/NA: Obrigada pela review. Não sou boa de guardar nomes, mas vou aprendendo. Pessoal, é minha primeira fic e devo dizer que me surpreendi com o número de pessoas que acessaram apenas o prólogo. Obrigada. É isso que me estimula a escrever. Aí vai mais um capítulo da AUD, espero que gostem!
Capítulo 1 Prostíbulo
(BPOV)
Pérfidos nojentos. Ficam tão presos em suas vidas medíocres de mentiras, traição e corrupção que se prestam ao mais baixo papel de pagar por uma noite de prazer. Mas quem em sã consciência sentiria prazer ao ver uma mulher fingir toscamente um orgasmo por dinheiro?
Velhos, tarados, homens brutos, mulheres desesperadas, adolescentes mimados, vejo todo o tipo de pessoa passando pelo Lê Blanc, o prostíbulo mais famoso da cidade de Paris, na França.
Durante esses três anos que passei dançando em cima de um balcão nunca aceitei nem a cogitação da possibilidade de fazer sexo por dinheiro. Velhos, Condes e outros cogitaram a hipótese de acompanhante de luxo, mas o termo não me enganava há muito tempo: era o mesmo que prostituta.
E isso não seria nunca, não importa o que me fizessem. Minha honra seria mantida mesmo com uma espada sobre minha cabeça.
Durante toda minha infância sonhei em ser bailarina profissional, apesar de alguns problemas com coordenação e imã para desastres. Imaginava-me com aqueles collants
esplêndidos e aquelas coreografias estonteantes. Participar de espetáculos, todos do bom e do melhor.
Aos treze anos fui contatada pela Switz, uma companhia de ballet supostamente russa, e, na euforia, não procurei me informar sobre a real situação da proposta.
A companhia era estrangeira, eu sabia, e eu não a conhecia, e as bibliotecas às quais tinha acesso eram bem maleáveis, eu deveria ter procurado. Mas era meio difícil haver alguma informação de outro continente atualizada naquela época.
Não contei nada aos meus pais por medo de eles interferirem nos meus sonhos, na minha melhor chance por causa de alguma preocupação estúpida. Mas eles não estavam sendo estúpidos, estavam sendo pais, e eu deveria tê-los ouvido. Mas enfim, fui até o endereço do cartão sozinha.
Ao chegar lá, encontrei apenas uma senhora chamada Penny, que me arrastou pelo braço ameaçando minha família, conseguindo me obrigar a fugir de Phoenix com ela e as "meninas dela".
Fomos em um compartimento de carga de um trem gelado em meio à madrugada, feito fugitivas. 30 garotas destinadas há um horrível e penoso futuro. Mas é claro que ninguém se deu conta do que estava acontecendo.
Embarcamos nos fundos de um navio na mesma madrugada, e viajamos em direção à Europa. Aquilo até me agradaria, se eu não estivesse amedrontada e indo por pura e espontânea pressão.
Chegamos a Paris na manhã seguinte, não arrisco o horário direito, ainda teria que me reacostumar com a claridade, e fomos direto ao Lê Blanc, em um furgão mal acabado e caindo aos pedaços.
Ao sairmos do trem reparei pela primeira vez nas outras 29 garotas. Pálidas e assustadas, tanto quanto eu, e também não muito mais velhas, no máximo um ou dois anos.
No Lê Blanc, tivemos nosso primeiro contato direto com o que estaríamos fazendo durante o resto de nossas vidas. Aquilo era decadente. Fomos apresentadas ao Johnny, o "caetão" do lugar apenas alguns dias depois, quando mais da metade das garotas já havia morrido de pneumonia. Ele não parecia feliz com a incompetência de Penny, e eu estava com medo do que teríamos que fazer, apesar de já sabe-lo bem no fundo.
Tive sorte, por falta de um termo melhor, de Johnny gostar de mim. Disse à Penny, logo após ver meu rosto, que eu só dançaria, que acompanhantes de luxo devem ser puras quando chegada a hora de exercer a profissão.
Acompanhante de luxo. A princípio não entendi muito bem o termo, mas uma de minhas colegas de quarto, Alice, que me explicou o que significava, e disse que era um pouco melhor que vender o corpo. Eu discordava. Era como vender a moral e a reputação.
A prazo, concordei com o plano de Johnny, mas ele deveria saber que eu não me prestaria àquilo, nunca. E minha vida se resumira a isso. Dançar em cima de um balcão enquanto era ofendida com velhos bêbados querendo transar comigo e homens deturpados colocando dinheiro em minhas roupas e tentando passar a mão por meu corpo.
Ah, como eu desejava sair daquela vida. Seria meu melhor presente, meu mais secreto milagre. Mas isso eram só devaneios e devaneios não pagam minha sobrevivência. Eu não podia me dar esse luxo.
