Cap. II – A antiga sala
Harry não prestara nenhuma atenção à aula de História da Magia, continuava sem perceber a falta de interesse de Cedric pela Cho, era também difícil concentrar-se nos seus pensamentos com Hermione a dar-lhe cotoveladas para prestar atenção ao que o professor Binns dizia.
- Quero uma composição com vinte e cinco centímetros de pergaminho sobre a matéria desta aula. A aula acabou – disse o fantasma quando a campainha soou.
A sala rapidamente foi ficando vazia.
- Harry, o que é que tens? – perguntou Hermione apanhando-o a sair da sala.
- Nada – respondeu rapidamente.
- Não prestaste atenção nenhuma à aula.
- Isso é normal da minha parte, pensei que já soubesses.
Hermione mordeu o lábio inferior.
- Não é isso, senti que hoje estavas diferente. Algo te preocupa?
Harry parou e olhou para Hermione.
- O que me preocupa neste momento não te diz respeito Hermione, não te quero magoar nem nada que se pareça, mas são coisas minhas.
Hermione preparava-se para dizer algo mas Harry interrompeu-a:
- Nada do que me disseres me fará mudar de ideias.
Hermione fechou a boca e continuou até chegarem às escadas.
- Olha Harry, tenho de ir à biblioteca pois prometi ao Ron que o ajudaria no trabalho de casa de Encantamentos.
- Ok, não há problema.
Hermione subiu as escadas para o terceiro andar e desapareceu da vista de Harry.
Harry achou melhor voltar para a torre dos Gryffindor. No caminho encontrou Cho muito abalada com mais duas amigas. Harry tentou esboçar um sorriso, mas passaram por ele como se fosse invisível.
Harry teve de ir pelo sexto andar pois Peeves, o poltergeist, tinha-se escondido à entrada do sétimo andar para atirar bombinhas de mau cheiro a quem passasse.
Deduziu isto pois viu passar dois alunos do segundo ano irritados e com um cheiro nauseabundo.
Estava decidido a ir pelas escadas do lado este quando alguém o chamou.
- Harry, aqui!
Harry olhou para uma porta e viu Cedric esgueirado nela.
- Cedric…
- Anda, entra!
Harry entrou e avistou uma grande sala, um pouco poeirenta, devia ter sido uma sala de aula anteriormente, permanecia já sem uso. Tinha algumas mesas e cadeiras e três estantes sem livros. Das janelas penetravam raios fracos do sol outonal que reflectiam a grandes sala.
- Conheço esta sala desde o meu quinto ano, penso que seria uma antiga sala de Transfiguração.
Permaneceram calados uns dois minutos.
- Cedric, já sei que contaste a verdade à Cho – disse Harry por fim.
- Como?
- Vi-a a chorar, aliás, tem andado a tarde toda assim.
- Pois, eu segui o teu conselho e fui o mais sincero possível com ela.
- Fizeste bem! – sorriu Harry.
- Tens sido um porreiro comigo Harry. Obrigado mais uma vez.
Harry corou um bocado e sorriu.
- Ora, não tens de quê.
- Espero que nos demos bem, gostava muito de ser teu amigo Potter.
Harry olhou para Cedric e viu-o esboçar um sorriso.
- Eu também o espero.
- Quanto ao Torneio dos Três Feiticeiros, neste caso quatro, acho que nos devíamos unir e dar a vitória a Hogwarts, acho que faríamos uma boa equipa.
- Sim, seria bom – sorriu mais uma vez.
O silêncio permaneceu na sala, embora interrompido pela campainha.
- Bem, tenho de ir andando – disse Harry.
- Eu também vou.
Saíram de cima das mesas, onde se encontravam sentados e dirigiram-se à porta de madeira.
Por sua vez pegaram na maçaneta ao mesmo tempo. Harry sentiu o calor da mão de Cedric na sua, sentia-se bem, descontraído, apetecia-lhe ficar ali para sempre.
Embora tenha sido uma fracção de segundos aquele momento pareceu durar algum tempo.
Baralhados, tiraram as mãos da maçaneta.
- Desculpa – pediu Cedric com um tom rosado nas bochechas.
- Não faz mal – disse Harry novamente corado.
Cedric rodou a maçaneta e saíram da sala.
- Vens sempre aqui? – perguntou Harry.
- Normalmente. Se me quiseres encontrar estou aqui ou ao pé do lago naquela grande pedra.
Harry anuiu e despediu-se da Cedric.
Sentia o coração acelerado e a respiração mais rápida. Tinha-lhe feito sentir bem aquele toque, aquelas mãos macias… Harry o que é que estás para aí a dizer? Tu não deves estar bem!
Rapidamente desceu as escadas até ao terceiro andar para a aula de Defesa Contra as Artes Negras, sempre com a situação embaraçosa que tinha tido com Cedric no pensamento.
