Capítulo 2

Todos tinham chegado, e era noite. Algumas garrafas vazias podiam ser vistas na mesa da cozinha. Puck e Santana desde a tarde já estavam bebendo. Quinn ligou seu iPod nas caixas de som, e decidiu reproduzir a playlist de música eletrônica. Ela estava tranqüila quanto às coisas da sala: os sofás estavam cobertos por lençóis, a televisão bem apoiada na parede... Tudo muito bem protegido.

Rachel queria esquecer as regras e toda a educação que seus pais gays lhe deram. Não desgrudava de Finn, e a todo momento se via um copo de tequila na mão dela. Quando Quinn estava por perto, seu índice de promiscuidade crescia de forma impressionante: os beijos eram mais quentes, os goles eram mais demorados, os passos de dança mais sensuais... Finn também não estava com saco para pensar em conseqüências. Há tempos que não bebia sem limites. A garrafa de vodka na mão dele já tinha menos da metade. Se alguma coisa acontecesse, ele culparia o álcool.

Brittany já mostrava para quem quisesse ver a lingerie dourada que ela estava vestindo, e claro, a barriga chapada. Levou Santana na onda. A mesa de centro da sala se tornou palco das duas garotas. A batida forte dava ritmo à dança: pulos desengonçados, gargalhadas, abraços demorados...

Puck estava solteiro, mas mesmo que não estivesse, viu naquela mesa de centro as ninfas que ele iria abater naquela noite; criou o plano para conseguir realizar seu maior sonho de consumo: threesome. Quando ele estava a caminho da primeira investida, resolveu desistir; Santana, com um copo de whisky quase vazio na mão, estava chorando histericamente, dizendo coisas ininteligíveis e inapropriadas. O jogador do famoso moicano resolveu procurar outro alvo.

Olhou à sua volta. Viu Quinn e Artie conversando perto do guarda-sol. Lauren estava se preparando para dar uma grande bomba na piscina. Mercedes e Sam estavam sentados no banco do jardim, no chamego. Mike e Tina "balançavam" na rede da varanda. Kurt e Blaine estavam no jardim, ajoelhados e olhando para o escuro. Faltava o Finn e... Rachel. Ele teve a brilhante idéia de roubar a namorada do Finn mais uma vez, para manter o costume. Eles eram amigos de longa data, jogavam no mesmo time, mas trair o melhor amigo com uma judia era a criptonita de Puck. Não existia qualquer outra coisa que deixasse Puck mais excitado que isso. Além disso, ele se lembrou de uma conversa que teve com o Finn no vestiário, semanas atrás. O quarterback havia dito que quando Rachel bebe, faz do tipo carente. Seria muito fácil dar uns amassos na princesinha judaica. Saiu à procura do casal.

Enquanto isso, Kurt estava no jardim praticamente expelindo pela boca todos os seus órgãos. Ele havia bebido apenas uma vez antes, durante a primeira visita de April Rhodes em Lima, e pensou que aquela vez já fosse o bastante para 'amaciar' o fígado e estar pronto para doses maiores. Estava completamente enganado. Blaine não saía do lado dele, mas não foi de muita ajuda. A bebida que pulsava nas veias do Warbler limitou sua capacidade de consolar o namorado; a única coisa que ele conseguia dizer era "Bota pra fora... Bota pra fora...", e toda vez que Kurt ameaçava vomitar, Blaine ria descontroladamente.

Quinn, Artie e Lauren estavam no grupo dos 'esqueça o amor e curta a vida'. Artie sempre achou Quinn uma das garotas mais apresentáveis do Glee Club; e quem já bebeu algum dia sabe que o álcool é capaz de fazer você cometer loucuras. Quando Artie deu por si, ele estava segurando a mão da Fabray, e cantando em alto e bom som uma daquelas baladas melosas típicas de serenata. Quinn estava tão carente – e alcoolizada – que se lançou em cima de Artie no mesmo instante. O beijo foi quente, e Quinn gritava aos quatro ventos: "ELE BEIJA MELHOR QUE VOCÊ, FINN!". Artie perguntou se ela queria fazer algo mais. A loira tomada de raiva topou na hora.

Sam e Mercedes jorravam melosidade. O típico início de namoro. Eram os que menos bebiam. Aliás, já estavam bêbados; mesmo antes de começarem a beber, os dois já achavam graça em tudo. Efeito do amor.

Lauren estava acompanhada da melhor amiga dela naquele momento: a sra. Tequila. Provavelmente, havia tequila em cada célula do corpo dela.

Noah continuava sua saga à procura de Finn e Rach. Foi abrindo cada porta que encontrava, e nada. Só havia uma trancada, mas com certeza, o casal não estaria lá. Era a porta da despensa. Quinn provavelmente devia ter trancado a fechadura antes mesmo da festa começar. Desistiu da procura, e resolveu dar uns amassos em Lauren, que como ele, estava dando bobeira completamente encharcada de álcool.

Puck estava enganado. Naquela tarde, depois da conversa que teve com a Quinn, Rachel já havia planejado todos os detalhes. Foi até o painel das chaves, e na hora que estava sozinha, pegou a chave da despensa. O lugar não era o mais romântico, mas pelo menos não chamaria a atenção. Chamar a atenção era o que ela menos queria.

Rachel nunca confessou, mas sempre esteve segura sobre a sua primeira vez com Finn. Ele sempre foi um cavalheiro, e nunca a obrigou a fazer algo mais. Antes mesmo daquela conversa, ela já pensava que estava próximo o momento certo.

A segurança que ela sentia permaneceu até aquela tarde. Depois do que Quinn falou, ela se sentiu pressionada. Finn já dormiu com Santana e a maldita e perfeita Barbie. Comparações seriam inevitáveis. Além disso, ele já tinha experiência.

Mesmo sem prós, e muitos contras, ela decidiu que a primeira vez dos dois deveria ser épica. Quente. A melhor transa da vida de Finn.

Os dois mal chegaram e já atacaram as bebidas – as mais fortes possíveis. Acabaram caindo num dos aconchegantes sofás da sala, e partiram para o amasso. E dessa vez foi sem limite, sem perda de tempo pensando.

"Qual o seu tipo, Finny?", Rachel disse entre as mordidas no pescoço.

"Como assim?"

"Eu sou a bêbada carente... E você? É um bêbado de que tipo?"

Ele não estava totalmente a fim de conversar.

"Dizem que eu sou o bêbado verdadeiro. Costumo falar o que penso."

"Então fale."

"Fale o que?", muita conversa, pouca pegação.

"Verdades."

"Eu pensei que você fosse uma garotinha boba nesse tipo de coisa. Eu estava enganado."

O beijo que seguiu a frase foi diferente dos outros. Profundo, demorado. Rach queria provar que era quente como qualquer outra garota de dezesseis. Ela se levantou, arrumou o cabelo bagunçado, e puxou a mão do grandão.

"Vamos."

"Vamos aonde? A festa ainda não acabou, Rach." Ele riu.

"Só me siga."

Ela o levou até o improvisado ninho de amor daquela noite: a despensa. Abriu a porta, e logo depois que eles entraram, já trancou a fechadura. Se deixou levar pelo momento. Os dois se encostaram numa das prateleiras e começaram a se beijar como nunca antes. Ela tirou a blusa, e ele a camisa. As carícias deixaram de ser no pescoço e começaram a ser em outros lugares. Ele a sentou na mesa que ficava no canto do cômodo, e procurou a camisinha no bolso. As mãos desciam e arrepiavam cada centímetro do corpo dos dois.

Dizem que a dosagem de álcool no sangue diminui se as batidas cardíacas aumentam. Isso significa que a cada minuto que passava, mais lúcidos os dois ficavam. E a lucidez dizia que por mais que eles quisessem, aquele não era o momento.

"Finn."

"Rach."

Eles chegaram à mesma conclusão, e ao mesmo tempo. Isso significa algo.

"Não é agora... Não é hoje."

Ele respirou fundo.

"Foi a bebida, Rach. Ela faz a gente cometer loucura."

"A verdade é que nossa primeira vez não deve ser assim."

"C-concordo."

Era o certo a fazer. Ele guardou a camisinha no bolso novamente, e começou a procurar a sua camisa no meio das prateleiras. Ela não achava a blusa. Os fantasmas da Quinn e da Santana voltaram a assombrar a cabeça de Rachel. Elas não desistiram em cima da hora...

"Vamos voltar pra sala." Finn disse a ela, puxando sua mão depois de lascar um beijo.

Eles saíram discretamente da despensa. O discreto não foi suficiente. Quando eles se viraram, deram de cara com Tina e Mike.

"Perdemos nosso posto de casal mais quente, Mike", Tina disse enquanto gargalhava incontrolavelmente. "Eles estavam se pegando no lugar mais broxante da casa! Na despensa! Na despensa!"

Rachel ficou vermelha como uma maçã. Precisava achar alguma explicação.

"Não, Tina! A gente est..."

"Não perca tempo explicando, Rach. Amanhã ela nem vai lembrar-se disso." Finn murmurou no seu ouvido, e entregou outra garrafa na mão da namorada. Mike pegou Tina nos braços e saiu correndo até a varanda. A playlist das eletrônicas havia acabado. As músicas agora eram lentas.

Eis a situação de cada um dos nossos queridos – e loucos – personagens: Puck e Lauren estavam num dos quartos, ocupados demais para notar o que acontecia ao redor deles. Artie continuava fitando o quadro de Jesus Cristo pendurado no quarto da Quinn. Brittany e Santana estavam sendo solidárias ao Kurt, e passaram a vomitar junto com ele. O casal asiático continuava no amasso na varanda. Mercedes e Sam, atrás das duchas.

A sala e a música eram exclusivamente de Finn e Rach. Beberam doses e mais doses, e depois, ficaram balançando de um lado para outro.

A primeira vez ficaria para outro dia.