Nessa tarde as cinco reuniram-se na antiga casa da professora Rudolph. Hay Lin fora a última. Quisera levar a sua prima, mas Will insistiu que desta vez não podia ser. Sentadas numa mesa redonda começaram a discutir.
- Hay Lin, quando eu passei pela tua prima tive aquela sensação esquisita, como de quando me aproximo de um portal de Meridian.
- Will, está a sugerir que a minha prima é um monstro do Metamundo?!
- Olha que pouco lhe falta, Hay Lin.
- Irma! Não, Hay Lin. Só que não consigo explicar esta sensação.
- Talvez seja uma espécie de Elyon. Ou tenha poderes mágicos.
- Não sei, Taranee. Eu já vivi com ela e posso dizer que não há nada de estranho nela.
- Hay Lin, a sensação da Will também pode ser um erro, uma coincidência.
- Obrigada, Cornelia.
- Sem ofensa, Will, mas eu não confio muito no teu sexto sentido.
- Mas funcionou com a Rudolph e o falso Collins, que era afinal o Cedric.
- Mesmo assim. Não podes andar a ver monstros em todos os que te parecem estranhos ou que, por mera coincidência, passem por ti quando tu tens essa sensação, que até pode ser fome, ou sede, ou medo.
- Will, promete-me que vais pensar nisso melhor.
- Está bem. Hay Lin, vê o que consegues da tua prima. História, sonhos, situações deste tipo, coisas desse género.
- Eu vou tentar, mas não vai ser fácil. Ela não fala muito e principalmente do seu passado.
- Muito bem. Agora é melhor irmos para casa, antes que dêem pela nossa falta. Ir comprar um gelado não demora assim tanto tempo.
- Fala por ti. A Irma demora séculos para ir à pastelaria e voltar.
- Olha a gracinha, Hay Lin.
De repente o Coração de Kandrakar deu sinal. Brilhava nas mãos de Will.
- O Oráculo chama.
- Oh, por favor, chamem-me Endarno Espantalho.
- É melhor que ele não te ouça, Irma, mesmo que as tuas piadas tenham menos graça que um palhaço da idade da pedra.
Jade estava deitada no quarto da prima. O dia de escola não fora mau, embora não gostasse lá muito das amigas da Hay Lin. Eram esquisitas e a ruiva não tirara os olhos dela em todo o tempo. Eram estranhas e não gostava delas. E prontos.
Virou-se para o lado na esperança de vir o sono. Mas não era às cinco horas da tarde que ia dormir, muito menos com aquele tempo.
- Porquê? Porque é que tínhamos de vir para aqui? Porque não ficámos em Staffordshire? Aqui não há nada a não ser amigas interesseiras, primas estranhas, más memórias e programas de televisão desinteressantes.
Acabou por se levantar, amuada. Ficou a olhar pela janela para a placa do restaurante. A única coisa que ela gostava em toda a Heatherfield. O Dragão vermelho do restaurante.
- Talvez se eu der uma volta encontre alguma coisa de interessante no meio de tanta gente estranha.
Saiu de casa com uma atitude mais positiva. Passou por lojas de doces e de tantas outras coisas.
No meio da praça um circo anunciava a sua chegada. Malabaristas demonstravam as suas habilidades, enquanto um treinador de cães ensinava caniches a fazerem equilibrismo. Uma dançarina sorria e acenava do cimo de um elefante. As crianças corriam à volta deles e os pais riam-se das suas tentativas desesperadas de os imitar.
- Tu, minha jovem, o que tanto te aflige?
Jade virou-se para trás e encontrou uma velha cigana que carregava uma bola de cristal pesada.
- Humm, nada. Deixe-me ajudá-la.
- Não é preciso. És bondosa e, embora não te pareça, sabes ajudar os outros e procurar neles uma centelha de esperança. És Erla, a ninfa da Lua.
- Muito obrigada, mas não acho.
Afastou-se e voltou para casa. Já não era capaz de se encontrar a si própria.
"Onde está a Jade, onde estou eu?"
Em Kandrakar as WITCH depararam-se com várias mudanças. Em vez do habitual ambiente limpo e azulado, Kandrakar fora decorada com enormes panos avermelhados. Ao longo dos corredores espelhos pesados reflectiam desagradavelmente quem quer que passasse. Tochas ardiam e criavam um ambiente pesado e sufocante.
- Isto é Kandrakar?
- O coração não esta a funcionar bem, deve estar confuso.
- Não estou a gostar disto.
- Parece um pesadelo.
- Bem vindas.
- Avó! O que aconteceu?
- Houve uma pequena reforma.
- Se fosse grande deitavam a fortaleza abaixo.
- Irma! Está calada.
- Digamos que o Oráculo imprimiu um novo rumo.
- Não me chame Oráculo, por favor. Na intimidade chame-me Endarno. Pressinto que o novo chefe vai trazer-nos problemas.
- Tereis de ser prudentes e pacientes. Lembrem-se que o antigo Oráculo apreciava Endarno.
- Não dissemos que o nosso Oráculo era perfeito.
- Endarno é de Basiliade, o mesmo mundo do Oráculo. Houve tempos em que os povos de Basiliade batalhavam entre si. Endarno era um grande guerreiro do povo Shanta, que era governado por Sharr, o Terrível.
- Se o Endarno aprendeu o que sabe com Sharr, então já se sabe o que nos espera.
- Irma!
- Na sexta lua nova da era da ira, os Shanta venceram os Asha, o povo do Oráculo. Mas quando Sharr estava prestes a cumprir a sua sentença de eliminar os Asha, Endarno virou-se contra ele e assim libertou os prisioneiros, pondo fim àquela batalha.
- E o que devemos fazer?
- Devem procurar o velho Oráculo. Só ele sabe com impedir que Endarno mergulhe Kandrakar nas trevas. Porque Endarno já não é ele próprio e sim alguém que anseia destruir-nos a todos e conseguir o máximo de poder possível.
- Phobos…
- Receio bem que sim. Mas agora lembrem-se. Só Erla, Ninfa da Lua, saberá quem é o Oráculo e só ela poderá trazer-lhe a sua memória de volta. Encontrem-na e encontrá-lo-ão. Agora têm de ir. O tempo escasseia e o Centro do Infinito já não é um lugar seguro.
- Mas onde é que encontramos essa ninfa?
- Procurem no coração melancólico do dragão prateado aquela que tiver a história de elfos e magia.
- Hay Lin. A tua avó deu-nos um quebra-cabeças incompreensível.
- Não. Hoje iremos todas para casa e dormiremos sobre o assunto. Tenho a certeza que a noite trará respostas.
Nota:
Desculpem o atraso. Obrigada pelos Reviews que deixaram. Têm mais um capítulo (curtinho ainda), mas a saúde e as notas não permitem mais. Vou tentar actualizar mais depressa.
E quem quiser pode sugerir o nome do Oráculo, se bem que este já saiu, pelo menos cá na minha terra. Bom fim-de-semana! E, please, quero mais Reviews, se possível.
