Jantar, Nagini
- Venha, Nagini! – a ordem me fora clara. Eu devia obedecê-lo. E eu obedecia. Arrastava meu corpo pelo chão sujo da casa dos Riddle e subia em seus ombros. Ele acariciava minha cabeça com os dedos longos e brancos. De alguma forma, eu fazia parte dele.
Saímos para a rua. Ele aparatou, me levando consigo. Quando vi onde estávamos, já sabia o que aconteceria. Estávamos novamente naquele cemitério, como em tantas outras vezes. A multidão de encapuzados nos olhava apreensiva. Não podia distinguir seus rostos por causa das máscaras que usavam. Mas eu sabia quem eram. Eram Comensais da Morte, seguidores do grande Lorde das Trevas.
Eu podia sentir seus cheiros. Medo, apreensão, excitação... E eu escutava suas respirações. Uma em particular estava extremamente acelerada. Ofegava. Ela não usava máscara. Eu teria sorrido se pudesse. A encarei, meus olhos ofídicos nos seus negros. Sentiu-se incomodada com o contato visual, desviou o olhar para alguém ao meu lado. Nosso Lord.
Eu sabia do segredo daquela mulher. O Lord também sabia. Guardávamos o segredo dela. Porque ambos sabíamos que não era útil, ao contrário, era tão totalmente inútil que não merecia a nossa atenção... Embora, hoje à noite, tenha chamado a minha. Fosse pelo brilho de loucura que levemente passava em seu olhar, fosse pelo sorriso que exibia. Mas eu me concentrara em sua respiração, algo nela me dizia que a mulher estava excitada demais para a ocasião.
Seu marido estava jogado ao chão, nos pés do Lord, onde deveria estar. Sua respiração era entrecortada, exalava um terrível cheiro de medo. Mas a mulher não, ela estava, por algum motivo desconhecido para ele, mas, talvez, conhecido por mim, feliz. Observei a expressão dela quando a varinha do Lorde das Trevas cortou o ar, um raio vermelho atingindo o peito de seu marido, o homem gritando de dor, se contorcendo de dor... Perfurei seus olhos com os meus. Nada. Nem pena, nem medo, nem ódio. Apenas a mais pura indiferença. A felicidade não vinha disso, é claro. Eu sabia do que vinha.
O Lord lançou um olhar divertido para ela.
- Diverte-te Bella, ver teu marido cair tão fracamente aos meus pés?
- É indiferente, Milorde – respondeu ela, os olhos brilhando de excitação.
- Indiferente... – sibilou nosso Lord. – E se eu o matar?
A mulher não teve tempo de responder. A varinha de Lord Voldemort mais uma vez cortou o ar, dessa vez faíscas verdes saíram da ponta dela, atingindo o coração do homem.
- Nem mesmo pena, Bella? - os olhos do Lord fuzilavam os dela. Mas ela se mostrava impassível e eu podia ver, não sentia nada.
- Liberdade - sussurrou ela.
- Não - murmurou o Lord para ela. - Serás eternamente carcereira de suas próprias vontades e desejos, Bella. Continuará presa em sua ansiedade. Ansiarás eternamente. E jamais serás libertada disso.
O segredo jamais a libertaria. Amar é para fracos, Bella. E você deveria saber disso.
- Jantar, Negini!
