Última Chance
Nota da autora: Mais uma fanfiction MinakoKunzite. =D
Mas dessa vez é um acontecimento referente ao começo de Tóquio de Cristal.
Capítulo 2
Manhã
Desde a volta dos generais de Endymion, o clima do palácio estava pesado. Serenity acreditava que com a volta deles suas senshis iriam ter menos trabalho e, pelo menos uma delas, estariam felizes. Ela sabia do romance que existia entre a líder das senshis e o líder dos shittenou e não conseguia entender o que estava acontecendo desde que Venus foi buscá-lo. As outras garotas não se sentiam confortáveis com a presença dos outros generais, que foram buscados pessoalmente por Kunzite e Endymion. Serenity só não sabia se o desconforto era delas ou gerado pela situação entre os líderes.
Serenity estava andando pelos corredores, perdida em seus pensamentos. Naquela hora não tinha ninguém por ali. Era muito cedo e todos estavam dormindo. Quem um dia iria imaginar que ela acordaria cedo sozinha e só para andar? Era incrível ver como as coisas podiam mudar. E pensando em mudanças, Serenity se lembrou de Venus de novo. Ela se lembrava de ver Venus saindo do palácio, parecia calma, e até satisfeita, com a missão que Endymion havia lhe passado e agora via sua amiga abatida por alguma razão que a mesma teimava em não contar. Apesar de que apenas com o comportamento de Kunzite era possível ter uma idéia do que podia ser... Mas ele era sempre tão quieto que este não podia ser o único argumento.
Deu mais alguns passos da sua caminhada matinal e encontrou sentada em uma das poltronas da biblioteca, que ficavam em frente aos jardins, uma das personagens de suas preocupações. Analisando-o sem que ele notasse, Serenity podia afirmar que Kunzite também parecia abatido, para não dizer outra coisa. Ficou meditando alguns instantes antes de decidir falar com ele.
"Kunzite-san?" – Serenity o chamou suavemente.
Ele moveu a cabeça e dirigiu o olhar a quem lhe chamava. Quase que imediatamente se levantou e fez uma reverência a ela.
"Vossa Majestade..."
"Isso não é necessário, Kunzite-san." – Serenity falou sorrindo alegremente –"Acredito que essas formalidades não tenham utilidade entre amigos."
"Amigos?" – Kunzite olhou para a mulher a sua frente sem conseguir conter um que de ceticismo.
"Sim, general..." – Serenity respondeu com calma enquanto se sentava em uma poltrona em frente a qual Kunzite estava antes – "Sente-se, Kunzite-san."
Kunzite voltou ao seu assento sem pensar no que estava fazendo, registrando apenas um tom de ordem. Serenity esperou o homem se acomodar antes de voltar a falar:
"Kunzite-san... Você está feliz aqui no palácio?" – a forma como ela falava era suave assim como o seu sorriso.
Kunzite ficou mudo por alguns instantes, meditando sobre o porquê daquela pergunta estranha. Tentou identificar qual o real significado daquilo e a única coisa que conseguiu foi ficar mais confuso. Parecia que, desde que havia voltado ao corpo fixo, a falta de compreensão das coisas tinha o dominado.
"Não precisa ficar assim..." – Serenity falou como que para tranqüilizá-lo – "É apenas uma pergunta. Só queria saber como você está..."
"Eu estou bem, vossa majestade." – ele respondeu com simplicidade.
"E feliz?" – ela repetiu a pergunta – "Sei que estou sendo intrometida... Mas é que me preocupo com você e com a... Minako-chan."
Kunzite manteve sua expressão como que congelada, não era possível saber se aquilo havia surtido efeito.
"Não precisa se preocupar, vossa majestade." – ele disse por fim – "Eu estou bem e, suponho, que Venus também. Se a vossa majestade me dá licença, eu vou me retirar..."
"Você pode se retirar..." – Serenity disse calmamente – "Mas pense no que vou te dizer agora, Kunzite-san, não seja tão inflexível. Você pode estar perdendo algo precioso."
"Irei pensar..." -Kunzite respondeu educadamente antes de sair da biblioteca.
Tarde
Venus estava sentada perto da fonte em um dos jardins do palácio. Estava há algum tempo parada, olhando para o céu sem realmente está prestando atenção em alguma coisa. Estava com uma aparência abatida, como se não dormisse bem.
Um jovem se aproximou quase cautelosamente dela. De longe era possível perceber a diferença nos tons de cabelos deles, os fios dele eram pálidos perto do dourado vivo dela.
"Venus-san...?" – a voz de Ziocite era um sussurro tímido como se esperasse uma reação desagradável vindo dela.
Minako levantou o olhar sem esconder o susto. Ela não tinha certeza se estava mais assustada em ter sido surpreendida ou pelo fato de ele estar lhe dirigindo a palavra por livre e espontânea vontade. Piscou algumas vezes como se fosse possível que a imagem do homem loiro sumisse do seu campo de visão.
"Suponho que a senhorita não esteja disposta a conversar..." o rapaz murmurou meio envergonhado, meio tímido. Não era o comportamento típico dele.
Venus sacudiu a cabeça tentando anuviar os pensamentos.
"Me desculpe, Ziocite-san... Estava distraída e não percebi a sua aproximação."
O tom de voz dela era educado quase amigável. Ziocite ficou subitamente mudo, a única coisa que fazia era observá-la. Era evidente o quanto abatida ela estava nos últimos dias, apesar de não ser visível para todos, há coisas que apenas eram vistas com muita percepção.
"Talvez eu esteja me precipitando, senhorita..." – a voz dele era macia como sempre, se um encanto que seduziria qualquer pessoa a se dobrar a vontade dele – "Mas, devo dizer que os senhores estão se matando."
"Como?" – Venus olhou surpresa para ele.
Ziocite se ajoelhou, próximo ao banco em que Venus estava sentada, de forma que os olhos deles quase ficaram no mesmo nível de altura.
"A senhorita e..." – ele voltou a falar e fez uma pequena pausa antes de continuar em um tom mais conciliador – "... o Kunzite-san vão se matar se continuarem a se repelir assim..."
"Assim como?" – ela perguntou de imediato sem nem pensar no que estava falando.
O rapaz sorriu calmamente e se levantou com certa graça.
"Da mesma forma que os senhores fazem desde o Silver Millenniun..." – deu um passo para trás enquanto mantinha as duas mãos nas costas – "Suponho que as coisas não são tão simples quanto imagino, mas... Não são tão complexas também."
Noite
Já não era o bastante ter que ouvir da própria Rainha que precisava ser mais flexível, ainda tinha que ouvir aquela exposição de alegria alheia. Ficar perto dos outros generais o incomodava. Kunzite parou no meio do corredor ao notar para onde ia a sua linha de raciocínio, ele estava implicando com a felicidade dos outros. Automaticamente esfregou os olhos com uma das mãos como se isso lhe trouxesse um pouco de lucidez.
Quando abriu os olhos viu Minako um pouco a frente. Ela estava mais parecida com um fantasma do que uma pessoa. Estava com um vestido branco fino, que ele concluiu ser uma camisola, e parecia não estar muito preocupada com a aparência. Os cabelos estavam soltos pelos ombros, cobrindo as costas com uma cascata de fios dourados e eram evidentes os sinais de noites mal dormidas. Apesar de todos esses detalhes ela parecia, aos olhos dele, uma visão fantástica.
Minako se aproximou dele e perdeu alguns segundos observando o rosto dele.
"Kunzite...?" – ela o chamou delicadamente e obtendo dele, como resposta, apenas uma expressão surpresa.
Sem pensar nem meia vez, Minako avançou em direção a ele e, puxando o rosto dele pela nuca, o beijou sem aviso algum. Kunzite ficou tão surpreso que não chegou a esboçar reação e deixou ser beijado.
Depois de algum tempo, Minako se afastou um pouco, ainda o segurando pela nuca e murmurou algumas palavras sem sentido para Kunzite, que ainda estava surpreso demais para qualquer coisa.
"Físico... Tão real..." – Minako arregalou os olhos e se afastou dele, com a intenção de sair dali imediatamente.
Por um momento ela pareceu mais doente do que antes e começou a dar alguns passos para trás sem se virar para, de repente, girar o corpo e começar a andar na direção oposta. Antes de conseguir compreender o que estava acontecendo, Minako sentiu seus cotovelos serem puxados para trás e o chão fugir debaixo dos seus pés. Simultaneamente sentiu as costas baterem na parede enquanto o corpo de Kunzite a prensava contra a mesma. Antes de chegar a falar qualquer coisa, a boca dele encontrou a dela e nada mais importava a não ser aquilo.
Minako sentiu todo o ar dos pulmões ser sugado para fora do seu corpo enquanto tudo em volta era calor, muito calor. Os lábios dele praticamente devoravam os dela e a única palavra para descrever aquilo era necessidade. Ele precisava dela como se não pudesse mais viver sem ela. Aquele beijo era completamente diferente do anterior, talvez porque os dois participavam ou porque, como um clique, eles perceberam que pertencia um ao outro. Ela sentiu, de novo, o chão sumir embaixo dos seus pés e os braços dele a segurando possessivamente enquanto a suspendia no ar e aprofundava o beijo, se perdendo completamente naquele ato.
O beijo acabou da mesma forma que começou, num rompante. Kunzite apoiou o corpo dela de novo contra a parede enquanto se afastava vagarosamente.
"Não... Ouse!"- Minako falou em um tom de ameaça enquanto respirava com dificuldade.
Kunzite analisou o rosto dela e concluiu que não deveria ter feito aquilo. Se antes ela parecia doente, agora estava febril. Os olhos estavam brilhando de um jeito estranho, a face estava afogueada e os lábios estavam em um tom vermelho intenso, que o fez pensar que havia exagerado na dose.
"Não saia de perto." – ela voltou a falar com mais segurança, já que parecia conseguir respirar melhor do que antes – "Não depois disso! A gente tem que conversar..."
"Sim..."- Kunzite respondeu em um suspiro, percebendo que a respiração dele estava tão descompassada quanto a dela e o coração estava martelando no peito. – "Nós temos."
Ele se aproximou mais dela e apoiou a cabeça contra um dos ombros dela com delicadeza. Parecia que o peito ia explodir a qualquer instante, ele não conseguia controlar a respiração por mais que quisesse. Sem aviso, sentiu as mãos de Minako sobre seus cabelos numa carícia delicada e suspirou. Ele não merecia aquela paz. Ele levantou a cabeça para falar alguma coisa e foi impedido quando Minako pôs o indicador nos lábios dele.
"Seja lá o que for dizer, em minha defesa só posso afirmar que..." – ela repetiu a mesma frase que havia dito quando foi buscá-lo – "... Eu te amo e nada, nada mesmo, do que você achar que não merece me importa."
"Mas..." – ele disse confuso enquanto tentava formular alguma frase.
"Kunzite... Essa é a nossa última chance e eu acredito que perder tempo com o passado não é certo." – ela voltou a falar com uma desenvoltura que Kunzite estava invejando naquele momento. – "Vamos pensar no agora, sim?"
Kunzite a encarou por algum tempo e apesar de estar pensando em mil coisas para falar, não conseguia pôr voz a nenhuma palavra. Fechou os olhos por alguns segundos e se aproximou o suficiente dela para que as testas se encostassem.
"Você realmente me acha digno de você?" – ele murmurou baixinho a olhando nos olhos.
Minako abriu um sorriso radiante antes de falar:
"Ah, meu amor... Não complique o que é simples!"
