Finalmente eu consegui colocar esse capítulo aqui. Peço desculpas a todo mundo que está acompanhando pela demora, mas infelizmente, tive muitas provas, trabalhos e pouquíssimo tempo nesses últimos dias.
Quero agradecer imensamente à Amy Lupin, Dana Norram, Calíope Amphora, Clarita Black, Harumi Chan e a Mari pelos reviews. Obrigado também pelas dicas e o incentivo.
Esse texto foi betado e parcialmente digitado pela minha amiga Mariella. (Ela exigiu levar os créditos!)
Por sugestão de pessoas muito mais experientes que eu no assunto, vão alguns dados da fic:
A fic se passa durante o quinto ano de Harry e as situações e personagens, ora vão estar coerentes com os livros, ora não vão ter absolutamente nada a ver. Há spoilers dos priemiros cinco livros.
Resolvi mudar o "fiction rated" pois mais pra frente pode haver alguma situação em que eu vá precisar ser um pouco mais "lemmon". Então achei melhor mudar agora do que deixar pra fazer isso em cima da hora.
Os personagens não são meus. São da tia J.K. Rowling. Portanto não preciso nem dizer que não faço isso com fins lucrativos, o.k.?
Ahhhh... e antes de tirar qualquer conclusão quanto a minha sanidade mental ao descrever algumas atitudes do Draco, leiam, até o final, o.k.?
Everything is gonna change
Capítulo 1
Uma Aula de Poções Bastante Diferente
Na manhã seguinte, Harry e Rony desceram juntos para o Salão Principal, famintos e ansiosos pelo desjejum. Quando chegaram à mesa da Grifinória, encontraram Hermione, como sempre, carregando uma mochila cheia de livros, já que ela fazia mais matérias que os dois garotos. Ela conversava animadamente com Lilá Brown quando os dois se aproximaram.
- Bom dia, Mione! – disse Harry.
- Bom dia, Harry. Bom dia, Ron. - Rony respondeu com a boca entupida de torta de chocolate. – Lilá estava me contando um dos acontecimentos mais estranhos desse trimestre.
- Não me diga que a Trelawney fez uma previsão verdadeira – debochou Harry.
- Não, não. Vocês não estão sentindo a falta de ninguém ultimamente?
- Não – responderam Harry e Rony juntos – Quem?
- Ah, qual é gente? Eles são grandes o bastante – ela abaixou o tom de voz – Não perceberam que Malfoy tem andado sozinho ultimamente? – Harry e Rony a olhavam agora com uma expressão de completo desentendimento – Crabbe e Goyle! Saíram de Hogwarts! Parece que os pais deles acharam melhor sumir da Inglaterra por um tempo e carregaram os dois. Ninguém sabe pra onde, nem o motivo.
- Eu não posso acreditar nos meus ouvidos. Crabbe e Goyle fora de Hogwarts? Isso é bom demais para ser verdade!
- Calma aí, Ron, isso não é tão bom assim!
- Ah, Hermione, não me diga que você está preocupada com o futuro escolar deles? – perguntou Harry.
- Não, não é isso, Vocês não percebem?
- Perceber o quê? Será que você nunca consegue expor uma idéia sem antes fazer um suspense de meia hora? – retorquiu Rony.
- Voldemort! Ah, Rony, poupe-me. Se os Crabbe e os Goyle resolveram fugir é porque talvez estivessem com medo dele. Ou trabalhando para ele.
- Talvez. A idéia faz sentido. Eles poderiam estar em algum tipo de missão distante. Mas, nesse caso, porque levariam os filhos junto? Eles poderiam ter ficado aqui em Hogwarts e ninguém acharia estranho... – ponderou Rony.
- E você, Harry? O que você acha?
Harry se virou para Hermione que o despertara de seus devaneios. – O que? – perguntou sob os olhares de Ron e Hermione devido a sua súbita distração.
- Voldemort? Crabbe? Goyle? O que você acha? O que está acontecendo contigo, afinal?
- Arrrr, nada. Não houve nada.
Harry estivera absorto, pensando no porquê de Malfoy ter querido ter aquela conversa ontem e lhe parecia agora que, sem querer, Hermione acabara de responder.
- É melhor nós irmos ou vamos nos atrasar para Poções, e isso, definitivamente, não é legal. – lembrou-lhes Hermione.
- É, tem razão. – Eles concordaram e se dirigiram às masmorras.
XXXXX
As masmorras estavam geladas como sempre. Snape estava sentado no fundo da sala, atrás das mesas com os caldeirões. No rosto, a mesma expressão crispada de sempre. Assim que os alunos se acomodaram, ele começou:
- Aviso a todos, pela primeira e última vez, que os N.O.M.s se aproximam e que a poção a ser estudada hoje, que eu duvido que um quarto dessa turma vai conseguir preparar, possivelmente será cobrada. Vocês terão cinquenta minutos para terminá-la. Devo lembrá-los que, embora essa poção tenha um preparo rápido, sua confecção exige sutileza e precisão quanto à quantidade exata dos ingredientes a serem utilizados. E, conhecendo a destreza de alguns aqui presentes, considero quase impossível que essa Poção Suturadora feche sequer um arranhão. – e ao dizer isso, Snape fixou os olhos em Neville, que estremeceu como um graveto ao vento.
Harry e Rony estavam dividindo o mesmo caldeirão. Ao lado, fazendo sua poção sozinho, estava Malfoy. Enquanto Rony saiu para buscar alguns ingredientes no fundo da sala, Harry se aproximou da mesa do sonserino.
- Resolveu dar uma de arrependido agora que não tem mais Crabbe e Goyle pra te proteger, não é, Malfoy?
Malfoy apenas olhou para Harry com uma suave arqueada de sobrancelha e nada respondeu.
- Estão aqui as raspas de chifre de unicórnio e as raízes que você pediu – Rony tinha acabado de retornar com os ingredientes que fora buscar.
Aos quarenta minutos de preparo, uma fumaça prateada deveria estar se desprendendo da poção. A de Harry e Rony soltava uns espirais com uma coloração bem aproximada disso. Ninguém parecia perceber, nem mesmo Snape, que o caldeirão de Neville exala uma fumaça com coloração entre rosa e púrpura.
Faltando apenas dois minutos para o final da aula, Snape se levantou. Com um ar de satisfação, dirigiu-se diretamente ao caldeirão de Neville.
- Veremos qual veneno Longbottom nos preparou para hoje. – e, se aproximando do caldeirão mais ainda, soltou uma espécie de grunhido, uma mistura de surpresa e soberba. – Vejo que você conseguiu pelo menos uma vez fazer uma poção que não seja uma arma letal. E dirigiu-se ao caldeirão ao lado, o de Malfoy. Agora, era o caldeirão dele que exalava uma fumaça rosada. Snape nem ao menos se deu ao trabalho de comentar o fracasso de seu aluno favorito. Apontou a varinha para a poção e disse "Evanesco" e ela desapareceu.
Nem todos pareciam perceber o que havia acontecido. Snape não fez nenhum alarde ao fazer desaparecer a poção de Malfoy. Harry observava atentamente a cena e podia jurar, incrédulo, que viu Malfoy esboçar um sorriso para Neville pouco antes de sair das masmorras.
Harry estava tão estupefato, absorto com as conclusões e pensamentos que lhe afloravam a mente que não ouviu Hermione chamá-lo.
- Harry, espere, Harry! – ela se aproximava agora – Você está estranho. Meio deslexo, desde ontem. Está acontecendo algo que você queira me contar?
- Não, Mione. Está tudo bem. Estou preocupado com os exames. – Harry mentiu. Até agora optara por omitir dos seus amigos suas desconfianças pelas estranhas mudanças de Malfoy, temendo que eles achassem que ele tinha endoidado de vez.
- Harry, conheço você há cinco anos. Sei que você está mentindo. Quando estiver se sentindo à vontade, me procura, ok? – e saiu em direção ao Hall de entrada.
O restante das aulas do dia seguiram bem rotineiramente. Harry continuava pensando sobre o estranho episódio nas masmorras. Começava também – muito a contragosto – a admitir a possibilidade de Malfoy estar dizendo a verdade. Por que ele se arriscaria a ser humilhado por Snape, seu professor preferido? E além de tudo, para salvar a pele de Longbottom?
À noite, Harry estava sentado com Rony e Hermione terminando o desenho de um mapa astronômico com o movimento dos satélites de Júpiter. Quando viu Neville passar, levantou-se sem dizer nada e foi atrás do garoto.
- Neville, tem um minuto? Posso falar com você?
- Claro, Harry!
- Não aqui. Me espere no dormitório enquanto eu aviso ao Rony e Mione que não demoro.
Cinco minutos depois, Harry entrava no quarto. Neville estava desdobrando o pijama. Vestiu-se sentou na cama, fitando Harry.
- Então Harry, o que você quer falar comigo? Alguma coisa errada?
- O que houve hoje na aula de poções?
- Do que você está falando? O que houve foi que finalmente eu consegui fazer uma poção decente. Você viu a cara do Snape?
- Estou falando do Malfoy, Neville. Eu sei que sua poção não estava correta e a dele sim. E de repente tudo estava trocado.
Neville ficou em silêncio durante alguns segundos e, sem olhar para Harry, disse:
- Não posso falar sobre isso. Não sei do que você está falando. Eu fiz uma poção decente e o Malfoy não. E foi só isso!
- Você está mentindo! Não foi isso que eu vi.
- Eu não posso falar sobre isso. Ele pediu...
- Pediu? Como assim "ele pediu"?
- Merda! – Neville percebeu que falara demais – Harry, Malfoy viu meu desespero e não sei por que diabos trocou o conteúdo de nossos caldeirões com um aceno da varinha e um feitiço chamado permutus.
- Mas ele não falou nada? Simplesmente trocou o conteúdo sem pedir nada em troca? – Harry se aproximou mais de Neville – Neville, isso não faz o menor sentido! Por que Malfoy faria isso? Ele sempre zombou de você. Lembra quando ele roubou seu lembrol no primeiro ano? Ele zomba de você desde a primeira vez em que te viu!
- Harry, eu também não tenho a menor idéia do que se passou na cabeça dele, mas eu estava desesperado, não tinha como rejeitar a ajuda dele. Você sabe o quanto eu odeio o Snape, mas ver a cara dele quando viu minha poção foi uma das melhores coisas que já me aconteceram em Hogwarts – Neville falava isso com um tom de contentamento na voz.
- Eu entendo que você tenha aceitado a ajuda dele, não é esse o problema. Mas que é estranho, é estranho! Tem certeza que ele não pediu nada em troca?
- Não, definitivamente ele não pediu.
- Bom, era isso. É melhor eu voltar logo pra sala comunal, senão Rony e Hermione vão me encher de perguntas.
Harry se levantou e caminhou em direção à porta.
Neville o interpelou:
- Harry, não conte a ninguém, O.K.? Não quero perder o mérito por aquela poção.
- Não se preocupe, não vou contar.
- Valeu.
Harry voltou para a sala comunal e disse que estava parabenizando Neville pelo bom desempenho que teve na aula de Poções. Harry percebeu que os dois amigos pareciam não acreditar. Entreolharam-se, mas nada perguntaram.
Harry não conseguiu continuar seu mapeamento do movimento dos satélites por muito mais tempo. O seu pensamento estava em outro lugar. Aprendera a nutrir aversão por Malfoy, e tinha mil motivos para isso. O garoto simplesmente era intragável. Essas atitudes, primeiro aquela conversa insólita que parecia, por mais que Harry não quisesse acreditar, com um pedido indireto de desculpas, e agora, para piorar, Malfoy arriscara sua reputação para salvar a pele de um grifinório, ainda por cima de Neville Longbottom.
Definitivamente, havia algo errado nessa história. Era mais fácil conceber a idéia de Snape distribuindo varinhas de alcaçuz durante sua aula do que Malfoy ajudando Neville. Mas, por Deus, foi exatamente o que aconteceu. Esse não podia ser Draco Malfoy. Não o Malfoy que Harry conhecia. Não o Malfoy que todos conheciam...
Mas, e se por algum motivo desconhecido, Malfoy estivesse, de fato, sendo sincero? Essa idéia era tão estranha para Harry, que começava a lhe doer a nuca. E se Malfoy estivesse regenerado? Harry estava disposto a aceitar as desculpas do sonserino? Involuntariamente veio uma imagem de Malfoy com auréolas e asinhas, rodeado por grifinórios contemplando-o.
Por Merlin, isso era ridículo!
Harry espantou a imagem grotesca da mente e concluiu que enlouquecera.
- Harry, está tudo bem?
- Ãhn?
Harry não percebera que o pergaminho em que estava fazendo anotações escorregara para o chão e ele já tinha escrito três linhas de um texto completamente desconexo no tampo da mesa.
- Perguntei se você está bem – disse Hermione – você estava começando a babar em cima da mesa.
- Sono.
- Ah... Então por que você não sobe e vai dormir?
- Boa idéia. Posso terminar esse resumo amanhã – respondeu o garoto.
Harry guardou o material e subiu. Um fiasco de idéia começando a brotar na mente.
XXXXXXXX
Pansy entrou no quarto e encontrou Draco dormindo. Sentou-se na cama e se inclinou sobre o corpo adormecido do loiro. Começou a afagá-lo nos cabelos. Uma expressão de profunda tristeza nos olhos.
- Pansy! Que horas são? – Draco murmurou sonolento.
- Quase dez.
- Estava exausto... As aulas de hoje foram terríveis, não foram?
- É, foram.
- Merda, você viu meu maço de... – Draco parou de procurar o maço de cigarros sobre a mesa da cabeceira e fitou Pansy. Ela parecia à beira das lágrimas – O que houve? Meu Deus, por que você está com essa cara?
- Acabei de receber uma coruja. Preferia que ela tivesse morrido no caminho.
Pansy puxou um travesseiro, colocou-o no colo e apoiou os cotovelos sobre ele.
- Ela confirmou a decisão dos seus pais? A decisão que nós temíamos?
- Meu pai perdeu a empresa dele. Falência total. Eles dizem que não há possibilidades de se manter aqui. Querem reabrir a livraria na Romênia. Essa é minha ultima semana em Hogwarts.
- Você não pode ceder a isso. Seus pais são ricos, são puro-sangue. Podem permanecer aqui, eles têm influência pra isso. Meu pai tem, ele pode ajudar!
- Draco, acho que não é só a falência da editora do meu pai o motivo. Eu andei pensando e, depois de ouvir algumas conversas deles... Enfim, eu acho que meu pai fez algo de muito grave, talvez até mesmo um assassinato. Eu acho que eles estão fugindo. Senão, eles poderiam ir e me deixar aqui durante as aulas. Eles quase me mataram quando eu disse que não ia. Acho que não há opções.
- Eu não sei o que dizer. Isso não pode estar acontecendo.
- Mas está.
- Primeiro Crabble e Goyle, agora você. O que mais eu vou perder aqui?
- A gente ainda vai poder se ver nas férias. Vou pedir aos meus pais para me deixarem vir aqui pelo menos uma vez a cada trimestre. – Pansy falou com um ar de quem estava apenas pensando em voz alta.
Draco não disse nada. Deu uma longa tragada no cigarro e ficou brincando com a fumaça. Pansy apagou o cigarro e enfiou o rosto entre as mãos.
Draco se levantou e abraçou-a. Puxou as mãos dela e a segurou nos ombros. Eles se olharam por alguns instanes: ele com seus olhos azuis acinzentados; ela com os olhos vermelhos por causa do choro. Então, ele a beijou...
XXXXXXX
Rony já estava dormindo fazia algum tempo. Harry estava sentado próximo à janela, acariciando Edwiges para assim evitar que ela saísse para caçar. Ele iria precisar dela.
Esperou até que Rony estivesse totalmente adormecido (agora o amigo, em coro com Neville, roncava sonoramente) e escreveu em um pequeno pedaço de pergaminho: "Se ainda quiser ter sua conversa, me encontre meia-noite no corredor do segundo andar. Harry Potter.".
Potter sabia que essa atitude era completamente insana, mas de qualquer forma, mais insano ainda seria entrar num covil de sonserinos e chamar Malfoy para uma conversa.
Ele não se agüentava mais de curiosidade. Além disso, tentando se proibir de considerar a hipótese de Malfoy estar dizendo a verdade, Harry se inclinava mais para a possibilidade de Malfoy estar tramando algo e, nesse caso, precisava descobrir o que era, de qualquer forma.
Harry levantou, abriu sua mala e apanhou a capa de invisibilidade. Enfiou a varinha no cós do jeans amarrotado que vestiu e começou a se preparar para o que talvez fosse uma das conversas mais absurdas que já tivera na vida.
XXXXXXXX
Draco estava deitado pensativo na sua cama de mogno preto. Pansy já havia ido embora. Estava completamente absorto em seus pensamentos. Crabbe e Goyle, seus companheiros de dormitório, se foram. Agora Pansy também estava indo.
É fato que Crabbe e Goyle nunca foram excelentes companhias. Draco muitas vezes se perguntava se eles tinham cérebro. Mas, durante todos esses anos, o porte físico dos garotos, somado exatamente a aparente ausência de cérebro deles, tinha sido uma vantagem de Draco sobre Harry. E por mais estranho que fosse, depois de cinco anos de convivência, Draco aprendera a gostar deles de verdade. Agora que estava começando a se acostumar a não tê-los por perto, Pansy anunciara que também estava indo embora.
A relação deles era, obviamente, diferente da que ele mantinha com Crabbe e Goyle. Pansy tinha uma capacidade bem maior que a dos dois meninos e tinha uma beleza "diferente", meio bruta, maléfica até. Eles chegaram até mesmo a sair juntos algumas vezes o que acabou conduzindo para uma "primeira vez" de ambos. A união da inexperiência deles fez com que tudo parecesse uma porcaria, mas com o tempo, eles acabaram melhorando bastante. Nunca chegou a ser algo inesquecível ou esplêndido e ele também nunca chegou a sentir por ela mais do que afeição, mas de qualquer forma, não queria que ela partisse. Ele tinha inimigos demais em Hogwarts devido a sua antipatia por Potter e ficar completamente sozinho não era uma perspectiva muito agradável.
Essa conversa com Potter estava começando a se tornar urgente.
A idéia de diminuir sua inimizade com Potter há algum tempo já estava rondando sua mente. Por mais que parecesse uma tortura ter que admitir, manter inimizade declarada com Harry Potter não era uma vantagem. E agora, sem a presença de Crabbe, Goyle e Pansy, sem dúvida, era mais inteligente tornar-se pelo menos neutro quanto ao grifinório. Ele não pretendia nem de longe tornar-se amigo do Santo Pottinho, apenas manter-se quieto e deixar claro que mudara seu ponto de vista. Até porque, se aproximar demais de Potter, além de ser higienicamente reprovável na sua opinião, poderia lhe causar problemas com sua família. Ele achava muito pouco cogitável que com toda aquela maldita bondade e mania de certinho de Potter ele fosse tentar fazer algo contra ele. O problema é que o menino era uma espécie de ídolo dos grifinórios e de muitos lufa-lufas e corvinais também. Odiar Harry Potter assumidamente, significava ser odiado por dois terços de Hogwarts em retorno.
Foi pensando nisso, mesmo antes de saber que Pansy iria embora de Hogwarts, que ele decidira tentar um diálogo com Harry. Precisou se segurar ao extremo para simplesmente não avançar no garoto ou lançar-lhe um feitiço. Será que Potter precisava ter sido tão arredio? Cadê o diabo do garoto compreensivo e bonzinho que ele era com todo mundo! Bem, de qualquer forma, não foi tão fácil quanto ele esperava. Decidiu fazer uma loucura durante a aula de Poções para provar ao moreno que era quase um anjo agora. Afinal, um gesto vale mais que mil palavras. Mas até agora pelo menos, nem sinal de que Potter pretendia conversar com ele.
Draco foi despertado de suas divagações por um forte baque em sua janela. Passado o susto, virou-se para ver o que era. Uma grande e alva coruja estava encarrapitada do lado de fora. A ave parecia irritadíssima quando ele abriu a janela e pegou o pequeno pedaço de pergaminho preso à sua pata esquerda. Afinal, não devia ter sido nada fácil encontrar as masmorras.
Quando abriu o pergaminho, precisou lê-lo três vezes e fazer força para não deixar o queixo cair. "Que patético!" - pensou Draco - "Potter não pode estar achando que eu vou me aventurar pelos corredores a essa hora e me arriscar a uma detenção. Será que não bastou ser o bom samaritano com Longbottom?". Então ele compreendeu. "Claro que ele está achando. Afinal, ele me viu arriscando o pescoço na aula do Snape."
Draco considerou as opções: se fosse ao encontro de Potter poderia ganhar uma detenção. Mas, se não encontrasse ninguém pelo caminho, ele convenceria o grifinório de sua honestidade e poderia passar a simplesmente ignorá-lo pelo resto de sua inexistência, limitando-se a dizer um olá uma vez ou outra. Valia a pena o risco?
O sonserino parou e ponderou. Eram 23:53h. O segundo andar nem era tão longe assim.
XXXXXXXX
Harry estava sentado atento aos ruídos que vinham da cama de Rony. Queria se certificar que o amigo estava de fato dormindo. Certamente Rony acharia que Harry enlouquecera se soubesse que ele sairia tão tarde da torre da Grifinória. Ainda mais para encontrar Draco Malfoy. depois de um ronco particularmente elevado vindo da cama de Ron, ele se levantou. Eram 23:50h.
Harry apanhou sua capa da invisibilidade e colocou-a embaixo do braço. Pegou a varinha e foi em direção à sala comunal. desceu as escadas que levavam até o aposento e passou voando pelo salão às escuras. Já estava se dirigindo ao retrato da mulher gorda quando uma voz o fez parar.
- Aonde você vai a essa hora, Harry?
Harry quase pulou de susto. Havia passado tão rápido que não percebera a presença de ninguém. Hermione sentada à última mesa, próxima a janela, voltou a perguntar.
- Aonde você estava indo, Harry? Que acontecimento tão sério faria você se arriscar pelos corredores essa hora, posso saber?
Harry se xingou por não ter colocado a capa da invisibilidade antes.
- Eu...eu estava...eu, é... mas que diabos você está fazendo aqui a essa hora, Hermione?
- Resolvi estudar um pouco mais e acabei pegando no sono. Mas é muito difícil ter sono pesado sentada em uma cadeira. Acordei com os seus passos.
- Quem está aí? Ué, o que vocês estão fazendo aqui? - Rony tinha acabado de entrar na sala - Acordei e não vi o Harry, desci para ver se ele estava aqui. Está acontecendo alguma coisa?
- Gente, agora não dá pra explicar, eu preciso sair, depois eu exp...
- Você não vai sair por aí assim sem dizer o porquê, cara, pode ser perigoso, você sabe. - disse Ron.
- Também acho, se você for pego, Umbridge vai querer te matar. É melhor não dar mais motivos a ela.
Relutante, Harry se deu por vencido e sentou. Começou então a explicar o motivo de sua tentativa de saída no meio da noite.
XXXXXXXX
Draco vestiu-se e se sentou na cama em último momento de hesitação. A idéia de ser pego fora da cama por alguém não era nada agradável. Levantou-se e saiu do quarto.
Draco passou pela sala comunal vazia da Sonserina e saiu para os corredores. Desertos. Pelo menos era o que parecia. "Bem, é só um lance de escadas até o segundo andar, não é tão longe assim". Começou a fazer divagações se Harry teria marcado ali de propósito. Começou a subir as escadas para o segundo andar. No topo da escadaria, virou-se para verificar se havia mais alguém ali além dele. Quando virou-se para frente novamente, chocou-se com algo bem sólido à sua frente. Havia mais alguém ali além dele.
A voz da Professora Minerva foi cortante.
- Posso saber que motivo tão sério fez com que o Senhor saísse a essa hora pelos corredores, Senhor Malfoy?
- Professora Minerva! – Malfoy mal podia acreditar na sua falta de sorte. – Eu estava indo à sessão reservada da biblioteca. – Não cogitou a hipótese de dizer a verdade o que talvez pudesse ter sido mais sensato que essa justificativa horrível.
- Então, além de perambular pelos corredores da escola depois do horário devo concluir que o senhor se dirigia à biblioteca para ler secretamente livros que só podem ser lidos sob as ordens de um professor? Isso significa que intencionava cometer dupla falta, Senhor Malfoy? – Os olhos da professora estavam focados diretamente nos seus e isso não ajudava nem um pouco a tentar achar uma resposta decente.
- Desculpe, Professora. Não tive um bom resultado no preparo de uma poção hoje. Achei que se eu aprendesse a fazer alguma mais complexa eu conseguiria me redimir com o Professor Snape.
- Nesse caso, estou certa que poderá fazer isso nos horários vagos entre as aulas, durante o dia, Senhor Malfoy. Dez pontos serão retirados da sua casa devido a sua falta. E agradeça por eu não lhe aplicar uma detenção. Volte aos seus aposentos imediatamente. – A professora desceu as escadas deixando para trás um Malfoy roxo de raiva e arrependimento por ter saído das masmorras.
XXXXXXXXX
- Então, Draco Malfoy está regenerado e arriscando o próprio pescoço para poupar Neville de uma humilhação? Eu devo estar sonhando... – Hermione não conseguia digerir a afirmação que acabara de ouvir.
- Talvez esteja querendo se fingir de arrependido, já que está com medo agora que não tem aqueles dois trogloditas para protegê-lo. – Rony acrescentou.
- Foi exatamente o que eu pensei ontem pela manhã quando soube que eles haviam saído da escola. – Harry concordou.
- Mas Malfoy sabe que jamais machucaríamos ele. É estranho ele se sujar assim com o professor preferido dele apenas por medo de nós. Sem dúvidas, Snape mete muito mais medo do que nós três juntos. – Hermione levantou a questão a que Rony respondeu.
- Acho muito pouco provável que essa mudança seja verdadeira. Por que ele mudaria assim de repente? Estou meio confuso, sei lá.
- Ora, vamos , Rony, Percy é um Weasley e de uns tempos para cá, está agindo como...
- Um demente – completou Rony
- É. – continuou Hermione. – Então, se considerarmos o contrário, Draco poderia estar diferente do resto da família assim como Percy. Ele poderia estar tentando ser uma pessoa...
- Decente. – Harry voltou a conversa. – Era o que eu pretendia descobrir. E talvez tivesse descoberto, se vocês não tivessem me obrigado a ficar e explicar.
- Ah, Harry, por favor. Você estava agindo como a Luna Lovegood e ainda queria fugir no meio da noite para ficar andando por aí e achou que a gente não iria se preocupar. – Hermione explicou, mas havia em seu tom de voz uma pontadinha de remorso por também não saber quais as reais intenções de Malfoy.
- Além do mais você poderia ser visto. – Aquela frase coerente vinda de Rony fez com que Hermione se surpreendesse, mas ela manteve silêncio.
- Tem outra coisa sem ser explicada. Por que não nos contou isso desde a primeira vez que Malfoy tentou conversar com você? – Hermione agora fizera uma pergunta que Harry ainda não tinha uma resposta formulada.
- Bem, não sei exatamente. Acho que vocês iriam achar que eu sou louco de ficar por aí dizendo que o Malfoy virou gente da noite pro dia e que eu sairia no meio da noite para me certificar.
- Não teríamos duvidado de você. – Responderam os dois em coro
- Bem, gente, estou cansado e já que não vamos descobrir nada agora mesmo, acho que já vou indo. – Harry se levantou, cumprimentou os amigos e foi para o dormitório. Ron o seguiu logo depois.
Quando Harry deitou em sua cama e viu Edwiges empoleirada no parapeito da janela, outra pergunta passou a inquietá-lo: o que Malfoy estaria pensando agora que se arriscou a sair pelo castelo e ninguém foi ao local marcado? Talvez ele tivesse irritado Malfoy a ponto dele desistir de seu súbito período como ser humano e voltasse a ser o arrogante de outrora. Nesse caso, Harry jamais saberia se ao menos por um instante, Malfoy estava sendo sincero.
Harry não sabia, entretanto, que Malfoy também não conseguiu chegar ao local marcado. O sonserino entrou no dormitório bufando e se xingando por ter cometido um dos erros mais idiotas de sua magnífica existência. "Imagina, num espaço de dois dias se humilhar por uma conversa, se arruinar em Poções e ainda quase ser detido, e tudo isso por quem? Harry Potter? Ahhh não, isso já foi longe demais, pra mim basta" pensou consigo mesmo. "Eu desisto. Prefiro ser ameaçado de morte pelo próprio Merlim do que continuar com essa loucura. Draco se trocou e voltou a sua cama, de onde tinha certeza que não deveria ter saído.
O que Malfoy não sabia era que em breve, muito em breve, ele teria mais coisas em comum com Harry Potter do que jamais pensara em ter.
