Capítulo 2
- E agora? - Iroh perguntou, aproximando-se do sobrinho. - Quais são os planos?
Zuko socou a mesa.
- isso é idiota! Eles não se preocupam com ela? Não querem salvá-la? Nós não estamos nem escondendo o navio!
- E você?
- Eu o quê?
- Você se preocupa com ela? - Iroh perguntou, não conseguindo conter o sorriso.
- Ela é minha prisioneira. - Ele teria soado mais crível se suas bochechas não tivessem ficado rubras. - E não pense em sugerir outra coisa! - Resolveu gritar para ver se a vermelhidão de suas bochechas se passava por raiva. Bateu a porta ao sair, deixando Iroh sorrindo.
XXX
- Sua comida. - Ele entrou na cabine e tacou o prato na frente dela, indo se sentar no outro lado.
Katara se levantou pra pegar, mas a corrente que estava presa a seu pé não permitiu que ela desse nenhum passo. Tossiu para chamar a atenção do dobrador de fogo.
- O quê?
Ela não precisou falar, só lançou um olhar zangado em sua direção e Zuko suspirou.
- Certo. - Lançou uma bola de fogo pequena na direção do prato, empurrando-o mais pra perto dela.
- Está quente! - Ela reclamou, mal conseguindo tocá-lo.
- Nada é perfeito. - Ele teve que sorrir agora com a irritação da garota. Toda essa situação era tão bizarra, tão diferente que, deus proiba, chegava a ser engraçada.
- Para um príncipe, você não tem boas maneiras.
- Boa tarde, crianças. - Iroh entrou no mesmo instante, com a alegria de sempre.
Zuko suspirou fundo mais uma vez - este era um hábito que ele aparentara ter desenvolvido nesses últimos dias - ao ver seu tio e a garota se engajarem numa conversa animada como se eles se conhecessem pela vida toda. Revirou os olhos. Isso estava errado. Ou ele capturaria o Avatar quando ele viesse resgatá-la e a garota de nada mais lhe serviria ou eles conseguiriam escapar e ela iria embora da mesma forma. Mas por agora ela era sua refém, nada mais. Alguém precisava se lembrar disso.
Uma alta risada o trouxe de volta para a realidade e ele olhou os dois ocupantes com estranheza. Katara mal conseguia respirar entre as gargahadas e seu tio não estava muito atrás.
- Isso... é tão... fofo. - A dobradora de água conseguiu balbuciar.
- Tio... - Mesmo sem saber o que tinha acontecido, ele já sabia quem era culpado.
iroh balançou a mão como se pedisse para ele calma e passou um pedaço de papel ao sobrinho. Era uma pequena pintura dele e de Azula quando eram menores, bem menores. Ele abraçava a irmã bem forte enquanto ela também sorria. Ele lembrava-se dessa época... Foi antes de Azula se tornar... Azula.
- Eu não acho engraçado. - Respondeu entre os dentes.
- Então você não está olhando de verdade. Olhe o seu cabelo. - Iroh propôs gentilmente. - Você ainda não tinha cabelo o suficiente para fazer um rabo de cavalo mas insistira tanto em fazer um que os poucos fios que conseguiu prender ficaram todos em pé.
Katara mordeu o lábio inferior.
- Não se sinta mal. - Ela colocou a mão no peito para acalmar sua respiração. - Você era uma criança. E crianças fazem coisas idiotas.
- Oh, parece que a senhorita Katara fala por experiência. - Iroh olhou-a divertido. - Por favor, conte-nos.
Katara obedeceu. E nenhuma vez lhe passou pela cabeça que estava contando sobre sua infância a dois dominadores do fogo inimigos que já lhe emboscaram diversas vezes.
Zuko tentava não parecer interessado, mas não conseguia evitar. A situação era tão insana que ele nem sabia por onde começar a reclamar, mas mesmo assim... Naquele momento, com toda a descontração, as brincadeiras e as risadas, ele sentiu como se, pela primeira vez faz muito tempo, ele fizesse parte de uma família.
XXX
- Jantar. - Dessa vez ele colocou o prato nas mãos delas para que a garota não tivesse do que reclamar.
Katara conseguiu sentir de longe a irritação do outro, mas isso não a impediu de falar mal da comida.
- Muito frio.
- O que você quer? - Ele quase gritou. - Ao contrário do que meu tio parece empenhado em te fazer acreditar, você não é nossa hóspede! E sim nossa prisioneira! Nunca vai ser mais do que isso!
- Não se preocupe, você vai se livrar de mim logo. - Ela rebateu.
- É mesmo? Parece difícil de acreditar. Eu estou com você faz quatro dias, Katara. E até agora nada.
- Eles vão voltar por mim.
Zuko apenas levantou uma sobrancelha, descrente.
- Eles são meus amigos e vão voltar por mim! - Ela repetiu, sentindo o rosto queimar de raiva. Que diabos tinha de errado com ele? - Como pode questioná-los desse jeito?
- Como pode não questioná-los desse jeito?
- ELES SÃO MEU AMIGOS! - Foi a vez dela de gritar. - E é isso que amigos fazem, mas eu não posso esperar que você entenda, posso? - Debochou.
- Certo, eu não ligo. Na realidade, se eles aparecessem aqui agora, eu te entregaria de bom grado pra eles porque eu não te aguento mais! - Jogou-se no chão, frustrado.
Era verdade. Essa situação estava ficando perigosa. O que aconteceu a tarde não deveria voltar a acontecer mais. Era melhor se livrar dela rápido.
- Por que você faz assim? Antes você age como se fosse bom... humano, capaz de ter sentimentos e de repente você se transforma nesse estúpido! Qual é o seu problema?
- Não é da sua conta.
- Certo! - Ela cruzou os braços. - Não queria mesmo saber!
- Ótimo.
- Fantástico.
- Maravilhoso.
- Você é um idiota.
- E você é babaca.
- Bem, você é um imbecil!
- Bom, eu não me sinto atraído por você! - Ele rebateu mas se arrependeu no mesmo instante em que as palavras deixaram sua boca. Que raios de xingamento foi esse? Ele não poderia ter pensado em algo melhor ou até mais criativo?
- Como é? - Katara perguntou, mas ele já tinha saído da cabine.
Continua...
N/A: Então, o capítulo 3 já está pronto o 4 tb to terminando mas eu não posto enquanto vocês não comentarem. Sou bixamá
Aaaaah, gente, fiquei com raiva desse capítulo... nem ficou bom
Mas não desistam de mim!
Prometo que o outro é muito melhor!
