Capítulo 2 – Arrufos
Usagi senta-se na mesa. Uma mão sua mexe com uma colher devagar num copo de leite com chocolate que se encontra lá. Um pão com creme também de chocolate faz contraste com o branco brilhante da mesa. Mas Usagi não parece tão entusiasmada em beber e comer. O seu olhar encontrava-se posto na janela, observando o dia cinzento, mas nem lá fora ela encontra algo interessante para ver. Era apenas um dia vazio. Sem nada...
O telefone toca.
- Estou sim? Sim está bem. Usagi, tens telefone! - diz a sua mãe tapando o auscultador ao mesmo tempo.
- Sim já vou... - Usagi levanta-se vagarosamente, deixando o pão e o copo de leite com chocolate em cima da mesa, sem lhes sequer ter tocado. Ela dirige-se ao telefone e pega no auscultador, fazendo gestos para a sua mãe ir embora. Esta sorri um pouco e caminha para a sala.
- Fala Usagi...
- Usagi, preciso que venhas agora ao templo, rápido!
- Porquê essa pressa toda?
- Eu depois explico, vem já! - ouve-se Rei quase a gritar do outro lado.
- Está bem, está bem, tem calma Rei que eu já vou! Ate já! - diz, pousando o auscultador.
Usagi veste o seu casaco, despede-se da sua mãe, abre a porta e começa a andar. O dia está escuro e muito ventoso. Ela aconchega o seu casaco num gesto rápido, pois o frio faz-se sentir na sua pele. Ela olha para um termómetro pendurado no muro de uma casa enorme, toda pomposa, constando que o termómetro indica dois graus negativos. "É por isso que o frio até entra nos ossos" - pensa.
Poucos momentos depois os seus passos cessam á frente do templo Hikawa. A escadaria enorme faz Usagi suspirar de cansaço, pois estava muito cansada de andar sempre contra o vento rua acima, rua abaixo. A muito custo ela sobe a grande escadaria e alcança a porta do templo.
- Olá Usagi! Entra, entra! - diz Rei ao abrir a porta antes que Usagi sequer lhe tenha tocado.
Usagi entra rapidamente para escapar ao frio. Dentro do templo estava um calorzinho aconchegador, por isso ela tira o seu casaco e pendura este na parede, onde muitos outros casacos estavam pendurados também. Depois caminha lentamente para a sala e levantando o olhar, nota que todas as Sailor Senshi e Mamoru estão sentados em sofás vermelhos, grossos e com aspecto fofo. Será que Rei comprou novos sofás? Olhando para o chão vê que também num canto se encontravam Luna e Artemis.
- Oh! Olá a todos! - diz olhando á sua volta. - Então Rei, qual era a coisa tão importante que querias falar sobre?
- Olha Usagi, nós acabamos de nos reunir para falar sobre este novo incidente. Sobre este novo inimigo...
Usagi olha para Rei com um olhar baço e molhado, e arranja o seu cantinho no sofá ao lado de Mamoru que a abraça calorosamente, beijando-a. Rei senta-se no lugar em que se encontrava antes de Usagi chegar e começa a falar:
- Bem como eu e tu vimos, parece que apareceu um novo inimigo. Eu chamei-vos a todos pois gostava de falar sobre isso. Temos que descobrir quem é! Haruka, Michiru, Setsuna e Hotaru, será que vocês sabem alguma coisa?
- Bem... - começa Michiru, abanando a sua cabeça cheia de delicados cabelos azul-esverdeados - Nós não sabemos nada. Quando vimos o que tinha acontecido nas notícias e claro, depois de vocês ligarem, fomos logo procurar pistas ao local, mas não encontramos alguma coisa... Só uma estrada destruída e corpos espalhados... E o Deep Aqua Mirror não me mostra nada também... Estive até agora com ele ao meu lado, mas nada, apenas nada de nada. - diz olhando para baixo.
Nota-se que Rei fica um pouco desiludida com esta resposta, mas vai continuando:
- Usagi, tu foste ver como estavam as pessoas ao hospital não foste?
- Sim...
- E então?
- Bem... - começa Usagi, mas de repente sente um aperto no peito. Ela engole em seco para não deixar o choro tomar conta dela.
- Sim...? - pergunta Rei, encorajando-a.
- Eu fui ao hospital vê-las, e perguntei ao médico como estavam. Ele disse que... que... elas nem estavam mortas nem vivas. Não reagiam a nada... Respiravam, o coração batia e tudo, mas não reagiam, não falavam, não se mexiam, absolutamente nada! E do que vi, os olhos delas estavam mortos, vazios, não havia nada por dentro... – e dizendo isto, Usagi apoia a sua cabeça nas mãos soluçando. Os seu olhos começam a queimar e as lágrimas a cair - E eu nem os salvei... Porquê? - soluça, chorando. Mamoru abraça-a, tentando consolar e Rei aproxima-se e abraça a sua amiga também.
- Não te culpes... Vais ver que isto vai acabar tudo bem... Nós vamos salvar essas pessoas! - diz Rei confidente.
- Rei... - soluça Usagi. O choro desaparece, dando lugar a um pequeno sorriso triste e molhado - Obrigada...
- Não tens de quê... - sorri Rei. – Bem e tu Ami, encontraste algo com o teu computador?
- Bem... - sussura Ami - só notei que as pessoas têm falta de uma fonte de energia importante para estarem naquele estado. Não sei bem o quê, como, ou de resto, não sei também absolutamente nada!
Pela primeira vez na vida, a Sailor Senshi mais inteligente que o mundo alguma vez viu não conseguiu arranjar algumas informações.
- Então estamos completamente sem pistas...
Uma pequena névoa branca vizualiza-se na escuridão daquele lugar. Formações de pedra, parecidas como pilares brancos destruidos aparecem aqui e ali. No meio de este lugar místico, encontra-se um espelho, fundo e negro, e á frente desse espelho, uma silhueta de joelhos, juntando as suas mãos revestidas de unhas grandes e pegajosas, juntas mesmo ao pé do vidro. Á volta da silhueta encontram-se milhares de pequenos brilhos, fazendo lembrar estrelas. Estes circulam lentamente á volta da silhueta e do próprio espelho.
- Ó escuridão das profundezas, ó minha mestra coberta nos mantos negros da morte, minha rainha, por favor apareça!
Uma sombra aparece dentro do espelho. Uma voz muito rouca e fraca ecoa pelo lugar.
- Então Scroll... estava á tua espera... estou a ver que encontraste as Essências que tanto precisava. Que lindo brilho que elas têm também... Até lhes sinto o poder... - diz a custo.
- Sim minha rainha. - diz Scroll - Acabadas de ser retiradas dos humanos.
- Hm... Isto deve chegar para o que preciso, por agora... Obrigada Scroll... Mas preciso de mais... Vai apanhar ainda mais Essências. Encontra as que puderes... Vai! - ordena.
- Sim minha rainha. - diz Scroll, desaparecendo na escuridão.
A sombra fica quieta como se estivesse a olhar para algo á sua frente.
- Hmpf... Vão ver... nada nos pode parar agora. - diz sozinha.
Virando-se, desaparece algures dentro das profundezas do espelho.
Usagi vagueia sozinha pelas ruas de Tóquio. "O dia começou mal" pensa, agarrando o seu guarda-chuva. Nuvens cizentas cobrem os céus como uma cortina grossa e encharcada, chuva molhada cai intensamente sobre a cidade e rajadas de vento fazem-na quase levantar vôo. Usagi caminha devagar, agarrando com força o seu guarda chuva, para não escorregar em alguma poça de água. Pouco depois, encontra-se toda encharcada na escola.
- Usagi Tsukino! Então por uma vez na vida a menina decidiu chegar cedo! – berra alguém atrás dela. Usagi assusta-se e volta-se rapidamente.
- Ó stôra, sim! - diz Usagi com um sorriso divertido.
- Hmmm! Será que aconteceu alguma coisa? Está tudo bem contigo Usagi?
- Oh, comigo está tudo bem, o que havia de ter acontecido stôra? - disfarça ela.
A professora lança um olhar estranho, um olhar daqueles que vêm a pessoa por dentro como se de raios-X se tratasse. Usagi engole em seco. A professora, acenando, dá a volta e vai embora pelo corredor oposto.
"Ufa!" - pensa Usagi, enquanto se encosta á parede, aliviada. As suas amigas e colegas vão chegando aos poucos e em silêncio, entram todos na sala de aula onde as aulas iriam começar. A campainha toca.
- Bem, meninos e meninas, quero apresentar uma nova aluna que vai andar na vossa turma daqui em diante! - e virando-se para a porta, diz baixinho - Podes vir!
Uma silhueta escondida nas sombras que a porta fazia, dá um passo na luz. A figura que aparece no lugar da sombra escura, é alta e tem um smoking preto a cobrir o topo do seu corpo. Espetados no smoking, encontram-se vários alfinetes, e algumas correntes penduradas aqui e ali. Alfinetes com uma roda redonda com coisas escritas também se salpicam entre correntes e o preto do smoking. Uma coleira de algum tipo, aperta á volta do seu pescoço. Calças pretas com inúmeros fechos prateados e uns sapatos castanhos e pontiagudos fazem-se vizualizar á luz gerada pelas lâmpadas da sala de aula. Um cabelo curtinho, vermelho vivo, um tampão pendurado numa das suas orelhas e montes de maquilhagem preta vão aparecendo lentamente. Um grande sorriso pintado de preto brilha por toda a sala. Parece muito simpática. Mas, contudo, parece que muitos não gostaram da rapariga que acabara de entrar. Grande parte da turma ficara boquiaberta a olhar como se ela fosse um extraterrestre caído na terra. Depois de este impacto alguns risinhos e sussurros fazem-se ouvir pela sala de aula. Desses sussurros dá para entender algo como "Olha para ela..." e "Olha a porcaria das roupas dela! Parece um espantalho!" - riem alguns alunos á sucapa. A rapariga dá mais um passo para a frente.
- Olá, o meu nome é Sirida e tenho 16 anos. Espero que nós tenhamos um tempo bom juntos!
O resto da turma dá as boa-vindas á rapariga, que por sua vez se senta num lugar livre encostado á parede. Mas os risinhos falsos e os sussuros teimam em não parar...
Durante o recreio, Usagi olha para a rapariga apresentada recentemente com curiosidade. A rapariga está sozinha sentada a um canto olhando em vazio. O resto da turma está a desfrutar completamente do "sagrado" recreio, falando, gritando e correndo. Usagi decide-se por ir falar com ela. Com passos definidos, vai se aproximando.
- Olá!
- Olá... Ei! Tu és aquela rapariga da turma... Como te chamas? Ussaga? Osaga?
- Não, chamo-me Usagi! O que é isso que tens aí? - sorri.
- Isto? Ahh um pacote de gomas... Queres algumas, Osaga?
Os olhos de Usagi brilham de felicidade. É claro que ela queria!
- Claro! - e pega logo de uma punhada - e o mfeu nomfe éf Usagfi!- diz, com a boca cheia de gomas.
Pouco tempo depois, Usagi e Sirida falavam animadamente, como se fossem amigas de longa data. Usagi já tinha feito uma nova amiga.
Entretanto as outras Sailor Senshi vão-se se aproximando, depois de terem passado algum tempo na casa de banho, juntando-se á conversa. No fim das aulas saiem todas juntas da escola, passeando pelas ruas movimentadas de Tóquio numa tarde fria e nebulada. A chuva e o vento tinham cessado por volta do meio-dia, mas o frio e as nuvens não sairam do sítio.
Sirida morava num apartamento algures no centro da cidade. Era num prédio pintado de um branco que reflectia muito bem a luz do céu, e buracos com algo verde aqui e ali. Convidaram Sirida a ir com elas para o templo e estudar mas esta dissera que não tinha tempo. Acenaram adeus a Sirida e deram rumo ao templo de Rei onde iriam estudar esta tarde.
De súbito, quando atravessavam uma passadeira com muito pouco espaço, uma mancha negra, meia transparente, aparece no céu. Essa mancha vai ficando cada vez mais grossa e opaca, até dar a forma a uma figura escura. Essa pousa no chão e vai-se notando um vestido cinzento-escuro, com uma grande capa da mesma cor. O seu cabelo negro, e curto dissipa-se na sua cara meia acinzentada. Os seus olhos vermelhos fazem lembrar sangue. As multidões de pessoas que caminhavam na rua olhavam horrorizadas para a figura que tinha acabado de cair do céu.
- Sim, tantos brilhos! Até lhes consigo sentir o odor! Bem... Não há tempo para conversas. MORRAM! - e dito isto, um redemoinho negro aparece na rua, começando a engolir pessoas para o seu interior. Carros despistam-se, embatendo nos prédios, provocando fumo e fogo.
As Sailor Senshi correm rapidamente, escondendo-se atrás de um carro estacionado perto da mulher misteriosa.
- Meninas, é ela outra vez! Parece que está na hora de lutar!
- Sim!
- MERCURY CRYSTAL POWER!
- MARS CRYSTAL POWER!
- JUPITER CRYSTAL POWER!
- VENUS CRYSTAL POWER!
- MOON ETERNAL!
- MAKE UP!
A figura observa com um sorriso a sua obra prima. Levanta os seus braços e começa a falar de novo:
- Pronto, agora está na hora de retirar o vosso brilho! Withdr...
- Pára imediatamente! – ouvindo isto, a figura volta-se, espantada. No cimo de um prédio, encontram-se cinco silhuetas.
- Como te atreves a atacar pessoas inocentes, e deixá-las num estado que nem podem se divertir nem falar! Somos as Sailor Senshi e em nome da Lua, vamos castigar-te!
As silhuetas saltam do cimo do prédio, aterrando no chão. No que eram cinco sombras, agora aparece Sailor Mercury, Sailor Mars, Sailor Jupiter, Sailor Venus e Sailor Moon. Todas com um ar zangado e sério.
- Olhem, as queridas Sailor Senshi deste planeta decidiram aparecer de novo... - diz a mulher, rindo.
- Muito bem, irei-vos enfrentar!
O redemoinho disspa-se e as pessoas lá dentro fogem, gritando horrorizadas.
- Quem és tu? - pergunta Sailor Jupiter, furiosa.
- Não me apresentei ainda? Desculpem o meu atrevimento... Eu sou Kzinscha, uma das grandes caçadoras de Essências do Reino das Sombras! Agora que me apresentei... Morram! - uma esfera negra forma-se entre as mãos de Kzinscha, dando lugar a um pilar negro, que a grande velocidade se dirige contra as Sailor Senshi. Estas escapam mesmo a tempo de o ataque as atingir.
- Que queres? - berra Sailor Moon - Não te vou deixar fazer estas pessoas como fizeste ás outras! Que lhes fizeste? Diz!
- Queres saber o que lhes aconteceu? Elas estão sem a sua Essência minha querida...
-E... Essência? - a cara de Sailor Moon contorce-se como um ponto de interrogação.
- Não interessa agora, pois vais ficar também sem a tua! WITHDRAWAL OF THE SHADOWS! - Kzinscha cruza os braços á sua frente, e um raio negro forma-se, voando até Sailor Moon.
- MARS! FLAME SNIPER! - uma seta vermelha incandescente atinge a o raio, dando lugar a uma pequena explosão, atirando Sailor Moon ao chão. As outras Sailor Senshi ajudam Sailor Moon a por-se de pé novamente.
- Não vais vencer! Nunca irei deixar! - diz Sailor Moon decidida. Uma luz cor de rosa aparece na sua mão, dando lugar ao Tier.
- O Tier... Apareceu... Mas como é p... - murmura, estupefacta.
- Ai não? Toma isto! – mais raios negros voam em direcção a Sailor Moon.
Uma rosa corta o ar abruptamente com um ruído forte, atingindo e impedindo os raios de chegar ao seu destino. Kzinscha olha espantada para de onde a rosa surgiu. Em cima de um carro encontra-se um homem com um chapéu alto, fato e um grande manto, todos de cor negra.
- A luz que está dentro de cada ser, não deve ser retirada e absorvida pelo o mal!
- Tuxedo Kamen! - grita Sailor Moon - Vieste!
- Agora meninas! - diz Tuxedo Kamen – Vocês conseguem derrotá-la!
- Vamos lá! - diz Sailor Jupiter. - Vamos vencer este demónio de uma vez por todas!
- Sim!
- SHABON SPRAY! - uma névoa com cheiro a sabão envolve todo o lugar. Com isso desaparece a possibilidade de conseguir ver alguma coisa.
- SPARKLING WIDE PRESSURE! - um disco de raios atinge Kzinscha, combinado com um raio amarelo vindo de Sailor Venus. Kzinscha é atirada contra uma parede, caindo no chão com força.
Sailor Moon ergue o Tier. Um brilho dourado surge do seu topo.
- SILVER MOON CRYSTAL POWER KISS! - raios dourados atingem Kzsinscha, dando lugar a um monte de penas circulando ao sabor do vento. Kzinscha sente como o seu corpo desintegra-se. O corpo começa a derreter, dando lugar a um líquido preto, combinado com um tipo de fumo grosso e abafado a esvoaçar do seu corpo. Kzinscha grita de dor.
- O que me está a acontecer? O que é isto! Tu vais pagá-las, sua cabra! ABYSSAL ROOTS!
Tudo acontece muito rápido. Raizes negras surgem do chão, agarrando as Sailor Senshi e Tuxedo Kamen, eletrocutando-os. Gritos de dor ecoam por toda a parte. Faíscas arroxeadas saem das raizes, provocando uma dor intensa. Eles tentam libertar-se, mas as raízes agarram-nos com firmeza.
- Então, dói? - diz Kzinscha levantando-se, com a mão a comprimir a sua barriga - Agora vão ver! - e cruzando as suas mãos á sua frente a muito custo, grita – Morram! WITHDRAWAL OF THE SHADOWS!
Um raio de luz negra dirige-se a alta velocidade para as Sailor Senshi envoltas em grossas raízes.
Um único pensamento invade a mente de Sailor Moon. Este é o fim. Acabou. Vão acabar como aquelas pessoas. Vivas e sem vida... Completamente vazias por dentro... O fim de tudo...
O raio de luz negra aproxima-se... Até se consegue ouvir os pequenos barulhos de eletrecidade mortífera que aquele raio emite. Pouco a pouco, o raio voa cada vez mais perto. É uma questão de segundos antes que o raio os atinja e os seus corpos com vida, mas embora sem vida, caiam ao chão com um pequeno baque.
Sailor Moon fecha os olhos.
Um grito faz-se ouvir subitamente. Sailor Moon abre os olhos, deparando-se com uma luz dourada que tinha aparecido do nada. O raio negro desaparecera. Kzinscha encontrava-se desmaiada, encostada a uma parede, o seu corpo era agora composto por partes líquidas, partes sólidas e partes que se esfumavam no ar.
A luz dourada brilha intensamente e de repente, Sailor Moon e os outros vêem as raízes que antes quase os estrangulavam, desfazerem-se em mil bocados, esvoaçando por todo o lado e desaparecendo quase de seguida.
- Mas... O que é isto...?
A luz dourada desaparece tão abruptamente como tinha aparecido, deixando as Sailor Senshi e Tuxedo Kamen cheios de perguntas. O que seria aquilo?
Um pequeno gemido veio da parede. Todos viram-se rapidamente olhando para Kzinscha, que por esta altura estava quase morta.
- Vo...cês...vão...veeeer... - geme, levantando a sua mão lentamente. As Sailor Senshi e Tuxedo Kamen colocam-se logo em posição de defesa, prontos para enfrentar qualquer ataque.
Porém, uma luz dourada sai do corpo de Kzinscha, acompanhada por um grito seu. Pouco a pouco o seu corpo desintegra-se ainda mais. A luz dourada cessa e Kzinscha geme baixinho.
- Eu voltarei...
- ESPERA! - grita Sailor Jupiter, correndo, mas foi tarde demais. Kzinscha desaparecera.
Michiru segura o Deep Aqua Mirror nas suas mãos, olhando para este. Mas sem algum resultado. A única coisa que vê é os seus olhos azuis e o seu cabelo longo e azul-esverdeado, caindo suavemente sobre os seus ombros. Pousando o espelho com cuidado na mesa de cabeceira ao lado da sua cama, suspira tristemente.
- Então, Michiru? - a rapariga de cabelo loiro e curto, aparece atrás dela, sorrindo.
- Nada apenas, Haruka... - diz baixando o olhar.
Haruka aproxima-se por trás, metendo as suas mãos na cintura de Michiru. Michiru vira-se lentamente, e as suas bocas acabam por se encontrar num beijo romântico e acolhedor. Até se sente na atmosfera o calor transmitido pelas suas bocas. As duas começam lentamente a abraçar-se ainda mais, arrastando as suas mãos pelos seus corpos. As duas beijam-se freneticamente. Haruka sorri enquanto sente os altos e baixos do corpo de Michiru contraídos contra o seu. As duas começam a caminhar lentamente para a sua cama, beijando-se e tocando-se ao mesmo tempo.
De repente, um clarão azul-esverdeado brilha bruscamente do nada. Haruka e Michiru viram-se, surpresas. O clarão vem do Deep Aqua Mirror, qual brilha tão intensamente que até é capaz de cegar.
- O que está a acontecer? - grita Haruka.
O clarão dissipa-se, e o Deep Aqua Mirror começa a flutuar. Dentro do espelho aparece algo brilhante em forma de espiral.
- O que é isto?
- Será... a Via Láctea? A nossa galáxia? - exclama Michiru, surpreendida.
A galáxia reflectida no espelho é coberta por uma mancha negra, vinda do nada. Essa mancha começa-se a alastrar para outras galáxias em volta, resultando em tudo envolto num manto negro, cheirando a morte. Então uma explosão apocalíptica abala tudo. E o cenário vai desaparecendo até voltar a ser o espelho reflectindo o quarto e as caras surpresas de Michiru e Haruka.
- Não pode ser... - murmura Haruka.
"Salvem o universo..." - diz uma voz clariosa, fininha e doce.
- Quem és tu? - Haruka olha suspeitamente para o espelho que ainda flutua no ar.
"O Universo está em perigo... Um inimigo muito mais poderoso que Chaos está a aproximar-se. Se esse inimigo acordar, será o fim de tudo! Ele irá envolver o universo nas suas mãos envenenadas, matando tudo ao seu redor!" - diz a voz, em tom melancólico.
- Mais forte que Chaos...! - exclama Michiru horrorizada.
"Sim... Por favor encontrem a mística querreira. a Esquecida, a única com o brilho incadescente. O brilho que é capaz de iluminar o Universo, e salvá-lo da destruição e dos horrores sombrios da morte." - e com isto a voz cala-se, e o Deep Aqua Mirror pára de flutuar, caindo pesadamente em cima da cama. Michiru e Haruka estão paralizadas de terror, incapazes de mexer um único músculo. Só algum tempo depois se atrevem a mover.
- A Esquecida, hein?
- Mas... Tens ideia de quem seja? - pergunta Michiru, pegando lentamente no Deep Aqua Mirror.
- Não... E acho que sabes o que temos a fazer a partir de agora... Encontrá-la.
As duas acenam simultâneamente.
- Minha rainha... Ajude-me!
Um vulto negro encontra-se deitado no chão. Algum tipo de líquido negro e viscoso envolve o seu corpo, ao mesmo tempo que fumo negro esvoaça do mesmo.
- Kzinscha! O que aconteceu?
- Minha Alteza, por favor ajude-me... Estava a tentar tirar as Essências áquelas pestes das Sailor Senshi e... AIIIIIIIIIIII!
Um clarão dourado surge do seu corpo, esfumaçando Kzinscha ainda mais e fazendo com que ela caia inanimada no chão. Scroll olha com surpresa para este cenário. Com um gesto seu, Kzinscha desaparece num brilho vermelho, incluindo ela própria. Pouco tempo depois encontram-se á frente de um enorme espelho, rodeado de uma leve neblina.
- Ó escuridão das profundezas, ó minha mestra coberta nos mantos negros da morte, minha rainha, por favor apareça! – diz, ajoelhando-se.
Uma sombra negra aparece, vinda das profundezas do espelho.
- O que foi... Porque me acordas, Scroll!... Eh... O que tens aí? – murmura a custo.
- Esta é uma caçadora de Essências. Apareceu repentinamente a minha frente neste míserável estado.
Scroll mal acabara de dizer isto e o mesmo clarão dourado que antes aparecera, brilhava outra vez, agora combinado com raios dourados que saiam do corpo de Kzinscha. Esta inanimada, acorda, gritando e uivando. Pouco depois, desmaia outra vez ao mesmo tempo que a luz cessa.
- Esse brilho...! - exclama a sombra na sua voz rouca e fraca.
- Sim minha rainha, sabe o que é?
A sombra faz um pequeno gesto com a sua mão. Um espelho aparece do vazio, engolindo o corpo frágil de Kzinscha para as suas profundezas.
- Esta caçadora foi atingida pelo brilho, o brilho outrora esquecido, o brilho que tanto procuramos, o único brilho que pode pôr fim a todos os nossos planos... – a sombra respira a muito custo, como se alguém a estrangulasse - A Esquecida!
- A Esquecida? – exclama Scroll, muito surpreendida
- Sim! - afirma a sombra - Esta caçadora foi atingida pelo seu brilho amaldiçoado e agora uma parte deste está dentro de si! Não vai parar enquanto não a destruir por inteiro... Por isso a coloquei dentro deste espelho. Dentro do espelho existe um espaço paralelo á dimensão do mundo real, do mundo que te encontras... E esse brilho que a quer destruir só consegue funcionar na vossa dimensão. Dentro do espelho, o brilho só fica dentro dela, mas não a destrói. Ela agora não pode fazer mais nada... Tem de permanecer dentro do espelho por agora...
- Oh não... – murmura Scroll.
- Scroll, a única coisa a fazer, é prosseguir com a procura de mais Essências... Não me consigo aguentar durante muito mais tempo... Vai! - ordena.
- Sim, minha rainha! - diz Scroll, fazendo uma grande vénia.
Um céu completamente negro. Pedaços que giram rapidamente flutuando com o vento. Uma cidade prestes a ser engolida por uma esfera negra, que furiosamente destrói e engole tudo no seu nada. Tudo escuro... Raios negros por toda a parte. Prédios que desabam sobre si mesmos. Gritos alucinantes ecoam por toda a parte. Pessoas atingidas por raios negros... Dos seus peitos sai algo brilhante que é imediatamente engolido pela escuridão. Destruição total...
De repente, abre os olhos. "Onde estou?" pensa. Depois de olhar em volta, consta que se encontra no seu quarto. Olha para a prateleira, onde o porta chaves com um ursinho cor de rosa lá colocado parece que a observa. Desviando o olhar para a janela vê uma luz clara e rosada no horizonte atrás, dos prédios da imensa cidade. Estava a amanhecer.
- Kakyuu? Que foi?
Esta vira-se e depara-se com um vulto alto de cabelo curto com o cabelo atado pendurado ao longo das suas costas, olhando para ela na entrada do seu quarto com uma cara estremunhada. Mas os seus azuis olhos observam-na intensamente.
-Fighter... Tenho algo para vos contar...
