Capítulo 1
You
Certamente aquele era um dia como outro qualquer. O restaurante estava lotado e não sobrava uma mesa sequer, exceto a reservada. De fato era a melhor mesa da casa, tinha visão privilegiada para a cidade e ficava numa espécie de varanda. Como o restaurante era em uma colina, a vista era espetacular. E obviamente cara.
Mas isso não era o que importava no momento. Eles tinham dinheiro. O problema maior é que as pessoas que utilizariam aquela mesa eram as mais ricas e influentes na economia de Tokyo. Eram: o dono da Uchiha Inc. e o dono da Haruno Inc. E como se não bastasse, o ultimo era pai da minha funcionaria.
"Eles chegaram..." – murmurou a jovem de cabelos róseos e deslumbrantes olhos esmeralda. Ela era a funcionária.
Era hora da verdadeira tortura, pois alguma coisa naquela noite estava fazendo com que eu sentisse isso.
Ao desviar o olhar da mesa, acompanhei-a até a entrada e, de fato, ela realmente não poderia atendê-los. Se eu disser que ela tropeçou quatro vezes até chegar à recepção foi pouco. Fora as vezes que sua mão percorreu a testa, como se enxugasse o suor inexistente, e o olhar aflito que ela me jogava sobre o ombro.
Certamente não era o meu dia de sorte.
"Escute" – pousei uma de minhas mãos em seu ombro e virei do modo com que pude encará-la – "Deixe seu pai e o Uchiha comigo, sim?" – lancei um sorriso confiante pra ela.
Ela vacilou um pouco, mas depois vi que os cantos de seus lábios se curvaram para cima. Aparentou estar um pouco mais tranqüila e isso me deixava feliz. Sakura realmente era uma garota perfeita, no meu ponto de vista.
"Obrigada, lhe devo uma." – disse por fim com seus olhos brilhando.
Dei-lhe uma piscadela e segui à recepção. Um rapaz alto, de olhos e cabelos negros, possuía um penteado que indiscutivelmente desafiava as leis da física – além de uma áurea incrivelmente irritada e tensa – olhava ansiosamente para os lados em busca do serviçal que o levaria à sua devida mesa.
No caso, eu.
Ao seu lado havia mais três pessoas, que ao contrário de si, tinham um ar leve e totalmente despreocupado. Talvez ansiosos, porém, nada negativo.
Com uma passada mais larga cheguei junto aos empresários – "Com licença, serei o atendente dos senhores essa noite. Podem me acompanhar até a mesa, por favor."
O mais alto e velho dos homens olhou em volta até que pousou seu olhar no balcão de atendimentos. – "E a senhorita Haruno... Ela não poderá nos atender?" – sua voz incisiva e confiante me fez vacilar um pouco, mas não perdi a compostura.
"Bem... ela está ocupada. Sinto muito." – sem esperar uma resposta, eu me adiantei e pedi que me seguissem.
Dava para saber que era o pai de Sakura pelos mesmos olhos verdes. Porém, seu cabelo era negro e sua pele já não era mais tão lisa quanto à da filha. Algumas rugas e manchas de velhice já eram visíveis.
Acomodei-os em sua devida mesa e dei-lhes os cardápios. – "Obrigada." – ressoou a voz cintilante da morena que seguia o rapaz de áurea repressora. Não soube bem o que fazer afinal a única da mesa que era mulher tinha acabado de me agradecer por uma coisa que era meu trabalho. Mas tudo bem. Eu acho...
"N-nada." – sorri. Pelo canto dos olhos vi que seu acompanhante não tinha gostado muito do que ela havia feito, e como não queria causar nenhuma briga me apressei para toma um pouco de ar longe dali. – "Enquanto decidem o que vão pedir para o jantar, irei pegar um cartão para a mesa dos senhores. Querem adiantar alguma bebida ou entrada?"
O senhor-áurea-opressora-de-meros-garçons lançou-me seu gélido olhar – "O melhor vinho da casa." – Sua voz até que podia ser fria, mas seu timbre era meio rouco e duvido que qualquer garota em sã consciência resistiria ao dono.
"Sim. Um momento."- e saí.
Simples.
Acho que foi a melhor coisa que eu tinha feito desde que havia encontrado os olhos negros. Tirando o pai de minha funcionária, o mais velho de olhos igualmente verdes e cabelos negros, eu não conseguira reparar nos outros por causa do senhor-olhar-assassino-com-voz-e-aparencia-sexy.
Qual era o meu problema? Eu nunca vira aquele rapaz antes e tava praticamente babando por um desconhecido. Homem ainda por cima! Eu sinceramente espero que não faça nenhuma burrada até o final do jantar ou acho que meu restaurante terá uma péssima fama após isso.
Suspirei. Eu teria que apostar na sorte, não?
Caminhei o mais lento possível até o balcão de atendimento e busquei o cartão da mesa seis. A qual era referente ao opressor-sexy-de-garçons. Acho que eu poderia perdoá-lo por sua áurea. Afinal ele parecia tão bem naquele terno, imagina se ele estivesse sem e...
Não! Foco! Eu preciso pegar a porcaria do cartão. Apenas isso. Não é pedir muito para minha sanidade me ajudar a fazer apenas isso, era?
"Naruto?" – murmurou uma voz cintilante ao meu lado, fazendo com que eu saísse de meus devaneios.
Eu virei a cabeça meio atordoado e me deparei com as esmeraldas muito próximas de mim.
"S-sakura?" – murmurei pela proximidade. Fiquei paralisado, não conseguia me mexer. Era como se meus nervos tivessem se desligado dos meus músculos e, conseqüentemente, dos meus ossos.
Ela afastou-se um pouco e me senti soltando a respiração. Quando eu a havia prendido mesmo?
"Está tudo bem?" – perguntou ela com a preocupação transbordando nos impecáveis olhos verdes – "Olha se você quiser, eu..."
Levantei a mão, recobrando-me de como mexia meu corpo e a interrompi. – "Não. Está tudo bem. Vim só buscar o cartão da mesa." – de repente deixei com que minha mão vasculhasse o escaninho de cartões até que parasse na sexta casinha de cima para baixo.
"Sakura..." – murmurei indeciso se devia fazer a pergunta inconveniente. Mas eu era curioso de mais para omiti-la. – "Quem o cara de cabelos negros?"
"Meu pai, não?" – ela lançou um olhar duvidoso a mesa e voltou a me encarar – "Ou você quer saber do outro?"
Desviei o olhar dela e passei a analisar o cartão cuidadosamente, como se procurasse um defeito ou algo do tipo. Não sei por que, mas mês sentia constrangido em perguntar aquilo. Afinal, nem era assunto meu.
"Era o outro, na verdade..." – assumi, me arrependendo logo em seguida.
"Ah... Ele." – disse com certa ênfase no 'ele'. Confesso que me senti meio traído, pois sua expressão mudou completamente quando falou do rapaz. Tinha aquele sorriso bobo e uma expressão sonhadora, como se afirmasse que ele era o próprio príncipe encantado de sua vida. – "Ele é o Uchiha Sasuke. Um dos presidentes. Mas desde que o irmão sumiu, ele toca a empresa sozinho." – Ela suspirou – "Ele parece tão misterioso e inalcançável, não?"
"É, talvez." – disse meio emburrado. Ele conseguira conquistar a Sakura-chan tão rápido e eu jamais fiz isso.
Suspirei frustrado e fui à busca do tal vinho. Quem me dera conseguir fazer à mesma coisa que o tal conquistador-Uchiha fazia. Ele conseguiu chamar até a minha atenção! Como se fosse muito fácil chamar minha atenção. Sim. Isso foi uma ironia. Não levem para o lado pessoal, mas eu com certeza NÃO sou fácil. Ok?
Dispersei minha pequena discussão com minha mente quando voltei a mesa com o cartão, quatro taças e a dita melhor-garrafa-de-vinho-do-senhor-conquistador, ou melhor dizendo, Senhor Uchiha. Já tinha colocado os objetos na mesa quando passei a prestar atenção na conversa.
"Então, a empresa Haruno tem a maior satisfação de juntar-se a corporação Uchiha. Mas existe um, porém." – a voz firme do mais velho melodiava-se junto ao som do vinho que era servido. Até que era bonita. A voz, quero dizer. Sempre demonstrava ser incisiva, sem nenhum tremor, e bastante grave. Quase como um trovão.
Passei para a taça da jovem.
"E qual seria?" – melodiou a voz rouca de Sasuke. Tenho que admitir que não tem nenhuma comparação na voz do moreno com o velho a sua frente. Não por causa da idade. Mas tinha algo a mais. Não sei descrever. Mas era totalmente sexy e ninguém pode negar isso.
Passei para a taça do Senhor Uchiha.
"Bem... Para firmar o acordo, eu preciso de algo além de uma simples assinatura. De um laço maior." – denotou sua voz sigilosa.
O vinho estava na metade do copo.
"Diga sem rodeios." – murmurou tentando esconder a impaciência.
Quase cheio...
"Para que as duas empresas se juntem, você terá de aceitar a se casar com a minha filha." – esboçou um meio sorriso.
Foi assim que, quando eu me dei conta, o vinho já não ia mais para a taça. Ao tentar impedir rapidamente o desperdício do líquido, esbarrei no cristal e o vi voando na direção da branquíssima camisa branca do Uchiha. Ao lado do rapaz, não muito diferente vi a taça deslizar da mão da jovem e ir de encontro ao chão.
"M-me... ME DESCULPE!" – gritei chamando mais atenção para o incidente. – "Tenham certeza de que serão bem recompensados. O jantar hoje a noite é por conta do restaurante" – Não sei como, mas consegui pronunciar tudo de uma vez. Sem retomar fôlego algum. – "O senhor Uchiha pode me acompanhar por gentileza?"
Até o caminho do banheiro ele não proferiu nada. Não lançou nenhum olhar ameaçador e muito menos estava com aquela áurea opressora. Dava para sentir um pouco de raiva sendo emanada dele, mas acho que se devia a sua blusa da Hugo Boss totalmente tingida e seu terno igualmente sujo.
Ignorei enquanto ele se despia e mirei o espelho do toalete. Ok. Eu minto. Observei com atenção ele tirar o paletó e começar desabotoar a blusa através do espelho. Ninguém é totalmente santo, ta? Eu só estava perturbado com a ideia de como aquele rapaz conseguia chamar tanta atenção. Ainda mais de um homem como eu. EU!
Sinceridade... Acho que a noite estava saindo pior do que estava prometido.
"Dobe, pare de me olhar fixamente pelo espelho." – inquiriu com sua voz rouca, mas firme.
Desviei o olhar hipnotizado do abdômen perfeitamente definido e encontrei seus orbes negros. – "Não me chame de Dobe, Teme." – falei com a garganta meio seca por causa da visão.
Era fato que o homem estava na posição de cliente, mas não era por causa disso que permitiria ser chamado de "Dobe". Quem ele pensava que era? Um Uchiha? Quer saber? Eu não to nem ai.
"Relaxe." – falou com o mesmo tom de voz – "Por um lado eu te devo uma. Não agüentava mais aquele homem. E você me deu um tempo para pensar."
Esqueci momentaneamente a raiva e a conversa repassou em minha mente. Eu realmente entendia os motivos da Sakura-chan. Aquele cara era um cretino. Lembro-me perfeitamente quando ela veio trabalhar aqui nesse restaurante e, não preciso comentar que tinha tudo a ver com o pai dela. Exatamente por isso que eu não deixei com que ela o atendesse.
Azar o meu.
"O senhor não está pensando mesmo em aceitar, está?" – perguntei surpreso. Vi que o rapaz apoiava-se na pia e virava o corpo, de modo com que eu tive uma visão privilegiada. Sua face permanecia de modo indiferente. Como permaneceu desde que saímos da mesa.
"Eu vou." – focou os olhos junto aos meus e levantou sua sobrancelha esquerda – "Por quê?"
A não. De forma alguma eu passaria mais um século tendo problemas com a Sakura-chan por problemas familiares. Nem a pau.
"Mesmo sendo um Uchiha, o senhor não pode fazer isso com ela. O senhor não pode se casar simplesmente por negócios. É antiético!" – gritei. Isso fez com que minhas mãos viessem automaticamente de encontro a boca. O que diabos eu estava fazendo? Aquele assunto não tinha NADA a ver comigo. Mas... Ela era minha amiga, certo?
Ele sorriu.
Daquele jeito meio sarcástico e sacana. Juro que eu tive que repensar várias vezes para não partir pra cima dele e quebrar aquele narizinho empinado. Ok era bonito o nariz dele. Mas isso não quer dizer que eu não poderia quebrá-lo.
"Como se ética me interessasse." – murmurou quase que para si – "Por que você se preocupa tanto com ela? Ela não passa de sua funcionária. Suponho eu..." – seu sorriso sumiu e seu rosto foi tomado por uma expressão... Maliciosa, eu acho.
"Ela é minha amiga, Teme!" – exasperei – "Além disso, não pense que sou como você e sua mentezinha antiética e poluída!"
Nesse momento, não sei exatamente o que foi, mas quando sua expressão sumiu e ele começou a se aproximar de mim, a única coisa que eu pude pensar foi recuar. Não que ele me intimidasse, pois eu poderia acabar com ele a qualquer hora. Fato.
Só me dei conta que não poderia mais recuar quando algo gelado veio de encontro às minhas costas.
"Se sua 'mentezinha' não é poluída" – sussurrou em meu ouvido quando, por sorte, conseguiu me imprensar contra a parede – "por que você fixou seus 'olhinhos' no meu abdômen? Não tente negar."
Estremeci dos pés ao meu fio de cabelo. Juro que se a perna dele não tivesse no meio das minhas e seus braços nos meus ombros, eu teria desabado ali mesmo. Senti minhas bochechas se esquentarem e uma sensação de calor instantâneo seguiu por todo meu corpo. O que diabos aquele projeto de gente estava fazendo?
"E-eu..." – senti suas mãos percorrem meu abdômen até o colarinho da blusa social, onde ele começou a desabotoar – "O que você está fazendo?!" – sentir o calor esvair por todo meu rosto e quase não reconheci minha voz ao exclamar. Da onde viera aquela voz tão aguda?
Sinceramente, a situação estava estranha... Um estranho-anti-ético-e-bonitinho me imprensando contra a parede, enquanto lá fora acontecia uma reunião sobre o casamento dele – o que eu tenho meus motivos para achar estúpido o suficiente para a Sakura se revoltar novamente contra o pai – e minha cabeça simplesmente focalizada na sensação de como era ter meu corpo entre uma parede e o quadril de Uchiha Sasuke. De fato, eu não poderia está raciocinando muito bem. Acho que era a temperatura ambiente. Só poderia ser.
"Dobe, Dobe..." – vi um meio sorriso deslizando sob o lábio fino e avermelhado – "Eu sinto que você gosta."
Eu engoli a seco quando de repente eu senti rodando e o ar voltou a fluir normalmente com a distância do moreno. O único problema é que o 'ar' fluiu também no meu abdômen. Só fui entender quando viu minha blusa na mão dele. Quando ele tinha tirado?
"Teme!" – gritei – "Devolva!" – de relance vi meu reflexo no espelho e se eu disse que eu parecia um tomate, era pouco.
"Tenho assuntos a tratar lá fora. Quando eu terminar, volto com sua vestimenta." – ao terminar de abotoar a blusa percebi que a manga tinha ficado um pouco curta, mas já devia esperar isso, pois o projeto de Uchiha era um tanto mais alto que eu.
"Volte aqui!" – eu fui para cima do inseto, mas – por sorte, diga-se de passagem – ele desviou.
"Até mais Dobe." – e saiu dobrando as mangas.
O pior de tudo é que naquela noite, ele não voltou.
Irritantemente e infelizmente, o dia seguinte passou-se muito lentamente. Não que eu detestasse dias ensolarados, pelo contrário, amo sol.
A questão é que aquele filho da mãe estava lá. Sim. O projeto de Uchiha.
O demônio teve a capacidade de voltar – provavelmente das profundezas do inferno – com a dita 'vestimenta' da noite anterior. Se ele viesse só para entregar isso ou pedir desculpa, o que sinceramente eu acho muito difícil daquele antiético fazer estaria tudo bem. Tudo ótimo, na verdade. O problema é – como cria do satã – ele sentou na bosta da mesa mais cara que, por acaso, ele reservou por três meses, e passou o dia inteiro lá.
Mas isso não é nada. O pior de tudo, TUDO MESMO, é que ao invés de se preocupar com a pessoa que carrega o par de sua aliança, ele simplesmente bebericou sua aguinha natural e ficou me seguindo com o olhar.
Será que ele está querendo outra blusa? Não dá para comprar em dia de semana. Tudo bem que eu sou o dono do restaurante, mas também sou o gerente e um dos garçons.
"Escuta..." – disse chegando com uma nova garrafinha de água – "Esse fim de semana eu vou comprar sua blusa. Não precisa vim aqui todo dia pra me supervisionar, Teme." – o encarei.
Antes que eu pudesse depositar a garrafinha sob a mesa, ele retirou-a da bandeja, abrindo-a em seguida, e despejando-a no copo já vazio.
"Estou aqui por causa da Haruno." – comentou fitando-me nos olhos – "Não seja tão convencido Dobe."
"Se é para se casar com ela, pelo menos a trate como 'Sakura' e tente permanecer com seus olhos nela." – Há! Ele não esperava por isso.
Naruto 1, Bastardo 0.
Sério, perto dele eu me sinto um anjo. Não que eu não seja, mas ele faz tanta coisa errada. Suponho eu. Para falar a verdade... Eu não sei nada sobre esse bastardo. Será que ele faz alguma coisa além de oprimir garçons alheios?
"Hum... Dobe, você já pensou em não estar com ela durante 90% do dia?"
É. Naruto 1, Bastardo 1.
Droga.
Ser supervisionado é um saco. Eu sinceramente tenho que admitir isso. Acho que se eu me tornasse um empregado novamente, iria enlouquecer.
Motivo?
Durante os dois meses que se passou, ele não faltava um dia sequer. Até mesmo quando era folga da Sakura-chan. Ele dava desculpa como 'não perturbe, eu paguei a mesa' – quando estava de TPM – e 'eu gosto da vista daqui' – quando por algum milagre divino ele estava... Normal.
Muitas vezes ele levou o laptop e trabalhou até o horário do restaurante fechar (eu sei que ele estava trabalhando porque eu espiava quando ia trocar a garrafa de água).
Outras vezes ele saiu para alguma reunião e depois retornou absorto em pensamentos (também sei que eram reuniões porque ele ia falar para a Sakura-chan o motivo de ter saído).
Fora a isso nada tinha mudado com ele.
Agora vem a parte interessante e nem um pouco agradável.
A Sakura-chan não parecia tão 'normal' quanto ele. Ignorando a parte que ele é totalmente insensível e acrescentamos à parte de que a Sakura-chan é mulher, lógico.
Mas o ponto não era bem esse.
A cada dia que passava ela chegava pensativa, aérea... Em qualquer lugar que não fosse o restaurante, a mente da Sakura-chan vagava. Eu poderia até arriscar em dizer que ela já não tinha o mesmo brilho nos olhos desde que fora morar com o Teme.
Lógico que eu estava preocupado. E mais lógico ainda que eu logicamente fui discutir minha lógica com o ilógico do Uchiha. Hehe quanta palavra parecida!
"Por que você está rindo bobamente, Dobe?" – murmurou o ilógico, retirando-me dos lógicos pensamentos.
Lancei-lhe um olhar irritado, mas acho que não deu muito resultado. Pois ele deu seu sorriso de escárnio e acrescentou:
"Sabe... Acho que nem meu átomo de hidrogênio se intimidou com seu olhar." – sinto muito, mas assumo que mesmo sendo um bastardo ele ficava ótimo com aquele sorriso ignorante.
"Sabe..." – praticamente bufei – "Acho que não me sinto microscopicamente ofendido com você."
É. Também não deu o efeito desejado.
Ele simplesmente desviou o olhar para seu computador de última geração e não esperou uma resposta.
"Bem..." – Arrastei a cadeira ao seu lado e não me importei em sentar sem pedir licença. Afinal... Era o bastardo! – "Quero falar com você a respeito da Sakura-chan."
AGORA SIM! Finalmente tinha conseguido uma reação do Sasuke!
Não foi bem uma reação tão significativa. Na verdade, ele só tirou o olhar rapidamente da tela do aparelhinho-de-última-geração-dele. Mas eu acho que já era um sinal, não?
"O que tem a Har-, digo, Sakura?" – Corrigiu rapidamente. Sinto que ela deve ter comentado algo com ele a respeito do 'Haruno'.
"É que ela está muito aérea no trabalho. Repare." – Fiz um gesto com a mão e ele seguiu com o olhar.
Realmente não sei descrever o que ela estava fazendo. Talvez... Não! Eu nem sei explicar direito. Ela estava com os braços totalmente em cima do balcão, com o queixo totalmente apoiado em cima dos mesmos, e olhando fixamente para um copo de cristal totalmente vazio com uma expressão totalmente vazia. Ela estava totalmente distante do restaurante. Só tinha o corpo presente.
"Deve ser o mal estar." – Explicou, sem se importar muito.
"Mal estar?" – Porque ela não me disse nada quando chegou? Eu teria dado o dia de folga.
"Sim. Acordou umas cinco horas da manhã meio tonta e enjoada. Mas depois de tomar um banho gelado e beber bastante água, ela melhorou." – sem perder mais um segundo de seu precioso tempo, ele voltou sua atenção para o computador – "Além disso, está muito quente e seco."
O que não era mentira, pois havia feito trinta e três graus.
Mas eu não disse isso em voz alta. Limitei-me a levantar e seguir meus deveres... Como, por exemplo, trocar a garrafa-de-água-Uchiha.
Acho que lucrei mais com garrafas de água do que qualquer outra coisa nesses dois meses. Vou me lembrar de ver isso no orçamento do restaurante.
Estava meio aborrecido nesse dia. Minha amiga/empregada tinha passado mal e agora tinha desmaiado no estacionamento do restaurante em pleno horário de almoço.
Sentir-me morto por uma carga a mais no restaurante era o mínimo que eu poderia pedir, MAS, como sempre, isso era de mais. O inútil não quis acompanhar a noiva até em casa, deixando o trabalho para o pobre gerente. Acho que Uchihas têm titica de galinha na cabeça. Só pode.
Estava distraidamente pensando nisso quando quase tive uma parada cardíaca quando vi uma pessoa sentada na minha cama.
"AHHHH!" – tropecei em uma tigela de ramen e caí – "Aiii."
"Como sempre é desastrado..." – zombou o intruso.
"SUIGETSU!" – repreendi –"Eu já disse um milhão de vezes que não é para você vim aqui quando eu não to em casa! E muito menos, me dá sustos!" – Encarei-o irritado.
"Ahh...." – ele fez um biquinho – "A donzela não gostou?"
Sinceramente, um dia desses ainda vou espancá-lo e arrastar seu corpo magrelo pelo chão da minha casa.
Já ia retrucando quando o irritante me interrompeu – "Não tenho tempo, Naruto. Transforme-se logo."
Muito contra vontade, eu me transformei. Eu estava cansado e só queria dormir, não era pedir muito.
Deixei com que o fluxo de energia corresse até meus olhos e por um segundo me senti flutuando, para logo em seguida sentir o chão novamente. Quando abri os olhos, vi o vermelho sangue que predominava em meus orbes pelo reflexo do espelho. Estava com meu quimono preto e tinha asas – semelhante às de morcego – nas costas.
"Que obediente..." – debochou seguido de uma risada.
"Cale a boca." – meu tom de voz estava mais grave devido à transformação e conseqüentemente, eu estava mais sério devido ao assunto que iríamos tratar. – "Você sabe que com vidas eu não brinco."
"Calma ai, raio de sol. Já vou entregar o pergaminho." – ele retirou o rolinho de dentro do seu quimono preto e o estendeu pra mim junto de uma folha avulsa – "Assine aqui."
Mordi o canto do meu polegar e pressionei-o onde continha uma linha com meu nome em baixo.
"Um dia você ainda fica sem sangue para confirmar o recibo de suas missões" – Suigetsu buscou o papel de minhas mãos e logo vi a folha branca tornando-se cinzas.
Ele até que tinha razão quanto ao sangue, mas eu não iria morrer. Não mesmo. – "Quem é a vítima da vez?"
"Você sempre se interessa por assuntos que não deveria, não?" – Falei com minha voz gélida.
Vou deixar claro que não importa o quanto eu brinque, ou seja, idiota normalmente, mas se tem uma coisa na qual eu não brinco, é a vida dos outros. E por incrível que pareça (ou não), o ignorante do Suigetsu não concordava comigo. Contraditoriamente brincava com cada humano como se fossem peças de xadrez.
"Assunto que deveria lhe interessar mais do que qualquer outra coisa." – retrucou.
Fechei os olhos impacientemente e abri o pergaminho verde.
Não sei exatamente qual foi minha expressão. Mas sei que qualquer que fosse Suigetsu certamente ficou sério diante dela.
Nunca havia acontecido isso comigo antes. Ninguém próximo, nenhum conhecido, nenhum parente ou... Amigo.
"Naruto... Quem quer que seja não cometa o erro de... " – o barulho do pergaminho encontrando o chão fez com que ele interrompesse o que estava prestes a dizer. Ele buscou o rolinho e o abriu curiosamente – "Quem diabos seria para..." - E pela primeira vez ele tomou a decência de calar a boca.
Eu não queria fazer aquilo. Dessa vez eu não conseguiria ser quem eu realmente era. Mas se eu não o fizesse...
"Não faça nenhuma besteira." – declarou por fim e sumiu.
Se eu não o fizesse... Eu e ele iríamos para o inferno. E eu não estou falando do Suigetsu.
Como não tinha muita escolha, abri a janela e pulei seguindo o caminho da casa da minha nova vitima.
Como sempre era pedir de mais uma noite tranquila de sono.
Mandato de morte 104.789.444-11
Execução imediata.
Vítima:Uchiha Sasuke.
TBC...
N/A: Agradeço a kappuchu-san que betou para mim (OBRIGADA!!!), quem me mandou review e a todo que esperam minha enrolação. Responderei as review pelo reply... Então, as respostas estarão em seus e-mails. Espero que gostem e deixem reviews, por favor!!! Ok? xD. Kissus!
