Capítulo 2 – mundos divididos

Mais tarde, naquele mesmo dia, quando Kagome finalmente chega em casa, seu avô corria desesperado a sua procura.

- Kagome! Ainda bem que você chegou! Tem algo muito estranho acontecendo! Todos os meus pergaminhos mágicos partiram-se ao meio!

- Como vovô?

- Exatamente o que você ouviu, eles se romperam, e uma energia estranha está se espalhando pela cidade, minha neta.

- Então, aquele youkai, ele deve ter algo haver com isso – pensou ela, em um tom mais alto.

- Youkai? – perguntou o avô.

- Sim, hoje apareceu um youkai, eu o derrotei, mas foi estranho. Parecia procurar algo.

- Escuta Kagome, A batalha pela jóia, como terminou? Você nunca mais tocou no nome do Inuyasha, ou mesmo na jóia de quatro almas.

- Eu não sei vovô, quando eu acordei eu estava aqui, e não consegui mais ir para a era feudal. Será que aconteceu algo por lá que está se refletindo aqui?

- Pode até ser, mas se você não consegue ir para lá é improvável que youkais de lá venham até aqui.

- A menos que... – disse ela pensativa

- Que...? – perguntou o avô curioso

- Que tenha sido criada uma nova jóia, nesse caso, talvez eu possa... Eu possa voltar - terminou ela correndo para o junto do poço-come-ossos.

- Droga! Porque? Porque eu não consigo? O que eu tenho que fazer pra ficar com você?? – se questionava enquanto deixava mais algumas lágrimas escorrerem pelo rosto.

- Kagome, venha aqui rápido! – gritou o avô

- O que foi vovô? – perguntou ela enquanto se aproximava. Para sua surpresa, outro youkai, esse parecia mais fraco, mas ainda assim, era um youkai. – Droga – disse a garota chamando a atenção do youkai e correndo para achar seu arco e flecha.

Poucos minutos depois, o mesmo que ocorreu com o Youkai no colégio volta a acontecer. E nesse meio tempo, Souta, o irmão de Kagome chega, presenciando toda a cena.

- Maninha... Isso foi um youkai? Quer dizer que o Inuyasha vai vir pra cá?

- Isso não vai acontecer Souta! O inuyasha está no mundo dele. Nossa obrigação agora é salvar o nosso mundo. – disse ela friamente. – Só espero conseguir fazer isso – pensava – É, sem o inuyasha pra me proteger vai ser difícil, mas tenho que tentar. É preciso.

Na manhã seguinte Kagome saiu para o colégio carregando além dos livros seu arco e suas flechas. Enquanto Souta carregava alguns pergaminhos sagrados, seus livros e uma espada de bambu.

- Então nos encontramos aqui quando as aulas terminarem, e acabamos com esses youkais idiotas! – disse Souta seguindo o caminho de sua escola.

- Esta certo, mas não se atrase. – disse Kagome seguindo para o outro lado.

- Seria tão mais fácil se você estivesse aqui... Ai Kagome! Acorda, não é hora de ficar pensando nisso, você vai chegar atrasada de novo! – dizia para si mesma enquanto apertava o passo.

- Kagome! Bom dia! Como você se sente hoje? – perguntou Alli toda sorridente

- Bom dia Alli. Tudo bem? – respondeu Kagome sorrindo e tentando disfarçar o desanimo.

- Sim, mas o que você faz com um arco flecha? Pode me dizer?

- Err... Bem, é que eu...

- você??

- É que eu resolvi que vou entrar pro clube de arco e flecha! Por isso! – indagou ela entusiasmando-se.

- Kagome, você está bem? – perguntou Alli preocupada.

- Estou sim, porque?

- Bem... Porque não existe clube de arco e flecha no nosso colégio. – respondeu a amiga.

- Não? Então... Bem... Pois então eu vou criar um! Que participar? – disse tentando disfarçar ainda mais.

- Você definitivamente está mais esquisita que o normal. Vem, vamos para a classe, que já está na hora da aula. – disse virando as costas e andando em direção a sala.

Já sentada Kagome demonstrava-se tranqüila, porém distante, o único que a fez voltar à realidade foi à chegada de Toushi, mas apenas porque este quase destruiu a sala ao entrar.

- Vocês ficaram sabendo? Do ataque no outro colégio? A polícia não sabe o que foi, mas as alunas falaram que uma garota com arco e flecha destruiu algo que parecia um monstro! – dizia ele empolgado.

Ao ouvir a palavra, garota, monstro, e arco e flecha na mesma frase, Kagome escondeu-se nos livros, pois sabia que sobraria pra ela. Mas sua tentativa foi em vão. Pois Toushi acabou por perceber o arco e as flechas.

- K-a-g-o-m-e! – gritou ele – foi você quem acabou com aquele monstro? Conta tudo! Pode ser afinal, você é uma sacerdotisa não?

A classe toda já se virava para saber tudo o que acontecia. E Toushi parecia que só ficaria quieto se ela contasse o que ele queria ouvir.

- Fica quieto Toushi! – disse Alli

- uhn? – murmurou Kagome com uma cara surpresa. Nunca tinha visto a amiga estressada. Muito pelo contrário, estava sempre calma e sorridente.

- Se a Kagome não quer falar, então deixa. O dia que ela quiser conversar nós estaremos aqui para ouvi-la. - Disse Alli encerrando o assunto.

Kagome passou a primeira aula inteira pensando nas palavras de Alli, sabia que a amiga estava preocupada, e que o sonho de Toushi era lutar contra o mal, algo que Kagome já havia feito há um bom tempo.

- Será que devo contar a eles? Seria arriscado de mais envolvê-los nisso. – pensava ela.

Mas antes que pudesse concluir seus pensamentos, um barulho razoavelmente alto seguido por um cheiro peculiar cortou sua mente. E também atrapalhou a aula. Todos saíram correndo tentando fugir de onde o som havia saído. Enquanto Kagome seguia para o mais próximo possível desse som, seguida por Alli que estava preocupada e tentava impedi-la e por Toushi que estava curioso demais para deixar quieto como Alli havia dito.