Morte. Algo tão obscuro quanto seu próprio nome. Misteriosa como a noite que a abriga. E temida por muitos. A morte representa o fim lógico para tudo e para todos. Mas mesmo assim ainda era algo indesejado e incompreendido. Por muitas vezes a Morte é também a punição para feitos horríveis. O que poucos sabem é que a morte é mais que um simples estado de espírito pós-vida. A morte é uma entidade. Nem homem, nem espírito. Não possui forma certa. Nem alma. Possui somente um nome: Ceifador. Um ser fantasmagórico que vagueia por entre vales intermediários. E freqüentador assíduo dos lagos da vida. O Ceifador é um pescador. Pescador de almas. Sua varinha: a foice que carrega no punho direito.
O Ceifador, ou simplesmente a Morte, ronda
pelos quatro cantos do mundo. Viaja para qualquer lugar em busca de
uma alma. Não qualquer alma. Somente aquelas que interrompem o
ciclo da vida. As almas que desejam realmente a morte. O Ceifador vê
nelas o quê ninguém mais vê. O ódio pela a
vida é o que ele mais admira.
Assim surgiam seus anjos. Os
Anjos da Morte. Almas recrutadas e destinadas a fazer seu trabalho.
Cuidam para que vida e morte caminhem em equilíbrio. É
um trabalho duro. E eterno. Para Anjos da Morte não há
tempo. Não há distância. Não há
saída.
Nunca alguém ou algo desafiou a morte. Pois até os mais audaciosos sabem que se tem algo que deixa o Ceifador irritado são desafios. Quem ousa trapacear a Morte acaba morrendo...
... Da pior maneira possível.
Mas existia um bruxo. Um que repartira sua alma em sete partes. Magia antiga e poderosa. Capaz de perpetuar qualquer um desde que corajoso e perverso o suficiente para realizá-la.
Alguns já tentaram mais nunca chegaram ao um número tão elevado. Era algo preocupador. E se o dono de tal feito era tão audacioso, era digno então de receber a visita da morte. O Ceifador cuidaria para que ele conhecesse a morte de uma forma inesquecível. O inimigo da Morte merecia um castigo exemplar. Por isso naquela noite a Morte viajou de um meio nunca antes utilizado por ela. A Morte viajou de trem.
