Cap. 2 – Mais uma dança

Cici acordou no meio da noite e se viu no sofá com aquele charmoso desconhecido. Ainda sob o efeito do sono, o admirou por uns poucos minutos, parecia calmo. Eles estavam perto, colados, as pernas quase entrelaçadas, ela podia sentir sua respiração no seu rosto. Olhava satisfeita, apesar do cansaço, da leve dor de cabeça de não se lembrar muito do acontecido, eles tinham se beijado e, agora, ele dormia confortavelmente ao lado dela. Cici tinha conseguido: de uma expressão neutra no rosto e poucas palavras, Sasuke passara a rir e a beijá-la. Por um momento, adimitia, achara que tinha se enganado quanto aos olhares que ele lhe lançara enquanto dançava, pareceu-lhe desinteressado quando pensara duas vezes antes de aceitar beber com ela. Mas Cici sabia, como ninguém, que uma boa dose de àlcool podia derrubar qualquer defesa e, em pouco tempo, estava claro: Sasuke queria vê-la, se divertir e beijá-la, como todos os outros, apenas estava em dúvida entre admitir ou não. Mas ele era diferente, era mais bonito, mais charmoso, Cici o queria mais que aos outros. Queria descobrir o que há por detrás dos olhos escuros e indiferentes e das poucas palavras quando sóbrio. Queria sóbria redescobrir seus beijos e ver o momento em que seus olhos se fecham, queria sentir sua mãos tocá-la suavemente enquanto a beijasse, descobrir seu corpo, seus gemidos, seu gosto... seu gozo. Cici sorriu ao ouvir esta última palavra em seu pensamento. Se ele ouvisse os seus pensamentos pervertidos... o tipo que todo mundo pensa, mas poucos tem a coragem de verbalizar. Ela certamente não verbalizaria tão cedo. Era bobagem pensar isso de um desconhecido viajante que talvez acorde com pressa de ir embora. "Não seja boba, Sasuke riria se ouvisse essas coisas, ou então ficaria embaraçado, mas riria por dentro em algum minuto. Primeiro você deve conquistá-lo e não o contrário, e, quando ele querer, você pode pensar, dizer, fazer o que quiser. Antes, você estaria sendo boba." Disse pra si mesmo, ainda imaginando quão lindo seria seus olhos fechados, sua respiração descompassada, sua cabeça jogada pra trás e seus gemidos incontíveis. Cici adormeceu aos poucos, olhando para ele...

Quando Sasuke acordou, o sol já entrava brandamente pela janela. Ele olhou para o sofá em que estava deitado e para a mulher que dormia profundamente com a cabeça encostada em seu peito. Achou-a linda, mas concluiu que isso pouco importava. Tirou-a devagar e encostou sua cabeça no sofá. Enquanto se dirigia até a porta pensava que não deveria estar ali. De fato, fora um bom ópio, mas não seria o bastante. O sol voltara e com ele seus problema e angústias, ainda havia quem matar e o que destruir. Ainda estava cansado de esperar e ansioso para, enfim, ter a sua vingança plena. Devia encontrar Madara logo, e pensou que talvez fosse tempo de dizer que não participaria mais dessa guerra, que iria atrás dos seus objetivos, com ou sem ele. A guerra seria a perfeita distração para atacar Konoha, mas ainda sim, Konoha era forte, e ele precisaria de toda sua força. Porém, todos estavam atrás dele. Não adiantaria dizer que não está mais com Madara e se distanciar da guerra. Depois de tudo, todas as vilas ninjas estariam atrás dele. Depois de Madara, era o principal inimigo de todos. Seguir para Konoha neste momento talvez significasse não encontrar a vila indefesa, mas atrair ninjas de outras vilas para lá enfrentá-lo. Um só passo e todos saberiam onde está e iriam ao seu encontro. Estava preso a essa guerra, às vilas que o queriam morto, pagando assim por tudo o que fizera nesse último ano, estava preso a todos que matara. Saíra pela porta com esses pensamentos, andou pela rua em direção a estrada pela qual entrara na cidade no dia anterior, passando pelo bar em que vira Cici dançar.

Ela não demorou a acordar logo que Sasuke saiu. Precisou de alguns segundos para se dar conta do que tinha acontecido. Ela estava no sofá, sentou-se e olhou ao redor: "onde ele foi?" Levantou-se devagar e procurou pela casa, inclusive quarto e banheiro, mas já sem esperança. Ele fora embora. Perguntou-se que caminho teria pegado e lembrando-se que lhe dissera que estava de passagem tentou adivinhar se "de passagem" significava que a cidade era parte do caminho da sua viagem ou se um desvio para descansar e comer. Decidiu pela segunda opção e foi em direção ao bar em que trabalhava. Se fosse um desvio, ele voltaria pelo caminho em chegou. Na saída da cidade, ela o viu andando, passos calmos, mão esquerda no punho da espada. Foi até ele:

Não é muito educado não se despedir de quem te deu abrigo à noite. - Disse em tom irônico e meio sorrido.

Sasuke se virou e respondeu com o mesmo tom, porém um pouco frio e sem sorrir:

Não sei o que seria de mim ontem se você não tivesse me abrigado.

Cici sorriu, agora sem parecer um desafio, mas amigavelmente. Sasuke Completou:

Não quis te acordar.

Estou acordada agora.

Eu tenho que ir.

Tão rápido? - Cici recuperou o seu semblante e tom de desafio. - Você deve ter um compromisso importante, eu imagino, nem se quer podia esperar que eu acordasse. - Terminou com um meio sorriso.

Eu tenho. - Não era frio, apenas sério.

É uma pena, eu vou me apresentar hoje a noite novamente, se ficasse, poderia me ver cantar.

Não posso. - Respondeu.

Uma pena. - Repetiu com meio sorriso, fingindo tristeza e desafiando ao mesmo tempo. - Tenha uma boa viagem, e quando passar por perto, não esqueça de me visitar. - Com um último sorriso, fez menção de se virar pra ir embora.

À que horas vai se apresentar?

Cici conteve um sorriso maior e manteve o seu casual e discreto meio sorriso, finalmente uma resposta que não fosse curta e direta, respondeu com ar de triunfo:

Às 9.

Talvez eu possa ir. - Com a resposta, Cici arqueou uma de suas sobrancelhas acentuando o desafio ao que Sasuke respondeu. - Mas há uma coisa que eu quero em troca por ficar.

Com isso, Cici perdeu a compostura, não pode esconder uma breve risada e perguntou ainda rindo:

O que você quer? - Terminou retornando ao meio sorriso desafiante.

Quero que você dance pra mim, depois da sua apresentação.

Cici ficou olhando-o boquiaberta por um momentos. Até agora, ela estava jogando com ele, provocando-o-, desafiando, mas neste momento Sasuke decidiu entrar no jogo. Aos poucos voltou ao desafio:

Talvez eu possa dançar. Não vai se atrasar para o seu compromisso?

Não – respondeu sério. Na verdade, nos momentos sóbrios, ele sempre estivera sério, mas algumas vezes mais frio e seco, outras menos.

Te vejo as 9. - Fez menção de se virar novamente.- Na verdade, – completou – como você vai ficar o dia inteiro por aí, então eu te vejo às 3 no centro da cidade.

Estarei lá.

Cici deu um sorriso sincero e se virou para ir embora. Sasuke a acompanhou com os olhos por um bom tempo. Não precisava ir atrás de Madara tão cedo. Saindo pela manhã, ainda daria tempo. Por que não estender o ópio? Ele gostara dela, estava cansado, queria não pensar. Além disso, sentia-se desafiado. Um desafio estúpido, mas ainda sim um desafio. Ele não iria muito longe, de qualquer forma. Era apenas um ópio.

Pensando melhor, aquilo não fazia sentido. Estava perdendo tempo, perdendo o foco. Há cinco ano seu único objetivo era a vingança e estava disposto a tudo para consegui-la. Porque agora ficar aqui? Ele precisava encontrar Madara, pensar uma forma de superar Naruto e destruir Konoha, e, por último, Madara. Não havia tempo para distrações e ópios, e precisar disso era fraqueza. Precisava treinar e pensar. Só isso. Precisava ir embora, ficar sozinho na solidão de suas viagens e alimentar cada vez mais seu ódio e autossuficiência. Esse era o motivo de sua existência, pois era um vingador, todo resto é dispensável, mesmo indesejável. Uma dançarina? Para que vê-la dançar? Melhor é ter sua vingança, e é isso que deveria buscar. Com este pensamento, Sasuke deu meia vola e continuou a andar para fora da cidade. Tudo aquilo não passara de copos de Saquê e cansaço, não havia sentido algum.