CAPÍTULO I

POV Draco

Eu estranhei o recado dela, mas decidi atender ao convite, afinal ela seria minha esposa dali uma semana e eu não poderia simplesmente ignorar o pedido para almoçarmos juntos que ela fazia. Estacionei o carro em frente ao restaurante e um garoto chegou pegando a chave e me cumprimentando para colocar meu carro no estacionamento próprio. Olhei o letreiro luminoso do restaurante e sorri de lado. Por ser trouxa o restaurante, até que a Weasley escolheu bem.

Entrei e pedi por ela à recepcionista, ela me indicou uma mesa e eu pude distinguir os cabelos vermelhos de longe. Era ela, sem dúvida. Caminhei até ela e a vi se levantar quando cheguei próximo o suficiente. Paramo-nos encarando um ao outro. Eu não sabia como agir exatamente, ela se casaria comigo, me ajudara, mas não havia nada entre nós, a não ser remorso pelas acusações sem fundamento que um dia eu fizera sobre ela. Não que naquela época eu poderia pensar diferente, mas sim porque agora eu via a mulher que ela se tornara.

- Desculpe o atraso, minha empresa está um caos! – eu acenei com a cabeça para ela

Ela sorriu forçadamente e se sentou novamente, eu me ajeitei a sua frente.

- Espero que não se importe, mas já pedi por nós dois! – ela me encarou de forma desafiadora – Tenho de voltar ao jornal, também tenho emprego afinal!

- Não me importo de maneira alguma! – eu falei educadamente – Mas estou curioso, porque pediu que nos encontrássemos?

- Por dois motivos, um é porque seu advogado Blaise Zabine, e só o Ministério sabe por que aceitou aquela criatura como um advogado, me procurou hoje para acertarmos algumas cláusulas do nosso contrato!

- Ele me avisou que te procuraria! Mas não deixe te ouvir chamando-o de criatura! – eu me obriguei a sorrir

- Sinceramente como ele se tornou advogado? – ela riu com gosto depois de ficar em silêncio por uns segundos

- Ele é bom no que faz! Apesar de ser quem és! – eu sorri de volta para ela – Alguma coisa errada no que ele te propôs?

- Não exatamente, só o fato de que precisamos estar apaixonados! – ela deu de ombros – Isso é pouca coisa para você?

Eu suspirei olhando para a janela ao lado. Sabia que essa seria a parte mais difícil a ser cumprida tanto para ela quanto para mim.

- Na verdade eu nem sei por onde começar! – eu dei de ombros – Só teremos que fingir! Acho que isso resume tudo!

- Então, receio que teremos de conhecer um ao outro, de acordo? – ela me encarou de forma decidida

- Tudo bem, farei o que quiser! Preciso que isso dê certo! – eu estava decidido também

- Em segundo lugar...

- Seus pratos! – o garçom interferiu colocando dois pratos a nossa frente, agradecemos com um aceno – Algo para beber?

- Alguma sugestão? – Gina sorriu singelamente para mim e percebi que ela já começara a fingir

- Pode nos trazer um Syrah? – pedi educadamente, o garçom acenou e nos deixou a sós

- Syrah? – ela ergueu as sobrancelhas

- É um vinho português, foi considerado o melhor do mundo! – eu expliquei de forma clássica – Ainda não experimentei!

- Gosta de vinhos? – ela perguntou mexendo a cabeça para o lado e me analisando

- Gosto! Na verdade sempre fui muito bom degustador de vinhos! – eu dei de ombros – Camarão Weasley?

- Me chame de Gina! – ela continuava a me analisar – Eu gosto de camarão e achei que seria um ótimo almoço para nós!

- Eu poderia fazer uma brincadeira idiota sobre seu nível social ter mudado, mas acho melhor não arriscar! – eu sorri de lado para ela

- Sempre um Malfoy! – ela sorriu e começou a comer – Pode me ensinar?

- O quê? – encarei-a de forma confusa

- A degustar vinhos! – ela sorriu de forma radiante, parecia imensamente feliz

- Claro! Ensinarei assim que nos casarmos! – eu sorri de volta ainda tentando descobrir aonde essa história nos levaria

O garçom voltou com o vinho e nós terminamos o almoço em silêncio. O vinho era realmente bom, além de parecer algo que nos relaxasse completamente, mas sem nos deixar bêbados. Blaise iria adorá-lo, tenho certeza.

Notei o quanto ela me olhava durante o almoço, mas parecia ponderar e questionar a si mesma, sem dizer uma única palavra em voz alta. O que ela estaria pensando? Pela mulher fina, educada, séria e inteligente que era agora, eu acho que seria algo imenso e comprometedor.

- Aprovou o vinho? – perguntei logo após o garçom ter tirado nossos pratos e nos trazer as sobremesas

Eu pedi uma Torta Tricolore com coulis de frutas vermelhas e vodka, uma sobremesa cara, mas deliciosa. Ela se contentou com uma enorme taça de fondue de chocolate meio amargo com champanhe e morangos.

- Muito bom! Gostaria de tomar mais vezes! – ela levou uma colherada de fondue à boca

Eu comi um pedaço de torta e suspirei.

- A curiosidade está me matando! Qual o segundo motivo para este almoço? – indaguei a encarando

- Não gostou do almoço e está querendo se livrar assim de mim? – ela riu

- Claro que gostei! Sinceramente, estava precisando me distrair um pouco! – eu respirei fundo – Mas sou uma pessoa extremamente curiosa!

Ela se empertigou na cadeira e me encarou compenetrada.

- Quero que me deixe escrever uma matéria para a nova revista que iremos lançar juntamente com o jornal! – seu olhar me desafiava – Sobre você, Enzo e sua falecida esposa!

- Por que quer escrever sobre isso? – indaguei na mesma hora – O que espera com isso?

- Nosso meio de comunicação tem grande influência no meio bruxo, nosso jornal é o melhor, ganhou a vez do Profeta Diário há muito tempo! Posso inocentá-lo!

- E por que faria isso? O que ganharia? – eu estava surpreso demais para formular perguntas mais precisas

- Seria a grande reportagem da minha vida! – ela suspirou – Eu acredito em você Mal...Draco! Sinceramente, eu acho que não fez nada a sua esposa, acho que realmente a amava! E posso reverter toda essa situação para o seu lado! Basta me deixar pesquisar em sua casa, em livros, cadernos, diários, roupas e tudo mais que sua esposa possuía!

Eu a encarava estupefato. Merlin, de onde ela tirara essa idéia? Eu não sabia nem o que pensar! Muito menos o que falar.

- Tenho algo a oferecer em troca, pode não ser muito, mas acho que resolveria tanto a minha situação quanto a sua! – ela voltou os olhos para a janela

- E o que seria? – não agüentei a curiosidade

- Estou disposta a ser uma esposa correta para você!

- O que quis dizer? – franzi o cenho e vi ela olhar para o próprio colo

- Estou querendo dizer que não precisaremos nos tratar com tanta formalidade! Eu me disporei da casa, cuidarei de Enzo, cuidarei de você como se tivéssemos nos casado por amor! Como um casamento de verdade! – ela arriscou me encarar por uns segundos, mas logo baixou o olhar e começou a remexer sua sobremesa

- Um casamento de verdade, Weas...Gina? – indaguei ainda muito surpreso

- Sim! – não passou de um sussurro – Um casamento de verdade, dispondo de certas liberdades, de certas intimidades!

Ela estava me oferecendo o que eu pensava que estava? Merlin, ela estava se oferecendo para realmente ser minha esposa, com todas as liberdades e intimidades disponíveis. Em troca de uma simples reportagem, ela se entregaria inteira.

Eu fiquei chocado por uns segundos, mas então comecei a pensar. Ela seria minha em todos os sentidos, estaria ali sempre que eu quisesse e me ajudaria quando eu precisasse! Enzo teria uma mãe e eu uma esposa zelosa que esperaria por mim quando eu chegasse do trabalho! Jamais se tornaria Alexia, jamais ocuparia o lugar dela, mas Gina era uma mulher afinal e todo homem precisa de uma mulher uma hora ou outra! Alexia sempre seria meu grande amor, mas eu não podia trazê-la de volta!

Suspirei e levantei o olhar, percebi que ela me encarava a espera da minha resposta. Não pude decifrar suas emoções, mas de uma eu tive certeza, ela estava ansiosa.

- Pode escrever! – eu respondi de forma decidida

- Mesmo? – não sei se seus olhos brilharam mais ou se apagou um pouco o brilho deles

- Sim! Mostrarei tudo que era dela! – eu me levantei – Agora tenho de voltar ao trabalho!

- Eu também! – ela se assustou ao olhar o horário em seu relógio de pulso, então pegou a bolsa na cadeira ao lado e retirou a carteira

- Eu pago! – estendi a mão para ela, a ruiva me encarou surpresa, mas aceitou meu gesto e eu a puxei para fora, parando somente para pagar à recepcionista

- Eu tenho mesmo de ir! Desculpe a pressa! – ela se soltou de mim e puxou o casaco contra o corpo, estava ventando bastante

- Está de carro? – indaguei simplesmente, ela negou – Venha, eu levo você! – conduzi-a para o carro que o garoto de antes trouxera até a porta agora

- Draco? – ela me chamou depois de alguns minutos em silêncio

- Sim? – eu não olhei para ela

- Podemos ir com calma?

Ela tinha medo. Era essa a emoção que eu não consegui decifrar na situação anterior. E por mais idiota que eu podia ser agora, eu senti a necessidade de confortá-la.

- Claro! – sussurrei e estendi a mão segurando de leve sua perna por cima da calça social, ela ficou sem reação por alguns segundos e então senti sua mão deslizar sobre a minha e apertá-la fracamente

Já era um começo.