Barulhos de passos ecoavam naquele lugar escuro e frio. O bater dos calçados das prováveis pessoas ali presentes no local fora a primeira coisa que escutara ao acordar e o provável motivo de ter se acordado.

Ainda não se levantara da cama no qual se deitava, pois sua mente ainda estava muito confusa para pensar em fazer algo. Tudo o que podia fazer era respirar lentamente enquanto tentava se lembrar do local onde estava. Seus olhos ainda estavam entreabertos e embaçados, criando dificuldades para identificar o lugar. A escassez de luz também não estava contribuindo. Isso sem falar no fato de não se lembrar do que acontecera antes de chegar ali.

Um terrível estrondo acompanhado de um grito horroroso fizera com que se acordasse de vez com um susto grande o suficiente para fazer-lhe levantar seu tronco, logo já não se encontrava mais deitado na cama e sim, sentado nela. Assustado. Não chegava a ofegar, mas seu coração ainda batia em um ritmo um pouco acima do normal. Não se sabia se expressava seu espanto em seu rosto devido à escuridão que se estendia por todo o quarto, mal o deixando capaz de enxergar os possíveis móveis contidos nele.

Outro barulho vindo detrás da porta entreaberta na sua frente. Pelo rangido seguido após este som, deveria ser de algum portão sendo aberto e empurrado, havia grande probabilidade da pessoa que fizera isto ter tido que usar um pouco de força para movê-la. O ruído poderia ter sido produzido através de uma porta de tamanho normal, porém de ferro e possivelmente enferrujada, similar à do cômodo em que ele se encontrava.

Ainda sem ter certeza se deveria ir investigar, levantou-se da cama sentindo o piso gelado e liso. Deveria ser feito de ferro ou algo assim, não se importava em saber no momento. Como ainda estava sem roupas, não demorou muito para começar a sentir frio. Gostaria de encontrar algo para se cobrir o mais rápido possível, de preferência, antes de arriscar a pele andando naquele lugar desconhecido. Claro, havia se esquecido de muita coisa, mas ainda se lembrava de como se sentia confortável usando uma calça, uma camisa, jaqueta ou qualquer outra peça de roupa e o quanto era vergonhoso andar pelado no meio da sociedade atual.

Começou dando seus primeiros passos com cautela por não saber o que poderia encontrar no meio de todo aquele preto presente naquele quarto, ou cela. Pelo menos o estilo na porta o fazia pensar naquelas antigas prisões existentes nos séculos passados. Quem diria que as memórias de coisas aprendidas em suas escolas há quase três décadas viriam à sua mente, mas nada do que lhe ocorrera nas últimas horas?

Sentiu uma dor aguda ao lado do seu abdômen acompanhado de um som de baque o fazendo segurar no local machucado como reflexo. Do jeito que estava um tanto assustado com tudo aquilo, poderia muito bem ter se afastado de lá, todavia não o fez. Ao invés disso, tentou identificar a coisa ou ser no qual batera, estava escuro, contudo fora capaz de distinguir a penteadeira de madeira na escuridão.

Logo após identificá-la, levou sua mão até ela encostando seus dedos na sua superfície plana enquanto massageava a parte de baixo da borda de tal cômoda com o polegar onde se localizava sua parte mais áspera e cheia de farpas. Era um ato quase considerado involuntário já que mal percebera o que fazia, estava ocupado demais prestando atenção nos objetos contidos em cima da penteadeira, tentando identificá-los.

Uma escova de cabelo, um retrato, caderninhos, entre outros considerados inúteis para si no momento. Com o tempo que ficara vendo as coisas, logo notaria o grande espelho característico do móvel. No ângulo no qual se encontrava não era possível enxergar seu próprio reflexo, tudo o que via através dele era aquela mesma porta de onde vinha a única coisa que iluminava o lugar e o permitia enxergar. Também foi neste mesmo lugar onde vira um vulto passando.

A rápida movimentação do provável ser ali presente o fizera focar sua visão nesta direção, tentava captar qualquer movimentação e qualquer barulho além das batidas do seu coração, mas nada. Tudo o que vira fora daquele quarto fora um corredor vazio com algumas portas no seu decorrer e algumas lâmpadas que pareciam insistir em desligar a qualquer momento. Passaram-se alguns poucos minutos até colocar na sua cabeça que aquilo não passava de sua imaginação ou de pelo menos tentar fazer isto e ir vasculhar as gavetas em busca de roupas.

A sensação de estar sendo constantemente observado o fizera pegar qualquer coisa que encontrava por ali e vesti-la, como estava com pressa, não conseguiu realizar essa tarefa sem fazer barulho. Teria sorte se nada perigoso o tivesse escutado manuseando as gavetas de forma brusca ou os seus resmungos por causa da dificuldade em colocar uma calça na velocidade desejada.

Novamente aquela sombra, dessa vez estava acompanhada de passos rápidos. Não havia sombra de dúvida, ele não estava sozinho e duvidava muito que sua companhia fosse amigável.