestes a sair da sala, a voz do moreno irrompeu o cômodo.

– Renji...

O tenente virou-se para olhar Byakuya, mas este não prosseguiu (independente do que ele fosse falar). Mas ele não precisava prosseguir. Bem provavelmente, não precisava... Renji sentia saber do que se tratava.

– Eu sei, taichou. – Renji deu um leve sorriso. – Eu também.

Byakuya o olhou com sua comum expressão impassível e observou enquanto Renji desaparecia pela porta após terminar de falar.

O capitão não tinha certeza do que estava prestes a dizer. "Me desculpe"? Ou quem sabe algo sem nexo, como "Não conte isso pra ninguém", ou simplesmente... "A verdade é que eu espero amar você, Renji, e ser amado por você", mas... Era uma dúvida que ele não ia sanar agora. Só que Renji parecia confiante de que era algo bom, uma vez que confirmou o sentimento com um sorriso.

Byakuya moveu de leve a cabeça em negação; tirou seu cachecol, o haori, soltou os cabelos e deixou os kenseikan em cima da mesa do escritório que ainda estava úmida. Só agora podia sentir o intenso aroma de álcool e adiantou-se à janela para abri-la e deixar o ar circular. Estava sufocando ali. O sol iluminou o cômodo e Byakuya ficou parado, esperando que a estrela esquentasse seu rosto um pouco e então, tirou a parte de cima das vestes de Shinigami.

Deixou a peça numa das cadeiras da sala e sentiu o cheiro de álcool aliviar um pouco.

Renji certamente tinha razão. Ele estava se afundando nas suas próprias mágoas, simplesmente para não magoar Hisana. Mas Hisana não ia querer vê-lo assim... Ou ia? Não, ela não ia. Ninguém que ama iria. E Byakuya sabia do tamanho do amor que sentia por Hisana e do quanto aquele sentimento era recíproco. Mas ele tinha tanta coisa pela frente...

Pôde quase ouvir a voz de sua falecida esposa dizendo-o para seguir em frente. Não esquecê-la, é claro, mas prosseguir seu caminho.

Lamentou-se mais uma vez por ter feito toda aquela bobagem e quando estava acomodando-se no sofá, Renji abriu novamente a porta da sala e trazia consigo uma muda de roupa para seu capitão. Byakuya levantou-se do sofá de novo, suspirando, e caminhou até o ruivo; pegou as roupas de sua mão e pôs a parte de cima das vestes Shinigami no corpo, tirou a parte de baixo e pôs a limpa no corpo.

Renji pareceu um pouco desconfortável, cruzando os braços e procurando manter os olhos ocupados com outra coisa. Meio difícil, ele tinha que admitir, mas não queria se sentir um idiota completo (até porque seu rosto já estava ligeiramente corado).

Byakuya virou-se para Renji novamente e dirigiu-se até ele, parando diante do maior e, com movimentos lentos e aparentemente calculados minuciosamente, o capitão tocou a cintura de seu tenente e deslizou as mãos até as costas dele, entrelaçando os próprios dedos lá para então encostar-se nele e deitar a cabeça sobre o peito parcialmente exposto.

– Taichou... – Renji murmurou, parecendo feliz com o que estava se passando naquele momento e abraçou o menor pelos ombros. Byakuya respirou o cheiro do corpo do ruivo e sentiu o corpo relaxar, quase por completo. Ele queria falar (na verdade, ele tinha que falar. Seu corpo clamava por isso. Mesmo que isso significasse perder a compostura), e esperou que Renji curvasse o corpo para apoiar o queixo em seu ombro.

– Achei que havia perdido você também, Renji. – Sua voz saiu suave como de costume, mas o suspiro de alívio que se seguiu a ela que foi a novidade. Renji franziu a sobrancelha, sentindo que Byakuya queria ter dito aquilo antes e certamente estava pesando em suas costas.

E droga, como ele era vulnerável ao seu capitão.

– Não vou te deixar, taichou.

Renji absorveu o silêncio que pairou sobre eles durante alguns instantes, para só então sentir uma gota quente escorrer na linha do peito. Byakuya estava... – Taichou?

O capitão tirou as mãos de Renji e passou a ponta dos dedos graciosamente abaixo dos olhos, obviamente evitando que a outra lágrima tivesse sequer a oportunidade de alcançar sua bochecha e o ruivo o olhou com as sobrancelhas franzidas. Ele nunca havia visto nada parecido.

– O que há?

– Não sei, eu estou... Feliz. – Byakuya franziu a sobrancelha, como se aquilo fosse aparentemente impossível de acontecer. – Achei que minhas lágrimas haviam secado.

Renji abriu um sorriso e tocou os ombros de Byakuya, passando a mão por ele para transmitir ao seu capitão um conforto que ele claramente precisava agora. – Talvez as de tristeza tenham secado, mas deve fazer tempo que elas não caem por você estar feliz, não é?

Byakuya assentiu, concordando com o que Renji dizia e novamente o trouxe para perto de si, apertando-o com força pela cintura. É... Certamente as lágrimas de tristeza haviam secado (depois de tanto caírem pelo seu rosto), mas as de felicidade ainda estavam lá, cautelosamente guardadas. Byakuya não se sentia tão feliz assim há... Quanto tempo? Bem, ele sequer lembrava. Não fazia diferença, de qualquer forma.

O capitão ergueu o rosto para incitar Renji a aproximar o próprio e assim que estava perto o suficiente, Byakuya o beijou, sôfrego e intenso, apertando os músculos do maior por cima das vestes com toda a força que lhe cabia nos dedos. O tenente se entregou sem hesitar – não sentia necessidade de mais drama. Byakuya havia entendido o que ele havia dito e talvez, daqui pra frente, as coisas fossem diferentes.

Com a força das mãos, Byakuya obrigou Renji a se abaixar para que ficassem da mesma altura (a diferença de tamanho era algo que deixava o capitão extremamente aborrecido) e o ruivo cambaleou para conseguir se equilibrar com os joelhos meio dobrados. Um sorriso novamente veio aos lábios de Renji, mas naquele exato momento eles estavam ocupados demais com a boca exigente de seu capitão.

Ele permaneceu ainda mais alguns minutos, deixando que Byakuya fizesse um caminho tortuoso por todo seu corpo, dos quadris até as pernas e de volta às costas novamente. Pela primeira vez em todas as vezes que seu capitão tocava-lhe o corpo com fervor, ele sentiu-se realmente... Não sabia se amado era a palavra correta, já que era um tanto drástica para um início de progresso, mas sentia claramente que o menor estava despejando algum tipo de sentimento em Renji, seja ele qual fosse. Fosse o intenso desejo, ou a paixão, ou simplesmente a possessividade... Qualquer um era válido.

– Hum, hum, taichou – Renji falou com a voz um tanto abafada porque Byakuya ainda lhe devorava a boca com fervor. O capitão afastou-se alguns centímetros, passou a língua pelos lábios de Renji e reabriu os olhos.

– Espero que seja importante.

– Bom, é uma pergunta... – Renji apertou os lábios, sentindo a saliva do moreno lhe cobrir a boca toda, e um pouco além. – Depois do senhor, sabe, ter... Chorado – ele pronunciou a última palavra como se fosse proibida. – Eu gostaria de saber... O senhor nunca sorri, não é?

Byakuya olhou Renji com os olhos sutilmente semicerrados. Bem, ele não percebia que nunca costumava sorrir, mas de certo, não sorria mesmo. Não sentia vontade, entende? A vida para ele não era tão incrível quanto parecia. Talvez pudesse ser, eventualmente, com o tempo, mas ainda não era. Ele sorria, sim, oras; mas depois da partida de Hisana... Ao invés de dizer que não sabia responder, o superior preferiu apenas ficar em silêncio.

– Tudo bem, taichou... Eu vou conseguir fazer o senhor sorrir. – Renji abriu um sorriso no próprio rosto e Byakuya o encarou, sério, e puxou seu tenente novamente para um beijo.

Bem... Tomara que ele consiga, não é mesmo?

"I want to be with you forever, if tomorrow's not too late; 'but it's always too late when you've got nothing', so you say...

But you should never let the sun set on tomorrow, before the sun rises today"