Servidão.

A primeira espécie de amor que eu recebi foi a de meu pai. Amor que só existe enquanto tudo se encaixa no lugar, quando sua vontade própria desaparece e só resta aquela consciência cuidadosamente mãe era uma boneca de cera, mula reprodutora e qualquer educação que ela me deu ficou no fundo da mente infantil. Em casa todas as minhas memórias são dele.

Lucius Malfoy era o perfeito cavalheiro, o nobre indiferente e de palavra, seus modos sempre corretos, sempre afinados ao dever familiar. Seus sentimentos escondidos numa capa de poder, realeza, dinheiro e crueldade fria e doce. Nunca o vi sorrir, nunca recebi um abraço, o frio de seus olhos, e a quentura de sua mão eram as únicas coisas que senti de meu pai.

Agora nada disso importa, ele está morto, enterrado e no inferno. Ele me fez sua cria, sua carne, osso e ideologia. Hoje posso ver seus cabelos ao vento, sua mente longe, seus olhos quase mortos e sua escolha de me mandar embora, de me dar à chance de ser livre da Guerra, do Lord, de uma família puro-sangue.

Mas ele sabia que eu nunca seria livre, que eu nunca me libertaria, que estaria sempre vinculado a ele, debaixo de seus pés, sempre a seu comando...porque um filho nunca se livra de seu pai.