Merda, merda, merda. O mais humilhante de tudo era ver que Malfoy tivera razão. Qualquer coisa que tivera com Harry estava se esfarelando entre seus dedos. Quanto mais forte tentava agarrar os restos daquele relcionamento, mais ele se desmanchava ali na palma de sua mão. E se tentasse não prendê-lo entre os dedos o vento levaria embora aquilo que já estava tão fragilmente preso a sua mão.
Mais terrível que ver que abandonara algo extraordinário com Malfoy pela mediocridade de Potter era saber que Draco estava sempre com os olhos sobre eles. Parecia acompanhar o relacionamento de Ginny e Harry e sempre que se cruzavam por corredores, eventos e elevadores ele estava com aquele olhar irritante de "eu sei que nada está dando certo."
Ginny esperou que cada um do elevador descesse. E sabia que Malfoy também não desceria. Pararam no primeiro andar, deserto naquele fim de expediente.
-O que você quer de mim, Malfoy? - Ela estava agitada, mas seu tom de voz era cansado - Quer que eu admita que você estava certo e que meu namoro com Harry está indo por água abaixo? Pois está. Satisfeito?
Draco não se abalou, sua voz se arrastava ainda mais do que o normal para compor a irritante pose de calma.
-Não.
-O que mais você quer?
-Quero que você volte pra mim.
-Mas que merda, Malfoy, eu estou terminando com Harry, mas isso não significa que eu vou voltar pra você! Você não é o único homem nesse mundo, sabia?
-Eu sei, mas sou o único que você já amou. - Draco disse isso sem nenhuma exaltação, apenas concentrado em estudar os sinais no rosto de Ginny que lhe confirmariam o que ele já sabia.
Ginny ficou desconcertada por um milésimo de segundo, mas Malfoy pôde perceber. Vendo que não podia mentir para ele - nunca pudera, de verdade - riu.
-E o que você entende de amor, Malfoy?
-Eu entendo o mesmo que você. Nós nos amamos um dia, Weasley. Eu acho que era amor.
Ginny não podia mentir para ele, como já sabia, e nem ignorar o que ele dizia, então voltou para o elevador e foi embora sem encará-lo mais nos olhos.
