Kagome olhava pela janela enquanto Sesshoumaru dirigia. Se sentia desconfortável sozinha com o irmão. Irmão!

-Chegamos...

-Obrigada e até mais Sesshoumaru – abriu a porta, mas fechou os olhos quando sentiu a mão dele em seu braço. Voltou a se sentar suspirando.

-Nem um beijinho?

-Isso não é certo Sesshoumaru. – ele se aproximou dela e Kagome sentiu a respiração acelerar.

-Para com essa baboseira de sermos irmãos... Nós não somos!

-Mas é como se fossemos... – ele sorriu de lado.

-Não, não é – e a puxou pelo pescoço.

Como das outras vezes Kagome não conseguiu evitar nem empurrar Sesshoumaru. Apenas o puxou pelo pescoço. Os beijos que davam não eram nem um pouco calmos, românticos ou lentos. Eram agressivos, selvagens. Sentiu a mão dele começar a subir por debaixo da saia e o empurrou.

-Certo, agora eu tenho que ir. – Sesshoumaru voltou a sorrir.

-Dessa vez eu deixo. – Kagome girou os olhos saindo do carro.

Viu o carro sair e suspirou. Sentia uma certa atração por Sesshoumaru, mas também não gostava desse jeito! Sentia algo que não conseguia explicar com os beijos que trocavam, mas nada perto de amor. E ela sabia disso. Só esperava que ele também soubesse.

...

-Ih,lá vem minha cruz!

-Cruz? Uma gata gostosa e rica? Queria uma cruz dessa!

-Você não entende... Ela é muito... Argh... Grudenta!

-Eu é que ia grudar numa dessas.

-Você só pensa na bunda, Miroku!

-Não...O dinheiro dela também é legal. – Inuyasha girou os olhos vendo a garota de aproximar.

-Pois pra mim, não faz diferença alguma...

-Oi Inu.

-Oi Kikyou.

-Vim te buscar, vamos dar uma voltinha? Meu pai me deu um carro novo! – disse quase pulando.

-Sabe o que é Kikyou... Minha mãe mandou eu chegar cedo hoje, sabe... Almoçar com ela, essas coisas de mãe.

-Tudo bem, eu te levo em casa.

-Eu to de moto, valeu. – ela se aproximou dele, fazendo Miroku sorrir malicioso. Apoiou as mãos no peito do garoto.

-Então quando a gente vai se ver de novo? – Inuyasha entendeu o "ver de novo". Respirou fundo, Kikyou era chata e grudenta, mas era muito gostosa. Não podia desperdiçar assim.

-Certo, mas tarde... No mesmo lugar. – ela sorriu dando um selinho nele e saindo.

-Cara, como você consegue? – Inuyasha sorriu convencido.

-Nasci assim cara...

...

Seria coincidência demais!

O mesmo cabelo,os mesmos olhos...O mesmo sorriso!

Izayoi desabou no sofá assim que chegou em casa. Não tinha mais dúvida, Inu no Taisho era o pai de Inuyasha! Mas como,com tanto lugar pra ela procurar emprego, foi cair justamente na empresa dele?

Tentava se agarrar a alguma esperança de estar sendo precipitada, de haver por ai, muitos youkais com esses traços. Mas ela mesma sabia que não era assim. Inu no Taisho tinha sido a primeira pessoa que vira parecida com Inuyasha, depois de Midoriko.

Colocou o rosto entre as mãos, o que faria agora? Contava a Inuyasha? Mas e se ele quisesse conhecer o pai? Era impossível que Inu no Taisho não reparasse que Inuyasha era seu filho!

Tinha que pensar!

Mas de uma coisa tinha certeza, naquele emprego ela não ficaria!

...

-Nenhuma resposta?

-Não senhor. – Inu estava intrigado. Fazia uma semana desde que a belíssima mulher deixara seu escritório. Fora selecionada, mas não respondia as ligações e ele estava precisando de uma assistente.

-Então ligue para a outra que escolhemos. Não podemos parar. – a secretária saiu.

O que teria acontecido?

Riu de si mesmo,não sabia nem por que estava tão intrigado. Provavelmente, alguma outra oferta de emprego a ligou antes e ela aceitou. Apenas isso.

A verdade era que, em algumas, firmes e curtas, palavras a mulher tinha chamado sua atenção. Izayoi Ohoma... Não sabia o que era. Talvez o jeito como não ficou tentando flertar com ele. Só sabia que ela tinha chamado sua atenção.

-Susi, desmarque o que tem pra tarde. Vou ficar em casa o resto do dia. – a secretária assentiu e ele saiu pegando o elevador.

Pegou o carro e saiu pelas ruas procurando um lugar para almoçar. No trajeto ligou para Kagome a chamando para ir se encontrar com ele, já que Sesshoumaru nunca estava acessível pelo celular.

Desceu do carro agradecendo o manobrista e trombou com alguém. Sentiu o sorriso nascer quando constatou em quem tinha trombado. Só podia ser o destino!

-Olá... Izayoi,certo? – a mulher o olhou com os olhos arregalados. Essa era uma reação que nunca tinha causado em mulher nenhuma.

-Oh... Olá. Desculpe.

-Nada, a culpa foi minha... A propósito, mudou de telefone? – ela piscou algumas vezes antes de responder.

-Não.

-A vaga era sua... Mas não respondeu aos telefonemas. – Izayoi pareceu desconfortável.

-Uma empresa me ligou antes... E eu realmente estava precisando.

-Foi o que imaginei. – Inu no Taisho sorriu, e então uma reação esperada. Izayoi parou de respirar por alguns segundo, e o sorriso dele aumentou.

-Bem, meu horário de almoço é curto, então preciso ir...

-Por que não almoça comigo? – a mulher parecia ter tomado um choque.

-Oh,não,não... Obrigada, mas não quero atrapalhá-lo.

-Não vai me atrapalhar. Vamos? – viu que ela estava prestes a negar novamente – É apenas um almoço. – quando ela suspirou, ele soube que havia vencido.

...

Izayoi não podia acreditar que estava sentada numa mesa de restaurante com Inu no Taisho. Ainda não conseguia entender como viera a trombar com ele umas 16 quadras da empresa dele.

Estava sendo tão cuidadosa em não andar por lá! Talvez fosse melhor nem sair mais de casa!

Ele fazia algumas perguntas a nível profissional tentando a deixar mais relaxada, mas não estava conseguindo. E nem conseguiria! Estar perto dele, fazia com que todos os temores, sufocados, de dezoito anos voltassem!

E se o pai de Inuyasha não o quisesse e tivesse sido ele mesmo a dar um fim em Midoriko? Ele não parecia má pessoa, mas sabia muito bem que aquele sorriso poderia enganar muita gente. Inuyasha tinha aprendido isso rápido!

-Olá! – Izayoi olhou para a menina que dava um beijo em Inu no Taisho e não teve mais sequer uma dúvida.

-Kagome, essa é Izayoi... Uma amiga... Izayoi, essa é minha filha, Kagome.

-Prazer. – a menina sorriu deixando aparecer covinhas que Izayoi conhecia bem. Sem dúvida nenhuma, aquela era filha de Midoriko, e se Inu no Taisho era pai dela... Ela estava conhecendo uma irmã de Inuyasha!

-Prazer é meu. Muito bonita sua filha. – Kagome riu se sentando.

-Me encantei por ela assim que a vi... Me lembra muito uma pessoa.

Como tinha ido parar naquela situação?

...

-Por onde esteve Sra. Ohoma?

-Em lugar nenhum, senhor curioso. – Inuyasha riu jogado no sofá trocando de canais – Você também acabou de chegar né? – viu a mãe olhar o relógio e esperou uma bronca. Quando ela não veio olhou curioso pra mãe.

-Não vai brigar?

-Não quando eu também cheguei atrasada pro jantar...

-Quer ajuda?

-Não... Está tudo feito. Trabalhando como estou, tenho feito a comida de manhã...

-Que bom,porque estou morto de fome... – bocejou.

-E de sono também... O que andou fazendo? – Inuyasha deu um sorriso malicioso, vendo a mãe balançar a cabeça.

-Você não quer saber...

-Não quero mesmo. – gargalhou sentando para esperar a mãe na mesa. – E na escola, tudo bem?

-Numa boa... – sentia a mãe estranha – Quer falar alguma coisa?

-Quem é a mãe aqui? Eu devia conhecer você, não o contrário... – ele riu – Só uma coisa que me vem passando pela cabeça...

-O que?

-Hum... Não tem curiosidade de saber quem é seu pai? -Inuyasha ficou olhando a mãe por um tempo.

-Nunca pensei nisso na verdade...Quero dizer, em conhecê-lo. Já tenho você, não preciso de mais nada. – pode ver o sorriso aliviado da mãe – Por que, quer me contar algo?

-Não. Apenas estava pensando nisso esses dias...

-Hum... Fico curioso as vezes... Mas não a ponto de querer conhecer e coisa e tal...

-Certo. E então, a comida está boa?

...

Inuyasha subiu depois de lavar a louça se jogando na cama. Por que a mãe viera lhe perguntar essas coisas?

Realmente nunca tinha sentido vontade de conhecer ou procurar, mas ficava curioso de vez em quando de saber quem ele era, o que fazia, se tinha irmãos, se ainda estava vivo... Mas logo a curiosidade passava e ele continuava nessa vida de classe média com sua mãe.

Ela lhe contara que a mãe biológica se chamava Midoriko, que era linda e uma ótima pessoa, mas que não conhecia seu pai. As vezes isso o intrigava, por que seu pai não estava junto com sua mãe? Será que tinha morrido antes dele nascer?

A única pessoa que podia contar alguma coisa tinha morrido no parto, já que sua mãe Izayoi só passara a conhecer Midoriko depois de grávida.

Seus olhos começaram a pesar... Seria legal,pelo menos saber, se seu pai era um youkai ou um hanyou como ele...

...

-Vai pro clube irmãzinha?

-O que quer Sesshoumaru? – não se sentia muito bem sozinha com Sesshoumaru, ainda mais com ela de biquíni em um quarto.

Ele se aproximou como um gato, parando atrás dela no espelho a abraçando pela cintura.

-O que você acha?

-Que você ta precisando de um banho frio... – disse o olhando pelo espelho.

-Ou você podia me esquentar mais. – Kagome se virou, também querendo aquele beijo.

Ela não sabia qual era o poder que Sesshoumaru exercia sobre ela, mas de alguma forma ela não conseguia evitar seus beijos.

Ele a prensou na parede passando as mãos pela sua cintura. Era algo totalmente carnal! Ele tinha sido o primeiro e único a beijá-la, ela gostava e beijava também. Mas sabia que não tinha sentimento.

E isso acabava com ela. Kagome queria alguém que gostasse dela, e que ela gostasse. Alguém que fosse ser feliz com ela, até que a morte os separasse, ou enquanto a felicidade durasse.

-Pára Sesshoumaru! – disse firme quando ele soltou seu biquíni.

-Ah Kagome, a gente já tomou banho junto, lembra?

-É, eu tinha dois anos e você seis. – disse amarrando o biquíni – E meu pai já tinha que ter proibido desde aquela época! Acho que ta na hora de acabar com esse jogo.

-Como se você quisesse...

-A gente não gosta um do outro... Não desse jeito.

-E?

-Você não pode ser tão insensível!

-Se eu fosse não seria tão legal com você. – Kagome respirou fundo. Sesshoumaru a tirava do sério. – A gente só se pega de vez em quando maninha... Nada demais.

-Sabe como essa frase ficou estranha, não sabe? – ele bufou se encostando no batente da porta. – Só quero dizer que pra um cara de 21 anos que é tão responsável em tudo, você é muito irresponsável nesse assunto. A gente não se gosta pra isso!

-Eu te escolhi quando tinha seis anos, isso conta em alguma coisa. – ela não pode deixar de rir.

-Por que, mesmo você sendo assim eu não consigo deixar de te amar? – ele a abraçou.

-Por que você é minha irmã. – ela o empurrou e ele riu.

-Você ainda vai me deixar maluca com essas conversas. Beijo e thau.

...

-Por que eu deixo você me convencer dessas coisas?

-Por que você também gosta.

Inuyasha bufou enquanto pulava o muro. Estavam entrando em um clube particular, e nem era pra nadar, era apenas para observar as garotas podres de ricas tomando banho de sol... Só Miroku para meter ele nessa.

-Ok, então vamos logo.

Começaram a andar entre aqueles ricaços, vendo como as coisas eram diferentes ali.

-Tem uma parte fechada, entre os arbustos.É lá que elas fazem top less.

-Tem certeza disso né?

-Claro que sim!

Miroku ia na frente, sempre procurando alguma coisa que Inuyasha não sabia o que era. Até que ele parou o chamando com a mão e um sorriso sacana. Estavam, literalmente, entre os arbustos. Pelo menos assim não iam ser vistos.

-Bem vindo ao paraíso meu amigo...

Inuyasha olhou pra onde Miroku apontava. Ele nunca tinha visto tantos peitos na vida! Morenas, loiras, ruivas, altas, baixas, peitão,peitinho... Tinha de todos os tipos ali.

-Olha aquelas duas! –Inuyasha olhou.

Uma era morena, cabelos de chocolate e corpão. Mas a que tinha interessado, estava do lado. Cabelos negros, olhos azuis e covinha no rosto. Eles conseguiram ouvir as vozes delas, já que sentaram nas cadeiras perto do arbusto onde eles estavam. Ouviu Miroku prender a respiração.

Elas desfizeram o laço do biquíni e tiraram. Dessa vez,Inuyasha parou de respirar.

-Meu Deus!

-O que? – ouviram a voz feminina.

-Eu não falei nada Sango...

Inuyasha deu um tapa na cabeça de Miroku e os dois chegaram pra trás, inconscientemente, caindo.

-Merda!

-Tem alguém aí? – a de olhos azuis já estava de pé com uma toalha tampando os seios.

Miroku puxou Inuyasha e os dois correram pro muro mais perto. Pularam caindo na rua contrária de onde tinham pulado pra entrar.

-Você só faz merda!

-Eu não consegui ficar calado vendo aqueles...

-Tudo bem... Vamos pra casa antes que você nos faça parar na cadeia!

-Vamos...

Inuyasha ia na frente, sem querer olhar para Miroku, que não tinha deixado tempo nem pra ele saber o nome da garota de olhos azuis e covinha...


N/A:

Brbara Souza e Yogoto, obrigada pelas reviews e sim, seguirei a linha de deixar os quatro narrando e estou pensando que em alguma altura da história Sesshoumaru entre pra narrar também... Vamos ver o andamento.

Beijoos