Capítulo Um.
O Pior Dos Domingos.
Eu senti a luz quente do sol bater contra a minha pele e abri meus olhos. Antes que desse por mim, as cortinas já estavam sendo abertas e minha coberta quentinha já havia sido tirada de mim. Entreabri um dos olhos, enquanto esfregava o outro, sonolenta. Pude ver a figura da minha mãe ao pé da cama, com a minha coberta nas mãos, dobrando-a.
- Mãe? – Chamei. Ela não respondeu. – Mãe. – Falei com clareza. Ela me olhou e sorriu carinhosamente. Esse sorriso dela não me engana, nunca enganou. – Meu último final de semana de férias, o que você está fazendo com ele?
- Fazendo você aproveitá-lo. – Ela falou de modo pratico, enquanto ajeitava a coberta no pé da cama. – Nós vamos ao parque, eu e o seu pai. – Eu tornei a me deitar, enquanto desajeitava a coberta com os pés e cobria minha cabeça com o travesseiro.
- Divirtam-se. – Falei enquanto puxava a coberta. Estava obtendo sucesso, a coberta já estava nas minhas coxas, que minha mãe começou a puxá-la de volta. Oh Saco.
- Você vai conosco, Sakura. – Ela falou antes de dar mais um puxão na minha coberta. Eu bufei. – Você não vai perder seu último final de semana de férias enfiada dentro deste quarto, vai?
- Vou. – Respondi enquanto puxava a coberta. Ela bufou e abandonou a coberta. Começou a me puxar pelos pés. Inútil. Levei minhas mãos até os ferros da cabeceira da cama e me segurei lá, enquanto ela me puxava.
- Sakura, não é tão difícil assim. – Ela começou, eu suspirei.
- Por favor. – Pedi. – Me deixa dormir até tarde e comer besteiras o dia inteiro, é o que eu mais quero fazer. – Ela me soltou e eu me ajeitei na cama de imediato. Ela suspirou, parecendo estar impotente.
- O que eu faço com você? – Me perguntou. Eu descobri a cabeça e a fitei.
- Me ame, me alimente e me deixe dormir. Divirta-se com papai, eu ficarei bem. – Falei tornando a cobrir a cabeça. Escutei-a bufar e ouvi seus passos distanciarem-se cada vez mais, até que ouvi o barulho da porta se fechando. Sorri, satisfeita e me aninhei no travesseiro, disposta a voltar a dormir.
Meu nome? Sakura. Haruno Sakura. Eu tenho Quatorze anos, mas em breve farei quinze. E este é o último final de semana disponível que eu tenho.
Meus pais, essas pessoas amáveis, resolveram que a minha antiga escola tinha um ensino muito ruim, por isso, eu iniciarei em uma nova escola amanhã. Não faço idéia do tipo de pessoas que encontrarei lá, mas, tenho certeza que nada será como na minha antiga escola.
Ao ouvir o barulho do carro, eu abri meus olhos. Realmente papai e mamãe foram sem mim. Motivo de alegria. Ajoelhei-me na beirada da cama e me estiquei um pouco, tentando alcançar o suporte da Televisão. Liguei e caminhei pra fora do quarto.
Bocejei, enquanto andava pelo curto corredor. Desci as escadas e fui até a sala. Quase me bati no sofá, mas não escapei da mesinha de centro e bati o dedão do pé nela. Engoli um grito de dor e caminhei até a cozinha, convencida em fazer um suco de laranja no capricho pra mim.
Abri o armário, feliz, apanhei o espremedor, o copo, fui até a fruteira, peguei as laranjas... Mas quando fui até a parte inferior do armário, pegar meu açúcar, ele não estava lá. Procurei na dispensa. Nenhum pacote de açúcar. Bufei. Não ia caminhar até o mercado, era a meia hora de casa. Então, uma idéia me ocorreu.
Eu havia visto, faziam alguns dias, a mudança chegar para a casa ao lado. Dois caminhões trouxeram tudo, e pelo que eu havia visto, ali morava apenas um casal de velhinhos. Sorri, satisfeita, e decidi ir até lá pedir uma xícara de açúcar e conhecer os pobres velhos que beiravam a morte.
Sem me dar conta que estava com meu pijama mais ridículo, cheio de manchas de vaca, como se eu fosse um animal, e sem me dar conta que eu estava descalça, eu saí de casa com minha xícara de porcelana e fui até a calçada. Passei pelo jardim e sorri ao ver a casa ao lado. Eles haviam pintado a fachada de azul. Eu adorava azul. Preferia o rosa, mas azul é bonito também.
Toquei a campainha, enquanto batia o pé e tentava não parecer desagradável. Plantei na mente a minha imagem tomando suco de laranja gelado e um sorriso brotou nos meus lábios.
A porta se destrancou, e então, uma pessoa apareceu, mas não com a mesma faixa de idade com a que eu imaginava. Não, definitivamente não.
- Oi. Gostei do pijama, hahá. – Perguntou me olhando de cima abaixo. Ah, ele notou meu pijama. Eu não sabia se eu continuava ali ou se eu saia correndo.
- Er... Obrigada. Eu queria saber se você tem... Tipo assim... Açúcar, tá faltando lá na minha casa. – Perguntei me lembrando do suco de laranja. Tinha que ser educada com o menino. Ele não era de todo mal. Era loiro e tinha os olhos azuis. Ele tinha três riscos estranhos em cima de cada uma das bochechas, mas ao menos, ele não vestida um pijama ridículo como o meu. – AM... Eu vim pedir um pouco de açúcar. Sabe, eu ia fazer um suco de laranja pra mim, ai então, eu...
- Açúcar? – Ele perguntou incrédulo. Eu assenti, estranhando a reação dele. – É isso que as garotas usam? – Eu me fiz de desentendida. – Você sabe, você aparece na minha casa com um pijama sexy, me pergunta se eu tenho açúcar, eu te convido pra entrar, você começa a me seduzir, eu te levo pra cama, nós fazemos um sexo selvagem, ai você engravida e eu tenho que mudar de cidade pela quarta vez. – Ele falou com banalidade. Tipo assim, o que ele pensa que eu sou? O garoto começou a rir como se tivesse contado a piada mais engraçada do mundo. Eu arregalei os olhos e comecei a recuar.
- Não moço. Eu só queria um pouco de açúcar mesmo. – Falei enquanto arqueava uma das sobrancelhas. Ele riu. Por que ninguém acredita que eu quero um pouco de açúcar?
- Eu estou brincando. Eu não ataco garotinhas inocentes. Não quando eu acabei de conhecê-las, hahá. – Eu tentei espiar a casa por debaixo do braço dele. Ele sorriu. - Bom, pois é. Eu não tenho o açúcar, sinto muito. Mas se quiser entrar, à vontade. Minha casa é sua casa. – Eu o observei, enquanto ele esperava uma resposta minha. Eu não sabia se devia ou não entrar.
– Já sei, você não sabe se entra ou não, né? Bom, beleza, se não quiser eu entendo, ninguém me ama mesmo, estou acostumado com as pessoas me evitarem. - Ele abaixou a cabeça, cobrindo o rosto com as mãos. No início achei que ele estava falando a verdade, e fiquei com o coração amolecido. Mas segundos depois o palhaço começou a rir igual da outra vez. Eu juro que se tivesse um tijolo, jogava-o nele naquele instante. O menino já me enganou duas vezes!
- Eu... Hm... Vou me trocar e ai eu volto aqui, o que você acha? - Ele deu um sorrisinho, mais para si mesmo do que para mim. Como se tivesse pensado em alguma coisa engraçada, que não queria compartilhar.
- Ué, eu tenho um pijama de sapo, se quiser eu visto ele e criamos um novo zoológico na cidade, que tal? - MAAIS UMA VEZ ELE COMEÇOU A RIR, e comecei a sentir raiva dele. Só sabia tirar uma com a minha cara, não é possível! Dei um 'hahaha' e me virei, pisando duro até a minha casa. Pude ouvir um ' Ei, eu tô brincando ', mas fechei a porta antes que pudesse ouvir alguma coisa. Saí correndo em direção ao telefone, feito uma doida. Estava tão apavorada que nem notei o criado mudo, e acabei batendo meu dedinho do pé bem na quina. Odeio quando isso acontece. Começou a sangrar, mas beleza, a adrenalina no momento era maior.
Digitei em 5 segundos o número do celular da Ino, e parecia tortura chinesa a cada 'tuuu' que vinha, esperando a menina atender. Uma voz sonolenta e mal humorada atendeu com um 'alô' .
- YABADABADUUBAA! – Gritei enquanto sorria. Escutei-a bufar.
- Ah, é você. Fala logo – Ela falou super nervosa. Sim, yabadabaduba era nosso código para quando tinha um super mega ultra babado em ação.
- Poxa, que ânimo... Não me ama mais, é? – Perguntei. Um pouco de drama é sempre bom, não é verdade?
- Não, cacete, é que eu tô morrendo de cólica! Fala logo! – Ino falou com a voz mais feia do mundo. Sim, se você pensa que quando uma menina está com cólica ela apenas se tranca no quarto e fica chorando de dor, se empanturrando de chocolate, a Ino é a prova viva de que isso é um dos maiores erros da humanidade. A menina ficava com fogo no rabo, e não havia quem a segurasse!
- Eu... Falei... Com ele! AAAAAAAAH! – Gritei, super entusiasmada.
- Ele quem? Ele quem? – Ino me perguntou entusiasmada. É, quando se tratava de garotos, a Ino mudava completamente. – Sasuke Uchiha, o gatão do final da rua?
- Não, com o meu novo vizinho. – Falei enquanto enrolava o fio do telefone.
- Ah, e como é que ele é eim, eim? – Ino perguntou entusiasmada.
- E a cólica, eim? – Perguntei rindo. Ela bufou.
- As favas com a cólica, conta como ele é. – Ino falou.
- Bonitinho. Loiro dos olhos azuis. – Falei enquanto a ouvia suspirar. – Mas é um idiota completo, não se anime. Fui pedir uma xícara de açúcar pra ele e pá.
- Açúcar? Amiga, que cantada velha, eim? – Por que ninguém acredita que eu estava mesmo pedindo açúcar? – Então, me conta, como você estava vestida. – Eu tinha medo dessa pergunta. Ela ia me matar.
- Er... Sabe como é, né, eu meio que tinha acabado de acordar, ai... Eu fui... De pijama. – falei pausadamente. Ela riu.
- Bom, tudo bem, espero que não tenha sido um daqueles seus pijamas ridículos de animais. Dá até pra abrir um zoológico com eles, hahá. – Por que ninguém gosta dos meus pijamas de animais?
- Eu fui com o de vaca. – Falei. Silêncio. – Ino? Ino? Yamanaka? Você está ai? – Ninguém. Cinco segundos depois, a campainha tocou, e eu, inocente, fui toda feliz atender. Pior erro da minha vida.
Uma loira com bobs no cabelo, um roupão rosa bem 'cheguei' e uma mascara de lama verde no rosto pulou para dentro da minha casa, voando no meu pescoço. Senhoras e senhores conheçam Ino Yamanaka.
- Eu vou te bater, menina! E durante todos esses anos, a educação que eu te dei? Por que não vestiu um shortinho e uma regata? Hein? EEEINH?
Bom, do nada, a porta do lado se abriu e o menino loiro apareceu de toalha. Cara, ele era muito gostoso... Tá. Parei. Pois então, ao invés de fechar a porta e nunca mais abri-la de novo por medo, ou de nos ignorar, ele apenas deu aquele sorrisinho íntimo dele de novo. Ino e eu nos entreolhamos, ainda atônitas pelo que estava acontecendo. Rapidamente nos levantamos vermelhas de vergonha. Ino se levantou e apertou a mão dele, se cumprimentando, ela morrendo de vergonha, ele rindo.
- Ino. Yamanaka Ino. – Ela falou apertando-lhe a mão, vermelha.
- Gostei dos Bobs. E essa sua cara verde é também muito criativa. Você é o que? A versão feminina do Hulk? Hihu. - Era essa ironia que me dava raiva. Ele sempre via as coisas de uma maneira engraçada, e as falava não como se estivesse tirando sarro, mas mais como um comentário para si mesmo. Era grosseiro.
- Hã? Do que você está falando? – Ino perguntou. Caramba, a Ino fica realmente boba na frente de um menino bonito. Também, ele está de toalha, de toalha na rua. Tá, eu estou de pijama e a Ino de roupão, mas, tudo bem.
- Hmm... Caso você não saiba, você tá, tipo assim, de roupão na rua. Hihu. Bom, vaquinha achei alguém mais maluca que você. – Bom isso era bom e mau. Bom pra mim, ruim pro lado da Ino. Hihu.
- AM... Eu vou lá à minha casa enterrar meu rosto na terra, um dia eu falo com vocês. – Ino falou antes de ajeitar os bobs no cabelo e sair correndo de volta pra casa dela. Ele olhou pra mim e começou a rir. Rir não, ele gargalhava. Eu cerrei os olhos.
- Para de rir de mim. – Ameacei. Ele parou no mesmo instante e deu um sorrisão daqueles que ele dava. Era tão bonito.
- Desculpa, vaquinha, mas é que eu nunca me diverti tanto quanto hoje. – Hahá, chupa essa manga, ele me achava divertida. Mas, infelizmente, ele era desprovido de cérebro. Eu sorri. Ele podia ser meu amiguinho, né?
- Hmm... Que bom né? Mas você deve me achar uma esquisitona que usa pijamas de vaca e tem amigas que é a versão feminina do Hulk. Né? – Ele riu e me olhou.
- Hmm... Esquisitona não é a palavra. Isso não acontece todo dia, então, acho que a palavra é... Original, Hihu. – Ele falou antes de colocar as mãos na nuca. – Bom vaquinha, eu tenho que entrar. Até mais. – Falou enquanto ia na direção da porta. Eu suspirei e entrei em casa. Essa era muito boa, um amigo bonito e babaca que me chamava de vaquinha, e... Perai. Qual era mesmo o nome dele? Ah, que seja, outro dia eu descubro.
Definitivamente, Odeio Domingos.
-x-
HUHU , que emoção.
Gente, amo escrever essa fic, juro (:
Serão só Quinze Capítulos e coisa e tal
Logo acaba, tá? (:
Espero que vocês leiam, gostem e comentem.
- Beijão
