Verão

As primeiras tentativas foram um pesadelo, que culminaram com a morte do pobre animal quando o feitiço, ao invés de trocar seu sexo, inverteu suas vísceras para fora do corpo e suas penas para dentro. Mais dois galos se seguiram àquele, tendo um triste fim semelhante, com pequenas variações. O verão avançava a passos lentos.

Depois veio um pato, que também pereceu. Apenas o quarto galo registrou algum sucesso, porém ele botou um ovo e, ao invés de cacarejar satisfeito, começou a cantar alto empoleirado na cerca do quintal.

Até que um dia, em fins de julho, o feitiço finalmente funcionou. O estúpido galo se transformou em uma galinha de verdade. E depois voltou a ser galo, com o uso do contrafeitiço, que foi bem mais simples de se fazer. Mesmo assim, ainda precisaram treinar por algumas vezes, para que nada desse errado. E assim agosto chegou, enquanto os dois rapazes passavam as tardes no quintal, tentando transformar qualquer animal que passasse em outro do sexo oposto.

- Cara, acho que já deu – comentou Crabbe, após observar o ventre da cadela, outrora cachorro, que mantinha a cauda entre as pernas e permanecia quieta, assustada.

- Cara, eu não sei. Agora tá me dando um medão... E se acontecer que nem com aquele outro cachorro, que a gente transformou e ele ficou sem... bom, sem as partes? E não conseguiu mais reverter?

- Não vai acontecer nada, deixa de ser bundão – comentou Crabbe, animado.

- Porque não é você que vai mudar, né? Hmm, bem que a gente podia tentar em uma pessoa...

- Pessoa não dá, cara, porque depois vão sair falando. Por que você não tenta com o Mongo?

- Boa!

Os dois voltaram para dentro de casa e Goyle chamou o elfo doméstico, que foi prontamente transformado em elfa. Indignado, mas sem coragem de protestar, a pobre criatura apenas olhava para o amo com os olhos marejado de lágrima, enquanto os dois rapazes riam.

- Tá, agora que a Monga já está decididamente pronta, podemos tentar reverter.

E lá estava o pobre elfo, suspirando aliviado ao se ver novamente como nascera. Depois Crabbe o transformou e destransformou, para treinar também. Haviam decidido que ambos dominariam a técnica antes de tentar, visando evitar que algum problema impedisse Goyle de voltar a ser homem. Então treinaram mais um pouco com o elfo e, antes que Goyle acabasse de pronunciar o "pode sair", pôde-se ouvir o estalo de Mongo aparatando rumo à cozinha, devidamente avisado que estava proibido de comentar sobre aquele feitiço com quem quer que fosse.

Quando o elfo deixou o quarto os dois rapazes, com as bochechas vermelhas de tanto rir, olharam um para o outro e sentaram na cama. Juntos. Durante todo o verão, Goyle havia tentado romper a barreira que Crabbe impusera entre eles, mas sem conseguir nada. Entretanto, naquele dia parecia que o bom humor do amigo permitiria alguma aproximação. Crabbe, por sua vez, temia que Goyle desistisse. Ele já começava a gostar da idéia de ter seu amigo como uma garota.

- E agora, Vince? – perguntou o rapaz, com voz baixa.

- Agora não sei. Você que sabe, ué. Vai querer fazer mesmo? – disse Crabbe, inseguro. – Ainda dá pra mudar de idéia.

- Não, cara, se liga. Depois de passar o verão inteiro trancado no quintal com aquelas galinhas e patos, agora eu tenho que fazer. E, além disso, tem você – completou ele sem pensar, de um fôlego só. E então olhou para os olhos do amigo e finalmente viu, ali, o mesmo brilho que havia visto há uns meses atrás, no vestiário da escola.

Crabbe desviou os olhos. Não estava preparado para admitir a atração, o carinho que sentia pelo amigo. Não podia, aquilo era errado! Ele precisaria mesmo se transfigurar em uma garota para que os dois pudessem terminar aquilo que haviam começado. Além disso, logo as férias acabariam e eles não teriam mais tempo para aplicar tudo o que haviam treinado.

- Então tá, Greg. Quando que vai ser isso?

- Não sei, mas tem que ser logo. E o pior, onde?

Os dois rapazes permaneceram quietos, pensando nas possibilidades. Não poderia ser na casa de nenhum dos dois, não podiam correr o risco de serem descobertos por alguém de alguma das famílias.

- Olha, eu tive uma idéia, mas é meio boba. O que você acha da gente ir pro mundo trouxa só pra... bom, só no dia em que eu estiver como garota?

- No mundo trouxa, Goyle? Mas por quê?

- Porque lá ninguém nos conhece, ora. Você parece que não pensa, Vince! Olha só, não dá pra gente ficar aqui em casa, né? Já pensou se meu pai pega a gente?

- Ué, ele só ia me ver com uma garota, né?

- Ah não, cara, não é bem assim. Já pensou se eu vacilo e chamo ele de pai? Nossa, nem pensar! Aqui em casa não dá.

- É, pensando por esse lado, é verdade. Se fosse na minha casa, também não ia dar certo se alguém pegasse. Iam querer saber quem é você, de onde veio... se é sangue puro, essas coisas.

- Então! Tem que ser fora. Mas também não dá pra gente ir pro Beco Diagonal, concorda?

- Verdade... 'cê tá certo. Só temos o mundo trouxa. Mas vamos pensar nisso quando o feitiço der certo, beleza?

- Nada disso, Vince. Temos que pensar em tudo antes. Eu quero sair daqui como Gregory e voltar como Gregory, entendeu?

- Tá bom, tá certo. Então o que você tá pensando?

Um silêncio se colocou entre ambos. Goyle segurava o queixo, concentrado, fazendo um esforço visível para se lembrar da idéia que tivera na noite anterior.

- Um pub. Acho que é assim que chama. É um tipo de lugar onde eles servem bebidas alcoólicas e tem música. Em alguns, tem uns quartos nos fundos. Basta a gente achar um desses.

- Tá bom. Mas e pra transformar você?

- Ah, Vince, acho que isso dá pra fazer quando a gente estiver no quarto, que tal?

O amigo deu de ombros:

- Pra mim, tanto faz. Não sou eu, mesmo.


A ocasião se apresentou em um sábado de manhã. Os pais de Crabbe e os de Goyle haviam saído juntos e só voltariam mais tarde. Então os dois rapazes deixaram um bilhete avisando que dormiriam fora, mas sem explicar realmente muita coisa, e partiram rumo a Londres, uma cidade grande onde dois jovens passeando juntos certamente passariam despercebidos.

Chegar a Londres foi fácil. Achar um pub, em pleno sábado à noite, também. O difícil foi fingir ser trouxa para não chamar a atenção sobre si mesmos e arrumar um quarto vago onde pudessem passar a noite a sós.

Logo no primeiro pub, ambos se atrapalharam quando o garçom perguntou o que queriam beber. Crabbe apanhou o menu que lhe fora oferecido e chutou: "conhaque". Desacostumado com o dinheiro trouxa, Crabbe atirou alguns pequenos sicles sobre o balcão. O atendente olhou para as moedinhas de forma inquiridora, mas aceitou, julgando tratar-se de algum dinheiro estrangeiro. Essa era a parte boa de se viver em Londres: dinheiro de todo o mundo circulava por ali.

Foi somente lá pelo quarto estabelecimento visitado que os rapazes conseguiram um lugar para ficar. E como em cada pub um novo copo da bebida âmbar desaparecia nas mãos dos rapazes, quando, finalmente, encontraram um lugar adequado, ambos já tinham a consciência um tanto alterada.

Crabbe precisou de muita coragem e mais um copo para pedir ao atendente a chave do quarto. O rapaz olhou para os dois como se fossem velhos amigos, deu uma risadinha cúmplice e comentou:

- Se vocês precisarem de algum atendimento "especial", podem me chamar, viu?

Os dois se afastaram rapidamente, enquanto Crabbe resmungava coisas como "não se enxerga", "trouxa imundo" e "uma bifa bem dada". Entraram no quarto e trancaram a porta.


Goyle havia se fechado no banheiro há uns vinte minutos. Crabbe já estava ficando preocupado com a ausência de barulhos vindos lá de dentro. E se algo tivesse saído errado?

- Greg, você tá bem?

Nada.

- Greg? Se você não responder, minha varinha faz essa porta voar agora mesmo.

- Eu tô aqui. Espera – disse uma voz abafada lá de dentro. Definitivamente, não era a voz rouca e gutural de seu amigo. O feitiço devia ter funcionado.

- Abre logo, então, que eu quero ver como ficou.

- Não – exclamou a vozinha lá dentro. – Eu mudei de idéia, Vince.

Crabbe sentiu um estranho arrepio ao ouvir seu apelido de infância sendo dito por aquela voz. Ergueu a varinha, apontou para a porta e lançou o feitiço:

- Alohomora!

A porta se abriu e ele viu o vulto de Goyle, de costas, apoiado na pia em frente ao espelho. Era definitivamente uma garota. Uma garota gorda e feia, mas uma garota. Lentamente, ela se virou, um olhar melancólico sendo lançado sobre o amigo que a analisava deitado na cama de casal.

- Tá, pode falar. Eu estou horrível – disse ela, com voz chorosa.

- Não – respondeu Crabbe, sentando-se na cama e tentando a todo custo segurar o riso. – Não está horrível. Só é uma questão de... costume... – ele colocou a mão na frente da boca, abafando uma gargalhada que teimava em querer sair.

Goyle se olhou novamente no espelho. Ela passou as mãos sobre as vestes, evidenciando os seios enormes que haviam crescido em seu peito. A cintura não era pronunciada, mal se poderia dizer que havia uma cintura; talvez apenas o amplo volume das nádegas denunciasse sua existência. Suas coxas eram grandes e grossas, porém não tinham a musculatura rija típica de rapazes, mas sim uma camada macia de tecido adiposo.

Voltando o olhar para Crabbe, ela alisou atentamente o cabelo escuro na altura dos ombros, bem lisos. Os olhos pequenos, escuros, ainda estavam ali. Eram os mesmos de antes, porém com cílios ligeiramente maiores. O nariz era grande e batatudo, e se sobressaía muito mais no rosto ligeiramente mais delicado que o Goyle-garota apresentava. Os lábios avermelhados entreabertos completavam a lamentável figura, dando-lhe um ar abobalhado.

- Tá, eu desisto. Você é uma menina muito feia mesmo! – disse Crabbe de cima da cama, soltando uma enorme gargalhada com cheiro de conhaque. – Não dá pra segurar, Greg! Ainda bem que você nasceu homem, senão seria um desgosto para a sua mãe!

Enquanto Crabbe ria até sair lágrimas dos olhos, Goyle voltou a entrar no banheiro. Perturbada com as mudanças hormonais que ocorreram de forma tão repentina após sua transformação, a garota também tinha lágrimas nos olhos. Mas o motivo era outro, completamente diferente. Ela tornou a fechar a porta. Havia decidido desfazer o feitiço.

O click da maçaneta do banheiro cortou bruscamente a risada de Crabbe, fazendo-a morrer em seus lábios. Ainda de boca aberta, porém em silêncio, ele se aproximou da porta tentando ouvir o que Goyle fazia lá dentro. Tudo o que escutou foram soluços.

- Greg... Goyle! Fala comigo.

- Me deixa! – respondeu a voz fina lá dentro. Ela estava claramente aos prantos.

Crabbe se sentiu horrível. Nunca havia manifestado qualquer tipo de consideração para com os sentimentos de garota alguma. Simplesmente não ligava para o que elas pensavam, e por isso havia falado sem sequer pensar que Goyle ficaria magoada. Mas agora, ouvindo seu soluço e imaginando suas lágrimas, se sentiu mal e encostou a testa na porta.

- Abre, Goyle, vamos conversar – mas a porta não se abriu. – Por favor, abra... – ele repetiu, com a voz mais suave que conseguia pronunciar.

A maçaneta então girou lentamente e Crabbe enfiou o pé para impedir a porta de tornar a se fechar. Mas Goyle estava de costas, chorando apoiada na pia, sua varinha inerte sobre a tampa fechada do vaso sanitário.

O rapaz esticou o braço devagar e tocou no ombro dela. Sob as vestes, uma curva muito mais delicada do que aquela formada pelo deltóide de jogador de quadribol que ele conhecia normalmente. Mesmo sendo uma garota gorda e desengonçada, ERA uma garota. E ela estava chorando.

Com algum esforço, Crabbe conseguiu virá-la. Com cerca de um palmo a menos da altura que tinha quando garoto, Goyle imediatamente abraçou-o pela cintura e aninhou a cabeça em seu peito. Crabbe alisou sua cabeça devagar, ainda atônito com o que estava presenciando.

- D... desculpe – disse baixinho. – Eu não achei que você fosse ficar magoado. Magoada!

A garota fungou e apertou sua cintura. A cabeça, ainda enterrada em seu peito, não queria se erguer e mostrar o rosto.

- Olha pra mim, Gr... Goyle – pediu ele, num sussurro.

- Pra quê? Pra você rir de mim de novo? – ela disse, com a voz entrecortada. Os braços deixaram de envolver o tronco de Crabbe, caindo inertes.

- Shh, não diga isso. Pô, eu já pedi desculpas.

Ela então enxugou o rosto com as costas da mão e ergueu os olhos. Crabbe analisou bem de perto, e chegou à conclusão que não era tão ruim. Tá certo, ela não chegava nem perto das garotas de Hogwarts que ele conhecia. Mas era Goyle! Aqueles olhos fitando-o com uma admiração magoada e um carinho incondicional... era ele!

Crabbe afastou uma mecha de cabelos do rosto da garota e deu um sorriso meio sem graça. – Venha, sente aqui. Foi só... meio inesperado, entende?

- Olha, cara, eu sei que eu tô horrível. Se você não quiser nada comigo, juro que vou entender, e...

- Shhh – interrompeu Crabbe. – Vem cá, não precisa falar nada. É você. E ao mesmo tempo, não é você. Isso é meio estranho, mas eu vou me acostumar, beleza?

Os dois jovens se deitaram na cama de casal e Crabbe desabotoou a blusa do amigo, que agora estava larga na barriga, porém apertada no peito, os botões se esforçando ao máximo para conter o grande volume que havia ali.

- Vamos, deixa eu ver o que você tem aqui...

Goyle fungou uma última vez e relaxou a cabeça no travesseiro, enquanto via os botões se abrindo um a um com o toque ousado dos dedos de Crabbe.


A fivela do cinto de Crabbe fora um empecilho difícil de ser superado na posição em que ela estava. Com a cabeça entre as pernas roliças da garota, o rapaz apertava as coxas dela com força e enfiava a língua voluptuosa em todos os seus recônditos, arrancando gemidos mais altos a cada nova lambida. A sensação era estarrecedora e dificultava demais qualquer ação que pedisse um mínimo de concentração para ser levada ao término. Como abrir uma simples fivela...


Goyle já conhecia o corpo de Crabbe há anos. Não havia novidades ali. Já tinha visto muitas vezes seus braços compridos, suas pernas grossas como dois troncos de árvores, aquele pênis tão grande, que sempre lhe despertara uma inveja difícil de ser digerida. Agora, no entanto, o sexo do outro se apresentava como uma imagem alternativa, uma possível fonte de prazer. Ela olhou para o membro de modo ansioso e predador, provocando um sorriso em Crabbe.


- Goyle... você é virgem?

- Não, por que você está dizendo isso? – perguntou ela, parecendo constrangida.

- Ora, eu conheço uma virgem quando tô tentando entrar dentro de uma... – ele respondeu, com um sorriso, forçando um pouco mais o seu sexo contra o dela. – Você me disse que já tinha transado antes...

- E transei! Eu comi a...

- Goyle... Não mente pra mim!

- Tá bom, eu sou – respondeu ela, após uma breve hesitação. – Que foi, vai zoar, é?

Em resposta, Crabbe colou seus lábios sobre os da garota, calando sua reclamação.

- Não. Eu prefiro assim.


Sangue. Dor. Como uma coisa que sangrava e doía podia ser tão boa?


Ela estava por cima. Agora era ele em cima, e ela estava de lado. O peso daquele corpo suado sobre o dela era extremamente excitante. Ele estava em pé, segurando-a pelas nádegas, encostada na parede. Ambos foram até o banheiro, onde ela debruçou-se na pia e abriu a torneira sem querer, espalhando água e risos por todo o cômodo. Ela ajoelhou-se no chão do quarto e apoiou o tronco sobre a cama, enquanto ele se posicionava agradavelmente por trás, respirando pesado em seu pescoço e puxando seus cabelos com avidez. Ele a empurrou novamente para cima da cama, novamente por cima, novamente entrando e saindo, colocando e tirando...

- Fala o meu nome.

- Vincent...

- Não, o meu apelido – volveu ele, sôfrego. – Me chama de Vince. Só você me chama assim. Vai, fala!

- Vince – a palavra derreteu na boca dela, perdida em um sibilo rouco. – Vince... vai, Vince – ela repetiu, elegia eterna, um verso pronto para ser dançado. – Vi-ince! – soluçou, e conforme o êxtase se aproximava, a palavra derretia mais e mais entre seus lábios, despedaçada. Perdendo o começo. Perdendo o final. - V... Ins... ins... – gemeu Goyle, baixinho, no ouvido de seu amante.


- Você gozou em mim! – perguntou a garota, com os olhos miúdos arregalados de espanto.

- Lógico que gozei – ele respondeu com a voz mole, se esticando na cama como um enorme gato gordo ao sol. Goyle não pôde deixar de admirá-lo mais uma vez, tão tranqüilo e confortável ali ao seu lado. – Venha, pare de frescura e deite aqui.

Ela encostou sua cabeça no peito amplo que lhe foi oferecido e sentiu o abraço que a envolveu.

- Mas Vince, as meninas não dizem que não pode gozar dentro, porque sei lá o que que tem?

- Hmmmm, você é tão macia – respondeu Crabbe, ignorando a reprimenda. – Foi legal?

- Hum hum – ela concordou, monossilábica. Alguma coisa a preocupava, mas não sabia exatamente o quê. Ambos permaneceram ali, deitados em silêncio. Crabbe brincava com uma das mechas de seu cabelo entre os dedos da mão direita, enquanto a mão esquerda repousava sobre a dela. Logo ele ressonava, ainda agarrado à garota. Mas ela demorou até fechar os olhos.

Crabbe despertou e ficou parado, contemplando o teto estranho e sentindo o braço dormente formigar. Não podia negar que havia sido divertido, talvez o melhor sexo que já tivera até então. Goyle estava totalmente entregue, pronta para satisfazer seus desejos, até o último deles. Ele também, vencido o primeiro momento de estranheza, começou a gostar daquela garota que agora repousava ao seu lado, tão estranha e tão familiar. Tão rude e tão macia. Ela era encantadora. Pena que tinha um prazo de validade tão curto, e logo não estaria mais disponível.

Ela se mexeu, suspirou. Ele a puxou para perto novamente, sentindo o calor de sua pele e o peso de seu corpo sobre o braço. Goyle abriu os olhos devagar, bocejou e sorriu. Sorriu. E aquele sorriso fez Crabbe ver que um novo leque de possibilidades se abria diante de seus olhos. Eles já sabiam o feitiço, era simples. Por que pensar que aquela seria a última vez? A coxa rotunda da garota deslizou sobre a dele, despertando seus desejos e provocando um frêmito ansioso que subiu pelo seu ventre. Crabbe deslizou seu corpo sobre o dela, beijou seus lábios mornos e a possuiu rapidamente, mais uma vez, sob a luz suave do amanhecer que atravessava as cortinas do quarto.