Notas do Autor

No congestionamento...

Então, surgem...

Capítulo 2 - Aiko

Longe dali, em um carro, uma jovem mulher sorria pelo retrovisor, enquanto via a sua amada filha, Aiko, olhando tudo em volta. Ela tinha doze anos e possuía olhos azuis e cabelos dourados como o sol. Ela amava a sua filha, sendo que suspira, quando se recorda do que descobriu. O seu casamento era uma mentira e isso explicava muitas coisas, inclusive o fato de Cao Cao, odiar a menina. Agora, pensando melhor, era possível ver o ressentimento nos olhos dele, cada vez que olhava para ela.

Ela se sentia uma idiota por não ter desconfiado na época e culpava o seu coração, pois, ela o havia amado e muito.

Portanto, o pedido de casamento dele a deixou nas nuvens. Ela era capaz de andar sobre cristais, apenas para ter a atenção dele. Devia ter desconfiado do pedido de casamento de um reconhecido playboy que amava festas e companhia de mulheres. Tolamente, achou que ele havia se apaixonado por ela e se culpava por ser uma romântica sonhadora que leu muitos livros de romance.

Se estava sofrendo, parte da culpa era sua, por não ter desconfiado, permitindo que o seu coração ditasse as suas ações. O fato dele traí-la de forma sórdida, tendo várias amantes, após se casarem, era o resultado óbvio de um casamento construído sobre mentiras, no caso de Cao Cao e por ela ter sido uma idiota.

Conforme dirigia, pensava em sua vida e após alguns minutos, é tirada de seus pensamentos, quando o sinal fecha. Era um horário muito movimentado e o congestionamento era enorme. Ela bate os dedos no volante e decide por uma música para a sua filha se distrair, sendo que não sabia que a sua filha pensava nas várias vezes que ressuscitou um animal, escondido da mãe e de todos, assim como os curou, não compreendendo como conseguia fazer isso.

Com o tempo, ela decidiu que seria veterinária para poder usar esse poder para curar os animais.

Aiko se recordava que descobriu esse poder, quando encontrou um passarinho morto e o segurou na mão, se condoendo pelo bichinho, até que ele se levantou e voou, para depois pousar em seu ombro. O corpo dele estava rígido e gelado, até alguns instantes atrás.

É tirada de seus pensamentos, quando a sua mãe coloca a música favorita dela, fazendo ela exibir um sorriso amável, agradecendo a sua mãe com um sorriso meigo:

- Obrigada, mamãe. Eu já ia pedir essa música.

- Por nada filha. Creio que vamos demorar um pouco.

- Tudo bem. Dirigir é cansativo, né? Quer que eu leve uma xícara de café quente com leite, quando chegarmos ao apartamento? Sei que adora.

- Sim. Muito obrigada filha.

Michele tinha uma filha meiga, amável, gentil e carinhosa, além de educada e gentil. De fato, ela era única e desde pequena, se mostrava diferente das outras crianças.

A sua filha era tudo para ela e seu motivo de viver. Não conseguia considerar a sua vida sem a sua amada filha, que parecia ter uma áurea que a acalmou, permitindo lidar com a traição. Claro, era um pensamento estranho, junto com o fato de que a filha dela sempre recusou o pai, chorando com a simples proximidade dele. Era algo estranho.

Ela ficou arrasada ao saber da traição sórdida, mas, ao abraçar a sua filha, buscando consolo em seu peso morno, quando ela era menor, ela sentiu que a sua tristeza desaparecia, como se uma força invisível quente e reconfortante, a retirasse. Era um pensamento estranho, de fato, mas, mesmo assim, sentia que alcançava a paz e tranquilidade, junto de sua filha, sendo mais evidente isso, após a descoberta da farsa do seu casamento e da traição.

Aiko sabia que o seu pai estava vivo e que nunca quis vê-la. Isso a deixava triste, mas, ela não conseguia ficar com raiva dele. Na verdade, se recorda de nunca ter sentido raiva ou ódio de alguém. No máximo tristeza.

Ao pensar melhor, enquanto estava parada no trânsito, Michelle se recordava que mesmo durante a gestação, sempre que ela ficava nervosa ou triste, com as oscilações de humor proporcionadas pela gestação, devido aos seus hormônios que estavam descompensados, ela se acalmava, rapidamente e se estava triste, se sentia amparada, como se uma energia ou algo assim, a envolvesse, acalmando-a.

De fato, a sua filha era especial e única.

Inclusive, uma vez, enquanto se preparava para atravessar com ela, um veículo que levava serpentes, presas em compartimentos, para um local a fim de ser extraído o veneno, se choca contra um caminhão e com o impacto, as caixas saem do veículo e se abrem, no lado da calçada, sendo que as pessoas fugiram.

No desespero, Michelle, mãe de Aiko, com a mesma em seu colo, tenta fugir, sendo que cai no chão ao ser derrubada por outra pessoa que fugia, desesperada, do local, quando as cobras e serpentes saíram das caixas. Ela conseguiu cair de costas, salvando o seu bebê da queda.

Porém, com o impacto, ficou inconsciente e a pequena caiu de seus braços. Uma pessoa a ergueu e a afastou. Outra tentou ajudar pegando a bebê, mas, as cobras se aproximam e sem escolha, temendo uma picada, ajuda a remover a mulher, enquanto perdia perdão ao bebê que não conseguiu salvar.

Afinal, havia jararacas e najas se aproximando.

Michele recobra a consciência e ao ver a sua filha rodeada de serpentes, grita desesperada e luta para se desvencilhar daqueles que a impediam de ir para o meio das cobras. Em seu desespero, ela se desvencilha, sendo que outros a prendem, enquanto era possível ouvir as sirenes.

Então, todos ficam estarrecidos ao verem que a bebê havia sentado e as cobras não faziam nada. Inclusive, a rodearam e estavam com as cabeças abaixadas.

Aiko olhou para uma cobra e balançou os bracinhos, animada, com todos sentindo o sangue gelar, quando a pequena levou a mãozinha até uma jararaca e temeram o pior.

Porém, a cobra ficou quieta e permitiu que a criança a acariciasse, sendo que Aiko resolve acariciar uma naja, que também fica quieta. Michele estava chorando, desesperada que as cobras mudassem de ideia, enquanto que todos estavam estarrecidos.

As cobras e serpentes não tentaram avançar em ninguém e se limitaram a rodear a pequena que brincava sem medo e parecia se divertir com o barulho dos chocalhos das cascavéis, inclusive pegando um deles, animada.

A polícia e tratadores de zoológicos chegam, assim como especialistas em serpentes, com todos ficando estarrecidos, enquanto que os especialistas não conseguiam dar uma explicação lógica para o comportamento das serpentes, pois, era algo demasiadamente surreal e igualmente inesperado.

Se refazendo da surpresa, a polícia decide se concentrar em um plano para salvar a pequena, sendo que eles haviam decidido matar as serpentes, pois, eram muitos e seria impossível recolher todas. Vários atiradores são posicionados, pois, elas precisavam ser mortas rapidamente.

Então, como se algo ordenasse as cobras, as mesmas surpreendem todos, quando retornam para as suas caixas de origem, docilmente, conseguindo entrar nas que estavam caídas e muitas subiram no carro, para entrar nas caixas que ficaram no veículo.

Após elas se afastarem, com Aiko acenando para elas, a mãe consegue sair dos braços dos homens que a mantinham afastada e abraça a filha, tremendo, sendo que chorava e a beijava no rostinho e cabeça, para depois procurar desesperada algum indício de picada.

Médicos que estavam de prontidão levam mãe e filha para ambulância e examinam a pequena que estava calma, sendo que a mãe sentia que se acalmava, rapidamente, conforme sentia uma sensação quente, amável e amorosa vinda de sua filha.

Ela também se recorda de outros incidentes, quando Aiko era menor, ao cair dentro de um cercado no zoológico, pois, ouve um assalto e fugindo dos guardas, um bandido deu uma cotovelada nela e em sua filha. Ela caiu no chão, mas, a sua filha caiu no fosso dos jacarés.

Os vários jacarés que tinham ali olhavam para ela que chorava pelo susto. Todos deitaram as cabeças ao lado dela, como se a confortassem e ao ver os animais, ela parou de chorar e os acarinhava, sendo que todos ficaram estarrecidos com o que presenciaram, pois, eles pareciam cachorrinhos perto dela.

Quando ela despertou e viu a sua filha entre os jacarés, tentou saltar para ir até ela, sendo impedida pelas pessoas que tinham dificuldade em retê-la em decorrência do seu desespero.

Os tratadores estavam com armas, contendo dados tranquilizantes e como se algo avisasse a criança, ela se levanta e todos os animais abrem passagem para ela que entra na sala dos tratadores que estão estarrecidos, até que saem pela porta de acesso, também, a fechando em seguida.

A genitora permitir-se recordar, quando Aiko era maior, de outro incidente.

Em um safari, o guia havia enganado ela e os outros e os assaltou, levando as joias e dinheiro de todos, para depois larga-los na savana, sendo que um das pessoas subiu na árvore para usar o seu celular, procurando sinal de rede. Por sorte, o segundo celular dele estava escondido, quando o guia retirou todos os celulares deles.

Rapidamente, foram cercados por alguns leões jovens, enquanto ela abraça a sua amada filha, com a mãe temendo pelo pior, sendo que o avô de Aiko estava contendo Michele de ir até a filha.

Para desespero de ambos, Aiko se desvencilha dos braços dela, indo até os leões, erguendo a mão, com os mesmos sentando próximos dela, a rodeando, sendo que os afagava sem medo.

Em todos os casos, isso foi chamado de milagre e para os que viram tal acontecimento pela internet, pois, após ligar, o homem começou a filmar, julgaram que era efeito especial.

Afinal, era surreal demais e ela se lembra de que o seu avô ficou fascinado, olhando curioso para ela, enquanto que a mãe dela ficava estarrecida, pois, foi igual ao que aconteceu no incidente com as serpentes, quando ela era bebê e depois, um pouco maior, quando caiu no fosso dos jacarés.

Quando a ajuda chegou, ela pediu para eles saírem e como se a obedecessem, eles saíram dali, antes que pudessem ser apontadas as armas para eles.

Ela havia percebido que em nenhum momento a sua filha teve medo e ao questioná-la, Aiko confessava que não sentiu medo deles. Não sentia medo dos animais. Mas, os homens a assustavam.

Enquanto a sua mãe voltava a olhar para o sogro dela que falava com os polícias, Aiko se culpava por não revelar a sua capacidade de curar e de ressuscitar.

Ela sai de suas recordações e em um determinado momento, Michelle olha para o carro ao seu lado, vendo uma jovem de quinze anos, encostada no vidro, olhando o tráfego, sendo que coça os olhos, pois, havia jurado que por um segundo, viu asas translúcidas nas costas da jovem, com a mesma sorrindo, sendo possível sentir pelo sorriso dela, a sensação de conforto, sendo a mesma sensação para com a sua filha e ao olhar para trás, ficou surpresa ao ver que a sua filha, exibia asas translucidas que desapareceram, enquanto que ela estava adormecida com uma face tranquila.

Ela não sabia que ambas, a sua filha e a outra jovem eram anjos especiais, tidos como lendários por suas características e coração, sendo que eles somente nasciam de humanos. Eram humanos a vida inteira, até que passavam por uma metamorfose por si mesmo, se transformando em anjos. Até passarem por essa metamorfose, como uma lagarta se tornando uma borboleta, usavam inconscientemente os seus poderes. A sua filha e a outra jovem, entraram em ressonância e por isso, a mais velha estava começando a ser afetada, estimulando assim, a sua metamorfose.

Michele nota que os pais da jovem estavam ocupados conversando sobre algo e não reparavam na jovem de quinze anos, cujos cabelos pareciam maiores e esporadicamente, surgiam asas translucidas, sendo que reluziam. Eles não viam a luz, pois, havia um caminhão enorme atrás deles e que estava com o farol alto. Mas, ela, Michele, podia ver, perfeitamente, a luz que irradiava da jovem.

Os olhos da jovem, quando virou o rosto para Michele, pareciam emitir um olhar amoroso e sublime que a envolvia em um manto de conforto, sendo a mesma sensação em relação a sua filha, desde que ela era bebê.

Em cima de um edifício, Rias observava o trânsito, irritada, sendo que havia sentido uma energia sagrada, inquietante, enquanto passava por aquele local.

De fato, havia o Pacto, entre os anjos, os anjos caídos e akumas, mas, alguns de seus primos e ela, assim como outros akumas, estavam envolvidos no ato de eliminar anjos de grandeza elevada, no caso, os que nasciam de humanos, pois, estes passavam despercebidos para os outros anjos, enquanto não despertavam os seus poderes, se tornando assim os mais vulneráveis, além de terem habilidades que os demônios não apreciavam. Em segredo, vários akumas se dedicavam a caçá-los e elimina-los, antes que os outros anjos os detectassem. Enquanto não passavam pela metamorfose, podiam ser vulneráveis. Claro que ela sabia que devia tomar cuidado, para que as suas ações não fossem detectadas.

Esses anjos não eram soldados. Eram pacíficos. Mas, podiam gerar um escudo sagrado tão poderoso, que poderia purificar qualquer akuma, que ousasse se aproximar, além de terem influência na natureza e podiam confortar as pessoas a sua volta. Eles eram tão amáveis, que sentiam pena de akumas mortos. Nunca um deles mataria um ser, sequer um akuma e nunca podiam cair. Não podiam ser ressuscitados em akumas, pois, a sua alma era inacessível devido a pureza e podiam, inclusive, ressuscitar qualquer ser, sem ser usando métodos de cartas e sim, pela força de seu coração. Inclusive, podia ressuscitar akumas. Eram contra a violência e a morte de qualquer ser, mesmo um demônio e não podiam se tornar anjos caídos por serem virtuosos demais. Morreriam antes que isso acontecesse.

Além disso, desde bebês podiam fazer milagres e podiam salvar vidas em acidentes, naturais ou não, assim como as pessoas soterradas por vários dias, quando estavam por perto, tornando tal sobrevivência, um milagre para os humanos. Animais nunca iriam ferir tais seres e eles podiam curar qualquer coisa e dizia a lenda, que poderiam ressuscitar qualquer ser, sendo que somente oravam pelo mundo.

Nem mesmo Michael, tinha o grau de pureza deles. Eles eram raríssimos e somente nasciam de humanos. Também podiam influenciar os animais que atenderiam ao seu chamado e influenciavam na natureza, fazendo surgir florestas, fazendo as flores florescerem, fazendo chover e o lugar em que oravam se tornava sagrado. Só não influenciavam os humanos por causa do livre-arbítrio, algo que os animais não tinham e que por isso eram influenciados. Apesar de não influenciar os humanos, podiam confortar, assim como dá esperança, mesmo ao mais deprimido e inclusive, com ideias suicidas. Esses anjos confortavam o coração sofrido, podendo, inclusive, exercitar tal conforto e dar esperanças, a uma área considerável. Todo o local que pisam se torna sagrado, automaticamente. Se ficavam tristes, chovia. Se ficassem alegres, o tempo ficava belíssimo. Não podiam cair, pois, não conseguem sentir sentimentos inferiores e iriam desaparecer, antes de caírem. Podem fazer as flores nascerem. Podem curar qualquer um ou vários, inclusive em vários lugares ao mesmo tempo, com a mesma eficácia se fosse pessoalmente.

Os demônios que se dedicavam a eliminá-los ocultavam o que faziam de Sirzechs Lucifer, que nunca concordaria com tal ação. Ninguém, além de um grupo secreto, do qual Rias fazia parte, praticavam tal ato. Nem mesmo Azazel, Barakiel, Sairaorg e Serafall tinham conhecimento de tal grupo, embora houvesse boatos sobre a existência deles, sendo que tais boatos chegaram aos Maous, que decidiram investigar.

Por precaução, avisaram Michael, sobre os boatos, deixando-o surpreso e pensativo, decidindo que os anjos deviam ficar atentos. Não era a primeira vez que lidavam com um grupo que queria prejudicar o acordo de paz.

Por esse grupo ter sucesso ao longo dos milênios, matando sem serem detectados e antes que estes anjos despertassem, a existência deles se aproximava de um mito, com muitos não acreditando que era real. Até porque, os anjos somente surgiam de Deus e ele estava desaparecido. Mesmo com eles usando o esquema de cartas, precisava que um arcanjo ou serafim, usasse o seu poder. Esses anjos especiais nasciam somente de humanos e isso só ajudava a torna-los um conto quase surreal.

Ela suspira, usando a sua magia para não ser afetada pela chuva, enquanto as suas asas estavam contraídas em suas costas. Ela sentia que o ser que procurava estava no trânsito e estava irritada por não pode definir onde estava, até que sorri malignamente, enquanto concentrava o seu poder em uma das mãos, decidindo usar um caminhão de combustível que estava quase no centro do engarrafamento. Seria uma forma de ocultar que tal ato foi provocado por um akuma. Os membros desse grupo eram cientes que precisavam ocultar os seus poderes, para que ninguém soubesse que provocavam incidentes, apenas para matar esses anjos.

Ela lança a esfera no tanque de combustível do caminhão, provocando uma explosão imensa, gerando uma onda destrutiva e uma bola de fogo imensa, enquanto as chamas se irradiavam para os lados, provocando novas explosões, sendo que Rias gargalhava, se divertindo, enquanto comentava consigo mesma:

- Não sei o motivo de não ter tido essa ideia antes. Essa é a melhor forma de fazê-lo se revelar. Afinal, irá se salvar e salvar outros em volta dele.

De fato, ela vê um brilho e poder, irradiando de um dos locais das explosões, sendo formado um domo que dispersava as chamas.

Rapidamente, abre as suas asas negras e voa ao local, sendo que Aiko estava inconsciente, com a sua mãe sem nenhum arranhão. Ela olha para o lado e vê outros que estavam sem qualquer ferimento. Próxima dela havia a jovem com longos cabelos, sendo que eles flutuavam e havia duas belas asas, alvas e que reluziam, enquanto que no seu olhar havia bondade e amor.

Ela fica fascinada e murmura:

- Um anjo?

Então, vê chamas próximas de si e vai até a sua filha, que esta ferida e fica em cima dela, se curvando, enquanto tentava compreender o que acontecia, sendo que a sua filha acorda e começa a brilhar, com suas asas surgindo, até que, um objeto, dependurado em cima de um carro parcialmente carbonizado, cai na cabeça da criança, quando a mãe se ergueu para ver melhor a anja.

- Aiko-chan!

A mãe se desespera ao ver o sangramento na cabeça de sua filha, com o brilho dela dispersando.

Então, observa uma esfera de luz indo até a cabeça de sua filha, a curando, sendo que um pequeno domo passou a envolvê-las e ao olhar para o lado, percebe que é a jovem que a curou, sendo que sorria meigamente, enquanto que as demais pessoas, inclusive os pais dela, ao passar o terror, a olhavam em um misto de surpresa e admiração, sendo que alguns oravam, frente a visão de um anjo.

Michele agradece, sorrindo, enquanto chorava emocionada:

- Muito obrigada.

Então, eles notam uma mulher se aproximando, sendo que tinha cabelos ruivos e olhos malignos, sendo visível as suas asas, com muitos falando, aterrorizados:

- Um demônio!

- Um akuma?! Mas como...!

- Não pode ser!

Os outros correm para se afastar dali, enquanto a mesma se aproximava da anja, que ainda estava desorientada com os seus poderes e que agora que era consciente deles, não podia usar inconscientemente.

Ela olha para Rias, confusa ao ver o sorriso dela, apesar de um forte medo tomar a jovem, para depois, a mesma, ter a sua cabeça decepada com um movimento das mãos de Rias, que sorri satisfeita com a execução.

Afinal, inexperiente e sem controle de seu poder, sendo que estava curando e protegendo os demais da explosão, a jovem ficou aberta a um ataque. Todos gritam de terror quando a cabeça dela rola e o corpo da jovem, cai inerte no chão, sendo que Rias não percebe que a outra criança, próxima dali, também era uma anja lendária, sendo que a barreira da criança, havia ocultado os poderes de Aiko.

Todos gritam, enquanto Rias preparava uma esfera, gargalhando malignamente, enquanto falava:

- Irão morrer, vermes!

Uma enorme explosão se irradia e Aiko ainda estava inconsciente, sendo que a barreira remanescente da outra criança, a protegeu da explosão.

Porém, a mãe dela foi morta pela onda destrutiva e a criança acabou sendo jogada para outro local, com a barreira a mantendo intacta, sendo que depois se desfaz, quando termina de curar.

Sem saber da existência de outra criança, Rias abre as suas asas, gargalhando malignamente, se afastado do local, enquanto as ambulâncias e policiais chegavam. Por causa da fumaça espessa, somente alguns, conseguiram ver uma akuma voando do local.

Mais tarde, encontraram Aiko, considerando um milagre a sobrevivência dela, sendo que a levam a um hospital e depois, ao identificarem quem ela era, chamam o pai, sendo que este, friamente, dá o telefone do avô dele e fala que estava ocupado demais, para perder tempo com a filha, surpreendendo as pessoas do hospital, que ficam indignados, para depois olharem com pesar para Aiko, sentada longe dali, chorando em silêncio, enquanto ligavam para o bisavô da menina, que imediatamente, se prontifica a ir até ela, fazendo a enfermeira suspirar aliviada que um membro da família viria busca-la.

O avô dela amava a bisneta e soube que o corpo da mãe dela foi transformado em cinzas, somente encontrando um anel carbonizado, quase se desfazendo e ao encontrar a sua neta no hospital, a abraça e promete a sua finada nora que iria cuidar de Aiko, enquanto ficava irado pelo seu neto, Cao Cao, não ter ido até a cidade, para ver a sua filha e cuidar do enterro de sua esposa.

De fato, ele sempre se culpou por obrigar o seu neto a se casar, sendo que na época estava ficando exasperado com o comportamento errante, as drogas e o fato de viver como um playboy, sem ele assumir qualquer responsabilidade. Tolamente, achou que a sua bisneta iria influenciar o seu neto.

No final, descobriu o quanto foi tolo e que o ato de obriga-lo, sobre ameaça de não pagar as faturas do cartão e de não arcar mais com o estilo de vida libertino dele, causaram apenas sofrimento a uma mulher inocente e que tal união, era fardada ao fracasso. A traição de seu neto com várias mulheres, não era nenhuma surpresa. De fato, quando percebeu o seu erro, prestou toda a ajuda financeira e cuidados, para com a sua nora e bisneta.

Suspirando, ele fala, olhando para a bisneta que chorava cabisbaixa em um banco de hospital, enquanto uma chuva torrencial, ou melhor, tempestade, desabava na cidade, por causa da dor e tristeza que Aiko sentia:

- Seremos só você e o vovô. Tudo bem?

A criança de doze anos concorda com a cabeça, com o seu bisavô segurando os seus ombros, visando confortá-la, até que a pega no colo, a abraçando, com a mesma retribuindo, enquanto afundava a cabeça no ombro dele, com as lágrimas peroladas brotavam sem qualquer controle de seus orbes marejados.

O avô dela ouviu boatos sobre a visão de uma mulher com asas demoníacas, sendo que muitos não consideravam como algo importante e julgaram que a experiência de quase morte mexeu com a mente dos sobreviventes, além do trauma em si.

O avô de Aiko estreita os olhos, pensativo, enquanto entrava na sua limusine, sendo que o chefe dos seus guarda costas, abria a porta, com o mesmo ocultando que a sua luva, da mão direita, não era uma simples luva. Ela podia se transformar em um soco inglês, dourado, que ampliava o poder dos golpes e inclusive, podia amassar facilmente o ferro.

O bisavô de Aiko viu tal poder um dia e o contratou como guarda costas. Desde então, ele o servia.

O mesmo fecha a porta e o carro com os seguranças, segue a limusine. O bilionário do ramo das comunicações, também era um grande e renomado filantropo que fazia inúmeras doações a ONG´s e entidades, inclusive de animais, assim como patrocinava pesquisas de doenças, para ajudar os que estavam enfermos, além de ter uma rede de hospitais que atendiam as pessoas carentes.

Ele liga e designa responsáveis para cuidarem do enterro, enquanto Aiko chorava, sendo que tinha absoluta certeza que havia visto algo na fumaça, instantes antes de ser encontrada pela equipe de resgate. Notou as asas que pareciam de morcego, só que mais finas e se lembrou da sensação de medo ao ver a jovem. Claro que podia ser a sua mente pregando uma peça.

Mesmo assim, no íntimo, não acreditava que estava vendo coisas. Parecia muito real, sendo que decide não contar a ninguém, enquanto estava imersa em recordações.

Enquanto isso, os investigadores e especialistas, não conseguiram encontrar uma explicação plausível para a primeira explosão e depois, a segunda, além de lidarem com relatos estranhos, que consideravam praticamente surreais.

Após meses de investigações infrutíferas, o caso foi arquivado por falta de provas e muitos investigadores esperavam que a ciência avançasse ainda mais, para poder explicar o que aconteceu naquela noite fatídica.