FAR WEST

Capítulo 2

AUTORA: Lady K

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions (não venham me pentelhar). Esta história é também uma adaptação de um livrinho estilo Sabrina (não venham me pentelhar por isso tbm lol).

GÊNERO: Aventura, romance, comédia e umas cenas calientes. Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não me responsabilizo por qqr dano psicológico ou moral lol Pessoas diabéticas e cardíacas, cuidado! Altas doses shipper R&M!

COMMENTS: Já estava para cortar os pulsos (tá tá bom, não estava mas no mínimo devoraria uma caixa de bis kkk) achando q ninguém estivesse na área pra ler esta fic rs... Felizmente o fanfiction agora tem aquela ferramenta maravilhosa para dedurar qtos visitantes passaram por aqui, isso elevou mto a minha auto-estima :D Mas deixar umreviewzinho n cai o dedo, né gente??? Tenham piedade!

*Mamma Corleone: obrigada pelo carinho, esse vai sair em sua homenagem :D


Roxton apurou os ouvidos para entender a pergunta. Machucado e com o corpo todo dolorido graças à sova ordenada por Tribuno, ele havia perdido a noção de há quanto tempo estava preso.

"Moço, perguntei quem é o senhor" a voz estranha voltou a soar.

Roxton sacudiu a cabeça para clarear a mente. Devia ter passado a maior parte do dia inconsciente. Tinha sido o aroma delicioso de algo cozinhando que o pusera alerta. Podia jurar que alguém estava acampando perto da porta da cela. A boca encheu-se de água. Comida quente.

"Meu nome é Roxton" ele respondeu, aliviado por não estar tendo uma alucinação. "John Roxton. ohtono*******Que tal me soltar daqui e me oferecer um prato de comida? Aliás, prefiro beber água antes."

A única resposta foi o silêncio. A frustração e a possibilidade de tornar a perder os sentidos e não voltar mais a si foi o que acabou com seu resto da paciência. "O que você está esperando? Abra esta maldita porta!" gritou.

"Não acho que seja uma boa idéia. Os soldados deviam ter alguma razão para prendê-lo aí."

Furioso, Roxton mal acreditou no que ouviu. "Você quer dizer que vai me deixar morrer aqui?"

Fez-se novo silêncio.

"Isso faria de você um assassino" argumentou.

"Não fui eu quem te colocou aí."

"Quando eles me prenderam, tiraram meu revólver. Estou desarmado e prestes a desmaiar."

Mais silêncio.

"Mesmo estando sozinho, você deve ter uma carabina ou uma pistola. Como posso ser uma ameaça para você?" insistiu.

Silêncio.

"Diga alguma coisa, seu desgraçado."

"O senhor xinga demais."

"Diga algo relevante."

"Não vou soltá-lo até..."

"O inferno congelar?" ele interrompeu.

"O senhor está ferido?"

Roxton detectou uma nota de preocupação nas palavras. Sua esperança cresceu, ao mesmo tempo em que as pernas fraquejavam.

"Estou com umas costelas quebradas e uma dor de cabeça infernal" admitiu, num tom cansado.

"Sinto muito."

"Então me solte."

"O que o senhor fez?"

Embora fosse uma pergunta razoável, Roxton perdeu o resto do controle. "Que importância tem isso? Já te disse que estou fraco demais para lhe causar problemas."

"O senhor pode estar mentindo. E se tiver um pedaço de pau aí dentro e você me atacar quando eu abrir a porta?" indagou a voz baixa.

"Você atira em mim."

Novo silêncio. Uma idéia absurda passou na cabeça de Roxton. "Não me diga que você não tem uma arma de fogo?!"

Silêncio.

Roxton xingou.

"Que tipo de idiota vagueia pelo Território de Idaho desarmado?"

"Felizmente, tem um canhão aqui no pátio."

De repente, Roxton imaginou quem podia ser o recém-chegado: um menino. Isso explicava as variações da voz baixa, a relutância em ouvir palavrões e o medo de soltá-lo. Roxton foi tomado por uma onda de simpatia. Muitos meninotes apareciam em Trinity Falls na esperança de encherem os bolsos com ouro. Para eles, todo estranho era um inimigo em potencial.

"Escute, menino, você não precisa me soltar. Basta passar a comida pela janelinha na parte de baixo da porta. E eu lhe dou minha caneca pra você encher de água."

"Por que me chamou de menino?"

"Acertei em cheio, não é?"

"Não sou criança."

"Tenho certeza de que você viajou o suficiente e enfrentou muitas dificuldades. Agora, que tal me dar a comida e água?"

A janelinha de metal se abriu de repente, mas luz alguma passou por ela. Roxton percebeu que já era noite. Apalpou em volta até encontrar a caneca. Passou-a pela abertura e ficou à espera.

"Pegue aqui" ouviu.

Roxton enfiou a mão pela janelinha e recebeu algo morno e de odor apetitoso. Ao dar a primeira mordida, as papilas gustativas estimularam a produção de saliva. Levando-se em consideração sua exigência no restaurante do Prairie Rose, sua fome devia estar em estado avançado para se deliciar com algo tão modesto.

Instantes depois, a caneca foi empurrada pela janelinha. Sentado no chão e com as costas apoiadas contra a parede, inclinou a cabeça pra trás e sorveu o líquido revigorante. Jamais tinha saboreado algo tão delicioso, exceto...

"Ei, menino. Por acaso você não tem aí uma garrafa de uísque?"

"De jeito nenhum! E pare de me chamar de menino."

"Não me diga que seus pais não aprovam um gole de bebida alcoólica de vez em quando."

"Isso mesmo."

Roxton não se surpreendeu.

"Já comi meu bolinho. Você tem mais?" perguntou, estendendo a mão pra fora.

Recebeu mais três, e se fosse um homem religioso, teria gritado "aleluia".

"Você cozinha muito bem, menino. Faz isso para ganhar a vida?" indagou entre dois goles de água. "Qual é o seu nome?"

A resposta demorou um pouco.

"Krux."

Apesar das circunstancias desesperadoras, Roxton descobriu que ainda podia sorrir.

"Esse é o seu primeiro ou último nome?"

"Último."

"Que tal a inicial do primeiro? Ou prefere ser chamado por Krux?"

Silêncio.

"Você não fala muito. Por mim, tudo bem, Krux" disse sentindo-se satisfeito e dominado por uma imensa fadiga.

Novo silêncio.

Sonolento, fechou os olhos.

"M.!"

O grito estridente o fez abrir os olhos e sorrir. As costelas quebradas protestaram. Fazendo uma careta, deitou de lado sobre a palha. Achar graça em alguma coisa na presente situação sugeria que, talvez, ele continuasse a viver.

"M.K., então" comentou.

Precisava avisar o menino de que a voz dele afinava cada vez que se irritava. Faria isso depois. Com algum alimento no estômago, mas exausto demais, dormiria um pouco. Mais tarde, convenceria o rapazinho a soltá-lo.

Marguerite afastou-se da pequena prisão. Tentava não se sentir culpada por deixar o homem lá dentro. Lamentava a situação dele, mas não o suficiente para arriscar a própria vida, soltando-o. Primeiro, precisava descobrir qual fora o crime que ele cometeu para receber um castigo tão cruel. Apenas uma pessoa ignorante não perceberia que ele tinha sido preso lá para morrer. Os pecados do homem deviam ser muito negros mesmo.

Arrumou o acampamento e, pouco depois, deitava-se entre os cobertores estendidos sob o carroção. Embora o forte tivesse muitas camas vazias, ela não se atreveria a dormir numa delas. A sensação estranha da presença de seus ex-ocupantes ainda a dominava.


"Krux! Levante-se e venha cá!"

A ordem ríspida a acordou e a fez sentar-se depressa, batendo a cabeça no fundo da carroça. Sentiu a dor repercutir pela cabeça toda. Esperou que ela passasse, antes de engatinhar para fora.

"Mexa-se, Krux! Temos que sair daqui!"

Ela dirigiu um olhar sombrio para a prisão.

"Eu estava dormindo..." respondeu, com a voz sonolenta.

"Preste atenção, garoto. Se você não me soltar logo, nós dois vamos servir de repasto para os abutres."

Na luz da manhã, a pequena cela de madeira revelava ser uma construção rústica e grosseira. O interior devia ser miserável e amedrontador. Marguerite dominou uma onda de pena que sentiu por John Roxton. Não podia se esquecer que tratava-se de um malfeitor, sofrendo um merecido castigo.

"Acalme-se, Sr. Roxton. Nenhum abutre irá comê-lo enquanto estiver preso aí dentro."

Esperando pela reação do prisioneiro, Maguerite deu-se conta de ter esquecido de disfarçar a voz de mulher.

"Ei, garoto, quantos anos você tem?"

Ela tossiu, limpou a garganta e tentou falar com voz baixa. "Tenho idade suficiente."

"Dez? Doze?"

"Não é da sua conta."

"Bem, vou tentar simplificar as coisas. A qualquer momento, grupos de índios vão invadir o forte. Se o exército dos Estados Unidos não achou prudente esperá-los, você não considera um grande risco continuar acampado aqui?"

Marguerite sentiu um arrepio e olhou para a porteira aberta. Devia tê-la fechado.

"Krux, os índios planejam queimar e reduzir o forte a cinzas. Eles não pretendem levar nenhum prisioneiro. A menos que você prefira ser atingido por uma seta em chamas, sugiro sairmos daqui já."

"Como o senhor sabe que eles vão atacar?"

"Isso não importa. Nós precisamos..."

"O que você quer dizer com 'nós'? Já lhe disse que não vou soltá-lo exceto se me contar qual foi o seu crime" afirmou, odiando o novo medo provocado pelas palavras de John Roxton.

"Você acredita mesmo ter escolha?"

"Naturalmente."

"Vá pro inferno! Um garoto teimoso não vai afugentar um bando de índios dispostos a se vingar."

"Já expliquei que não sou..."

"Tenho ouvidos, Krux. Por sua voz, você deve estar com dez anos. Não sei o que faz andando sozinho pelo Território de Idaho, mas se pretende fazer onze, acho bom abrir esta porta já."

"Por que o senhor não me contou isso ontem à noite?" indagou, desconfiada que Roxton estivesse inventando a história só para forçá-la a soltá-lo.

"Eu estava morto de fome e cansado demais. Depois de me alimentar, devo ter dormido."

"E agora de manhã, acordou com a lembrança repentina de que o forte vai ser atacado?"

"Isso mesmo, garoto. Precisamos chegar a Trinity Falls sem perda de tempo."

Trinity Falls! Exatamente onde ela queria ir.

"Por que te prenderam, Sr. Roxton?" ela queria saber se podia acreditar nele.

"Eu trouxe o aviso sobre o ataque."

"E te trancaram aí por causa disso?"

"Não exatamente."

"Então, o quê, exatamente?"

"Eles queriam saber como eu sabia dos planos dos índios."

"Um ponto razoável."

"Eu disse pra eles que Ned Lobo da Noite tinha me avisado."

"Ned Lobo da Noite."

"É um conhecido meu."

"Não diga! Como se conheceram?" Indagou Marguerite, intrigada com o fato de alguém poder contar com um índio em seu círculo de relacionamentos.

"Isso não tem importância."

"De fato, não. Por que Ned Lobo da Noite te preveniu sobre o ataque?"

"Ele acha que um novo derramamento de sangue só vai dificultar ainda mais a convivência de seu povo com o homem branco".

"Entendo."

Marguerite pertencia ao grupo minoritário de simpatizantes com a causa indígena. Para ela, nativos eram um povo encantador e livre que, rapidamente, perdia as terras que os abrigara através de gerações.

"O senhor ainda não me disse por que te prenderam."

"Me recusei a levar o Coronel Tribuno para o acampamento de Ned Lobo da Noite."

"E por que fez isso?"

"Já disse. A tribo de Ned Lobo da Noite está em paz."

"Então eles não tem nada a temer."

"Você não pode ser tão ingênuo para acreditar nisso."

"Sou inteligente o bastante para não acabar como você, dentro de uma cela."

"Mas estúpido o bastante para vir parar num território de índios em pé de guerra."

"Sr. Roxton?"

"Que é?"

"O senhor se sente bem aí na cela?"

"De jeito nenhum!"

"Uma pena, pois neste passo, vai continuar aí."

Uma pancada no interior da porta provocou uma revoada de mariposas. Marguerite recuou, gritando: "Pare com isso!"

"Preste atenção, seu pirralho teimoso. Os índios estão vindo!"

"O senhor já disse isso."

"E você não acreditou em mim! Aonde você acha que foi todo mundo? Para um piquenique?" gritou Roxton, no auge da fúria.

Pela primeira vez ela sentiu a tentação de abrir a porta. Se o homem dizia a verdade sobre ter trazido a notícia do ataque, não merecia morrer. Fechou os olhos e implorou orientação divina.

"Garoto?"

A voz profunda soou inflexível, mas não era a resposta dos céus.

Marguerite olhou para a porta e foi dominada pela sensação de inexorabilidade. Na verdade, sabia que seria incapaz de deixá-lo apodrecendo na prisão.

"Vou abrir a porta."

"Quando?"

Ela tentou levantar a barra de metal com as mãos.

"Agora."

"Atitude inteligente, Krux. Vamos partir para Trinity Falls imediatamente."

"Vamos estar a salvo lá?"

"Desde a última descoberta de uma mina de ouro, a cidade cresceu bastante. Tem mais de cinco mil mineradores. Não existe perigo de sermos atacados lá. Você tem um bom cavalo?"

"Não. Tenho uma junta de bois."

"Ora, a que velocidade você pretende andar com eles?"

"Os bois podem não ser rápidos, mas são firmes. Além do mais, tiveram tempo para descansar."

Depois de tentar, por algum tempo, remover a barra de metal, Marguerite desistiu de tirá-la com as mãos e foi buscar o garfo de cabo comprido.

"Você tem um carroção?" perguntou.

Finalmente os esforços dela começaram a surtir efeito.

"Tenho sim."

"Não gosto da idéia de viajar nele."

A barra soltou-se e foi ao chão. A porta da prisão se abriu, revelando um sinistro buraco.

"As marcas das rodas são muito fáceis de serem seguidas."

"Vamos precisar do carroção. Me recuso a deixar minha preciosa carga pra trás." declarou Marguerite com firmeza.

John Roxton apareceu e piscou contra a claridade. "Carga preciosa?" calou-se, e ela viu os olhos esverdeados olharem pra ela com desconfiança. "Com todos os diabos..."

A surpresa era dele. O medo, dela.

CONTINUA...

Review!!!!