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Capitulo 2 – O Tigre.
O sol já havia se posto, Lin e Long estavam na cama dormindo, mas Azula observava o teto pensando em que faria a seguir.
Não tinha certeza se Zuko achava que ela estava morta, ele poderia estar simplesmente mentindo para o povo, a família real fazia isso há anos... Por outro lado Zuko nunca havia gostado da idéia de mentir para o povo deles, isso faria com que ele caísse mais rápido ainda, ele não tinha um pulso forte, ele não merecia o trono de Agni.
Não sabia por quanto tempo agüentaria viver com aquelas crianças e mais ainda fingir, sem falar no sonho que havia tido, não que os sonhos a perturbassem tanto assim, mas esse tinha algo mais...
Passou mais algumas horas olhando o teto, até o sono a vencer.
Ele era o fogo, eternamente jovem, que apagava e a ascendia porem imortal. Todo dia, ele se elevava para iluminar o mundo, mas por 100 anos teve sua visão nublada, pelo desequilíbrio dos elementos, e por seis anos ele observou os dois herdeiros a seu trono.
E esperou.
Mas havia chegado à hora...
"Você tem o coração no lugar errado..."
Era a mesma nevoa pegajosa e espessa que inundava seus pulmões, e não há deixavam respirar direito. Ela ficou parada lá, tentado respirar melhor e achar uma saída da névoa, quando sentiu uma presença.
Se voltou para olhar, mas sentiu uma espada atravessar o lado esquerdo de seu peito e ser retirada. Ela se voltou e viu o Espírito azul, quando ele deu o segundo golpe, ela rapidamente tirou a camisa que usava e a prendeu a espada com a qual ele a atacou e a pegou para si.
O Ar pesava mais ainda, ela sabia que não conseguiria dobrar o fogo sem controlar a respiração, por isso teria que se virar com a espada.
Momentos tensos se passaram, onde ela encarou o espírito por algum tempo. Seu peito arfava sob o pano que o cobria e o frio da névoa começava a tornar os braços da jovem dobradora pesados e incessíveis, mas ela manteve a estância firme. Se perguntava o que o Espírito fazia ali, porque ele?
Quando o espírito atacou, foi difícil mover os braços, mas ela deteve o primeiro golpe, mos os seguintes foram ágeis e cada vez mais difíceis de se reter, o segundo passou raspando, o terceiro fez um corte em seu braço e o quarto entrou no peito dela, do lado direito dessa vez, e dessa vez ela olhou para o espírito, e sua mascara inumana assustada...
"Como...?" – Ela perguntou recuando e apertando o peito onde o a espada atravessou tentando deter o rio de sangue que escorria, e o espírito nada disse, apenas a olhou.
'É real demais... Isso não pode ser um sonho... '
E caiu para trás e fechou os olhos, sentiu a nevoa se desfazer, a umidade e frio irem embora, e por alguns segundo ficou confortável, mas isso não durou muito, pois o calor e a claridade só faziam almentar.
Azula abriu os olhos com o sol brilhando em sua face, forte como sol de meio dia e só parecia esquentar. O sol a cegava, esquentava seu rosto e só parecia ficar maior e mais próximo de uma maneira desesperadora.
"Lin, LIN!"
E assim Lin foi expulsa de um sonho maravilhoso com o menino mais lindo da vila...
"Ahn... O que é Long?" – Ela respondeu Sonolenta...
"Ilah, eu acho que tem alguma coisa de errado com ela..."
"Chegou à hora de cumpri sua missão..."
"Long, pega a água do rio, ainda deve estar fria."
O Calor estava insuportável, sua cabeça não funcionava e seus nervos a flor da pele não aliviavam a situação, ela fechava os olhos, mas a luz passava pelas pálpebras nada ajudava. Então, olhou para o lado e viu ali deitado um tigre.
O animal parecia não ligar para o calor, apenas estava deitado lá, como se estivesse no local mais fresco do mundo olhando para ela.
De repente ocorreu a Azula que aquele era o momento (ou sonho, ela já não sabia mais) mais estranho da sua vida...
Fechou e apertou os olhos, e quando os abriu de novo sentiu algo sobre sua barriga, era o tigre que estava deitado ali, plácido e calmo.
Chegou a hora de corrigir.
Azula acordou coberta em suor. Já era noite, e era a lua que brilhava. Ela nunca havia pensado que nem por alguns minutos iria preferir a Lua ao Sol, mas mesmo deixando sua dobra fraca, o frio da noite e da Lua eram um alivio depois de uma noite e um dia de sonhos confusos e febre.
Dessa vez havia sido como se ela tivesse sido engolida pelo sol. Nunca havia sentido tanto calor, alem do mesmo nevoeiro do sonho anterior, que tinha tido no celeiro e o Espírito Azul, mas agora havia o tigre algo sobre "corrigir os erros", e mudar as coisas, mas ela não havia entendido nada...
Principalmente não entendia era a parte de corrigir... Corrigir o que? Ela não fez nada alem de ser uma filha leal ao seu pai e sua nação e defender o lugar do fogo, como o elemento superior, o que há der errado com isso?
"Oi!" Azula ouviu a voz e se virou para encontrar Lin. "Você está melhor?" A garota esfregava os olhos.
"Sim!" Respondeu simplesmente. "Foi você que cuidou de mim?"
A menina fez que sim com a cabeça parou ao lado e começou a olhar para lua também, após uns segundos de silencio, falou: "Não houve muito que fazer na verdade, a febre se estabilizou com um pouco de água, depois eu sabia que bastaria você suar que a febre iria embora sozinha. Você é forte, com certeza sairia bem daquela."
"Você é bem inteligente e tem um conhecimento muito grande para a sua idade." Comentou Azula... "Foi uma atitude bem tola em simplesmente acolher um desconhecido." Disse quase do nada, mas era uma coisa que estava passando pela sua cabeça.
"Eu já disse: A guerra acabou, não há perigo."
"Ainda assim..." Nem Azula sabia por que dizia aquilo. Enquanto tivesse abrigo e comida que importava o motivo de a garota a receber e cuidar dela?
"Eu sei..." Admitiu Lin.
"E fez mesmo assim?"
"Eu não pensei nas coisas desse jeito... Sabe, você foi a primeira pessoa que eu encontro no meu celeiro com uma queimadura no corpo. E no final das contas, você era uma soldada aliada do príncipe então não há o que temer..."
"E como você sabe tanto sobre curas?" Mudou de assunto.
"Velho senhor Mong, as pessoas da vila o achavam maluco, mas ele era um gênio. Foi ele que me ensinou a fazer ungüentos para queimaduras, assim que soube que o Long queria aprender a fazer dobra de fogo. Também foi o senhor Mong quem me falou tudo sobre Lady Ilah. Ele disse que conheceu pessoalmente e que ela foi a única pessoa na qual se podia acreditar em tudo de bom que se dissesse."
Azula sabia dessas coisas todas e na verdade sempre havia admirado a sua avó (apesar de não tê-la conhecido), uma mulher tão digna que seu primeiro filho foi nomeado em sua honra.
Ilah havia morrido no parto de seu segundo filho, e Azulon sempre havia culpado Ozai por isso, um pouco como Ozai sempre havia culpado Zuko por Ursa ir embora.
"O senhor Mong" continuou Lin "também cuidou de mim e de Long quando meus morreram até o nosso irmão voltar da guerra entre as nações, e depois por algum tempo quando começou a guerra de Fogo."
"Guerra de Fogo" era o nome que o povo tinha posto na briga dela com o Zuko pelo trono. Ocorreu-lhe que as pessoas em suas famílias sempre fizeram escolhas erradas sobre quem seria o próximo governante, Azulon preferia a Iroh a seu pai, e seu pai foi o Senhor do Fogo, Seu pai a preferia a Zuko e Zuko era o Senhor do Fogo... Ao menos por enquanto...
"E você, tem família?"
"Não!" Respondeu 'com toda a sinceridade', como sempre, apesar de a imagem de seu pai ter imediatamente passado pela sua cabeça. "Sou órfã."
"Bem, eu também sou... Agora." Sorriu Lin, tristemente. "Sobrou um pouco de comida. Está com fome?"
"Pesando bem... Estou!"
"O senhor Young nos deu um pouco de massa, então a comida está menos rala hoje."
E entraram.
O sol amanhecia sobre o palácio da Nação do Fogo, normalmente há essa hora, Zuko estaria treinando dobra de fogo, mas ele tinha cabeça para aquilo no momento, decidiu apenas se sentar sob o sol e pensar um pouco.
Estava sob muita pressão ultimamente, havia assumido o trono há uma semana, tinha um casamento marcara dali a um mês, além de as palavras de seu tio Iroh não saírem de sua cabeça.
Poderia Azula estar viva mesmo? Não, não era possível, mesmo sem um corpo, ele tinha certeza que ninguém jamais teria sobrevivido a aquilo, pelo menos não a um golpe daqueles bem em cima do coração.
"Ah, porque me preocupo com isso?" – Disse para si mesmo. "Já tenho bastantes problemas reais, porque me preocupar com os imaginários?"
"Falando sozinho?" – Perguntou uma voz atrás dele, uma voz que ele conhecia bem.
Mai sentou-se ao lado dele.
"Falando comigo mesmo!" – Ele respondeu.
"Como você consegue acordar tão cedo?"
"Levanto-me com o sol." Ouviu um sutil bocejo de Mai. Sorriu. "Aparentemente você não."
"Fiquei conversando com Lady Ursa até bem tarde e..." ela ficou calada por alguns segundos "ela parece estar melhor."
Zuko sabia muito bem do que ela estava falando. "Isso é muito bom."
Outro bocejo. Outro sorriso.
"Me pergunto o que te tirou da cama tão cedo..."
"Falcão mensageiro, minha mãe mandou a carta mais cedo por causa da noticia do nosso casamento."
"Então, como estão as coisas?"
"Bem, Tom-Tom está indo muito bem na escola, meu pai está se saindo bem administrando a província de Chong e minha mãe quase teve um ataque do coração com a noticia... Normal."
Zuko fez que sim com a cabeça. "Então está tudo bem."
"E você?" – Perguntou Mai.
"Eu estou bem."
"Não! Tem alguma coisa te preocupando."
"Tio Iroh acha que Azula pode estar viva..."
"É, isso também me ocorreu..."
Essas palavras surpreenderam Zuko. "Você também?"
"Bem, se tratando de Azula, ela pode muito bem estar viva."
"Eu a atingi bem no coração."
"Talvez esse fosse o problema, não tenho certeza que houvesse algo ali, mas mesmo que Azula esteja viva, o que ela vai fazer? Todos os generais que se aliaram a ela estão presos o Dai Li foi deportado para o Reino da Terra e sumariamente executados, o povo está cansando de guerras, e se ela estiver viva ela só pode estar entre eles, se revelar quem é vai ser presa, SE ela estiver viva, está de mãos atadas, se ela está morta, não há com que se preocupar."
"Eu vou treinar." Ele se levantou e a ajudou a se levantar. "Obrigado!" E a beijou.
E não foi qualquer beijo, foi um da classe: "Vou pro campo de batalha".
A realeza da Nação do Fogo era pouco dada a demonstrações de carinho. Ainda mais um beijo daqueles, não que não tivesse acontecido antes, mas um beijo com tal envolvimento de línguas, com tal ligação de lábios, braço na cintura, mão na nuca, corpos próximos (e por Agni, ele estava sem camisa) e tão forte que ela involuntariamente cravou as unhas tingidas de preto nas costas dele... Com tal vontade, só antes de missões de vida ou morte... Ela até que poderia se acostumas com aquilo...
Depois de certa eternidade curta (ou foi assim que pareceu a Mai).
"Nossa! Eu planejava ir dormir agora, mas eu perdi o sono."
"Então já sei como te acordar quando nós nos casarmos."
Mai respirou fundo: "Mal posso esperar." Ah, sem duvidas ela podia se acostumar com aquilo...
E enquanto voltava para o castelo, ocorreu-lhe que provavelmente levaria muito tempo para ficar entediada de novo.
Zuko por outro lado, pensou que se o poder da dobra de fogo vem das emoções ele tinha poder pra lutar uma guerra sozinho.
Ursa já havia acordado uma hora antes de o sol nascer. Nos últimos dias, não havia dormido bem, sabia que não poderia ter feito nada por Azula, mas ela ainda assim era sua filha e ela não estava lá.
Sempre havia pensado que havia algo de errado com Azula, no modo dela agir, o desprezo pelos sentimentos dos outros, ela conseguia ser pior que Ozai, porque até mesmo ele conseguia mostrar sentimentos... As vezes... Bem relutantemente... Mas ainda assim era algo. Azula parecia ser movida única e exclusivamente pelo que ela queria, e porque iria magoar os outros... Porque ela era assim?
Ursa Jamais entenderia...
Ela tinha um ímpeto de rezar pela alma da filha, mas por alguma razão, não conseguia, como se não houvesse nada pelo qual rezar, e isso a assustava.
Fechou os olhos, respirou fundo, e lavou sua mente das memória de sua filha...
Estava com fome, não havia comido direito nos dias anteriores, e alem do mais tinha que preparar o café da manhã do "hospede especial" e depois tomar chá com Iroh.
Lin acordou e arrumou a cama, foi para o celeiro para ordenhar o porcovaca e pegar alguns ovos para fazer o café da manhã, mas ao passar pela cozinha para ir pro celeiro, viu que o leite e os ovos já estavam lá.
Por volta de uma hora mais tarde enquanto Lin e Long tomavam o café, "Ilah" chegou.
"Bom dia Ilah!!!" – Disseram os dois ao mesmo tempo.
"Bom dia!" – Respondeu Azula, bem menos animada.
"Nossa, você parece meio... Frustrada!" – Disse Lin.
"Nada demais." Respondeu.
"Foi você quem pos os ovos e o leite na cozinha hoje de manha Ilah?"
"Sim! Acordo bem cedo coisa de... Soldado."
"Você sabe ordenhar porcovacas?" – Perguntou Lin.
"Aprendi no exercito." – Na realidade foi uma estranha curiosidade de criança que lhe ocorreu quando estava em uma das fazendas da família, um dos ordenhadores a ensinou. Depois ela queimou a mão dele por algum motivo que já não se recordava (que a fazia sorrir ao lembrar da cara do homem), mas não vinha ao caso.
Long deu uma cotovelada nas costelas de Lin e disse algo como "Fala!" em um tom inaudível que era perfeitamente audível.
"Hum-Hum!" Lin limpou a garganta. "Bem Ilah, já que o assunto está em afazeres da fazenda, bem, eu... Você sabe, você está morando aqui e tudo mais, e Hung ainda vai levar um tempo para voltar do quartel então, nós, digo, eu e Long estamos meio atarefados sabe... Então gostaríamos de... Bem..."
"Pode ajudar a gente a cuidar da fazenda?" – Disse Long sem rodeios.
'Que outra escolha tenho? A queimadura ainda arde, e essa menina é útil.' pensou Azula... "Claro! Ajudo sim!" Disse para as crianças.
"Nascida com Sorte." Pensou amargamente. "Sei..."
Como se não bastasse naquela manhã, ter descoberto que já não podia mais fazer nem a mais básica, das dobras de fogo...
Continua...
N/A: Segundo capitulo Up!
Espero que tenham gostado, apesar de esse ser um capitulo de transição e isso ser meio chatinho um pouco mais sobre a família do fogo aqui, gosto deles (convenhamos que se não gostasse não estaria escrevendo uma fic sobre a Azula).
É duro escrever sobre a Mai e a Ursa, a Mai porque ela só aparece no desenho passando por uma fase de adolescente Emo-Góticas que sempre passa quando se chega à vida adulta e por nós não sabermos sobre o que ela realmente pensa, e a Ursa porque ela e os sentimentos dela em relação a Azula, principalmente, não são citados também.
Também teve esse sonho da Azula, cheio de simbolismos e completamente doido, mas acreditem, eu vou explicar, foi complicado de se entender, e de se fazer também, coloquei um monte de simbologia e fiz umas pesquisas legais. Espero que a explicação satisfaça.
O momento "Maiko" está dedicado a minha amiga Ísis (como você pediu moça XD)
