I – Yagami Light
Ele foi o primeiro. O primeiro que chamou a minha atenção dentre os outros que viriam. Não havia nada em especial, era apenas um humano. Talvez, para outros humanos, alguém acima da média. Para mim, apenas uma distração. Alguém com quem poderia me divertir. Dentre todos, o seu objetivo parecia ser o mais nobre ( o mais coerente) e estava disposto a sacrificar-se apenas para cumpri-lo, não é? Ele era um humano esperto, não acreditava em coisas tão abstratas como o Céu ou o Inferno. No fim, isso é apenas uma forma que os humanos encontraram para reconfortar-se quando perdem alguém querido ou estão próximo dela. É, dela, a Morte.
Só que, como todos os humanos, você pereceu à sua fraqueza, Light Yagami. Você deixou-se levar pelo medo, pelo egoísmo e por tantos sentimentos humanos que não valeria à pena listar. Humanos são simplesmente patéticos, incapazes de encarar o próprio destino. E você, dentre todos, foi o mais patético. O que mais se debateu na hora de morrer. O que mais implorou pela própria vida. Chega a ser engraçado, não é? Você era como um shinigami sem asas, preso à um corpo humano. Para mim, era fácil enxergar em você aquela sombra grotesca. Foi a sua pureza que o fez assim, tão maligno. Sua fraqueza. Você, Light Yagami, era o humano mais fraco dentre todos.
A fraqueza sempre esteve ali, presente dentro dele. Ela se manifestava primeiramente tímida, mas foi crescendo ao lado de sua irmã; a ambição. Ele estava cego pelo poder; pelo novo mundo que construiria com a ajuda do caderno sendo Kira. Não é engraçada a decadência humana? Ao meu ver, sim. Porque a forma como se ocasiona a queda é linda, quase poética. A sua, dentre todas, foi a melhor. Desde o cheiro de desespero à essência da Morte. Quando ela chegou para busca-lo, você tentou, com todas as forças, agarrar-se a algo. No entanto, ela é imparcial; apenas vê as cores. E quando você, Light Yagami, morreu, ela me disse que o céu era vermelho. Ah, sim, vermelho. Vermelho como o sangue de suas vítimas. Todas elas.
Às vezes, penso que você podia ouvi-las. Os shinigamis também ouvem, mas sabem desde cedo como ignorá-las. Uma habilidade ausente em você, honradíssimo Deus. Eles sussurravam, berravam, cantavam canções. E o idolatravam. O odiavam. O seguiam.
Light Yagami vivia por causa daqueles que matou.
Ele era engraçado, vejam bem. Era a fraqueza, o egoísmo e fingia não saber disso. Hipócrita, é claro. Não buscava justiça, buscava ter poder. Um pouco dramático e exagerado algumas vezes – era quase cansativo -, mas era divertido. Engraçado. Um cara interessante.
Um cara interessante que morreu implorando.
Ah, sim, implorando pela própria vida. Eu não quero morrer, eu não quero morrer! Por favor, não! Como isso é clichê. Não combinava em nada com o gênio que ele parecia ser. Alguém que morre implorando não pode ser considerado nada além de ralé. A pior leva do mundo. Mesmo assim, ainda havia algo divertido nele; o desespero.
Eu gosto do desespero contido em vocês, humanos. Porque ele ficava lá, oculto, imerso dentro das sombras de cada um. E, de repente, como se um botão fosse ativado dentro do ser de cada um, ele desperta e domina tudo. Cada parte do ser que um dia vocês foram. Destroem isso e trazem à tona todas as humilhações as quais vocês juram: jamais se submeteriam.
E, ah, o grande deus do novíssimo mundo implorando pela própria vida foi uma das maiores diversões que tive nos últimos anos. Ironia? Talvez. Mas é assim que a realidade funciona; talvez não para vocês, mas para nós, shinigamis. E eu tenho certeza de que foi exatamente isso que Ryuk pensou quando o matou. Nada além disso.
Mas, você sabe bem, não é? A regra. Uma vez que um nome é escrito no Death Note, seu destino está selado. Nem mesmo eu, o rei dos shinigamis, posso mudar isso. E quando a Morte está chegando, através do corredor devidamente tecido pelo desespero, seus olhos se arregalam. Sua expressão distorcida que mescla a dor, o medo e insanidade (e o desespero, tudo junto) é ridícula. Simplesmente ridícula, assim como você foi no fim.
Agora que paro para pensar, é hilária a idéia de que ele chegasse a se tornar um de nós. É como disse anteriormente, é aquela velha diferença entre nossas espécies. Não se trata de asas ou faces distorcidas, trata-se apenas de se importar. Sim, creio que é isso. Os humanos se importam demais. No caso de Light Yagami, consigo mesmo.
Para ele, era só. Deus . Idolatrava a si próprio. Um pouco cômico, mas na maioria das vezes enfadonho, esse costume dele. E ele olhava para as próprias mãos e sorria antes de pegar numa caneta qualquer e escrever . Depois encarregou outros do trabalho sujo, mas a verdade era que aquilo o empolgava.
Escrever os nomes . E naqueles momentos eram somente as letras e a caneta e nada mais no seu caminho para o mundo com que sonhava.
E os nomes. A coisa toda era bem simples, francamente, mas para Light Yagami consistia quase num ritual. Um traço, uma letra, mais algumas e pronto.
Mas ele observava cada um dos movimentos da caneta, como se nada mais importasse (e, talvez, para ele, fosse o caso), e os decorava. Como se assistisse a algo que não valia a pena perder. Um espetáculo eterno.
Ah, as alegrias de um doente.
Aquilo era engraçado. Mas a melhor parte eram os quarenta segundos que se seguiam após o nome ser escrito. Ele os contava. Contava mentalmente cada um daqueles segundos, como se eles fossem críticos. Os segundos corretos para o início do seu espetáculo. E não importava quantas vezes aquilo se repetisse, ele não se desgastava.
Nunca.
E depois daquilo vinham as mortes. A parte em que tinha que segurar a gargalhada para não mostrar seu lado sádico na frente de qualquer um. Le grand finalle, não é? Se eu pudesse, sentiria pena daquilo que você se tornou, Yagami Light. Mas acho que sou sarcástico demais ou irônico demais para sentir pena de alguém. Sejam humanos ou shinigamis. E você nunca reparou, eu acho, ou não quis reparar. Mas Ryuk sim. Ele era um shinigami esperto. Inteligente não, mas esperto.
Cada morte que você causava, fosse ela por sua justiça ou não, o enlouquecia. Lentamente, como veneno se infiltrando nas veias, ela o enlouquecia. Por fim, você terminou assim. Com uma caneta, uma caligrafia perfeita e um patético fim. Você me diverte, Yagami Light.
Me divertiu até o fim.
X
N/A:
Olá, meros mortais! Cá estou eu com o primeiro capítulo da minha fic sobre o Daioh (PEGAEL!) n.n
Bem, eu fico muito agradecido que tenham gostado da minha escrita. Essa fic me deu um trabalho descomunal, mas ficou foda, não foi? Eu sei que sim. De qualquer modo, os comentários a respeito dela me felicitaram bastante. Não esperava tantos assim logo de início!
Agora... O Light. Ele é uma criaturinha bizarra, não? Me irritou o mangá todo, mas NADA é mais prazeroso agora do que ler e reler o final gargalhando sadicamente. Cada vez que eu lembro do Ryuk mostrando o nome dele escrito... Bom, isso não vem ao caso. Obrigado pelos incentivos e espero ter igual repercussão com esse capítulo 8D Sayonara!
Reviews são muito bem vindos quando há neles críticas construtivas e elogios. Sei muito bem que eu ainda preciso melhorar. Todos precisam. Aprecio a opinião individual de cada um.
