CAPÍTULO UM:

O cheiro forte de sangue e infecção invadiu-lhe as narinas. Já começava a sentir o suor se formando em sua testa, devido as altas temperaturas do Verão.

- Clearwater, vai ficar aí parada? - urrou alguém a sua frente.

Ela não sabia quanto mais poderia aguentar ver todos os dias alguém de sua raça ser quase morto naquelas arenas infernais.

Seu olhar pousou sobre o homem inconsciente com o rosto parcialmente mutilado. Provavelmente tinha um dos braços e algumas costelas quebradas, mas nunca é uma boa coisa de se ver.

Se permitiu andar até onde dois homens e uma mulher chorosa carregavam o corpo do enorme macho semiconsciente. Ele soltava pequenos murmúrios mas a dor que sentia provavelmente era excruciante.

Ajudou a carregar o homem até uma das minúsculas casas da vila. O estado da casa não era dos piores. Pelo menos o sofá e a pequena televisão que compunham a sala estavam em ordem. Pousaram o corpo no sofá e Leah se permitiu dar um longo e pesado ofego.

- Pobre Melanie. - murmurou Paul, o homem que havia gritado o nome de Leah minutos antes. - Não sei quanto mais ela poderá suportar. - completou, pousando o olhar sobre a mulher encharcada de sangue que cuidava de seu marido estirado no sofá.

- Pelo menos ela não foi à arena. - resmungou Leah, enquanto ambos e o outro homem que havia ajudado saíam da casa.

- Como se fosse menos pior. - disse o moreno, sério.

- E é. - falou Leah, o encarando ferozmente. - Se ela não sobreviver ao básico, que é ver quem você ama ferido, então, me desculpe, mas ela não conseguirá sobreviver ao resto! - completou, cuspindo as palavras. Estava de saco cheio de Paul e essa super proteção às mulheres casadas.

- Leah... - murmurou ele, olhando-a com pena.

- Paul, não preciso de sua pena. - disse ela, limpando o suor de sua testa com as mãos. - Eu sei me virar sozinha.

- Eu sei, Leah. - disse ele, pousando as mãos nos ombros da morena. - Mas até quando? - completou e não esperando uma reposta da morena, tomou seu rumo em direção a sua casa.

Essa era uma pergunta que ela nem mesmo saberia responder.

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- Novos moradores! - gritou a vizinha, tirando a morena de seus devaneios. A Clearwater preparava um ensopado para o casal que vivia junto com ela na casa.

- Emily, Sam, vocês ouviram? - perguntou Leah, apagando o fogo do rústico forno a lenha da casa.

- Vamos. - falou Sam, tomando a mão de sua esposa e rumando para fora da cozinha em direção a rua, com Leah a seu encalço.

Toda vez que era obrigada a encarar aqueles humanos odiosos seu estômago se revirava de raiva.

- Olá queridos moradores lupinos! Estamos aqui hoje reunidos para que nós apresentemos os novos moradores da Vila! - falou um dos soldados, com falso entusiasmo. - Temos aqui homens e mulheres que vieram do leste. Dêem as boas vindas a eles e os façam se sentir em casa.

"Claro" pensou Leah, com todo seu sarcasmo.

E daí em diante é sempre a mesma coisa. Os novos moradores são apresentados e em seguida enfileirados para que toda a Vila tome conhecimento de quem eles são e depois eles são designados a suas respectivas casas. Leah já estava esperando para ver quem seria a mais nova moradora da casa nº 58, que era a sua.

Desde que chegou a Vila, Leah não conseguiu conviver com homens solteiros e que estivessem dispostos a tentar criar um vínculo com ela. Depois de inúmeros esforços do governo, finalmente eles cederam e a deixaram morando com a prima e o marido desta. A quarta vaga sempre era preenchida por mulheres até que estas morressem na arena ou se casassem e fossem morar com seus companheiros.

- Nina Mendez, nº 67. - uma menina sorridente de cabelos castanhos saiu, se distanciando da fileira, e rumou em direção aos moradores da respectiva casa.

- Jacob Black, nº58.

O sangue de Leah gelou ao ouvir aquele número.

Um moreno alto de olhos castanhos se distanciou da fileira. Ele era enorme, devia ter quase dois metros de altura. Tinha o corpo firme e musculoso, as feições marcadas e másculas e a pele era tentadoramente bronzeada. Leah nunca tinha visto algo tão lindo e perigoso em toda a sua vida.

Foi então que se lembrou que aquilo não podia estar certo. Ele era um homem. E ela já tinha deixado claro que nunca mais deixaria que tentassem uni-la a um novamente.

Percebeu que o então macho se encontrava diante dela e de seus familiares com uma expressão um tanto quanto perturbada.

- Parece que seremos companheiros de casa. - murmurou ele, sem humor.

- Seja bem-vindo. - falou Emily sorrindo, fazendo uso de toda sua delicadeza e bondade.

- Uma ova! - exclamou Leah, irritada, fitando o rosto do estranho. - Houve algum erro, não era pra ser você a vir morar conosco! - completou, bufando.

- Peço desculpas pelo mal comportamento de Leah. - falou Sam, lançando um olhar reprovador à morena. - É que ela não está acostumada a receber homens em nossa casa. - completou, fazendo Jacob levantar sua sobrancelha direita.

- Não tenho nenhum interesse em ficar no seu caminho. - falou Black, dirigindo sua atenção novamente à morena.

- Ótimo. - murmurou ela, cruzando os braços em frente aos seios. - Mas não é realmente esta a questão. - completou, se distanciando dos três e indo em direção ao grupo de humanos.

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- Leah Clearwater. - cantarolou o chefe da guarda responsável pela instalação dos novos moradores, enquanto verificava alguns papéis. Ele era loiro, pele pálida e olhos extremamente azuis. - Posso lhe ajudar em algo? - perguntou, com falsa inocência.

- Pode sim. - falou ela, sorrindo falsamente. - Quero saber que porra vocês tem na cabeça para colocar aquele maldito macho em nossa casa! - exclamou, tremendo de raiva.

- Segure essa sua língua! - rebateu o loiro. - Ou se esqueceu do que aconteceu com você da última vez em que desafiou alguma autoridade? - falou, em um tom de voz sinistro, mas com um pequeno sorriso.

Como ela poderia se esquecer da surra que levara na arena de uma loba que era duas vezes o seu tamanho? Foi a única vez em que perdera uma luta. Trincou os dentes ao relembrar.

- Eu só o quero fora da minha casa. - resmungou a morena, com raiva contida.

- Pois vai ter que aprender a conviver com ele, garota. - falou o chefe. - Vocês dois irão viver sob o mesmo teto, quer você queira ou não. - completou, se distanciando dela e partindo dali.

O corpo de Leah tremia furiosamente. Não queria perder o auto-controle e entrar em fase. Sabia muito bem das consequências se isso acontecesse.

- Lee... - chamou Emily e Leah apenas lhe lançou um olhar feroz - Vamos querida. - murmurou a garota, não se deixando abalar. - Não vale a pena.

A Clearwater se acalmou por um momento e deixou que a prima a acompanhasse em silêncio até a casa nº 58.

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- Esse é o seu quarto. - disse Sam ao moreno.

Uley havia se oferecido para apresentar a nova casa ao rapaz enquanto Emily tentava acalmar as coisas com Leah.

- Parece... confortável. - falou o moreno, zombando, o que fez Sam rir.

Na sua frente estava um pequeno cômodo com apenas uma cama precária e um gaveteiro.

- Se precisar de nós, o quarto ao lado do seu é o meu e da Emily e o à sua frente é o de Leah.

"Leah" pensou Jacob. Uma morena de olhos verdes e curvas sedutoras. No primeiro momento em que a viu já sabia exatamente que tipo de mulher ela era. Aqueles olhos tempestuosos e aquela boca carnuda e arrogante tinham de ser parte de alguém com igual personalidade.

- Aí estão vocês. - exclamou Sam, enquanto ambas as mulheres apareceram na sala. - Já mostrei toda a casa ao nosso mais novo morador.

O comentário fez com que Leah aumentasse sua carranca. Ela deu de ombros e caminhou para fora da sala em direção a seu quarto.

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Enjôo bateu-lhe na boca do estômago. Ouviu uma batida em sua porta.

- Me deixa. - falou a morena, de forma grosseira.

A pessoa pareceu ignorar o protesto e abriu a porta mesmo assim. Leah já se preparava para xingar o maldito intruso quando viu quem estava a sua frente.

- Olha, preciso deixar as coisas claras entre nós. - falou Jacob, sério. Aquela voz grossa e máscula fez a morena se arrepiar.

- Você não disse que iria ficar fora do meu caminho? - soltou a morena, venenosa, com um sorriso presunçoso no rosto.

- Não é necessária a grosseria. - falou ele, o que a deixou surpresa pela ousadia. - Só queria deixar claro que o que eu disse lá fora é sério. Não me interessa o que você pensa ou o que você faz. - aquelas palavras a atingiram de certa maneira, mas não deixou transparecer.

- Bom, se era só isso, quer me dar licença? - falou, rudemente.

- Não. - falou ele, ainda parado em frente a porta. - Você vai me tratar com respeito. - completou, como se fosse uma ordem.

Leah quase riu pelo comentário.

- Lamento te desapontar. - falou, presunçosa. - Mas isso está longe de acontecer.

- Você vai me tratar com respeito, Leah. - falou o Black, se aproximando perigosamente de onde ela estava. - Se não for por bem, vai ser por mal. - murmurou Jacob, com os olhos fixos nos da morena.

Continua…

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N/A: Oiii gente ! E aí, o que acharam do primeiro capítulo? Muitas coisas ainda vão rolar, mas espero que vocês tenham gostado desse início da história. Ficaria muito muito muito feliz se vocês deixassem uma review, pois é o que mais me incentiva a escrever (: É isso então gente. Se eu tiver algum retorno, postarei o próximo capitulo semana que vem. Beijos, Gaabii !

N/B: Nossa! Que Jacob Black mandão hein? Ahah Claro que fiquei curiosa ao ler este capitulo e tive o privilegio de ler mais. Morram de inveja! :P De qualquer maneira façam uma autora e uma beta feliz, e deixem os vossos comentários. Sejam simpáticos connosco! E se continuarem a ler e deixar os vossos reviews vocês não se vão arrepender. X-O, Jane.

Muito Obrigada à Mary BeC pela review ! Espero que você tenha gostado do primeiro capítulo (; Beijos !