CAPÍTULO I
Hermione Granger entrou em um dos muitos elevadores do Ministério da Magia, onde trabalhava, ou pelo menos trabalharia, até o final da semana. Alguns pequenos detalhes faltavam ser arrumados para a sua transferência, mas não era nada disso que ela fazia naquele lugar, àquela hora. O expediente de todos já havia terminado, mas ela sabia que Harry Potter ainda se encontrava em sua sala. E se ele se interessasse pelo joguinho de sedução que ela tinha em mente, hoje à noite eles iam finalmente atravessar a famosa linha entre uma simples amizade e algo mais.
Mordendo o lábio inferior, ela começou a brincar com o lenço negro, de seda, que tinha nas mãos. A textura fria e lisa do tecido, ativando seus sentidos. Principalmente quando ela lembrou do que pretendia fazer com a peça. Será que Harry também acharia o pedido erótico dela estimulante e concordaria em ser dela por apenas uma noite? Ou será que ele negaria e a mandaria embora, deixando ela com o desejo latejando em si, sem a satisfazer?
Não tinha como negar que havia surgido uma atração entre eles nesses últimos quatro meses. Eles, às vezes, se encontravam flertando um com o outro, mas ela havia declinado já dois convites dele para jantar. Eles se encontravam casualmente, como amigos, claro. Mas um convite desse tipo soava pra ela muito mais íntimo e ela temia um envolvimento mais sério.
A carreira dela vinha em primeiro lugar. Sempre foi assim e sempre seria. E essa foi à razão dela ter aceitado uma outra oferta de trabalho. Um cargo melhor, mais dinheiro e mais recursos pra ela fazer o que tinha de ser feito. Aos vinte e oito anos, ela via isso como sua forma de independência.
Mas antes de entrar de cabeça nessa nova vida, ela queria pelo menos uma noite com o homem que não a deixava em paz, não saia dos seus pensamentos.
O elevador finalmente parou, e com um sonoro 'ding' as portas se abriram para uma luxuosa área de recepção, quieta e vazia àquela hora. Tirando os saltos, para não fazer barulho, ela os deixou próximos ao elevador, para calçar depois, e caminhou até o escritório de Harry.
As 07h45min, todas as outras salas estavam vazias e escuras, exceto por uma no fim do corredor. Hermione agradeceu pelo hábito do amigo de trabalhar até mais tarde, e ficou feliz em ver que naquela noite não havia sido diferente. Um obstáculo ultrapassado, mas ainda restava um.
Ela parou na porta do escritório dele, o coração acelerado, o lenço firmemente seguro entre os dedos fechados dela. Ele não estava sentado na cadeira dele, mas sim em uma das duas que ficavam a frente da mesa. Ele havia feito uma música suave ecoar pela sala e estava tão concentrado nos papéis a sua frente, que provavelmente não notaria ela se aproximar.
Hermione andou devagar pela sala, admirando a bela vista a sua frente. Os ombros largos, a postura poderosa. Os cabelos pretos completamente bagunçados, pelos quais ele, vez ou outra, passava os dedos. A camisa estava enrolada nas mangas, exibindo um bíceps que fez Hermione salivar. Uma das mãos estava sobre a mesa, os dedos tamborilando. Hermione adorava as mãos dele, eram grandes e masculinas, com dedos longos. Simplesmente combinava com ele no todo, e sem dúvida eram capaz de fazer o corpo de uma mulher responder como ele bem quisesse.
Ela tremeu em antecipação, até uma pontada de insegurança surgir. Ela era confiante no trabalho, sabia ser agressiva quando precisava. Mas ela estaria mentindo se dissesse que não estava nenhum pouco nervosa sobre seqüestrar Harry para um noite de prazer. Antes que pudesse mudar de idéia, ela andou até ele e passou o lenço sobre os olhos dele, amarrando atrás, se certificando de que ele não veria nada.
O corpo dele se retesou imediatamente e ele colocou a mão sobre o material que cobria seus olhos, "Mas que diabos?"
A mão dela segurou o pulso dele antes que ele pudesse se livrar do lenço.
"Não tira." A voz dela eriçando os cabelos da nuca dele.
Ouvindo o comando suave na voz dela, ele baixou a mão. "Hermione?" O baixo tom de voz apresentava surpresa e incredulidade.
Ele não soava zangado, o que ela tomou como um ponto positivo. "Sim, sou eu," ela disse, e ajeitou o lenço certificando-se de que ele não conseguiria ver nada.
Harry relaxou e virou-se, o lenço no lugar, a confiança nela completamente automática e incondicional. "Pensei que você já tivesse ido embora."
Ela podia ter coberto aqueles olhos verdes sedutores que sempre a puxavam pra ele, mas agora a boca dele estava em destaque... A curva sensual dos lábios dele pedia pra que ela passasse a língua sobre eles.
Respirando fundo, ela resolveu dizer a que veio antes que perdesse a coragem. "Eu voltei pra cuidar de alguns assuntos inacabados."
Ele ergueu uma sobrancelha e ela pode ver por sobre o lenço, "Comigo?"
O tom dele era incrédulo, considerando o longo tempo que havia algo mais entre eles e eles nunca haviam feito nada. "Sim, com você. Eu estava esperando que nós pudéssemos fazer algo sobre essa atração que surgiu entre a gente." Ela rodeou o corpo dele, encostando-se nele, o tentando e atiçando. "Isso é, se você estiver interessado em aceitar um convite."
"Querida, nem ouvi ainda, mas já estou animado." Ele deu um sorrisinho safado. "Você não sabe que o simples som da sua voz já é o bastante pra me animar?"
Hermione enrubesceu com o que ele disse, baixando o olhar rapidamente para a calça dele, ela entendeu o que ele dizia. Ele estava visivelmente excitado e aquilo fez com que ela sentisse o mesmo, só em imaginar que realizaria suas fantasias com ele.
Harry se encostou na mesa e cruzou os braços. "Então, por que o lenço?" ele perguntou, paciente, mas curioso.
Ela havia passado horas tentando formar uma resposta instigante, que o excitaria, mas ao mesmo tempo protegeria o coração e as emoções dela. "Ele torna a noite de hoje mais aventurosa e excitante e me permite ficar mais desinibida."
Tudo verdade. Assim como o fato de que ele não seria capaz de olhar nos olhos dela, ver suas expressões e perceber que ao longo desses meses ela vem sentindo algo mais por ele, fora a atração. Hermione não podia permitir que esse tipo de emoção a distraísse. Não com tantos planos pela frente. "Eu lhe dou permissão pra fazer o que quiser comigo, pedir o que desejar. Qualquer coisa. E vice-versa."
A respiração dele ficou mais pesada, um sinal de que ela definitivamente o havia intrigado. "Uma fantasia finalmente se realizando."
Ela sorriu, ele era a fantasia dela também. "Tem uma condição com a qual você tem que concordar antes de prosseguirmos. Você fica vendado... o tempo todo. Você pode usar sua imaginação, claro. Pense em como seus outros sentidos serão favorecidos com a sua visão obstruída." Acabando com a distância entre os dois, Hermione se aproximou e colocou as mãos sobre o peito dele, sentindo os mamilos dele rijos, assim como os seus próprios. "Eu serei os seus olhos por essa noite."
"Mmmm... eu gostei disso," ele murmurou.
"Então o que me diz, Harry?" ela passou os lábios pelo pescoço dele até a orelha, onde ela sussurrou roucamente, "Você está disposto a ser meu por essa noite?"
N.A. - E então?? Serááá que ele vai aceitar? O segundo capítulo já está pela metade, então até próxima semana ele deve estar por aqui, não que seja grande, mas eu to fazendo outras coisas, então não to dando a devida atenção a ele. Brigadinha a sis' por ter betado esse também... e obrigada pelos comentários!!
