CAPÍTULO 2: DIA DE FESTA E ALGUM ROMANCE

Bugsy queria estar em qualquer lugar, menos ali. A festa estava cheia e animada, mas definitivamente ele não estava no espírito. Não conhecia praticamente ninguém e nem tinha idade legal para beber. Mas Whitney insistira tanto, era seu aniversario e fazia questão do garoto presente.

Ele tentava se focar em qualquer coisa, mas seus olhos sempre deslizavam para a direção onde Falkner estava. O líder voador conversava animadamente com Mort, líder de Pokémon fantasmas da cidade de Ecruteak. Estava na sexta garrafa de cerveja e nitidamente alcoolizado. Os dois eram amigos há muito tempo e se davam muito bem.

O adolescente deu graças a Deus que Falkner chegou atrasado, a festa já estava avançada e a casa da Whitney cheia. O que permitiu apenas um aceno a distancia, como cumprimento. Não o via desde o Slowpoke Half-Tail Festival, aquela maldita conversa (ou tentativa de conversa) ainda o assombrava. Enrolara tanto para tomar uma decisão sobre o acontecido no Congresso que achou que nunca mais precisaria tocar naquele assunto, mas o azulado decidira ressuscitar aquela história. Se ele sentia que ainda não estava pronto para ver o mais velho, muito menos ainda para falar com ele. Não esperava que ele fosse aparecer no aniversário da Whitney. Ele não gostava de festas e quase nunca aparecia.

Falkner não gostava de festas, mas não se importava em aparecer de vez em quando, apenas para fazer a vontade dos amigos. O garoto sabia que a namorada ficaria furiosa se o visse ali, bebendo daquela forma, mas fora ela quem pedira um tempo. E se não fosse por esse pedido, talvez, ele não estivesse bebendo tanto. Bebia para aturar a festa barulhenta e lotada, bebia também, para momentaneamente esquecê-la.

Mas já que estava ali podia se dar ao luxo de confraternizar com os amigos. Além disso, a bebida poderia dar coragem, ele ainda procurava uma forma para se aproximar de Bugsy. Falkner sentia que aquela história do Congresso não podia continuar se arrastando daquela forma. Mas ainda não pensara em como abordar o menor, sem que ele se irritasse ou fugisse. Seus olhos lentamente percorreram a sala a procura do garoto de cabelos roxos. Encontrou-o conversando com um cara que Falkner nunca vira. O menor sorria timidamente, segurando uma garrafa de refrigerante, enquanto o desconhecido estava ao seu lado, cochichando algo em seu ouvido. Muito perto.

Mort continuava a falar, mas Falkner não estava mais ouvindo. Sentia algo quente dentro de si, que parecia envenená-lo e corroê-lo. Pediu desculpas ao loiro e habilmente manobrou entre os convidados. Deixou a garrafa de cerveja, bebida pela metade, sobre a mesinha de centro e se aproximou da dupla. Uma parte lhe dizia para se aproximar lenta e amigavelmente, mas outra parte parecia desesperada para tirar Bugsy dali.

"Desculpe," disse puxando Bugsy pelo braço. "Posso roubá-lo um pouquinho?" Deu um sorriso nada cordial ao acompanhante do garoto e o arrastou dali. Terminaram de atravessar o salão e a cozinha, saindo pela porta, em um corredor nos fundos da casa. Bugsy não estava entendendo nada, por que Falkner aparecera do nada e o tirara da festa? Mas não teve tempo de perguntar...

"O que pensa que está fazendo?" A voz do maior saiu alta e repressora. Quase como a de uma mãe indagando o filho. "Não viu que ele estava dando em cima de você?" Aumentou o aperto no braço do menor.

O adolescente encarou o outro, surpreso. O rosto estava vermelho e os olhos o encaravam acusadoramente. O aperto era tão forte que seu braço já estava dormente. Falkner estava certo, o cara realmente estava dando em cima dele. E nem se abalou quando Bugsy sorriu e disse não ser uma garota. 'Você é bonitinho do mesmo jeito. Podemos fingir que você é uma linda garotinha' o estranho dissera.

"Se você ficar bobeando, esses caras vão só se aproveitar de você." As palavras foram mais suaves e o aperto diminuiu consideravelmente. Atrás das acusações podia-se ver nitidamente preocupação e zelo.

"Eu..." Bugsy não tinha certeza do que dizer ou pensar. A atitude do mais velho o assustou, mas ele estava feliz com aquela preocupação. Aquilo fazia algo dentro dele se aquecer. As famosas borboletas no estômago estavam descontroladas e o coração batia descompassado.

"Não se preocupe, eu sempre vou estar aqui para proteger você." Falkner soltou o braço do garoto e bagunçou seus cabelos.

"Pare de me tratar como criança!" Saiu mais alto do que pretendia, mas estava visivelmente decepcionado. Toda aquela preocupação, todo aquele zelo. Tudo isso fez com que o garoto se sentisse a pessoa mais importante para Falkner, mas o momento durou até o mais velho lhe bagunçar os cabelos. Suas esperanças eram vazias. Nada havia mudado afinal. Ele era só uma criança indefesa que precisava de um adulto para supervisioná-lo. Estava cansado desse tipo de atitude. De Falkner vê-lo apenas assim. Preferia que o mais velho o ignorasse completamente do que continuasse tratando-o como criança. "Você não entende, não é?" A voz saiu baixa, quase chorosa e tudo que conseguiu fazer foi encarar o chão.

Sentiu uma mão puxar uma mecha do cabelo caído sobre o rosto e colocá-la atrás da orelha. Mas a mão gelada não abandonou seu rosto. Bugsy sentiu o rosto queimar e lentamente encarou o adulto diante de si. Os olhos zelos estavam lá, os lábios carnudos entreabertos, o rosto corado pelo excesso de álcool, a franja caída sobre o rosto.

"Me desculpe, mas você não sabe o quanto eu me preocupo..." as palavras morreram lentamente na garganta. A mão escorregou do rosto e ficou pendurada ao lado do corpo. Bugsy encarou aqueles olhos mais uma vez. Aqueles olhos que o dominavam, que o confundiam. Sentiu as malditas borboletas, as mãos suarem e o coração bater muito rápido. Algo dentro do seu cérebro desligou. O sinal de alerta que sempre o mantinha são, tinha desparecido. Ele fechou os olhos e se inclinou para frente, ficando nas pontas dos pés. Tinha certeza que se arrependeria daquilo.

Os lábios tocaram os de Falkner. Doce, quente, rápido. Aquele era o seu primeiro beijo, primeiro de verdade. Quando teve coragem para abrir os olhos, viu o maior encará-lo, surpreso.

"Bugsy..."

"Eu te amo." Só percebeu que dissera quando as palavras ecoaram em seus ouvidos. Pronto, o estrago estava feito. Aquele sentimento que ele havia negado e escondido, finalmente fluíra, agora não tinha mais volta. "Eu te amo" repetiu mais confiante. "Desde sempre, mas eu sei que você tem a..."

As palavras foram interrompidas quando Falkner empurrou-o contra a parede e selou os lábios nos seus. Um beijo intenso, forte, com gosto de álcool. Forçou a língua na boca do menor, explorando cada pedaço da cavidade. Bugsy esforçava-se para acompanhar. Nunca beijara ninguém e nem esperava que Falkner fosse reagir de tal maneira. Sentia a respiração quente e acelerada contra seu rosto, as mãos frias bagunçarem seus cabelos e o corpo colado contra o seu.

As mãos se tornaram mais ousadas, percorrendo a cintura fina. Enquanto Bugsy permanecia timidamente com os braços enlaçados no pescoço alvo. Ele não tinha experiência nenhuma com esse tipo de coisa e não sabia o que fazer. Sentia o ar faltar nos pulmões, mas não queria interromper o maior. As mãos avançaram sobre a pele nua, por baixo da camiseta. Mesmo com as mãos frias, Bugsy sentia cada toque como fogo.

Os lábios abandonaram os seus e foram se depositar no pescoço infantil. As mãos apertando habilmente seus mamilos e os quadris forçando contra os seus. Era tudo muito diferente e intenso e um gemido delicado e infantil cruzou a noite.

Falkner levantou a blusa do menor e começou a cobrir seu tórax com beijos apaixonados. Bugsy sentia-se em chamas, o rosto corado, ansioso e envergonhado. Sentiu o maior pegar sua mão e colocar sobre o membro pulsante sobre a calça. O adolescente nunca tivera um contato tão íntimo com ninguém e sentiu-se ainda mais acanhado.

Os lábios voltaram a se encontrar, e o beijo foi mais intenso e desesperado. Bugsy sentiu o líder voador abrir-lhe o zíper da calça e a peça de roupa escorregar até os joelhos.

"Falkner... não..." gemeu ao sentir os beijos intensos no pescoço.

"Você não disse que ama?" A voz saiu um sussurro sensual.

"Sim, mas... eu não estou pronto..." Gemeu infantilmente.

"Você não confia em mim?" O olhar era intenso e lascivo. Bugsy sentiu um arrepio na espinha, algo lhe dizia para recuar, fugir, mas no final, ele só se rendeu. Respondeu a pergunta com um gemido. "Prove que você me ama." Falkner provocou.

Bugsy sentiu Falkner virá-lo, ficando de frente com a parede. Ouviu o barulho do cinto desafivelando e da calça sendo baixada. Sentiu um par de mãos se posicionarem nas laterais do seu quadril e puxá-lo para cima. Bugsy inclinou-se apoiando as mãos na parede. Mordeu os lábios quando sentiu o outro posicionar-se atrás dele. Falkner iniciou a penetração. Bugsy nunca sentira dor tão grande na vida. Era como se fosse rasgado por dentro.

"Falkner, por favor..." sentiu lágrimas escorrem pelo rosto. Doía mais do que ele podia imaginar.

"Você não me ama?" A voz saiu extremamente grave e sexy. Sentiu uma das mãos lhe puxar os cabelos e Falkner prosseguir, enterrando-se por completo dentro dele. As lágrimas escorriam ainda mais, a dor era insuportável, e ele sentia as pernas ficarem dormente.

Falkner começou a mover-se dentro do adolescente. No começo lentamente, mas foi aumentando a intensidade, até um ritmo frenético. A despeito de toda dor que sentia, Bugsy podia ouvir o amante gemer em satisfação e êxtase, e o adolescente julgou que para ele isso era suficiente. Estava disposto a sentir toda a dor necessária se fosse para dar prazer ao homem que amava. Qualquer coisa para fazer Falkner feliz.

Falkner deu um gemido alto que ecoou pelo corredor. Seus braços envolveram o corpo menor, a cabeça apoiada sobre o ombro. Bugsy podia sentir o corpo suado contra o seu, e o membro do outro ainda pulsar dentro dele.

Não tinha sido bonito, delicado ou romântico como o adolescente imaginara. Fora rápido, imprevisível e doloroso, mas não podia negar que havia, de certa forma, sido perfeito. Sentia o cheiro de suor, misturado ao álcool, ao perfume caro que Falkner usava e sêmen, que agora escorria por suas pernas. Era um cheiro que ele podia se acostumar.

O corpo de Falkner estava mole sobre o seu, provavelmente totalmente dominado pelo álcool. Bugsy queria poder se limpar e se vestir, mas tinha medo de derrubar o mais velho.

"Eu... te..." as palavras estavam moles e desconexas, Falkner gemia lentamente, aumentando o aperto sobre o corpo do menor. "Te... amo... tanto..." Bugsy sentiu o coração parar. As pernas vacilarem, não podia ser verdade. "... Janine."

A alegria durou menos que um segundo. As lágrimas se formaram rápidas e grossas e antes que Bugsy pudesse perceber, seu rosto estava lavado. Conseguiu manobrar o corpo de Falkner e sentá-lo no chão. Limpou-o e o vestiu, depois fez o mesmo consigo. Quando estava pronto para deixar o local, sentiu a mão do mais velho agarrar a sua.

"Onde está indo?" Perguntou mole e confuso.

"Pra casa," as palavras mal saíram. Tudo o que ele queria era sair dali o mais rápido possível. Como poderia ter sido tão tolo? Como podia ter se rendido as palavras de um bêbado? Como podia ter se deixado levar pelo momento, pelo desejo? Sujo, errado, imoral. Manipulado por meia dúzia de palavras convenientes, usadas no momento certo.

"Eu te levo." O azulado tentou se levantar, sem sucesso.

Bugsy puxou o braço, e deu as costas ao jovem bêbado. Entrou rapidamente em casa, tentando evitar chorar mais.