16 anos trás...
"Kero, papai estava triste olhando a foto da mamãe...". A voz saia com um misto de tristeza e de choro. Sentada em um campo extenso e irregular, sem arvores próximas, a garotinha olhava para baixo, e o cachorro sentado a sua frente, parecia entender toda a sua tristeza.
Na tentativa de chamar a sua atenção, lhe dava a pata. Ela, no entanto, continuava do mesmo jeito. Ele então, encostou seu focinho no pequeno nariz da menina, lambendo seu rosto em seguida.
Ela levantou o rosto, o olhou intensamente com seus olhos verdes, entre lágrimas, e a tristeza se dissipou:
"Kero, amo você!". O abraçava, esboçando o enorme sorriso, acariciando a cabeça do animal.
No pescoço do cachorro, a coleira vermelha tinha um coração nele, onde dentro, havia escrito em Kanji: "Kerberos".
Aquele era o animal de estimação, que ela costumava ter quando criança...
10 anos depois...
"Hei, você poderia lavar atrás das minhas orelhas também?". Ele batia os pés na água da banheira cheia de espumas, cobrindo toda a superfície, não mostrando seu corpo.
Seus cabelos eram lavados por ela, que atrás dele, fora da banheira, usava óculos escuros.
"Se você pelo o menos ficasse quieto Kerberos! Para de bater com os pés na água, está molhando todo o chão!". Estava começando a se irritar com toda aquela algazarra.
"Gome ne Sakura-chan! Esfrega mais na frente...".
"Hum? Onde? Aqui?". Massageava a sua cabeça, a fim de descobrir a sua preferência.
"Isso, é aí mesmo! Isso é tão bom!". Até que descobriu, esfregando bem no começo da testa. Feito uma criança, Kerberos voltou a bater os pés na água, dessa vez não foi recriminado por Sakura, que sorria se divertindo com toda aquela alegria perto de si.
Esse é o animal de estimação "Kerberus, que ela tinha agora, depois da noite chuvosa duas semanas atrás.
Duas semanas atrás...
Estava bem desconfortável sentada, na verdade, não era a cadeira, era o lugar.
Era difícil ser ela, quanto mais falar de si para outra pessoa, que não era nem ao menos seu amigo.
Não demonstrava o desconforto, ao invés disso, transmitia tranqüilidade e acima de tudo, superioridade para o homem, sentado a sua frente, atrás da mesa. Ele a bombardeava de perguntas, ao mesmo tempo, em que acariciava o pequeno cachorro em seus braços.
"Você lembra a última vez em que chorou?". A pergunta a fez olhar pensativa para um ponto da mesa.
"Faz muito tempo, estava atrás do colégio e chorei porque no dia anterior, meu cachorro tinha morrido, por estar muito doente, desde daquele dia, nunca mais chorei..." - A sua voz era firme, não demonstrava nenhuma emoção, continuou a falar, quando a memória veio à tona- "Ah! Quando quebrei o osso, treinando Aikidou, senti as lágrimas a caminho, mas não tive vontade de chorar..." - O homem a olhava, incrédulo, tentava conter o cachorro que se contorcia em sua mão - "Ultimamente, não tenho muito tempo para chorar ou para rir, ando muito ocupada com o meu trabalho". Ele parou de olhá-la e lembrou-se de anotar os detalhes do que havia escutado, dizendo:
"Sem dúvida alguma, isso não é nada saudável". Escrevendo a escutou falar.
"Ultimamente, meus colegas de trabalho, me colocam apelidos pelas as minhas costas, como por exemplo, Cyborg..." - Ele ia falar, mas a voz fria e decidida o interrompeu - "Também me comparam com umas das Bonecas Kokeshi e de vez em quando uma Noh ambulante".
"Mas você tem um rosto tão lindo...". Disse, sem parar de escrever.
"Sei, talvez para você, por que fui jogada fora por um homem" - Isso chamou atenção do homem, que parando de escrever, a encarou- "Me disse, que eu não tinha o conhecimento do que é ser serena. E ainda falou que se sentia inferior estando comigo. Com certeza se referiu á eu ter me formado na Toudai e ter feito pós-graduação em Harvard. Ele sempre foi inferior, comparando a mim, no salário e no nível de educação" - Ela ficou calada por alguns instantes e deu um suspirou de irritação, olhou para o lado e continuou a falar - "Mas a questão aqui, não sou eu, é ele. Depois de tudo, fiquei cansada de homens com complexos de inferioridade... Ele conheceu outra pessoa, a engravidou e foi embora. Fiquei um pouco triste, mas consegui dormir os dias seguintes, sem nenhum problema"- Ela levou a mão até a testa, sua cabeça doía novamente-"Minha cabeça tem doído há 10 dias...".
"Sei... Começo a entender você". Ele virou a página do bloco de notas, voltando a escrever.
"É a primeira vez que venho em um lugar como este, por isso, nem sei o que realmente devo dizer e nem como é. Você por acaso prescreve alguma medicação? Tranqüilizantes, por exemplo?". Ela o olhou, não obtendo atenção com a sua pergunta, fitou o cachorro nos braços dele, sonolento. Só parou de fita-lo, quando ouviu a voz do homem estranho.
"Bem... Vamos ver, como é o seu sorriso?"- Ela se assustou, não entendendo o porquê daquilo. Através de gestos, ele fazia um sorriso em seu rosto próprio, olhando desconcertada, tentava sorrir... -"É verdade, você não sabe ser serena..." - Ela se escorou na cadeira, e cruzou os braços, não gostou daquela observação- "Hoje em dia, as pessoas andam tão esgotadas, que mal sabem elas, que um simples sorriso, é como se fosse um remédio para a melhora. Um importante e incrível remédio".
"Não estou entendendo aonde você quer chegar".
"O que estou tentando dizer, é que não interessa que você seja uma mulher bem sucedida e bonita, se não se importa em oferecer este remédio às pessoas a sua volta. Como ser humano, você está na pior!".
"Na pior?". Indagou de um jeito curioso, descruzando os braços.
"Até mesmo uma Boneca Kokeshi, pode ser uma gracinha sorrindo...". Afagou o cachorro inquieto, que se acalmou com o carinho do dono. Ela ficou pensativa, e frisou a testa, relembrando cada palavra que escutou, logo, levantou-se bruscamente.
"Obrigada, mas já está bom por aqui!". Pegou sua bolsa preta de couro, deixada na outra cadeira, dando as costas. Mas parou ao ouvir a voz atrás de si.
"Desculpe-me, mas não terminei de falar e nem de perguntar...".
Sem medir palavras, virou-se dizendo:
"Não precisa! Fui muito ingênua em vim ao 'conselheiro', só para ganhar outra dor de cabeça". O olhou bem nos olhos, e irritou-se com o sorriso que ele tinha, fez as reverencias e deu as costas.
"Você ama o homem inferior no salário e na educação?"- Levantando-se, ele abriu uma gaveta, tirando de lá um pacote de lenços de papel. - "Talvez essa seja sua cura. Chore. Chore bastante...". Ela se voltou para ele, com o sorriso de deboche.
"Com certeza preferiria morrer, a chorar na frente de qualquer pessoa estranha". Dizendo isso, o fitou com raiva e saiu da sala, o deixando inconformado.
De algum jeito, estava sentindo que aquele dia, não seria igual aos anteriores.
Sua dor de cabeça estava forte, e conversar com aquele homem, só a irritou ainda mais.
Com passos decididos, saia do pequeno edifício, já estava fora, quando parou, olhando para trás: "Quem ele pensa quem é?! Chore, sorria. Louco!"
Voltou a andar, mas desta vez, era passos rápidos pela a calçada, seu trabalho não ficava longe dali, mas, mesmo assim, não queria se atrasar.
Olhou para cima, o sol estava forte, mas o misto de frio, não a deixava com calor. Seus pensamentos foram invadidos, pelas as palavras do ex-namorado: "Para mim é muito mais fácil está com ela, do que com você". Disse-lhe isso, quando o surpreendeu, vendo uma revista de casamento com outra, no apartamento dele. Ainda pôde escutá-lo, dizer para a outra: "Você é tão meiga e pequena...". Realmente Sakura era maior do que ela e que ele.
Depois da curta caminhada, subia a escada, chegando ao setor de relações internacionais do grande jornal da capital, seu local de trabalho. Passou apressada por outros apressados colegas de trabalhos, chegando a sua mesa
"Kuraki-San, onde estão aqueles papéis que pedi que você digitasse?". Perguntou friamente á garota atrapalhada, em pé em frente a sua mesa.
"Nossa, me esqueci Kinomoto-san! Mas não se preocupe, daqui à uma hora, apronto tudo!". Sakura se sentou à mesa, e lhe lançou um olhar de poucos amigos.
"Não precisa, eu mesma faço" - A garota fez reverencia de desculpa e Sakura deu um sorriso falso, dizendo - "Tudo bem, a culpada sou eu, por ter pedido para você".
Machucada com aquelas palavras, a garota se sentava, não contendo o choro alto e com soluços, chamando atenção das pessoas que trabalhavam lá.
Sakura a olhou, mas não deu muita importância, começando a digitar.
"Senhorita Sakura, não faça isso aqui no seu local de trabalho também..."- Ela o olhou e viu que se tratava de seu chefe, levantando-se - "Não aja do mesmo jeito, que aconteceu na visita daquelas pessoas importantes do governo..." – Ela estranhava o que ele dizia, mas não o interrompeu – "Só porque um deles encostou a mão nas suas costas, você fez um escândalo, e ele ainda chorou".
"Mas senhor, o Oficial Suzuki não encostou as mãos nas minhas costas, ele passou a mão no meu bumbum".
"Hum... Sério? Até consigo entendê-lo, você apesar de ser sempre séria, é muito bonita, tão jovem, por isso ele não conseguiu resistir à tentação..." -Ela fez uma cara de reprovação e desconforto, ele continuou – "Vamos, não faça essa cara..." - Aproximou-se e perguntou no seu ouvido- "Não gostaria de me tocar lá também?". Ela arregalou os olhos, cerrou os dentes, fechando o punho.
E o socou, lhe fazendo cair feito uma arvore que havia sido cerrada. Todos olharam aquela cena, perplexos. Ela passava a mão no punho, que doía, aquele homem tinha o queixo bem rígido.
O olhando desacordado, desesperou-se: "Droga, o que foi que eu fiz?".
19h03min, em direção ao seu apartamento.
Acariciava o pescoço, enquanto caminhava em direção ao seu apartamento. A noite estava mais fria que o dia.
Não conseguia parar de pensar no que havia ocorrido, pela manhã. Não tinha dúvidas de que o tarado mereceu, mas o que seria dela?
"Aiaiaiai, será que irei perder o emprego? Ele não pode fazer isso comigo!". Pensou apertando o punho, pergunta que fez a dor de cabeça aumentar.
Suspirou cansada, olhando para baixo, desfez o punho, voltando a caminhar. A única coisa que queria era chegar a seu apartamento e se livrar da dor de cabeça.
Já em frente á ele, ia entrar, mas estranhou uma grande caixa de papelão perto da entrada do edifício. Ela observou e depois balançou a cabeça: "Deve ser uma caixa cheia de lixo de algum morador daqui".
Deu as costas, e o gemido de dor, a fez arregalar os olhos. Olhando para trás, constatou que nada além da caixa e ela, estavam ali.
Voltou, e olhou para caixa, mais próxima dela, abriu apenas um lado sutilmente. E quando o viu, pulou para trás, havia um homem dentro dela, desacordado.
Olhou para os lados, e escutou o gemido vindo dele, aproximou-se novamente, e desta vez, abriu os dois lados.
O rapaz tinha sangue nas mãos, no rosto, e na camisa, respirava alto e isso a fez perceber que não estava morto, e que por se mexer na caixa, lhe causava dor.
Sakura procurou em sua bolsa, o celular, mas não estava lá, pensou que poderia ter deixado no trabalho, mas parou de pensar nisso, quando começou a chover.
"O que eu faço?". Ela fechou a caixa, e tentou pedir socorro para o senhor que corria por causa da chuva, mas foi em vão.
Parada ali fitou a entrada do edifício e a caixa, constatou nada impedia da caixa ser arrastada, então, antes que a chuva aumentasse decidiu levar a caixa até o seu apartamento.
Sakura arrastava a caixa, tentando de algum jeito, não chamar atenção, não havia nenhum morador por ali, mas, para em compensação um homem saiu de uma sala, e a parou, lhe enchendo de perguntas.
"O que tem aí? Papéis? Pastas? Computador? Fogão? Geladeira? Uma cama?".
"São coisas do meu trabalho, sabe como é né? Hoje em dia o trabalho, tem aumentado muito, que nem é possível concluir no local de trabalho mesmo". Arrastava em direção ao elevador.
"Sei, sei. Mas o que tem aí especificadamente? Papéis, pastas? Computador?"
"Ahã".
"Nossa, então deve está pesada, quer ajuda?"- Sakura chamou o elevador, que não demorou a vim- "Se quiser posso ajuda - lá!".
"Não precisa Sr. Yamada-san!". Logo o elevador chegou, e empurrando, ela e a caixa, encontravam-se dentro dele.
O elevador parou em seu andar, começando arrastar, sem dúvida, ele pesava muito.
Abriu a porta com a chave, o arrastou pelo o pequeno corredor, chegando à sala. Olhou para a caixa, e a abriu, o viu tremendo ainda desacordado.
"Parece um cachorro...". Ela apressou-se em cortar um lado da caixa cuidadosamente, e quando terminou, juntou forças para colocá-lo em seu sofá.
Pegou o telefone residencial, e pensou em chamar a policia, mas o vendo tremer, percebeu que ele precisaria de seus cuidados primeiro.
Começou a limpar as feridas, depois de ter colocado um pano em sua testa e o coberto com uma concha grossa, afim de que diminuísse a sua febre.
Havia preparado algo, no caso de ele acordar. Depois de limpar todo o sangue, pegou a caixinha de primeiro-socorro, e lhe cobriu nas partes precisas, com ataduras, notando que a febre estava a diminuir.
Depois de todos os cuidados, ele somente dormia, não demonstrando sentir alguma dor ou incômodo. Ela não teve nem tempo de enchê-lo de perguntas, pois, a primeira vez que lhe viu abrir a boca, ele pedia por algo, parecia querer comida ou água. Não sabendo do que se tratava exatamente, arriscou a comida, e pos em sua boca. Ainda desacordado, mastigava e sorria, certamente estava gostando.
O sol havia coberto a chuva, e a claridade invadia todo o apartamento, acordando Sakura, que se sentou , havia dormido no chão, perto do sofá, o esperando acordar.
Depois de se espreguiçar, acariciava as costas, que estavam doídas por dormir no chão duro.
O fitou, e viu que dormia feito bebê, e isso a fez sorrir, admirando a sua inocência. O rapaz era simpático, tinha cabelos castanhos escuros, desalinhados, a cor dos seus olhos, não sabia ainda, ele não havia aberto.
Subitamente, lembrou da entrevista que faria naquela manhã, e apressou-se indo tomar banho rápido e tirar a roupa que tinha desde ontem.
O bom de tudo isso, é que sua dor de cabeça, havia passado.
Horas depois...
Ele abriu os olhos bem lentamente, não reconhecendo o local em que estava.
"Será que estou com aquela mulher asquerosa?". Levantou rapidamente e foi até a janela. Não reconhecendo o local, suspirou aliviado, parecia mesmo ter escapado.
Reparou que havia uma bandeja de comida sobre a mesa pequena, em frente ao sofá, junto de um bilhete, o lendo.
"Coma este arroz amolecido, por favor. Vai lhe fazer bem. Se não estiver com fome, coma do mesmo jeito, não sou médica, mas é melhor você se alimentar. A porta não está trancada, por isso, você pode ir quando quiser". Ele recolocou o bilhete, onde estava lentamente, admirando todo aquele café da manhã e sentindo o aroma de um doce perfume...
Sentiu algo no bolso, e era o seu celular, a única coisa que havia restado.
Sakura saia junto de alguns, importantes, árabes, do hotel de cinco estrelas, falando um perfeito inglês.
Despediu-se, aparentando ter feito uma ótima entrevista, os viu entrando no carro, e começou a caminhada para o seu trabalho perto dali. O celular vibrou, e certamente era a curiosa amiga, querendo saber mais detalhes do que ocorrerá, já que não pode antes saber de tudo. Andava falando ao celular, encontrado em sua casa.
- "Continue me contando! Ainda não acredito que deixou um estranho dormir lá, Sakura-chan!".
- "Mas é verdade, tive que sair apressada, não tendo tempo de saber quem ele é".
- "Sakura-chan, até uma pessoa como você, tem que tomar cuidado com esse tipo de coisa sabia?".
- "Uma pessoa como eu?".
- "ÉÉ! Mesmo você sendo uma mulher independente, é muito perigoso deixar um cara, que você nunca viu na vida, no seu apartamento".
- "Ah tudo bem, ele estava bem machucado, e eu tratei dele, não é possível que seja tão mal agradecido!".
- "Sério? Isso o torna mais suspeito, vai ver, ele faz parte do Yakuza! Por que você não chama a policia e vai junto com ela quando for para casa?".
- "Isso é muito difícil de acreditar, e além do mais, tenho certeza de que quando ele acordar irá direto para a sua casa".
- "Hihihihihihi. Ele pareceu agora um animal sem dono!".
- "Ele me lembrou muito o Kerberos, Tomoyo-chan". Parou em frente ao grande prédio, seu trabalho.
- "Kero? O cachorro que você costumava deixar atrás do colégio?".
- "É. Por isso senti que poderia deixar ele lá em casa".
- "Você é tão boba Sakura-chan!". Sakura escutou voz conhecida atrás de si, desligando o celular, olhou para trás.
"Chefe, me desculpa pelo o...". Ela não pode continuar, no momento em que ele sorriu, por sua causa, faltavam os dois dentes da frente.
Minutos depois...
Todos a olhavam, enquanto ela colocava todas as suas coisas em uma pequena caixa de papelão, não havia perdido o emprego, mas foi rebaixada e transferida para a seção de "Estilo de Vida" voltada para donas de casa, como muitos diziam, era chefiado pelo famoso homem que odiava "mulheres metidas a inteligentes".
Olhou em volta, mas permaneceu inerte, sentia os olhares sobre ela. Continuou a guardar suas coisas, não percebendo o rapaz que se aproximava.
"Kinomoto-san...". Olhou para o homem a sua frente, vestindo uma farda, usava óculos, possuidor de cabelos pretos e era mais baixo que ela.
Restaurante do Jornal, 09h40min
Ela agradecia a moça pelo o cinzeiro, observando o seu jeito meigo de agradecer e andar, mas o homem a sua frente obteve sua atenção.
"Aqui está a cópia da chave, do seu apartamento". Inseguro, aparentava total desconforto, a pos na mesa, arrastando em sua direção.
"Você poderia ter jogado fora, ao invés de ocupar um pedaço do meu tempo, com isso...".
"Desculpe, não sabia que você estava tão ocupada...".
"Tudo bem, como vai sua noiva? Fiquei sabendo que o bebê nasce no próximo mês, meus parabéns...". Tragou o cigarro, ele fazia referências de agradecimento.
"E como você está?" - Ela pareceu não entender a pergunta - "Como você está, depois de tudo?".
"Estou bem. Você acha que passei os dias em claro, chorando?". Ela tragou o cigarro, novamente, e bateu levemente no cinzeiro, o silêncio se fez.
Ele abaixou a cabeça, e a olhando, percebeu seu olhar frio. Dando até medo.
"Soube que você teve uma briga com seu chefe e por isso foi transferida para...".
"Quebrei dois dentes dele da frente, mas acho que isso não é problema seu...". Dizia tudo calmamente desde o inicio, não aparentava irritação.
"Não precisa falar desse jeito, sei que vai ser muito difícil, ainda mais conhecendo a pessoa que existe dentro de você. Sinto, em ficar lhe deixando brava, ainda mais nesse momento, mas eu sei que...".
"Só porque, você e eu namoramos há dois anos e meio, não aja como se você soubesse tudo sobre mim! Não sou nem a metade do que você acha que sabe!". Amassou o cigarro no cinzeiro, pegou a cópia da chave, levantou-se em seguida. Foi pagar pelo o café, que não havia nem tomado.
"Eu pago!". Disse ainda com a voz insegura.
"Não precisa, gaste o seu dinheiro com o seu filho e não comigo". Continuou a andar, no caixa, olhou para a mesma garçonete que a serviu, pegando e agradecendo o dinheiro, sussurrou: "Sinto inveja de você".
Antes de sair, avistou uma lata de plástico de lixo, e jogou a chave lá. Com passos firmes, se foi deixando a garçonete sem entender nada, e o homem a olhando ressentido.
Na repartição, 10h01min
"Viu quem chamou a Kinomoto-san?". A garota, a mesma que havia chorado por causa de Sakura, fofocava com o amigo da repartição.
"Deixa-me ver, ele usava uma farda azul, ah lembrei! Era o cara do 'Departamento de Impressão! '".
"Pensei que ainda estavam juntos, mas terminaram mesmo, não é?". Tentava disfarçar, não percebendo os olhares de Sakura, que terminava de guardar as suas coisas, escutando a animada conversa.
"Humrum... Até eu não agüentaria um relacionamento desses, além de ela ganhar mais, é mais alta do que eu, assim não daria. Ah! Não se esquecendo da sua formação, o que torna tudo, uma humilhação tripla".
"Fala baixo! Vai que ela escuta a gente? Ela não é uma boneca Kokeshi de verdade, ela pode falar sabia?". Disse tentando conter o riso.
Sakura continuou a terminar o que fazia, não demonstrando qualquer sentimento.
Outra noite fria, na verdade, todas estavam assim. Caminhava rapidamente, gastando as poucas forças que tinha para chegar ao seu apartamento.
Adentrou no edifício, lembrando uma ninja, não queria ser bombardeada de perguntas, encostou-se na parede do elevador, soltando um longo suspiro. Dessa vez tentaria relaxar, a noite anterior nem foi possível.
Chegou ao seu andar, cumprimentou a senhora que saia de seu apartamento, andando até a sua porta, foi mexendo na bolsa, mas lembrou-se do "estranho", não havia a trancado por causa dele.
Abrindo a porta, ligou a luz do pequeno do corredor, dentro de seu apartamento, tirou os sapatos, usando suas pantufas que estavam a sua "espera", fechou a porta na chave, em seguida.
Acariciava a nuca, andando despreocupada em direção a segunda porta do apartamento, pelo o barulho, notou que a televisão estava ligada e seus passos, foram mais rápidos.
Abriu a porta bruscamente e o viu sentado em frente a TV. Notando sua presença, ele virou-se com um enorme sorriso, dizendo:
"Seja bem vinda de volta!".
"Mas... Você ainda continua aqui?". Ele se levantou, sem jeito.
"É que não tenho dinheiro, para pegar um táxi ou um trem..." -Ela ainda o olhava assustada - "Obrigado pela a comida, estava maravilhosa!". Sorria apontando para a bandeja, em cima da mesinha, Sakura retribuiu o sorriso.
"Ah que bom! Estou vendo que você está muito bem!". Sorria timidamente, vendo o rapaz a sua frente que não parava de sorrir.
"Ah sim! Obrigado por isso também! Por causa de seus cuidados, estou me sentindo ótimo!". Ele abriu ainda mais o sorriso, mostrando todos os dentes.
"Isso é ótimo, bem... Então pode ir para casa!". Ela ainda sorria, mas parou quando notou a cara de desapontamento do rapaz, lembrou dos alarmes da amiga, e decidiu conferir o apartamento.
Ele a seguia com o olhar não a entendendo, levou a mão esquerda para detrás da cabeça e sorria, falando:
"Fui um sortudo, em achar uma pessoa tão caridosa como você. Pensei que morreria de tanto frio!".
"Achar? Você por acaso é um cachorro sem dona ou dono?". Ela indagou, e o tinha a seguido pelo apartamento, enquanto ela conferia se tudo estava no lugar.
"Ah, mais ou menos. Ultimamente, não tinha um lugar fixo para morar, antes vivia dormindo ali e mais ali à frente. Até que na noite anterior, a dona do hotel em que eu estava me atacou do nada!". Parecia criança, contando para a sua mãe, as aventuras na escola.
"Atacou você? Deixou de pagar as contas?". Entrou dentro de seu quarto, olhando superficialmente para tudo. E saiu, indo para a pequena cozinha.
"Sim! Quer dizer, sim para a primeira pergunta, e não para a segunda!" – Ele ainda a seguia - "Estava muito feliz por ter encontrado um lugar para ficar de graça, mas na verdade, ela queria que eu pagasse com o meu corpo! Claro que não aceitei isso, foi quando ela chamou uns caras para me obrigarem, mas consegui escapar de dentro do hotel e corri o mais rápido que pude! Só que eles me alcançaram e me bateram muito, mas aí, como uma raposa, me desvencilhei deles novamente, e me escondi dentro da caixa, peguei no sono e acordei aqui!". Recuperava o fôlego, e parou de andar, esperando ela conferir a gaveta do armário da cozinha.
"Se quiser chamar a policia, tem telefone aqui". Ela contava as colheres e depois foi até a geladeira.
"Sabe, conheço muitas pessoas legais, mas nenhuma que se compare a você. Você me...". Ela se virou, e apontou o dedo indicador em seu o rosto, o fazendo ficar zarolho olhando para ele.
"Escuta aqui, não vá pensando besteiras! Ajudei você ontem, por que achei que deveria fazer isso! Normalmente, não costumo deixar entrar homens estranhos aqui, por isso, se já se sente melhor, vai dando o fora!". Ela abaixou a mão, e depois de virar o rosto, orgulhosamente, foi até a sua bolsa.
"Aiai, sabe o que é? Não me sinto bem!". Disse levando a mão à barriga.
"Pegue, isso aqui vai dar para o trem!"-Ouvindo isso, abaixou o braço, antes esticado com o dinheiro na mão, e se irritou -"Minutos atrás você estava transbordando melhoras, agora está mal?".
"É verdade, mas acho que é fome!". Ele abriu a geladeira, e ela como furacão, a fechou no mesmo instante.
"Isso aqui não é a sua casa! Aonde é que você mora em?". Ele deu um passo para trás e engoliu seco.
"Err... Gostaria de morar aqui! Por favor, me deixe ficar aqui só por uns tempos!". Fez as reverencias, ela incrédula, viu no rosto do estranho o seu doce sorriso.
Em seguida...
Sakura o jogou para fora do apartamento, tentava fechar a porta, pois ele segurando pelo o lado de fora, a impedia de fechar.
"Me deixa entrar, por favor!"-Ele tentava abrir, notando que mesmo ela parecendo ser uma mulher frágil, tinha uma força magnífica -"Não estou pedindo para me tornar seu namorado! Alias, você tem namorado?".
"Não é da sua conta, também não me interessaria por um garoto como você! Me deixa fechar a porta, se não chamo a policia!". Sakura tentava tirar a cabeça dele de dentro do apartamento, a empurrando com a mão direita.
"Moça, você foi tão bondosa comigo, além disso, cozinha divinamente! Quando acordei essa manhã, me senti tão bem, havia comida, um coberto quietinho e o seu cheiro!".
"Ainda tem coragem de dizer, que quer ficar por causa da minha comida e do meu cheiro! Definitivamente, irei chamar a policia! Vá embora!".
A batalha parecia não ter fim, até que Sakura pode escutar o famoso alto assobio do lado de fora, se aproximando. Parou de tentar fechar a porta, permitindo que o rapaz ofegante, entrasse rapidamente, ela fechou a porta e pelo o olho mágico, o observava o já conhecido e intrometido Sr. Yamada-san, passando com uma vassoura, distraído, que começou a varrer.
"Caramba... Se o... proprietário... daqui... tivesse... visto... esta... cena... faria o... maior... escândalo...". Disse em pausa, por estar ofegante.
"Por favor, me deixe ficar! Faço qualquer coisa! Posso ser seu empregado, massagista, secretário, motorista...". De joelhos, lhe lançava o olhar pidão e sincero.
"Para de me olhar com esses olhos de cachorro!" -Sakura encostou-se na porta, e o fitou pensativa - "Qualquer coisa?" - Ele balançou a cabeça positivamente, sorrindo e esperançoso. Cruzando os braços, disse - "Você não tem noção do que é ter orgulho não?".
"Não, não tenho. Posso ser seu guarda costas, que tal? Não sou musculoso, como aqueles lutadores do Vale tudo, mas nada que uns exercícios não ajudem!". Olhava para o músculo do seu braço, sem jeito.
Ela o encarava, não escutando seus comentários, até que por fim, disse:
"Você se tornaria um animal de estimação? Só deixo você ficar aqui, se aceitar isso". Ele a olhou surpreso e sorriu.
"Você está brincando né?". Ainda de joelhos, sentou-se sobre as panturrilhas.
"Não! Se você for um bom bichinho, irei cozinhar e cuidar de você! Só que não irá ter nenhum direito, terá que obedecer e fazer tudo o que disser!". Fitava o incrédulo rapaz, que lhe perguntou:
"Nenhum direito?".
"Nenhum! Se não aceita, pode ir embora, a porta está aí".
Ele a encarou por segundos, sorrindo, balançou a cabeça positivamente.
"Au!" -Latiu, mas corrigiu-se, latindo feito um Pasto Alemão - "Ruff!" -Sakura sorriu e viu seus olhos brilhando - "Começo a pensar novamente, o quanto sou sortudo! Que sorte minha ser seu animal de estimação!". Sakura irritada iria retrucar algo, talvez, ele tinha entendido algo errado, mas não teve tempo, ele pegou sua mão, a abriu e depois se ajoelhou- "Serei obediente, minha dona!". Sorrindo como uma criança, fechou a mão, querendo fazer dela uma pata, e a colocou em cima da mão de sua dona.
Ela estava surpresa. Ele aceitou.
Continua...
E aí gostaram?Espero que sim! Estou nervosa com essa fic, eu assistir o live action no período sem net, e me apaixonei!Tentei passar, não necessariamente do mesmo jeitinho, o que assistir, nessa please! Se não, vou achar que niguém gostou daí desisto da historia e fico só com três mesmo. Hihihihihi.
Obrigada a cada uma, pelo os comentários no "Doce Amor". Fiquei muito feliz, prometo responder no próximo capitulo!
Babi Kinomoto Malfoy Black
Musette Fujiwara
Leila
cleopatra-cruz
Nadeshico
Yuri Sawamura
Sakura Scatena
aggie18
Glossário:
Aikidou:Arte marcial que indica o caminho para a harmonia junto à energia universal.
Bonecas Kokeshi:É um tipo de boneca inexpressiva, que nunca muda sua face.
Noh:É um tradicional teatro japonês de drama, em que os personagens usam mascaras. P.s:Os colegas dela, a chamam de Noh, se referindo a mascara.
Yakuza: Máfia Japonesa.
Obrigada a todos que lêem, mas não deixam recado!
Fiquem com Deus!
Kissus!
