Embora tivesse conseguido chegar a sua classe, sem ser abordada por algum aluno, Maya não pudera assistir às demais aulas. Não lera no mural de avisos que a instituição não permitia atrasos sem uma justificativa aceitável pelo conselho dos professores. Era uma pena não poder ficar na enfermaria com Naruto. Ao menos poderia ter uma companhia.

Sozinha, procurou um local calmo para esperar a hora passar. Se fosse embora para casa seu pai com certeza a encheria com lições de moral. Subiu até o quarto e último andar a fim de chegar ao terraço. Com certeza lá não teria ameaças ou surpresas indesejáveis. Mas ao atravessar a porta de acesso ao local, suspirou desanimada ao encontrar o jovem de cabelos vermelhos que lhe ajudara de mais cedo. Ele se encontrava como no jardim. Sentado em posição de lótus e com os olhos fechados. Completamente absorto. Voltou sua atenção, principalmente para um objeto que reconhecera bem. Sua marmita.

— Hei! — ela berrou se aproximando. — Então ia levando meus bolinhos e minha marmita, né?

Ele abriu os olhos e a encarou sério, deixando-a sem graça.

— Tome. — entregou-lhe a marmita.

— Espere um minutinho... Você está aqui sozinho... Não, nós estamos... Claro! É mais uma obra daquele tal Sanosuke!

Ele a encarou confuso. Maya jogou a marmita para o lado e ficou em posição de combate.

— Como é? Eu também sei um pouco de luta! Pode vir quente que tô fervendo.

Ele deixou escapar uma pequena risada deixando Maya irritada.

— Não vou lutar com você. Além disso, não faço parte do grupo do Sasuke.

— Não se faça de difícil! Vem logo a... Como é? — questionou.

— Não gosto das atitudes daquele cara. Por isso, não sou integrante do Tora.

Maya sentou-se a seu lado murmurando palavras no qual ele não pudera entender.

— Mas é claro! — disse eufórica. — Você ajudou o Naruto e a mim hoje mais cedo. — Maya cerrou os punhos e franziu o cenho. — Aquele cara que me aguarde. Vou fazer-lo sair correndo pra mamãe. — deixou escapar uma gargalhada alta.

— Talvez você consiga.

— Nos encontramos tantas vezes e ainda nem sei como se chama.

— Pode me chamar de Gaara.

— Sou Natsume Maya. Mas pode falar somente o primeiro nome.

Houve um súbito silêncio entre ambos enquanto observavam os arredores do colégio. Maya deu iniciativa ficando de pé. Estava sentindo-se incomodada sentada ao lado de um garoto que mal conhecia. Mas ele não era o problema. Precisa ficar sozinha para esquematizar o que faria para conseguir "sobreviver" naquele colégio. Sua mochila estava na enfermaria perto de Naruto. Com certeza aquela enfermeira não a deixaria entrar para pegá-la.

— Você tem caneta e papel? — ela perguntou.

Ele tirou a caneta do bolso e lhe deu um bloco em tamanha médio contendo poucas folhas.

— Prometo que devolvo tudo quando terminar. Obrigada.

Maya deixou o local e desceu até o térreo com o mesmo cuidado que subira ao terraço. Rumou até uma parte do jardim no qual não frequentara. Havia uma árvore grande e com o tronco largo. Perfeita para mantê-la escondida de qualquer louco que tentasse aproximar-se. Não demorou em começar a esquematizar o que começaria a fazer para manter-se no colégio. O fizera através de desenhos. Embora fosse péssima em fazê-los, não estava com a mente aberta para escrever algo bem elaborado.

— Santo Deus! O colégio está horrível! — disse uma garota examinando seus desenhos.

Maya assustou-se e arrancou as folhas das mãos dela.

— Hei garota! De onde veio?

— Originalmente, vim de meu pai e sai pela minha mãe.

Maya puxou-a pelo enorme rabo de cavalo trançado.

— Solte o meu cabelo! Está louca? — berrou a garota tentando puxar o cabelo de volta.

— Veio a mando de quem e por que tá falando mal dos meus desenhos?

— Cheguei atrasada e não pude entrar. Seus desenhos são horríveis. Agora, pode soltar o meu cabelo?

Maya soltou seus cabelos, ainda desconfiada.

— Eu costumo ler meus mangás debaixo desta árvore. Aqui, ninguém me perturba. — mostrou uma pequena sacola com quatro mangás.

Examinando-a melhor, Maya percebeu que ela não parecia suspeita. Era somente uma garota fanática por mangás que também perdera a hora. Contudo, também observara que sua gravata era preta. Ou seja, aquela garota pertencia ao tal Washi.

— Então, você é do Washi.

Embora não fosse uma pergunta, a jovem respondera que sim.

— Me chamo Sakazaki Yuri. — disse simpática. — Acho que sou a garota mais idiota e fraca da Washi. Não gosto de brigas. — sorriu sem graça.

— Se não gosta disso, por que não sai do Washi?

A jovem ficou estranhamente nervosa e começou a gaguejar palavras que Maya não compreendera.

— É por um motivo pessoal. — disse finalmente com firmeza

Maya arqueou a sobrancelha e decidiu não prolongar o assunto.

— Está quase na hora do almoço. — Yuri espreguiçou-se e ficou de pé. — Você vem?

Maya pegou as folhas de seus desenhos e seguiu com Yuri até a o refeitório. Diferente da cantina possuía comida caseira e sobremesas que aumentavam a fila. A sorte de ambas fora que estavam adiantas, porém a porta de acesso encontrava-se fechada. Esta somente fora aberta com o soar do sinal. Logo os alunos foram aumentando a fila e o falatório. Enquanto Yuri fora pegar o que ia comer, Maya a aguardava sentada à mesa ao fundo do refeitório. Havia alimentos os quais Yuri não podia ingerir. Era preciso escolhê-los com atenção. De repente a fila desmembrou-se por uns instantes abrindo espaço para Sasuke que adentrara no refeitório como se fosse dono do local. O que era verdade. A maioria das garotas parou de mastigar para recebê-lo com um sorriso. Maya procurou não chamar sua atenção continuando a dar garfadas em seus bolinhos.

Após tanta demora na escolha do alimento, Yuri finalmente ia de encontro a Maya. Propositadamente, uma garota colocou a perna em seu caminho fazendo-a ir de encontro ao chão. Contudo, ao levantar-se não esperava a gravidade do que ocorrera. Sua comida atingira a blusa de Sasuke que a encarava furioso.

— Por favor, perdoe-me! — disse atônita.

— Como se atreve a sujar-me com essa porcaria de comida! — berrou furioso.

Yuri abaixou a cabeça quase chorando e tornou a pedir desculpas. No entanto, Sasuke pareceu não importar-se com elas. Levantou a mão como se fosse repreendê-la com um tapa. Antes que ocorresse outro ato de violência diante de si, Maya saiu de seu lugar às pressas.

— Chega! — Maya replicou nervosa. — Ela já pediu desculpas!

Ele a encarou com um olhar e sorriso maliciosos. Parecia divertir-se diante do ódio e do medo alheio. Como era desprezível aquele garoto!

— Alguém terá de pagar. — ele disse com convicção.

Maya o olhou com desdém e cruzou os braços de um jeito desafiador.

— Tudo bem. — ela respondeu com o mesmo sorriso cínico que ele. — Pode deixar na minha conta, querido. Irei devolver tudo com os juros.

Ele mordeu os lábios, irado. Ninguém no colégio além de Naruto costumava enfrentá-lo. Quem tentasse, já sabia o resultado pelas idas dele a enfermaria. Aproximando-se dela, pegou-a inesperadamente pelos braços apertando-o com força.

— Tem muita coragem em enfrentar-me diante de quase todo o colégio.

— Não leve para o lado pessoal. Apenas lhe disse que o pagaria. — olhou-o nos olhos.

— Sua...

Antes que fosse golpeá-la no rosto, Maya conseguiu aplicar uma banda entre sua perna, porém não contava que iria ao cão com ele. Alguns alunos vibraram diante da ação. Outros, apenas olhavam surpresos.

Maya procurou levantar-se rápido para continuar a atacá-lo. Porém Yuri segurou-a pedindo que saíssem do refeitório. Vira através dos óculos dela que estava chorando e seu rosto bastante avermelhado. Maya respirou fundo e concordou em fazê-lo. Segurou a mão de Yuri e passou ao lado de Sasuke, sem olhá-lo. Um grupo de alunos bloqueou a passagem, ordenando que retornasse a briga.

— Deixem-nas passar. — disse Sasuke. — Além disso, ela me mostrou bem do que é capaz. Tenho certeza que nos divertiremos muito.

O grupo de garotos desobstruiu o caminho e Maya saiu do refeitório com Yuri através de muitas vaias. Quando sentiram que estavam bem longe, Yuri deixou o corpo cair sobre o chão sentindo-se aliviada. Tinha medo de aproximar-se de qualquer membro da Tora, ainda mais do líder dela Uchiha Sasuke. Contudo, estava surpresa com a coragem de Maya em enfrentá-lo diante dos demais alunos.

— Dá pra acreditar! — Maya questionou indignada. — Aquele cara só pode ser sádico! Ainda vem com "Alguém vai ter de pagar"... Riquinho de merda! — berrou.

Yuri deu uma risada diante daquela reação. Ela realmente parecia não ter medo dele.

— Maya, estou vendo quase todo seu peito.

Maya olhou para si e viu que seu paletó estava aberto, exibindo seu sutiã verde limão. Abotoou-o imediatamente.

— Droga! — praguejou. — Destruíram minha blusa e... — hesitou como se estivesse em pane. — Há quanto tempo minha blusa está aberta?

— Desde que o Sasuke te pegou pelo braço.

Maya levou as mãos à cabeça e grunhiu irritada.

— Desgraçado! Então era por isso que estava com aquele sorriso cínico nos lábios...

Enquanto Maya reclamava, Yuri teve a impressão de que ouvira passos. Porém os ignorou. Somente ao ver duas pessoas com os rostos cobertos saírem detrás dos arbustos gritou assustada. A princípio Maya a olhara sem entender o motivo de todo o barulho.

— Eles nos seguiram... — Yuri murmurou ficando com o rosto corado.

Antes que Maya voltasse o rosto para trás, um pano tapou sua boca e nariz fazendo-a sentir-se aturdida. Os gritos e a visão de Yuri foram distanciando-se aos poucos até ficar completamente envolvida pela escuridão.

Os móveis eram feitos com madeira de melhor qualidade. A cama era em formato circular e o colchão, com certeza também ganhavam destaque. O quarto em peso era o sonho de consumo de qualquer pessoa. As paredes e o teto vinho realçavam a beleza dele. Sob efeito de sedativo e, deitada sobre a cama, Maya entreabria os olhos pesados. Trajava uma linda camisola de seda, com tiras que amarravam a alça e que expunha suas pernas.

— Já voltou a si, princesa? — ouviu uma voz conhecida, no entanto não estava conseguindo identificar de quem era.

Sanosuke? Que lugar é este? — indagou a jovem, com a voz rouca.

— O meu quarto. — ele sorriu ignorando a confusão de nome.

Ela tentou levantar-se e percebera que não estava com seu uniforme.

— Por que estou de camisola?

— Bem... — Ele se aproximou de seu pescoço e começou a sugá-lo com a boca. Maya queria impedi-lo, mas seu corpo estava dormente. Descendo mais abaixo, ele arriou as alças da camisola, beijando os seios nus, enquanto apalpava suas coxas. Maya não conseguia falar, sua voz desaparecera. Somente algumas lágrimas respondiam por ela. — Nossa! Acho melhor parar aqui, isso está começando a me excitar. — Ele se levantou da cama.

— O que você quer comigo? — Maya indagou, forçando a voz.

— O que acha de um filme, com você como a personagem principal? Assim, mas nua nessa cama... Com uns caras... — Ele deu uma risada. — Você vai aprender que comigo não se brinca, nem em sonhos.

Ela grunhiu e conseguiu falar de modo que ele compreendesse:

— Eu vou matar você, se fizer algo comigo. Eu... Não tenho medo de você. Seu filho da puta!

Ele voltou para cama, e a pegou pelo rosto de forma violenta.

— Você fala muito. Minha vontade é de eu mesmo fazer isso com você agora. Mostrar a todos que você é só mais uma vagabunda que queria ir para cama comigo.

— Faça isso. Mas sempre tem o depois. Vou caçar você, nem que seja no inferno.

Ele tornou a dar aquela risada zombeteira que Maya odiava e soltou seu rosto ficando de costa para a porta de acesso ao quarto.

— Isso, amorzinho, se você conseguir. É muito difícil alguém pegar o papai aqui. Além disso, muitas garotas queriam estar aqui no seu lugar. E tenho certeza que não hesitariam em acatar as minhas ordens.

— Você é um ninfomaníaco!

— Não. Um cara que paga com a mesma moeda. Aliás, você é a primeira garota que trago para cá. Até então, nunca tive essa falta de senso. Você foi capaz de me levar a esse extremo. — Ele ficou hesitante por um tempo, observando-a. Maya também não conseguia vê-lo de forma nítida. Entretanto, aquela voz debochada a irritava por não poder enforcá-lo. — Acho que também irei fazer uma surpresinha à Sakazaki Yuri. Ela está precisando se tornar mais corajosa.

Maya franziu a sobrancelha de forma ingênua e sentiu que podia ser locomover, mas não dominar totalmente seus membros. Arrastou-se até a ponta da cama, onde quase fora ao chão. Isso, senão fosse pela agilidade de Sasuke que a segurou.

— Não faça mal a ela. Por favor...

— Vocês duas são a causa de minha humilhação. Fiquei sabendo que estão exibindo até um vídeo daquela nossa briguinha no refeitório. Eu...

—... Faço o que você quiser. Se quiser me possuir, me possua, mas não faça nada a ela. — hesitou. — Não quero que outra pessoa se machuque por minha causa novamente.

— Se é o que deseja. Aceito o acordo.

Ele a beijou, desenhando seus lábios rosados e forçou-a a deitar-se na cama. Logo começou a acariciar os seios dela, explorando-os com a boca como um desesperado. Maya se segurou para não soltar os gemidos que ele lhe causara. Se o fizesse, demonstraria que o estava aceitando. Ele não demorou em demonstrar sua excitação quando arrancou sua calcinha de forma violenta e a forçou abrir as pernas com seu joelho. Ela ficara tão desesperada que não percebera que ele não estava despido. Vendo sua aflição, ele se aproximou de seu rosto e apenas sorriu. Um sorriso que a deixou mais atônita.

— Acha mesmo que vou deixar de me vingar, mesmo violentando você? Você é apenas uma garota com um belo corpo. Confesso que me deixou intrigado em explorá-lo mais. — Seu semblante ficou franzido de forma repentina e ele apenas a fitou por alguns segundos. — Tenho que sair. — Ele deixou a cama e seguiu para a porta e antes de sair complementou: — Não tente gritar. Meu quarto é à prova de sons. Tenha bons sonhos.

Logo que saiu, Maya tentou sair da cama, mas ainda sentia-se fraca e com muita raiva. Como ele pudera violar seu corpo daquela forma covarde? O desejo de vingança crescia dentro de si. Por ora, o melhor era acalmar-se e pensar em um jeito de sair daquele quarto. À medida que tentava pensar em uma saída, suas pálpebras foram ficando pesadas. Dormira profundamente.

Enquanto o tempo passava os alunos da academia Toudou foram liberados para suas casas. O colégio estava quase vazio. Naruto procurara Maya preocupado, pois ninguém a vira pelo colégio. O barulho de um choro próximo a si lhe chamou a atenção para uma árvore grande e larga.

— Aconteceu alguma... Yuri? — olhou-a surpreso.

Ela colocou os óculos e ficou de pé abatida.

— Uns caras... Eles apareceram e levaram minha amiga. — tornou a chorar. — Mas que droga! Quando eu consigo finalmente uma amizade com alguém que não quer se aproveitar de minhas habilidades intelectuais, acontece isso!

Naruto colocou as mãos em seu ombro procurando confortá-la.

— É realmente muito azarada, querida. — ele se afastou dela aos poucos. — Sinto muito, mas agora eu preciso salvar minha amiga daquele desgraçado.

Yuri ficou inerte, olhando-o confusa, porém preocupada com o que pudera ter acontecido com Maya. Ela aparentava ser uma boa pessoa que era determinada. Se fosse mais corajosa, nada daquilo aconteceria a ela.

Eram quase nove horas da noite quando Maya acordara ao ouvir alguém bater na porta. Seus sentidos haviam retornado a si. Levantou-se depressa ficando ao lado da porta. Quando ela se abrisse, avançaria em cima de Sasuke e lhe enxeria de socos até sentir-se satisfeita.

Chegado o momento, pulou nas costas da pessoa, que pensava ser Sasuke e agarrou seu pescoço. O jovem tentara afastá-la, porém fora difícil livrar-se dela. Jogou-a sobre a cama e assustou-se em ver que era uma mulher.

— O que faz no quarto do meu irmão? — O jovem a olhou mostrando estar demasiado surpreso.

Maya olhou-o frustrada por não ser aquele garoto cínico. Logo começou a murmurar indignada, ignorando a presença do rapaz.

— Com licença — ele voltou a chamá-la. — Por que estava trancada aqui?

Ela franziu o cenho, mirando-o furiosa. Observando-o melhor, percebera que ela possuía semelhanças com o irmão. Tinha cabelos escuros, porém um pouco mais claros e a mesma expressão séria no rosto. Isso a deixou repulsiva, mesmo não o conhecendo. Ele poderia ser tão arrogante quanto o irmão.

— Por que não pergunta a ele? — questionou grossa. — Meu nome é Natsume Maya e não é um prazer conhecê-lo.

Ele olhou-a confuso. Assim como Sasuke, também era popular com o público feminino. Ao menos ela deveria ser mais gentil nas palavras. No entanto, ela tinha rosto e cabelo bonitos, além disso, vestia uma camisola salmão que realçava as curvas de seu corpo.

— O que foi? — perguntou ainda mais irritada ao perceber que ele a olhava de um jeito libidinoso. — Você e seu irmão devem estar achando engraçado judiar de mim dessa forma. — Ela avançou, comprimindo-o contra a parede. — Não venha bancar o bonzinho comigo! Você riquinhos são todos iguais.

— Desculpe, mas você está se equivocando. — afastou-a sóbrio. — Acabei de retornar de uma vigem ao Reino Unido. Como ninguém me respondeu após tanto chamar, abri a porta do quarto e o resto você sabe.

Ela ficou calada, mas ainda desconfiada. Antes que fosse se pronunciar, seu estômago roncou alto, deixando-a envergonhada.

— Comprei uns bolinhos de arroz no caminho. Tem bastante.

— Por favor... — colocou as mãos sobre o estômago demonstrando sua necessidade.

O jovem pediu que ela o seguisse à sala de refeições. Maya caminhou até a mesa embevecida com a decoração dos móveis as paredes. Somente quando o jovem trouxe uma tigela com os bolinhos que saíra de seu estado absorto. O aroma fez com que pegasse um sem ao menos agradecer ou pedir permissão. Ao dar a primeira bocada sentiu-se extremamente constrangida quando percebeu que ele a olhava sorridente.

— Desculpe. — disse ela encolhendo os ombros.

— Fique tranqüila. Não estamos num jantar da corte.

Ela tornou a mordiscar seu bolinho, porém com mais classe.

— Você parece ser o irmão mais velho. — comentou sorridente. — Como se chama?

— Itachi.

Ela deitou a cabeça sobre sua mão livre, deixando-o intrigado.

— Senhorita Natsume, tudo bem?

— Bem... Você é tão diferente do seu irmão. É honesto, gentil e educado. — suspirou de forma desanimada. — Não sei o que, além da beleza, aquelas garotas enxergam no seu irmão. Talvez, da próxima vez que socá-lo deva quebrar-lhe o nariz ou acertá-lo entre as pernas...

Itachi a ouvia atentamente e um tanto surpreso por tudo que ela dizia. Desde que soubera sobre a fama de Sasuke na Toudou, nenhuma garota o atingira por achá-lo arrogante. Pelo contrário, elas imploravam para que ele as maltratasse.

— Quando esse idiota chegar eu... — mostrou os punhos cerrados.

— Você não quer ir para casa?

— Claro que não! Estou com a cabeça pesada. Se chegar em casa, meu pai irá pesá-la mais.

Olhou-a admirado. O ódio que ela sentia por seu irmão transparecia a cada palavra e atitude sua. Talvez, fosse curioso deixá-la ficar para ver o desfecho daquela trama.

— Você pode emprestar seu celular ou coisa semelhante? Irei mandar uma mensagem ao meu pai dizendo que estou bem.

Ele tirou do bolso de sua calça um aparelho preto e moderno. Maya encantou-se quando percebeu que as funções deveriam ser executadas teclando no próprio visor. Logo que terminou o envio da mensagem voltou a mesa parecendo estar mais tranqüila, porém cansada.

— Se quiser pode dormir na minha cama hoje. — ele sugeriu com um sorriso.

— Como é? — indagou incrédula. — Mais de vagar porque eu não tenho idade para essas coisas. Além disso, as farei com a pessoa que amo.

Ele deixou escapar uma pequena risada ante ao equívoco que ela criara.

— Não disse que dormiríamos juntos. Apenas ofereci minha cama para você dormir essa noite.

Maya sorriu sem graça. Não deveria ter falado demais. Porém isso era um problema difícil de ela controlar.

— No entanto, quem é a pessoa que ama? Não é o meu irmão, é?

— Como pode fazer uma pergunta dessas! — aumentou a voz perdendo todo o controle que havia mantido até o momento. — Seu irmão é um cara que não merece ser amado nem por um animal. Ele é um sádico...

— Ou talvez, incompreendido.

Incompreendido? — Maya olhou-o estarrecida, porém logo pensou que pudera ser verdade. Sempre acreditara que a vida há seus motivos. Não o conhecera antes, muito menos sabia o porquê de ele portar-se daquela forma com as pessoas. Mas... Mas isso não justificava seus atos. Não mesmo!