Shouyou observava Kageyama secar os cabelos, distraído, e não podia deixar de sorrir. Se contasse a história de como tinham iniciado a relação que tinham agora para alguém, provavelmente a pessoa perguntaria quando foi que Hinata começou a se interessar por romances adolescentes. Porque era isso que parecia.
Já faziam quase três semanas desde que ele e Kageyama tinham tido a conversa que acabou com os dois aos beijos no sofá durante horas. A verdade é que Hinata tinha se interessado por Kageyama há muito tempo. Não pôde evitar. Ele era bem seu tipo. Não apenas por ser ridiculamente lindo, com seus cabelos negro-azulados que combinavam perfeitamente com os olhos de um azul tempestuoso, seu corpo bem definido pela vida de atleta e sua voz grossa e irremediavelmente sedutora. Mas também por sua personalidade. Porque sim, Hinata sempre tivera um fraco por caras muito sérios, quase antipáticos; mas que na verdade eram bastante sinceros sobre seus sentimentos quando confiavam em alguém. Não demorou nem 2 meses de convivência para que Hinata visse que Kageyama era exatamente assim.
Começou a reparar muito mais no moreno mas, para sua sorte, o outro era muito desligado para perceber seus olhares. E, antes que pudesse se refrear, já estava testando as águas, jogando indiretas e flertando em forma de brincadeira a fim de ver como o outro reagiria. Afinal, que mal tinha isso? Até então, Kageyama nunca havia aparecido com ninguém e nem falado sobre sua sexualidade. Como Hinata sempre costumava pensar para tudo na vida:o não eu já tenho, não há porquê não buscar o sim.
Para sua surpresa Kageyama não se mostrava incomodado com suas "brincadeiras" e, depois de certo tempo, começou mesmo a entrar na onda, correspondendo aos flertes. Mas, obviamente, não levava nada daquilo a sério. O que ficou ainda mais claro quando Hinata o viu com a colega de classe. Apenas depois disso Kageyama contou, quando Hinata perguntou se ele e a menina estavam namorando, que não costumava se dar muito bem em relacionamentos sérios porque as meninas com quem se relacionava geralmente se sentiam deixadas em segundo plano, dada a dedicação de Kageyama ao vôlei. E, claro, não era sem razão. De fato todo vez que precisava escolher entre a companhia da menina com quem estivesse e o vôlei, o levantador escolhia o esporte. Assim, sem perguntar diretamente, mas ouvindo Kageyama falar sobre suas - poucas - experiências, Hinata entendeu e aceitou que o outro era realmente hétero e seguiu em frente.
As brincadeiras com duplo sentido continuaram, até porque eram confortáveis e já faziam parte da rotina dos dois, mas Hinata não ficou se apegando a isso. Claro que não achava a situação mais divertida do mundo quando a menina com quem Kageyama saía aparecia no dormitório, mas também não ia ficar pagando paixão pra um cara hétero, não é mesmo? Já estava bastante feliz por ter conquistado a amizade de Kageyama e pelo fato de ele não ficar na defensiva por conta de sua sexualidade.
Hinata também não estava interessado em um relacionamento e, vez ou outra ficava com alguém em alguma festa, mas poucas vezes chegava ao ponto de levar alguém até o dormitório. Até conhecer Kenma. O estudante de Computação era sério e parecia desinteressado do mundo fora das telas, mas na verdade era uma companhia divertida quando encontravam algo em comum. Construíram uma amizade legal que se desenvolveu muito naturalmente para uma pegação sem compromisso. E aí é que os problemas com Kageyama começaram, a partir do momento em que o moreno os pegou dando uns amassos no sofá.
Hinata vinha notando que desde que tinha terminado sua amizade colorida, Kageyama parecia mais emburrado toda vez que Hinata levantava qualquer assunto sobre estar com alguém. Mas achou que era só uma chateação que não tinha nada a ver consigo. Até perceber que tinha a ver sim. Depois do episódio do "flagra" constrangedor para todos os envolvidos, tudo piorou e tornou-se impossível não perceber como Kageyama estava incomodado. E Hinata sentiu a decepção bater. Junto com uma grande irritação. Kageyama não tinha o direito de agir assim, não mesmo! Parecia até alguém traído, mas oras, Hinata não tinha nada a ver com o término de sua relação ou seja lá com o que estivesse passando.
Shouyou teve medo de a coisa ser ainda mais séria do que estava imaginando quando Kageyama lançou um olhar de repulsa tão forte ao ver Kenma saindo do dormitório numa outra ocasião, que foi impossível ignorar. Os dois nem tinham feito nada, já não estavam mais envolvidos dessa maneira há algumas semanas e Kenma tinha até conhecido um outro cara, um tal de Kuroo. Mas na irritação, Hinata não se preocupou em dizer isso ao outro.
Hinata começou a achar mesmo que Tobio não aceitava sua sexualidade tão bem como parecia. E ao perceber isso, o sentimento que tomou conta de si foi de tristeza. Definitivamente era doloroso pensar em perder a amizade de Kageyama por simplesmente ser quem era.
Quando finalmente colocaram os pingos nos is e Kageyama confessou que, na verdade, estava com ciúmes de Hinata, a situação parecia tão absurda que demorou a acreditar. Mas o alívio que lhe percorreu foi instantâneo. Quando Tobio o beijou, Hinata sentiu como se fosse derreter. Obviamente já tinha imaginado a situação, mas há tempos não pensava que fosse possível que se tornasse realidade.
E, depois de se resolverem, tudo caminhou com a mesma naturalidade com a qual sua amizade tinha nascido mais de um ano atrás. Na verdade, não era como se muita coisa tivesse mudado. Basicamente faziam as mesmas coisas de sempre, com o bônus de se tocarem e beijarem sempre que estivessem sozinhos e com vontade.
A situação parecia tão natural, que não tinham sequer reparado que não tinham tido um encontro propriamente dito, mesmo depois de tanto tempo, até a noite anterior. E era para finalmente consertar isso que ambos estavam se preparando agora, para ir a seu primeiro encontro oficial juntos.
— Então Kags, você não disse o que quer fazer… - Hinata falava enquanto colocava uma camiseta com uma estampa divertida e escolhia um boné cinza para não ter que lidar com seu cabelo rebelde.
— Ah, sei lá. Vamos pro shopping e lá a gente decide o que faz.
— Ok.
Quando chegaram ao shopping, já tinham brigado três vezes. A primeira para decidir se iriam de metrô ou pegariam um táxi. Hinata dizia que era muito bosta sair para um encontro de metrô. Kageyama dizia que era besteira gastar dinheiro com táxi quando podiam economizar e gastar mais no encontro em si. Acabaram decidindo ir de transporte público e, caso ficasse muito tarde, voltar de táxi. Ok, um belo meio termo. A segunda briga foi para escolher em qual shopping iriam. Kageyama queria ir no mais próximo mesmo - "Pra que passar mais tempo na condução ao invés de chegar logo e aproveitar, idiota?". Hinata preferia ir no maior, um pouco mais distante - "Mas nós vamos ter muito mais opções se formos no outro, imbecil!". No fim, o ruivo ganhou a discussão, já que o metrô da linha que levava ao shopping maior chegou primeiro do que o outro. A terceira foi a briga mais idiota de todas. Estavam ambos de pé no vagão quando um lugar bem à sua frente ficou vago. Ainda faltavam cinco estações para chegarem a seu destino e os dois ofereceram o lugar ao outro ao mesmo tempo. Começaram a discutir aos sussurros já que nenhum dos dois cedia e ia se sentar. "Senta logo na droga do lugar, Kageyama, eu não quero!". "Mas era você que preferia vir de táxi pra ficar mais confortável, Hinata. Senta você!". Discutiram tanto que chegaram ao local em que teriam que desembarcar e nenhum dos dois se sentou.
Claro que eram aquelas brigas rotineiras e nenhum dos dois estava realmente bravo. Mas se já tinham brigado por coisas tão pequenas, não podiam imaginar como seria na hora de escolherem o que fariam no shopping. Mas, surpreendentemente, ambos pareciam estar na mesma sintonia quanto a isso. Foram andando lado a lado na direção do cinema, parando antes para comprarem milkshakes. A atendente ficou quase um minuto inteiro olhando para Tobio tentando entender se ele falava mesmo sério quando perguntou se ela poderia bater apenas o leite com sorvete, sem acrescentar os outros ingredientes. Hinata teve que se segurar para não rir alto da expressão indignada que o moreno fez quando a moça negou e ele foi obrigado a escolher um sabor para a bebida.
Escolheram um filme de comédia não muito popular, cuja fila para comprar os ingressos era a menor, e nenhum dos dois criou caso ou quis ir contra a ideia do outro. Isto porque ambos tinham a mesma intenção em mente. Nenhum deles estava mesmo muito interessado em assistir um filme. Queriam era aproveitar a companhia e proximidade um do outro na sala de cinema. Não que não tivessem oportunidade suficiente em casa, mas tinham concordado em ir devagar e isso não daria muito certo se mantivessem as mãos um no outro o tempo todo quando estavam completamente a sós.
Algumas noites atrás quase tinham ficado sem jantar quando Tobio deixou a panela no fogo e foi espiar o que Hinata estava vendo no notebook. Com a proximidade veio a vontade, com a vontade começaram os beijos e mal tinham percebido que o ruivo já estava no colo do levantador no sofá da sala, até sentirem o cheiro de queimado e correrem para salvar a comida. Tinham rido bastante da situação na hora, mas decidiram que precisavam tentar se controlar minimamente quando estivessem em casa - principalmente porque Tobio ainda não se sentia preparado para avançar muito no aspecto mais íntimo da relação, e Hinata compreendia sua insegurança.
De fato mal viram do que o filme se tratava. Passaram toda a sessão conversando aos sussurros - por sorte a sala estava vazia o suficiente para se sentarem longe de outras pessoas e não incomodarem ninguém - e trocando carinhos e beijos suaves, aproveitando as sensações: as peles arrepiadas tanto pelo ar-condicionado potente do lugar, quanto pelos rastros molhados que um deixava no pescoço do outro; o calor que se instaurava quando sentiam a respiração do outro em seu ouvido; o frio na barriga pelo receio de levarem uma bronca de algum funcionário do cinema, que tornava tudo mais divertido.
Saíram da sala de cinema e se encaminharam para a praça de alimentação, mas no caminho, Hinata viu algo numa vitrine e arrastou Tobio para dentro de uma loja de roupas.
— Olha Kags! Você tem que experimentar! - o ruivo segurava um suéter azul, cuja estampa era a de um gato formado pelo líquido despejado por uma garrafa de leite.
— Você não pode estar falando sério.
— É claro que estou! É um gato de leite, Kageyama! Mais a sua cara não tem!
— O leite eu entendo… mas por que o gato seria a minha cara? - Kageyama falou um pouco mais baixo, dando um sorriso pequeno ao perceber que Hinata tinha ruborizado com o comentário, ato pelo qual o ruivo se recriminou internamente, ainda que não tivesse como evitar.
— Seu babaca. Experimenta logo. - e foi empurrando Kageyama até o provador da loja.
Kageyama saiu vestindo o suéter com uma expressão resignada no rosto. Era possível ver a gola da camisa que ele usava, já que sequer tinha se dado ao trabalho de retirá-la em sua má vontade inicial. Porém, Hinata pôde ver que o outro tinha gostado da roupa e sequer tinha como argumentar o contrário. Chamou a vendedora e decretou.
— Nós vamos levar!
Kageyama o puxou pelo braço e sussurrou :
— Hinata, eu não estava planejando comprar roupa. Sou bolsista, lembra? Não posso ficar desperdiçando dinheiro com bobagem.
— E eu tenho um emprego de meio período, lembra? É um presente, Bakageyama.
O ruivo sentiu um novo tipo de sentimento aquecer seu coração ao vislumbrar a face corada de Tobio ao desviar os olhos dos seus e acenar que aceitaria o presente.
Pagaram pela roupa, a qual Tobio já saiu da loja utilizando, e finalmente foram até a praça de alimentação. O local onde servia a comida favorita de ambos estava absurdamente cheio, então decidiram que era melhor comerem um rámen mesmo, em um lugar não tão lotado. Depois de jantarem foram até o pátio externo do shopping, onde tinha um jardim iluminado e alguns bancos onde poderiam se sentar. Era um local onde muitos casais iam para namorar, e naquela noite não era diferente. Hinata sentia vontade de poder pegar na mão de Kageyama e abraçá-lo tão abertamente quanto outros casais faziam ali, mas não o fazia, pois sabia que isso poderia atrair olhares indesejáveis para os dois. Mas, decidido como era, poderia lidar com isso, caso Kageyama também estivesse disposto. Porém, não fazia ideia de como o mais alto se sentiria perante uma atitude dessas, visto que eles não costumavam demonstrar este tipo de afeto tão publicamente e Kageyama já estava quebrando muitas barreiras pessoais ao admitir querer estar naquela relação. Além disso, sequer tinham chegado a nomear o que tinham. Porém, Shouyou se surpreendeu quando o outro tomou a iniciativa de levá-lo para se sentar em um canto mais afastado do jardim e passou o braço por seus ombros, trazendo-o para perto enquanto conversavam.
Tinham combinado que, pelo menos naquele encontro, não falariam de vôlei. Não era nada fácil para nenhum dos dois cumprir a promessa, mas estavam se esforçando. Falaram de suas infâncias, - com suas famílias e amigos, não com seus times - das suas épocas do ano favoritas, de coisas bobas e aleatórias. Não era como se precisassem trocar informações como seus filmes ou bandas favoritos, ou quais eram seus hobbys ou planos para o futuro. Já tinham aprendido tudo isso um sobre o outro nesse mais de um ano de convivência.
Depois de algum tempo foram até a pista de patinação do shopping. A maioria das pessoas ali eram crianças, mas alguns adultos tentavam a sorte e os dois se divertiam observando. Kageyama deu a desculpa de que ainda estava muito cheio do jantar para tentar patinar e Hinata, mesmo implicando com ele o chamando de medroso, não insistiu muito. Mal notaram como a pista esvaziava e como o tempo tinha passado rápido e se surpreenderam um pouco quando ouviram o aviso de que o shopping fecharia dentro de alguns minutos. Tinha ficado realmente tarde, então foram até a área onde poderiam pegar um táxi para voltarem para casa.
E se arrependeram disso ao chegarem cedo demais ao destino. Nenhum dos dois queria realmente que o encontro terminasse. Não estavam preparados para irem cada um para seu quarto e encerrar a noite. Mas também não queriam sentar e assistir qualquer coisa na TV, como faziam quase todos os dias, e acabar com o clima especial que o dia tinha tido. Assim, Hinata tomou a iniciativa e puxou Kageyama até seu quarto. Só percebeu que o outro estava tenso pela atitude quando já tinha tirado o boné e jaqueta clara que usava e Kageyama continuava parado na porta.
— Relaxa, Kags. Não estou com nada em mente. Só quero ficar mais um pouco com você.
Hinata viu a tensão deixar os ombros de Kageyama instantâneamente e sorriu de leve. Os dois tiraram os sapatos, sentaram-se na cama e ficaram rindo, relembrando alguns tombos que assistiram na pista de patinação.
— Mas aquele menino loiro e o moreno baixinho que estava com ele patinavam muito bem - Kageyama falou e riu da cara de indignação de Hinata ao adjetivo que ele tinha dado ao tal moreno, que o ruivo sabia ser alguns centímetros mais alto do que si, pois tinha passado ao lado dele na saída da pista.
— Verdade, eles pareciam até profissionais.
— Vai ver eles eram.
— O que profissionais estariam fazendo numa pista de shopping, Kageyama?
— Sei lá…
Kageyama bocejou e se deixou deitar na cama de Hinata. Ainda conversaram mais um pouco, Hinata falando bem mais, como sempre, mas não demorou para que o ruivo notasse que a respiração do outro estava regular demais e ele já não lhe respondia fazia algum tempo. Fosse em outro momento teria ficado possesso com o fato de Kageyama ter dormido enquanto ainda falava com ele. Mas, depois dos momentos que tinham passado juntos e vendo como o rosto do moreno ficava muito mais sereno e sem a habitual expressão carrancuda quando ele se entregava ao sono, só conseguiu sentir uma imensa felicidade. Assim, pegou um cobertor no armário e deitou-se ao lado de Kageyama, sorrindo satisfeito quando este se ajeitou no colchão e passou o braço por cima de si. Hinata então se aconchegou de costas para o moreno e se permitiu descansar. E foi assim a primeira noite em que os dois dormiram juntos.
Kageyama acordou um tanto quanto confuso. Lembrava-se de estar conversando com Hinata no quarto deste, mas não se lembrava de terem se despedido ou de ter ido para seu quarto dormir. Era uma sensação muito parecida com aquela que sentia quando era criança e acordava na cama depois de ter pego no sono no sofá, tendo seu pai o carregado até o quarto. Exceto que era impossível que Hinata o tivesse carregado até seu quarto… e também não costumava sentir esse peso acima de si quando era criança. Ainda num estado de semi-consciência, Tobio levou a mão até o local aonde sentia o peso em seu peito e deparou-se com cabelos desgrenhados e macios. Então se lembrou. Não tinha mesmo ido para seu quarto. Tinha caído no sono na cama de Hinata.
Abriu os olhos lentamente e viu que o ruivo dormia tranquilamente apoiado em si. Ambos ainda usavam as roupas com as quais tinham saído no dia anterior, mas havia um cobertor sobre suas pernas. As cortinas estavam abertas, mostrando que acabava de amanhecer, o que era mais um indício de que a situação não tinha sido planejada. Porém, era extremamente confortável. Kageyama passou alguns minutos observando a face de Hinata, que as vezes se remexia, e riu de como nem dormindo o ruivo conseguia ficar de fato parado. Mal tinha pensado isso e Hinata se remexeu mais, passando uma das pernas sobre a coxa esquerda Tobio e a encaixando entre as pernas do maior, colando os corpos. Hinata continuava em sono profundo e, portanto, não tinha ideia de como esse simples contato, mesmo com todas as camadas de roupa entre eles, deixava Tobio quente.
Ainda era muito estranho para o moreno ter este tipo de reação ligada à presença de outro homem, mas tentava não pensar muito nisso. Não fazia sentido, afinal. Se já tinha aceitado que era capaz de ter sentimentos por Hinata tinha que aceitar também que, fatalmente, sentiria tesão com ele. O ruivo estava sendo bastante paciente com as inseguranças de Tobio e, mesmo depois de mais de três semanas nessa espécie de relacionamento, não o tinha pressionado quanto à isso. O mais longe que tinham chegado havia sido quando, em um dia em que beijavam-se com Hinata sentado no colo de Kageyama, o que trazia um contato inevitável entre as excitações crescentes, o ruivo tinha, digamos, dado uma mão ao outro para se aliviar. Kageyama até se ofereceu para retribuir o favor, mas Hinata percebeu que ele estava nervoso e disse que não tinha problema, poderia se resolver sozinho. E o fez sob o olhar atento de Tobio sobre si. Desde então o desejo vinha em uma curva ascendente, mas Tobio ainda tinha receio por não ter tido nenhuma experiência com outro homem antes. É claro que sabia muito bem como as coisas funcionavam na teoria, mas partir para a prática eram outros quinhentos.
Kageyama se remexeu inquieto. Ter Hinata grudado a si como um coala e pensar nessas coisas ao mesmo tempo não era a ideia mais sensata se ele ainda precisava de um tempo para estar totalmente pronto. Seu movimento fez com que o outro acordasse, abrindo os olhos lentamente e resmungando, sonolento:
— Que horas são?
— Bom dia pra você também.
— Boa madrugada, né?
— É, 'tá bem cedo ainda. Vamos voltar a dormir.
— Que lindas palavras de se ouvir.
Hinata deu um sorriso preguiçoso e esfregou o nariz manhosamente no peito de Tobio, que ainda usava o suéter que o ruivo tinha lhe dado de presente na noite anterior.E ele diz que gatos combinam comigo, rhum, o moreno pensou antes de abraçar o outro e se entregar ao sono mais uma vez.
Depois da primeira noite em que tinham dormido juntos, parecia sempre muito solitário cada um ir dormir em seu quarto. Assim, depois de três dias tentando manter a rotina antiga e falhando miseravelmente quando, no meio da noite, Hinata acabava indo até o quarto de Kageyama, que só de ouvir o barulho da porta já acordava, indicando que também não estava dormindo bem sozinho, decidiram que não tinha porque continuarem assim e passaram a dormir sempre juntos em um dos quartos. Não importava realmente em qual deles, já que eram iguais, mas com o passar dos dias perceberam que iam mais para o quarto de Kageyama, que era levemente mais organizado - pelo menos não tendo coisas espalhadas pela cama, o que não se aplicava ao resto do local.
A intimidade também estava avançando aos poucos. Kageyama já não se mostrava tão receoso ao tocar Hinata e eles tinham feito progressos. Na verdade, desde que passaram a dormir juntos, quase todas as noites acabavam masturbando-se juntos antes de se entregarem ao sono. Mesmo assim ainda mantinham sempre pelo menos as boxers no corpo e nunca tinham avançado além disso. Hinata começava a sentir falta de ter mais, principalmente porque os toques de Kageyama eram capazes de lhe levar à loucura facilmente, mas não queria pressionar o outro.
Kageyama por sua vez estava cada vez mais irritado com a própria insegurança. Sabia que queria dar o próximo passo com Hinata, sabia bem demais, seu membro costumava lhe lembrar disso sempre que tinha oportunidade, mas ainda não tinha tido a coragem de tomar a iniciativa. E sabia que Hinata não faria isso, pois estava respeitando o seu tempo. Pensou em mais uma vez postar suas dúvidas na internet, mas se sentiu um tanto quanto ridículo com a possibilidade de fazer isso -pelo amor de deus, Tobio, você não tem mais 15 anos.A verdade é que estava decidido a superar mais essa barreira, mas ainda não sabia como fazer isso.
Se perguntava se deveria falar para Hinata que já estava pronto ou se seria muito estranho ter uma conversa assim - não que eles já não estivessem acostumados à estranhezas, mas né. Mas, se não fosse conversar, teria que agir. E como faria isso? Claro, Kageyama tinha plena noção de que não era preciso muito para que os dois entrassem no clima, mas e depois? Não sabia que posição Hinata costumava assumir ao transar, e sabia menos ainda se teria coragem de prosseguir caso ele lhe dissesse que preferia ser o ativo na relação. Também lhe parecia que, passar da pegação que já tinham sempre para as vias de fato assim, sem nada de especial, não era o mais certo. Desde o primeiro encontro que tiveram Kageyama pôde perceber que Hinata tinha um lado romântico e, depois de tudo que passaram, se perguntava se não deveria planejar algo especial para o momento.
Estava tão absorto pensando nisso tudo enquanto esperava Hinata terminar a reunião com o treinador Ukai para irem para casa, que sequer notou que o ruivo já estava a seu lado, lhe chamando.
— Oe, Terra para Kageyama! 'Tá tudo bem?
— Hã? 'Tá, 'tá sim. Vamos?
— Vamos. Mas hein, Kageyama. Amanhã é aniversário do Daichi, você sabia?
— Não, não sabia.
— Então, é. E o Suga chamou a gente pra comemorar com eles no karaokê. Nós vamos, né?
— Desde que você não invente de me fazer cantar, claro.
— Aaaah, Kageyama, não seja chato!
— Nem começa Hinata, nem começa.
— Se você não quiser cantar vou trancar o quarto e você vai dormir sozinho! - com isso Hinata saiu correndo, querendo chegar antes ao dormitório.
— Ei! Seu idiota! Isso é golpe baixo! - Kageyama correu atrás, não podendo se importar menos com o que fossem pensar dos dois marmanjos comportando-se como crianças no meio do campus.
Depois de muito insistir Hinata conseguiu convencer Tobio a com certeza ir ao karaokê e cantar ao menos uma música junto com ele. Tobio aceitou muito a contragosto, mas realmente não queria dormir sozinho e Hinata parecia determinado a cumprir a promessa que havia feito. Passaram o dia seguinte cada um resolvendo suas próprias coisas, com trabalhos para fazer e outros compromissos e, quando Hinata chegou em casa após seu trabalho na livraria do campus, Kageyama já estava pronto para que fossem comemorar o aniversário de Daichi.
— Olha quem está animado pra cantar hoje. Já está até pronto! - o ruivo brincou, dando um selinho no moreno para cumprimentá-lo.
— Estou animado pra beber, isso sim.
— Nossa, quando foi que você virou um pinguço, Kageyama?
— Hoje à tarde depois de ter que aturar os dois idiotas com quem fui obrigado a fazer o trabalho em grupo.
— Meus pêsames. Mas terminaram?
— Sim, ainda bem. Se tivesse que passar mais um dia com eles, além de pinguço viraria um assassino.
— Ah, não pode, você não pode ser preso.
— Por que não? - Kageyama dava um sorriso convencido.
— Porque você é um saco, mas é um levantador muito bom e quero que a gente ganhe o campeonato.
Hinata correu para o banheiro rindo a plenos pulmões da cara indignada que Kageyama fez antes de começar a xingá-lo. Tomou um banho caprichado, mas rápido, e se arrumou passando toda hora por Kageyama para lhe deixar um beijo no bico que ainda sustentava - com cada vez menos convicção. Foram andando mesmo até o bar, que era próximo ao campus, e quando chegaram o pessoal do time já estava no local.
— Olha, finalmente o casal chegou! - foi Tanaka quem falou e Hinata viu Kageyama ficar um pouco tenso.
Nunca tinham contado para ninguém além de Suga - e, por consequência, Daichi - que tinham de fato se envolvido. Nem mesmo Nishinoya, de quem Hinata era bastante amigo, sabia ainda. Hinata se perguntava se a ideia de que todos soubessem incomodava Kageyama, mas não pensou muito nisso quando Suga passou por Tanaka, lhe dando um tapa na nuca, e se aproximou dos recém-chegados, puxando-os até a mesa que tinha reservado.
— Venham, Daichi está aqui, só faltava vocês para podermos brindar.
A noite acabou sendo bem divertida e, apesar de ter dito que não queria cantar, mas sim beber, Kageyama acabou fazendo bastante das duas coisas. Além de um dueto com Hinata e outro com Suga, o moreno ainda cantou uma música sozinho e foi bastante aplaudido por todos os frequentadores do local.
— Nossa, Kageyama, não sabia que você cantava tão bem! Por que estava escondendo o jogo? - Hinata disse após a última performance do moreno.
— Tem muitas coisas que você ainda não sabe sobre mim, Hinata. - Tobio, respondeu, sério, e se afastou.
Desde que haviam chegado Tobio estava assim, um tanto quanto distante e arisco. Hinata tentou não pensar muito nisso, mas estava de fato o incomodando. Não conseguia tirar da cabeça que era por causa da brincadeira que Tanaka fizera mais cedo e isso o chateava. Após a atitude de Kageyama no shopping, Hinata achou que, se chegassem a esse momento, o moreno não teria grandes problemas em assumir a relação que estavam construindo. Agora já não tinha tanta certeza.
E ele estava certo em seu pensamento, de certa forma.
Kageyama de fato tinha ficado bastante incomodado com a brincadeira de Tanaka. Mas, ao contrário do que Hinata estava imaginando, a questão de a relação ser ou não pública sequer passava pela mente do moreno. Sua dúvida era justamente sobre a relação em si. Se Kageyama não tinha tido muitos relacionamentos sérios antes, não era por aversão à ideia, e sim porque sabia que, eventualmente, as coisas ficariam complicadas devido às suas escolhas de vida. Mas aquilo que sempre foi e sempre seria sua prioridade e costumava ser motivo de afastamento com as pessoas com quem se relacionava, o vôlei, era justamente uma das coisas que mais o aproximava de Hinata. O ruivo era tão obcecado quanto Kageyama pelo esporte e este sabia que seus planos de ser jogador profissional e todas as coisas de que precisaria abrir mão para isso jamais fariam Hinata se afastar de si. Ao contrário, ele lhe incentivava e ajudava a melhorar. Não era como se Kageyama estivesse pensando em 10 anos a frente, se se casariam, aonde iriam morar e se teriam filhos, mas gostava de saber que a coisa mais importante para si também era querida pela pessoa de quem gostava.
Porque ainda tinha esse não tão pequeno detalhe. Kageyama gostava de Hinata, desde o início de tudo. Toda a situação tinha ocorrido de maneira inversa do habitual. Se geralmente Kageyama se interessava por alguma menina apenas por atração física ou sexual e depois, a depender, desenvolvia algum carinho por ela, com Hinata tudo havia sido ao contrário. Quando chegaram a se envolver, Kageyama já tinha sentimentos pelo ruivo. Se não fosse assim, sequer estariam aonde estavam no momento, já que o moreno jamais tinha cogitado a possibilidade de se envolver com outro homem. Mas não sabia como Hinata se sentia realmente em relação a si. Era óbvio que ele havia se interessado por Kageyama, ok. Mas até onde iria esse interesse?
Para a agravar a situação, tinha o fato de morarem juntos. Compartilhavam uma rotina que estava cada vez mais próxima de uma rotina de casal, mas nunca tinham definido um status para a relação. Kageyama não tinha parado para pensar muito nisso até ouvir Tanaka se referir a eles como um casal ao chegarem no karaokê. Depois disso, tudo o que sua mente conseguia pensar era a questão:o que nós somos afinal?
Todos se despediram, já madrugada adentro, após uma noite bastante divertida. Asahi e Noya acabaram tendo que carregar um Tanaka extremamente bêbado até um táxi, pois mesmo sendo perto, não conseguiriam levar o careca até o campus a pé. Em certo momento da noite Hinata tinha temido ter que fazer o mesmo com Kageyama. Porém o moreno tinha parado de beber após cantar a última música, tinha comido um pouco e bebido bastante água, de modo que estava bem mais sóbrio no fim da noite. Mas ainda estava um tanto quanto distante.
Quando chegaram ao dormitório, Kageyama foi direto para seu quarto e Hinata o seguiu. Não tinha certeza se o moreno queria que dormissem juntos, mas decidiu que perguntaria o que havia de errado e assim o fez. Kageyama apenas suspirou enquanto se despia, então Hinata continuou:
— Fala comigo, Kags. O que houve? Foi pelo que o Tanaka disse? Olha, eu não falei pra ninguém, se é isso que está te preocupando…
Deixando a calça embolada no chão, Kageyama disse:
— Hinata, o que nós somos?
— Hm?
O moreno tinha feito a pergunta em voz muito baixa, ainda de costas para o outro, e Hinata não tinha certeza se tinha ouvido direito.
— Nós já fomos só colegas de quarto, já fomos amigos, melhores amigos… mas agora não acho que nada disso se encaixe para nos definir. Mas nós também nunca concordamos em ser o que o Tanaka disse, um casal. Então eu estou te perguntando: o que nós somos?
Hinata conseguia sentir a insegurança de Kageyama pelo tom de sua voz e pela maneira como ele deliberadamente não lhe olhava, fingindo mexer em qualquer coisa na cômoda, e perguntou, cauteloso:
— É isso que está te incomodando?
— Não tinha me incomodado até hoje, mas agora… sei lá.
Kageyama parecia frustrado, como se quisesse se explicar e não encontrasse as palavras. Hinata se aproximou e abraçou o corpo do maior com força.
— Bakageyama…
— Não me insulte, Hinata. Você não pode me culpar por perguntar. Eu acho que já está claro como me sinto em relação a você, considerando toda a situação… Mas você…
— Desculpe, eu deveria ter sido mais claro. Deveria ter dito com todas as letras que, mesmo você sendo um idiota, eu me apaixonei por você.
Finalmente Kageyama se virou, seus olhos encontraram os de Shouyou e um sorriso pequeno se formou nos lábios finos ao mesmo tempo em que um rubor tomava conta de sua face.
— Não diga as coisa assim como se não fosse nada.
— Ah, se decide Kageyama! 23:59 você 'tá me perguntando como me sinto, meia noite me vem com essa de "não fala assim".
— Seu idiota, cala a boca.
— Com prazer.
Hinata então puxou o pescoço de Kageyama, fazendo-o se inclinar até sua altura e iniciando um beijo lento e recheado de sentimentos. Quando as bocas enfim se desconectaram, Kageyama voltou a falar.
— Já que você admitiu estar apaixonado por mim e eu até que gosto de você…
— Quem é o idiota agora, hm?
— Ainda é você. Enfim, já que concordamos...
— Concordamos no que?
— Em como nos sentimos ué.
— Ah é? Não ouvi você dizer.
— Ah não, Hinata…
— Eu não sei, agora eu é que não tenho certeza…
— Hinata…
—… porque vai que você só está brincando com meus sentimentos…
— Shouyou!
— … isso seria muito cruel, sabe Kageyama…
— Cala a porra da boca e me deixa te pedir em namoro, seu imbecil!
Se qualquer um perguntasse Kageyama diria sem nem pestanejar que a coisa mais bonita que já havia visto na vida tinha sido o sorriso que Hinata deu neste exato momento. Mas o ruivo não ia perder a oportunidade de conseguir o que queria, se tinha dito com todas as letras, Kageyama teria que dizer também.
— Eu quero muito aceitar, muito mesmo. Mas só posso fazer isso se você me disser por que está me pedindo, sabe… Só pra ter certeza e tal, afinal você às vezes se confunde, né...
— Ah, mas que droga, Shouyou! Porque eu estou apaixonado por você, 'tá legal?! Eu quero ser seu namorado, quero que todo mundo saiba disso, porque adoro estar com você mesmo você sendo esse idiota irritante! Satisfeito?
— Como não estaria, com um namorado assim tão romântico?
Os dois não puderam deixar de rir antes de iniciarem mais um beijo apaixonado, a felicidade transbordando por cada poro de seus seres. Não demorou até que estivessem na cama de Kageyama, Hinata por cima do maior, distribuindo beijos pelo pescoço dele. Kageyama corria suas mãos por dentro da blusa de Hinata, apertando-lhe a cintura com força, o trazendo mais para perto. Shouyou tratou de se livrar logo da peça de roupa, ficando com o tronco nu e apreciando ainda mais o contato das mãos grandes do levantador em sua pele. Já rebolava suavemente sobre o colo do outro e podia sentir a excitação de ambos começar a surgir.
— Hinata… eu quero…
— Hm? Quer o que, Kags?
— Quero… você sabe… Você.
Shouyou parou completamente os movimentos sobre o outro, segurou a face de Kageyama entre suas mãos e lhe olhou diretamente nos olhos:
— Tem certeza? Não é porque agora estamos namorando que eu vou te pressionar, nem nada. Quero que você esteja totalmente à vontade.
— Eu estou à vontade. Na verdade eu já quero faz um tempo, só não sabia como te dizer. Mas se você não quiser…
— 'Tá brincando, né?! Se eu quiser mais vou explodir! Então você tem certeza?
— Tenho.
E para comprovar que falava sério, Kageyama tirou Hinata de seu colo delicadamente e retirou a única peça de roupa que ainda lhe cobria, sua boxer azul escuro, ficando totalmente nu numa situação assim perante o outro pela primeira vez. Hinata observava o corpo do namorado - ainda era engraçado pensar em Kageyama assim, mas era um fato agora - e pensava como tinha sorte.
— Eu… antes de a gente começar eu preciso pegar as coisas no meu quarto, é rapidinho.
Hinata já ia se levantando da cama, mas Tobio o segurou pelo pulso.
— Não precisa. Eu peguei as coisas lá outro dia.
— Pegou?
— Bom, eu disse que já estava pensando nisso né? E a gente estava ficando sempre aqui, então… achei melhor deixar tudo aqui de uma vez.
Kageyama parecia um pouco envergonhado e Hinata tratou de lhe fazer relaxar com beijos em seu pescoço e mordidas suaves no lóbulo de sua orelha, enquanto começava a desabotoar a própria calça.
— Ótima ideia, Tobio. Mas eu ainda vou precisar ir ali pra… você sabe. Não vou demorar.
Kageyama soltou um gemido ao ter seu nome sussurrado por Hinata daquela maneira e depois sentir o menor se afastando de si completamente, indo até o banheiro. Então Tobio entendeu o que ele deveria ter ido fazer lá. Isso meio que respondia sua pergunta sobre as posições que assumiriam.
Hinata foi até o banheiro se preparar se amaldiçoando por não ter feito isso justo hoje. Na maioria das noites fazia tudo que era necessário para que, caso fosse o dia em que Kageyama se sentiria seguro, não precisassem parar nada. Mas hoje, na pressa para saírem, Hinata não fez tudo como deveria. Mas, era melhor parar as coisas antes de começarem do que correr o risco de terem algum acidente e arruinar a experiência, principalmente para Tobio.
Kageyama usou este tempo para buscar o lubrificante e as camisinhas na gaveta da cômoda, deixando tudo sobre a cama e se perguntava se teria mais alguma coisa que deveria fazer. Não podia negar que a espera estava lhe deixando, não menos decidido, mas certamente mais ansioso e menos excitado.
Mas isso começou a mudar instantaneamente quando Hinata retornou ao quarto, já nu e com o olhar cheio de expectativa.
— Tudo bem, Kags?
— Uhum.
Hinata se juntou a Tobio na cama, deitando-se por cima dele, colando os corpos e lhe dando um beijo lento, após o qual Kageyama conseguiu reunir fôlego suficiente para perguntar:
— Eu deveria fazer alguma coisa, você sabe…?
Antes que pudesse completar a frase, porém, Hinata agarrou as duas ereções que se formavam juntas e começou a bombear num ritmo calmo, apenas construindo a excitação, mas de maneira suficiente para roubar as palavras da boca do maior.
— Sim, Kags, você tem que fazer uma coisa: relaxar. Só deixa rolar, tudo bem?
Kageyama concordou com um aceno e um gemido um pouco mais forte ao sentir Hinata impulsionar o quadril em sua direção. Depois de mais alguns movimentos ambos já estavam quentes de tesão e Shouyou passou a distribuir beijos pelo peitoral definido do moreno, diminuindo o ritmo da masturbação. Percebeu que Kageyama arqueou um pouco as costas quando deixou um beijo molhado em seu mamilo, mas não dedicou muito tempo à esta tarefa. Teriam muitos dias para fazerem tudo com calma e descobrirem cada ponto sensível dos corpos um do outro, mas naquela noite a necessidade era grande demais para provocações. Assim, Hinata continuou sua trilha de beijos até chegar à virilha de Kageyama e logo passou a dar atenção ao membro que tinha em sua mão também com a boca.
Assim que colocou a glande na boca, Hinata pôde ouvir Kageyama soltar um palavrão baixo e, encorajado pelo elogio, começou a se dedicar a engolir mais dele. Foi relaxando a garganta e abrindo bem os lábios, levando o membro de Kageyama o mais para dentro da boca que podia. Quando chegou ao seu limite, gemeu do fundo da garganta, o que fez com que o moreno lhe agarrasse os cabelos com força.
— Porra Shouyou, isso é…
Mas Kageyama nunca chegou a encontrar o adjetivo para descrever a sensação, pois logo Hinata iniciou o movimento de vai e vem, pressionando toda a extensão do membro de Kageyama com seus lábios, indo até a ponta onde deixava lambidas generosas, e voltando a engolir o máximo que podia. Alguns minutos depois pôde sentir a coxa de Kageyama sob a palma de sua mão começar a tremer e, antes mesmo que o outro pudesse avisar, Hinata entendeu que ele estava chegando perto do ápice e recuou. Não porque quisesse torturar o moreno, mas porque sabia que os dois queriam ir até o final, então não podiam terminar tão cedo. Como já tinha pensado antes, teriam outras oportunidades para fazerem de várias maneiras.
Tobio puxou Hinata para um beijo voraz, cheio de mordidas e apertos, com os corpos grudados um sobre o outro. E então, agarrou a ereção de Hinata e começou a bombear em um ritmo firme, apertando a ponta suavemente antes de descer e subir a mão. Já tinha feito isso pelo outro algumas vezes a essa altura, e não era nada de complicado, na verdade, mas Hinata sempre parecia um pouco surpreso ao sentir o toque de Tobio em si. Kageyama então decidiu que queria avançar um pouco mais, e se levantou, puxando Hinata até ele estar sentado na beirada da cama.
Shouyou só entendeu o que o outro pretendia quando o viu se ajoelhar entre suas pernas.
— Kags, você não precisa…
— Shh, eu quero.
E com isso Kageyama levou o membro do namorado até sua boca. Isso era uma completa novidade, mas Tobio apenas se concentrou em fazer no outro o que gostava que fizessem em si, sem nunca quebrar o contato visual, para poder avaliar as reações de Hinata. Percebeu que Shouyou sempre arqueava as costas e jogava a cabeça para trás quando era sugado com mais força, então alternava lambidas suaves com chupadas sem aviso, surpreendendo o ruivo e o fazendo gemer de forma cada vez mais aguda. Quando decidiu que gostaria de tentar ver qual seria seu limite ao receber o membro de Shouyou em sua boca, Kageyama foi impedido pelo menor.
— Antes disso, aqui… - Hinata se esticou e pegou o tubo de lubrificante que estava atrás de si, entregando na mão do moreno. - Me prepara logo, por favor.
Kageyama sabia a teoria do que tinha que fazer, mas ainda estava inseguro. E se fizesse besteira e machucasse o outro? Hinata, percebendo a insegurança do maior, perguntou, suavemente:
— Você quer que eu comece, e te mostre como é?
Kageyama ponderou por alguns segundos e depois concordou com uma aceno de cabeça, devolvendo o tubo para Hinata. O ruivo se arrastou de volta para o meio da cama, deitando-se com as costas no colchão e dobrando e separando as pernas enquanto despejava uma boa quantidade do lubrificante em suas mãos. Tinha noção de que Kageyama lhe observava assim, completamente exposto, mas qualquer vergonha que pudesse estar sentindo por sua vulnerabilidade era muito menor do que a excitação que percorria seu corpo com a expectativa do que viria a acontecer. Assim, levou os dedos lambuzados até a própria entrada, espalhando um pouco do lubrificante pelo músculo e brincando um pouco ali, sem forçar a penetração ainda, a fim de relaxar.
Tobio observava e acariciava as coxas de Hinata com carinho. Sempre tinha gostado daquela parte do corpo do ruivo e sentiu um ímpeto de beijá-lo ali. Mesmo sabendo que não conseguiria ver o que o outro fazia por alguns segundos, não passou vontade e se inclinou para deixar um beijo molhado na parte interna da coxa de Hinata. Shouyou aproveitou a sensação boa que percorreu seu corpo com o toque e impulsionou o primeiro dedo para dentro de si, soltando o ar para relaxar.
Kageyama percebeu que a distração tinha surtido algum efeito para Hinata, então levou sua mão ao membro do menor, masturbando-o de maneira lenta e observando ele mover o dedo dentro de si mesmo. Hinata tinha a cabeça jogada para trás, o rosto muito vermelho e os olhos fechados, mas não se interrompia. Logo, inseriu o segundo dedo e ver o buraco rosado se estender com a invasão fez o membro de Tobio pulsar em expectativa e o levantador levou sua mão livre até ele, apertando de leve para obter um pouco de alívio. O moreno percebeu quando Hinata arqueou as costas e segurou sua mão sobre seu membro para que Tobio parasse os movimentos que fazia, concentrando-se apenas no prazer que sentia com os próprios dedos.Ele deve ter encontrado, Tobio pensou. Apenas alguns segundos depois, Hinata, perguntou, ofegante:
— Você quer tentar agora?
Tobio concordou e espalhou o lubrificante em seus dedos. Hinata retirou os próprios dedos de dentro de si e lhe lançou um olhar confiante. O primeiro dedo de Tobio entrou fácil na cavidade já um pouco alargada e Hinata não pareceu se importar com a invasão. O segundo, exigiu um pouco mais de extensão de Hinata e, percebendo isso, Kageyama se inclinou e beijou-lhe a virilha, ajudando-o a relaxar. Logo o ruivo movia o quadril em sua mão e Tobio podia sentir o leve pulsar de sua entrada em torno de seus dedos.
— Pode… mais um… - Hinata disse, entrecortado.
— Tem certeza?
— Uhum.
Então Tobio passou a forçar o terceiro dedo, enquanto deixava beijos no membro de Hinata. Quando conseguiu romper a resistência, esperou que o menor começasse os movimentos, o que não demorou muito.
— Dobre seus… Ah! Aí… bem aí!
Kageyama entendeu que tinha encontrado o ponto de prazer do menor e passou a concentrar seus toques ali. Ver Hinata assim, tão entregue, sem controle, corado, suado, ofegante e saber que eram seus toques que o estavam levando até essa situação estava mexendo com a sanidade de Kageyama.
— Shou...
— Vem… já está bom… vem logo.
Kageyama retirou os dedos de dentro do outro com cuidado. Foi até ele para lhe dar um beijo cheio de desejo, enquanto abria o pacote da camisinha e a deslizava sobre seu pênis, que estava mais duro do que Tobio já se lembrava de ter estado, e vazando pré-gozo, tamanha sua excitação. Encaixou-se entre as pernas de Hinata e posicionou o membro no local correto.
— Eu vou…
— Devagar.
E Tobio iniciou a penetração, sem pressa, saboreando a sensação de alcançar milímetro por milímetro adentro de Hinata. Quando tinha chegado mais ou menos até a metade, Hinata começou a se mover e, não demorou muito, Tobio estava todo dentro. A sensação era… indescritível. O aperto era surreal, nada parecido com o que já tinha sentido antes. Hinata tinha a boca aberta em um "O" e lhe olhava diretamente nos olhos. O ruivo segurou em seus braços e entrelaçou as pernas em suas costas, começando a se mover novamente, dando permissão para que Kageyama também o fizesse. Logo estavam em um ritmo que não era lento, mas também não era acelerado demais, as testas suadas coladas uma a outra e gemidos roucos escapando de suas gargantas.
— Isso é… uau. - foi Tobio quem disse, ofegante.
— Ah... sim…
— Pra você também?
— Você… Ah, aí! - Hinata quase gritou quando Tobio girou os quadris, acertando sua próstata de maneira certeira. Deu um sorriso safado e um olhar divertido ao outro antes de completar. - Você… não faz… ideia.
Tobio gemeu profundamente ao sentir a contração de Hinata em volta de seu membro, mas ainda conseguiu dizer:
— Curioso…
— Quer tentar? - Hinata perguntou. Tobio parou os movimentos, mas Hinata não estava disposto a deixá-lo fazer isso, então o puxou para frente com suas pernas, fazendo com que ambos girassem os olhos pelo contato um pouco mais forte.
— Mas eu não…
— Tudo bem. Só um… ah!... não faz mal. Se você quiser, claro.
— Quero.
Hinata não esperava que Tobio fosse aceitar logo de cara e deve ter demonstrado isso na expressão que fez. Kageyama se impulsionou com firmeza dentro do outro mais uma vez e se inclinou para beijar os lábios entreabertos do menor, antes de dizer, em tom mandão:
— Seja cuidadoso.
— Eu sempre sou.
Hinata então lubrificou os dedos de sua mão direita. Puxou Kageyama mais para frente, para ter mais alcance e rebolou contra ele quando alcançou a entrada do maior, apenas acariciando por fora para que Tobio se acostumasse a ser tocado ali. Ele parecia estar mesmo disposto, pois não estava muito tenso, e Hinata se inflou de um sentimento poderoso ao perceber a confiança do outro em si. Quando finalmente conseguiu impulsionar o dedo para dentro, Kageyama tensionou, parando os movimentos e respirando de maneira ofegante. Hinata usou seu braço livre para o abraçar, arranhar levemente suas costas, e aproveitou para lhe deixar chupões suaves no ombro.
— Relaxa, Tobio. Você está indo muito bem.
As palavras pareceram despertar algo em Kageyama, e ele se movimentou contra o dedo do namorado, surpreso por a sensação não ser nada ruim, apesar de estranha. Logo voltava a arremeter para dentro de Hinata, sentindo ele fazer o mesmo contra si. Hinata conseguiu adentrar um pouco mais e passou a movimentar o dedo dentro do maior, na esperança de que conseguisse alcançar o ponto mágico do outro mesmo na posição um tanto desfavorável. Percebeu que tinha conseguido quando Kageyama lhe deu uma mordida no ombro para abafar o gemido que subiu por sua garganta.
A partir daí o ritmo tornou-se mais intenso e não demorou até que ambos estivessem gemendo sem controle.
— Shou… eu vou…
— Me toca... rápido. - Hinata pediu e Kageyama atendeu.
O maior chegou ao ápice primeiro, gozando com um gemido rouco e mais alto do que todos o que já tinha soltado até então. Sentia seu corpo todo tremer e a visão nublar, mas não deixou de movimentar os quadris ou a mão. Quando Kageyama se recuperou minimamente, Hinata já estava muito perto. Ter visto a expressão de prazer do outro o tinha deixado louco e não precisou de mais do que mais dois toques de Kageyama em si para que se desmanchasse sobre a mão do namorado e seu próprio abdômen:
— Ah.. Sim! TobiOH!
Tobio ainda o tocava, o estimulando até o fim de seu orgasmo e lhe dando um beijo que lhe roubou o resquício de fôlego que tinha. Saiu de dentro de Hinata e lhe acariciou o rosto com a mão limpa. Olhando diretamente nos olhos castanhos, suspirou:
— Você é incrível.
Se não tivesse acabado de gozar Hinata sentia que poderia ter ficado duro instantaneamente ao receber o elogio tão sincero do namorado. Chegou mesmo a se assustar com a extensão do poder de Tobio sobre si. Puxou-o para mais um beijo calmo antes de se levantarem e irem tomar um banho juntos, mais uma primeira vez entre os dois. Se lavaram calmamente e voltaram para a cama, não se importando em se vestirem para dormir.
Quando se conheceram, sabiam de alguma maneira que seriam importantes um para o outro. Só não imaginavam a extensão dos sentimentos que viriam a surgir. Mesmo que fossem confusos em alguns momentos e se irritassem e brigassem pelas coisas mais bobas, sabiam que, desde que estivessem um com o outro, tudo daria certo. Mesmo com todas as barreiras que deveriam quebrar em si mesmos e à sua volta. Faziam um ótimo time e sabiam que poderiam ser um ótimo casal, caso se esforçassem, e estavam dispostos a se esforçar. Assim, dormiram aquela noite, os corpos nus num abraço cheio de significado e de intimidade, sentindo-se invencíveis.
